A
A
voltar ao inicio
Mulheres na tecnologia: you code, girl!
#20

Mulheres na tecnologia: you code, girl!

DIVERSIDADEConvidados:

Karen Santos - CEO da UX para Minas Pretas

Cynthia Zanoni - Fundadora da WoMakersCode

Sobre:

Sabia que o mercado de tecnologia, assim como muitos outros, é predominantemente masculino? Apenas 20% das pessoas que trabalham com TI são mulheres e apenas 15% dos alunos de ciência da computação e engenharia são mulheres. Mas o que dificulta a participação delas nesta indústria? O machismo estrutural e o processo de educação das meninas são os principais responsáveis, por isso as perspectivas de mudança ainda parecem distantes. Vamos entender melhor o papel da mulher no desenvolvimento da tecnologia? Ana Paula Xongani e Ricardo Morais recebem Karen Santos, CEO da UX para Minas Pretas, e Cynthia Zanoni, fundadora da WoMakersCode, para entender a luta diária pela democratização deste mercado. A tecnologia impacta diretamente a vida das pessoas e as empresas estão cada vez mais tecnológicas, mas ela só será verdadeiramente para todxs quando ela for construída por todxs. Quer saber mais? Aperte o play!

Mulheres na tecnologia: you code, girl!
Transcrição:

Ana Paula Xongani – Em um mundo cada vez mais tecnológico, onde mais e mais conhecimentos são exigidos, nossos currículos devem estar sempre atualizados. Devemos sempre saber pelo menos o básico de novas mídias, novas tecnologias, novas ferramentas de trabalho na nossa área. Para quem trabalha com tecnologia então, as exigências são absurdas!

E nessa área tão restrita, há os profissionais do gênero masculino e as mulheres estão tendo que se esforçar mais do que nunca para enfrentar a cultura do patriarcado, enraizada nessa indústria, E para mostrar que nós não ficamos atrás de homens para nada, no Trampapo de hoje vamos falar com duas mulheres que estão tendo que se mostrar verdadeiras hackers para invadir a área da tecnologia e ocupar o nosso espaço.

Vinheta – Trampapo, fica esperto, aumenta o som, que a gente tem o dom, se não quer trabalho chato, se liga no Trampapo, a Xongani e o Ricardo vão te dar um papo reto, evolua a sua cabeça, aproveita e fica esperto. Trampapo.

Ana Paula Xongani – Eu sou Ana Paula Xongani, sou empresária, criadora de conteúdo nas redes, apresentadora e mãe. O Trampapo busca ser um podcast inclusivo para pessoas com deficiência. Então, para ser cada vez mais acessível, é possível conferir a transcrição dos programas em texto ou em Libras no nosso site, que é: www.trampapo.com.br.

E para os ouvintes com deficiência visual, eu, Ricardo e nossas convidadas, vamos fazer uma autodescrição. Como eu disse, eu sou Ana Paula, sou uma mulher careca, preta, de olhos escuros, altura mediana e corpo volumoso. Ricardo?

Ricardo Morais – Oi! Eu sou Ricardo Morais, eu estou Gerente Sênior de Marketing na Catho. Eu sou homem branco, segundo a Xongani, eu sou alto, tenho 1,81 e tenho cabelos pretos. Agora eu queria que a Karen Santos descrevesse, falasse com a gente um pouquinho.

Karen Santos – Olá! Eu sou a Karen Santos, tenho 28 anos, sou uma mulher preta, de pele retinta, uso tranças soltas no cabelo e tenho estatura mediana também.

Ricardo Morais – Legal! Cynthia Zanoni?

Cynthia Zanoni – Olá! Eu sou a Cynthia Zanoni. Eu sou uma mulher branca, de cabelo curto, com um pouquinho de cor verde e lilás, tenho um corpo volumoso...Acho que é isso, não é?!

Ricardo Morais – Vou pegar esse gancho aqui! Cynthia, já que vamos começar por você, conta um pouquinho da sua história e fala um pouco de você. Como é que você chegou nesse momento da sua carreira?

Cynthia Zanoni – Legal! Obrigada pela pergunta, Ricardo. Bem, eu sou uma desenvolvedora de software e eu já tenho mais ou menos 10 anos dentro da área de tecnologia. Eu comecei desde cedo a sonhar muito com aquilo que na época era informática, né?! Era aquele sonho do computador, jogos e tantas coisas.

E isso foi me guiando muito a sempre tentar me aproximar dessas coisas que eram um pouco diferentes e principalmente, que eu tinha pouco acesso durante minha infância em função de condições financeiras da minha família e etc. Isso foi uma coisa que cada vez mais eu tinha contato, principalmente com aqueles joguinhos antigos de Windows. Cada vez mais o meu olho ia brilhando e eu fui criando esse propósito, do que eu queria.

Hoje, consequentemente, além da minha carreira profissional como técnica, eu também faço gameplays, que é jogar on-line com o pessoal em algumas redes sociais e isso é bem focado para games. E aí eu criei aquele propósito que eu queria não só me divertir com a tecnologia, mas eu queria ser uma mulher que criasse aquela mesma experiência para outras pessoas.

Eu terminei o ensino médio e já trabalhava em algumas coisas para literalmente conseguir juntar um certo valor financeiro para que eu pudesse começar a investir nos meus estudos. Isso era uma coisa que para a realidade da minha família, naquela época, não seria possível. E desde ai começou a minha grande missão, porque eu fui fazer um curso técnico e dentro da minha turma tinha mais de 60 pessoas, mas apenas 3 eram mulheres.

E eu fui a única que consegui me formar. E aí com isso, eu comecei a me engajar cada vez mais em comunidades e fui crescendo na minha carreira também.

Ricardo Morais – Legal! Karen, fala um pouco de você e conta sua história para a gente.

Karen Santos – Bom, eu sou formada em design gráfico desde 2015, mas eu iniciei a carreira mesmo, colocando a mão na massa desde muito cedo. Olha, já fui babá, professora de dança para criança, monitora de informática, secretária, já limpei lares e até já fui operadora de telemarketing.

E aí em 2013, eu comecei a faculdade de design gráfico e logo quando eu estava para me formar, eu entrei numa agência de marketing promocional para trabalhar na área. Foi bastante interessante, porque eu fiquei por quase quatro anos nesse local, então, foi um período onde eu pude ter esse aprendizado na área de design.

Eu atuava numa equipe que tinha o foco no nicho de criança e família, então eu atendi muitos canais infantis como Disney, Nickelodeon, Cartoon Network, Turma da Mônica. Então foi um momento onde eu consegui trabalhar com personagens que eu cresci assistindo, e aí em 2018 para 2019, eu comecei já ficar um pouco na zona de conforto.

Foi aí que veio o desejo de querer experimentar novas coisas e tudo mais. Eu comecei a ouvir falar da área de UX, percebi que era uma área que eu poderia trabalhar com pessoas, poderia ser estratégica e olhar um pouco mais para o foco do negócio.

Comecei a estudar e como boa curiosa que sou, participar de muitos eventos, palestras, tudo que tinha esse envolvimento na área de UX. E aí em 2019, eu entrei em uma fintech chamada Pic Pay, que é uma carteira digital. Lá atuei como designer de produto durante um ano e foi um momento também de muito aprendizado.

Eu fui trabalhar com times, com metodologias ágeis e enfim, colocar a mão na massa e exercer tudo que eu estava aprendendo sobre a área de experiência do usuário. E hoje eu atuo na mesma função, só que no quinto andar. Eu mudei do ramo financeiro para o imobiliário. Hoje eu estou à frente de um time de compra e venda de imóveis.

Ricardo Morais – Eu nunca mais vou achar que o meu currículo é grande e variado! Eu perdi para a Karen Santos, mas de longe, de longe!

Ana Paula Xongani – Mas é muito legal quando a gente percebe a trajetória de vocês mulheres, porque eu tenho certeza que quem está no início da carreira também vai conectar com a trajetória e vai falar: bom, eu posso chegar aonde essas mulheres chegaram ou em outros lugares que eu deseje.

E eu penso que os avanços tecnológicos já estavam num crescimento desenfreado, mas essa pandemia colaborou para que mais soluções ligadas à tecnologia aparecessem para deixar nossa vida até mais fácil.

Uma pesquisa realizada pela empresa Deloitte, mostra que os investimentos nessa área aparecem em primeiro lugar nas empresas. Olha, 74% dos entrevistados querem investir em tecnologia esse ano e eu inclusive, sou uma delas!

Mulheres, para vocês, quais são os principais avanços na área da tecnologia para o próximo ano, para 2021? Já dá para saber alguma coisa sobre 2021 depois de um 2020 tão diferente? Me conta e me diz também o que é que as empresas precisam ficar ligadas para não ficar para trás. Vou direcionar. Vamos agora começar com Karen Santos.

Karen Santos – Legal! Acho que tem a questão da LGPD, assim como o Ricardo comentou, é a Lei Geral de Proteção de Dados, que exige que as empresas tenham esse cuidado com os dados que elas coletam das empresas e das pessoas.

Era para essa lei, digamos assim, ter entrado em vigor em 2020, mas foi para 2021 e aí as empresas que não estiverem de acordo com essa proteção, tem aí as suas punições. Então, é bacana as empresas ficarem bem alertas com isso. Acho que tem muita a questão do Big Data e o Analytics, que é a porção de dados que as empresas acumulam dos seus consumidores, das pessoas que estão ali utilizando.

Extrair esses dados, que mostram muito a insatisfação do usuário, satisfação, desejo, necessidade dessas pessoas. É como se fosse o celular ouvindo todas as coisas que a gente faz e o que a gente deseja, e depois sugerindo produtos e serviços ali para você. Isso está muito em alta e eu acredito que em 2021 também continue.

E o Data Analytics, na percepção de examinar esses próprios dados, se a gente tem um conglomerado de dados, o profissional que analisar esses dados conseguir consumir isso, consumir traduzir isso, enfim, utilizar, esses dados para novas tecnologias, produtos, serviços, soluções e tudo mais. Eu acredito que vai ser um profissional muito valorizado também.

Puxando a sardinha aí para o meu lado, e o UX design, a área de experiência do usuário vem guiando a forma como as empresas desenvolvem os seus produtos e soluções. Já para 2021, sem dúvida a experiência de usuário continua sendo uma área com bastante crescimento, bastante foco.

Gosto também de pensar nos bots, chatbots e as interfaces de voz. Então, tomem cuidado com os celulares aí, que eu vou ativar todo mundo no “ok Google”, “Hellow,Siri”, “Alexia”.... Enfim, temo outros aparelhos inteligentes ou até mesmo robôs, tipo os robôs que limpam casas, geladeiras que fazem sorvetes e essas coisas todas.

Ana Paula Xongani – Aspirador robô!

Karen Santos – Isso, essas coisas personalizadas, eu acho que vão ser uma grande aposta e até mesmo essas tecnologias que tomam no corpo e virando humanos. Digamos assim, como a Lu do Magalu, ou a Nath da Natura, entre muitas outras empresas que estão personificando as suas marcas e dando esse apelo mais humano. A gente pode até pensar no garoto Catho como influência, que vai te ajudar a encontrar uma oportunidade de emprego.

Ana Paula Xongani – A Catho. É mulher!

Karen Santos – A Catho!

Ricardo Morais – A gente quer chamar de Catharina, não é?!

Karen Santos – Demais, nossa!

Ricardo Morais – Padronizar, Catharina, hen?! Temos planos para a gente conseguir, Karen. Só vem trabalhar com a gente, Karen Santos!

Karen Santos – Vou!

Ricardo Morais – Cynthia, quando a gente olha para essa pergunta da Xongani sobre como as empresas vão ficar ligadas, qual a sua opinião? O que é que você acha que vai acontecer em 2021? Não pode falar que é pior do que 2020, isso não pode!

Cynthia Zanoni – Vamos lá. Bem, eu preciso dizer que eu amei a ideia da Karen sobre a geladeira que faz sorvete, porque isso reflete em um fenômeno que a gente viu se tornando cada vez mais latente no ano de 2020, que é a famosa transformação digital, não é?!

E atualmente eu trabalho na Microsoft como líder de engenharia e inovação, e eu consegui acompanhar diversas empresas, desde empresas grandes até startups, que estão literalmente começando aí com uma semana de vida a se desafiar e a não pensar assim, ah, eu vou ser uma empresa de tecnologia. É que na verdade, todas as empresas se tornaram empresas de tecnologia, tendo que considerar, por exemplo, a escalabilidade, que é deixar essas aplicações disponíveis para todas as pessoas, independente da qualidade do hardware do celular ou da qualidade da internet.

Você quando está prestando um serviço, tem que ter uma entrega resiliente e disponível para todas as pessoas. A questão da inteligência artificial, assim como a segurança, a cyber security que nós chamamos dentro de tecnologia, é algo que também está muito relacionado a dois principais pilares que eu vejo como tendências de tecnologia.

A primeira é a centralização nas pessoas, que é a questão da famosa humanização da tecnologia e também quebrar as barreiras geográficas, porque com tudo que nós vivemos, experienciamos no nosso trabalho, nós vimos que não precisa mais necessariamente morar na mesma cidade que eu trabalho porque mesmo a distância, eu consigo entregar essa mesma qualidade de serviço ou essa mesma qualidade de trabalho.

Quando a gente pensa em interação com as pessoas, é o fato da humanização. A tecnologia não é simplesmente dizer: ah, vamos aqui criar coisas que sejam divertidas ou interativas. Mas é mostrar para as pessoas como que a tecnologia vai estar na mão delas e assim transformar a questão da mobilidade;

Eu ouvi muito durante esse ano de 2020 um termo chamado experiência total, que basicamente é a conexão de todas as tecnologias para que nós possamos criar uma experiência híbrida. Isso é, por exemplo, o famoso shopping delivery que a gente viu bastante aí durante a pandemia. Era muito assim: eu estou em casa, mas se eu preciso de algo de alguma marca favorita ou acabar com alguma necessidade, seja fazer o famoso mercado...

Foi por isso que eu me sensibilizei com a questão do sorvete, porque às vezes você passa o dia inteiro trabalhando tantas horas e você esquece de ir ao mercado e depois pensa: poxa, eu mereço alguma coisa no final do dia.

Ana Paula Xongani – Um sorvetinho.

Karen Santos – Um sorvetinho, um chocolatinho, algo para trazer um pouquinho de alegria. E até fazer o famoso HH, que também trouxe o happy hour, que antes tinha que ir para a padaria ou para o bar. Olha, aqui em São Paulo a galera curte muito a questão da padaria, mas ir para algum ambiente que a gente possa se conectar...

Ana Paula Xongani – Calma aí, desculpa, o que é o hh?

Karen Santos – Hh é o happy hour que a gente tem aqui em São Paulo.

Ana Paula Xongani – Ah, hh, é de São Paulo esse termo, gente? Não sei.

Karen Santos – De São Paulo. Aprendi quando vim para São Paulo.

Ana Paula Xongani – Olha, já nem sei mais o que é um hh.

Karen Santos – Muito bom.

Ricardo Morais – A famosa botecada, como queira chamar. Mas aqui fica fino, é hh!

Karen Santos – É hh para ser chique, não é?!

Ana Paula Xongani – Uau, meu Deus! O mais legal do que vocês duas falarem, trouxeram aqui para essa conversa, é esse lance da tecnologia impactar diretamente na vida de todas as pessoas e também das empresas se tornarem mais tecnológicas.

Eu sou uma empreendedora, tenho um ateliê e a tecnologia fez toda a diferença para o meu negócio. Ela fez toda diferença inclusive para eu passar por esse período, que ainda estamos passando, de pandemia e tudo mais. Então, essa consciência que a gente tem de trazer a tecnologia para a nossa vida, para o nosso negócio e que a tecnologia precisa ser humanizada, tem que ser para “todes”.É fundamental, não é, a gente democratizar a tecnologia?!

E aí eu queria fazer uma pergunta sobre isso. Quais são os planos, os projetos para que tecnologia realmente seja para todo mundo? Seja para “todes”? Tem alguns projetos em andamento ou caminhos sociais que a gente de fato humanize a tecnologia e para que a gente de fato democratize a tecnologia?

Karen Santos – Eu acho que nós possamos humanizar a tecnologia, nós precisamos pensar nas pessoas e na sociedade. E se na sociedade nós temos uma ampla representação racial e de gênero e tantas outras pluralidades, isso deve ser o compromisso de todas as pessoas que já fazem parte dentro da indústria de tecnologia e inovação.

É criar movimentos de ações positivas, seja dentro da empresa ou seja de forma independente. Uma coisa que eu acho que eu me conecto com a Karen, porque nós temos projetos para impulsionar mulheres dentro da tecnologia e é necessário a gente olhar e ver que o mercado de tecnologia não está representando a sociedade. E se ele não está representando a sociedade, eu preciso ter ações e decisões para fazer isso acontecer. E este é o primeiro passo então para tornar-se realmente diverso, realmente inclusivo e fazer sentido para todas as pessoas.

Ana Paula Xongani – Maravilhosa! E agora, pensando nisso, vamos ver esses dados alarmantes. Segundo os dados do IBGE, apenas 20% dos profissionais de TI são mulheres, e ganham até 34% a menos do que os homens. No Brasil, apenas 15% das pessoas matriculadas em cursos de ciência da computação, ou engenharia, são mulheres. E apenas 17 das programadoras são mulheres de acordo com a Sociedade Brasileira de Computação.

Ricardo Morais – Não é nenhuma novidade para uma mulher ter que lutar para conquistar seu espaço, sempre foi assim. Mas por que nessa área específica vemos um número tão baixo de mulheres atuantes ou com salários menores e pouquíssimos cargos de chefia? Qual sua opinião Karen, o que é que você acha que acontece?

Karen Santos – Além dos dados que a Xongani trouxe, segundo o IBGE, mais da metade da população brasileira é formada por mulheres e 27% dessa população é composta por mulheres negras. E aí quando a gente olha para os negócios, apenas 36% é do sexo feminino segundo o SEBRAE.

E esse número, falando do nicho do qual eu mais atuo, ainda é menor falando de startups. Por exemplo, se a gente pegar os famosos unicórnios brasileiros, apenas uma mulher está entre os fundadores, que é a Cristina Junqueira do Nubank. Eu conheço mais duas, que é uma CEO da Creditas, a Ana Willians, e na Love Mondays, a Luciana Caletti. E aí falando de CEOs negras, tem a Maitê Lourenço da Black Rocks, a Nina Silva do Movimento Black Money. E como posição de liderança, eu conheço a Rachel Maia, que é ex-Lacoste.

Acho que a gente está falando e está numa área de tecnologia que é predominantemente masculina. E aí trazendo algumas perguntas, quanto desses executivos acreditam que as mulheres deveriam ter as mesmas oportunidades do que eles? Quantos no fundo ainda acham que as mulheres devem tomar conta de casa e que os homens precisam ser os provedores do lar? E quantos desses CEOs e líderes que são homens deseja abrir mão do seu privilégio e ser chefiado por uma mulher?

Então, acho que a gente tem um desafio gigantesco aí sobre área de tecnologia, sobre lideranças femininas e é um espaço que deve sim ser ocupado por mulheres. Mas que ainda é muito difícil e eu enxergo muita dificuldade nisso, sobretudo o meu recorte de mulher e negra. Eu consigo ainda enxergar um número maior de mulheres, que já é pequeno, mas quando a gente faz esse recorte de mulheres negras, ele é muito menor.

Ana Paula Xongani – Existem mais alguns desafios aqui, eu quero ler para vocês um relato, na verdade, vários profissionais do ramo de tecnologia mostram várias dificuldades que elas passam somente por serem mulheres dentro dessa área. E aí eu li um depoimento de uma desenvolvedora de back-end e líder de tecnologia da GAP, a Thaís Faria.

Ela conta que já teve que adotar comportamento masculinizado para se inserir em ambientes machistas. Enfim, isso é visto em várias áreas, em vários ambientes que tem vários homens. Muitas mulheres falam a mesma coisa: ah, preciso me tornar mais masculina para lidar com esses homens.

Além de uma outra questão muito importante que a gente precisa tratar, ela disse sobre o assédio sexual de um colega que ela sofreu e que não podia reportar ao RH porque ele disse a ela que nada ia acontecer.

A Thaís disse assim: “Acho que essas situações acumuladas incomodam e prejudicam o seu desenvolvimento. Não te permite ser quem você é e a entregar todo o seu potencial. Quando eu estou numa sala com 22 homens e sou a única mulher, eu sinto que eu estou representando toda a minha classe de mulheres e então eu não posso errar”. A colega de Thaís, a Eduarda Carvalho também Gerente de Produtos da GAP, completa: “Quando eu converso com mulheres, eu vejo o tanto que o manterrupting é comum”.

Para quem não sabe, é um termo em inglês que significa ser interrompida por homens constantemente de maneira desnecessária. Ah! Por sinal, a gente precisa de um termo aqui no Brasil porque isso também acontece muito com a gente em ambientes predominantemente masculinos, onde o machismo de um, valida o machismo de todos.

O que será que uma mulher pode fazer para se proteger, como pode agir dentro dessa empresa, principalmente quando a empresa não tem a ação de estar do lado dessas profissionais? Inclusive, eu queria saber de vocês se tem tecnologia para isso, ou se são os recursos mais analógicos, sabe? Tipo o respeito, empatia, cuidado com essas mulheres. Como é que é isso dentro do ambiente profissional? O que vocês fariam ou tem algum conselho para essas mulheres que estão nessa área?

Karen Santos – Olha, eu penso que tem algumas coisas que nós mulheres podemos fazer, mas sem isentar de maneira alguma a responsabilidade da empresa de criar um ambiente seguro, acolhedor, equitativo para mulheres. Isso também falando de cargos, salários, benefícios, tratamento, condutas e leis.

Se você está num lugar que apesar de identificar o machismo ou qualquer atitude que você considera ruim para si, ou para o todo. e escolhe se manter lá... Não sei o motivo, talvez porque é um lugar que está fazendo sentido para sua área naquele momento, ou você não pode sair. Eu sei que boletos a gente precisa pagar! Seja por que você está disposta a continuar por outros motivos, eu diria primeiro para buscar aliados dentro da empresa, pessoas que você possa conversar abertamente sobre esses assuntos.

Segundo, vá fazer relatos desse abuso caso a empresa tenha algum espaço seguro para isso. Não deixar passar, porque se a gente deixa passar, isso permite que outros casos aconteçam mais vezes.

Geralmente, as empresas têm uma área de complaice, área de pessoas ou o próprio RH ou ouvidoria, então, denuncie. Não deixe isso passar, porque você precisa ser resguardada e isso precisa fazer parte da cultura e das regras das empresas.

Ana Paula Xongani – Vamos então para o Manda o Papo. Agente sempre tem ouvintes incríveis, soltando a voz, com perguntas ou depoimentos. Hoje temos a Dani Monteiro, que também trabalha na área de tecnologia. Então Dani, manda o papo para a gente.

Dani Monteiro – Oi gente, tudo bem? Meu nome é Dani Monteiro e sou Mestre em Engenharia da Computação. Ganhei alguns prêmios dentro e fora do Brasil e quando começo a pensar sobre ser mulher em tecnologia, eu lembro um pouco da minha jornada. Isso me ajuda a continuar batalhando para as mulheres que estão chegando, para que as mulheres que estão entrando na área de tecnologia não passem pelas mesmas coisas que eu passei.

Então, se alguém me pede uma palavra, eu sempre vou lembrar de resiliência, porque nós precisamos ser resilientes, nós precisamos encarar a mudança e encarar os desafios. E isso não quer dizer que precisamos deixar de lado a programação, a inteligência artificial, o banco de dados, não. Isso quer dizer que nós precisamos sim estudar muito, mas nós também precisamos estar juntas.

O sucesso na área de tecnologia é ter a sua rede de apoio, é ter as pessoas que vão te ajudar, as pessoas que conhecem a sua dor e que conseguem ter empatia. Assim, a gente tem mulheres mais fortes, que vão servir para sustentar as mulheres que virão. A ideia é que todas as mulheres venham em ombros de gigantes. Então, vamos ser as gigantes que vão trazer as próximas gerações para a tecnologia e que vão mudar efetivamente o mundo que nós vivemos.

Ana Paula Xongani – Sabe o que eu acho bonito do nosso ser mulher? É que a gente está construindo esse presente, mas a gente também está construindo o futuro. Cada avanço, cada passo, seja na área de tecnologia ou qualquer área que você trabalha.

A gente está fazendo isso pelos nossos próprios resultados, mas também para deixar para as futuras gerações um novo caminho. Aí eu queria saber de vocês brevemente, se pudessem fazer um “pirlimpimpim” assim, o que é que vocês mudariam agora para que as futuras gerações tivessem um caminho mais gostoso, um caminho melhor dentro da área da tecnologia?

Cynthia Zanoni – Bem, se eu tivesse esse poder aí de lançar uma mágica, eu queria muito que as pessoas tivessem mais consciência. E ter consciência não só sobre si, mas sobre as outras pessoas e entender que cada pessoa tem a sua jornada e a sua individualidade. Isso é muito necessário, nós precisamos ter calma em muitas situações para conseguir entender e ter a famosa empatia para quando interagir com as outras pessoas.

E isso está muito ligado também com a inteligência emocional, que é a questão da regulação e de conseguir interagir com as outras pessoas. E eu acho que a chave disso é ter consciência para conseguir respeitar, oportunizar e tomar decisões. Por exemplo, abrir espaço para as outras pessoas também para que as coisas melhorem para você.

Eu vejo a questão de diversidade e empoeiramento das mulheres muito ligado a isso, no pensar no agora, mas pensar nos outros e na gente também, e isso é muito baseado na consciência.

Ana Paula Xongani – E você Karen Santos?

Karen Santos – Eu concordo muito! Acho que a gente falar de área de tecnologia, a gente entende que é uma área que está em ascensão e com muitas oportunidades surgindo. A minha impressão, atuando com comunidade, é que essa oportunidade ainda não é para todos, faltam oportunidades para quem quer iniciar e falta oportunidade para grupos diversos, grupos menorizados.

Acho que se eu tivesse esse poder, seria ampliar e sacudir completamente esse mercado, trazendo essa importância da diversidade e da inclusão, da equidade. Quero deixar muito transparente que a tecnologia só vai ser melhor construída quando diversos tipos de pessoas estiverem lá na frente, não só na ponta, como consumidor.

Ana Paula Xongani – Sei não, hein, eu diria que talvez vocês já tenham esses poderes e já estão fazendo isso dentro da área de atuação de vocês. Olha, se lidar com o machismo nesse mercado é tão difícil, imagina para uma mulher negra, que tem que além de tudo, lidar também com o racismo, com a intersecção dessas duas coisas. Lembrando sempre que as mulheres negras acumulam os piores indicadores sociais do país que a gente vive, aqui do Brasil.

Ricardo Morais – Bom, de acordo com o IBGE, o percentual de mulheres brancas com ensino superior completo é 23 vezes maior do que o de mulheres negras. E apenas 10% das mulheres negras têm ensino superior completo.

Ana Paula Xongani – A Diretora da Olabi, Coordenadora da Preta Lab, Silvana Bahia explica: “As tecnologias estão carregadas de visões políticas, econômicas e culturais de quem as cria. E esse poder hoje está centrado nas mãos de homens brancos, heterossexuais, classe média ou ricos. Isso já potencializa uma grande desigualdade em um mundo cada vez mais digital”.

Ela continua falando sobre o crescimento da tecnologia, se as mulheres negras não estiverem nesse processo, se não existirem ação para que elas estejam nesse processo, vamos perder totalmente nosso poder de integração com o mundo. E aí eu te pergunto: Karen, que medidas essas empresas devem tomar para assegurar a inclusão de mulheres negras no mercado? E quais ações nós mulheres devemos tomar nessa luta? Principalmente nós mulheres pretas?

Karen Santos – Show. É, primeiro destacar que a Sil Bahia é uma grande referência aí para mulheres negras na tecnologia, então já fica como indicação para seguirem. É complicado, porque nós mulheres pretas, a gente está tentando equilibrar esse jogo desde sempre, porém, existe uma parcela, uma grande parcela aí que detém desse poder e do dinheiro na tecnologia. Às vezes isso esbarra um pouco e impede que a gente consiga avançar ou que a gente consiga avançar pouco.

Tem uma parcela que continua achando que a gente está escondida, que não sabe onde encontrar pessoas pretas para trabalhar em tecnologia, uma parcela que insiste em pagar os menores salários, que insistem em não nos colocar como nicho, público-alvo, consumidores reais desses produtos e serviços.

Mas a gente está aqui o tempo todo, produzindo, criando, tentando ser vistas e equilibrar isso o tempo todo. E aí eu acho que não é só uma responsabilidade das mulheres negras, dos coletivos, das comunidades nas iniciativas. Acredito também que as pessoas não negras é que precisam se responsabilizar um pouco mais, não fomos nós que criamos o racismo e não é só uma responsabilidade nossa tentar resolvê-lo.

A gente faz isso e dói, dói muito. A gente faz por sobrevivência, porque é preciso, mas machuca e é cansativo. E aí vem alguns dados, tipo os que 21% das equipes de tecnologia do Brasil não tem nenhuma mulher. Olha, segundo a Época, mulheres negras recebem menos da metade do salário de homens brancos no Brasil. Já segundo a El País, as empresas lideradas por mulheres negras são as mais atingidas na pandemia.

É como a Xongani disse, foi preciso se reinventar nesse momento, através da tecnologia. E a recessão gerada pela pandemia também impacta mais as mulheres no mercado de trabalho. E as mulheres negras, elas recebem um tratamento diferente, elas sofrem mais nas empresas, nos locais que elas atuam.

E puxando agora um pouquinho para a minha comunidade, falando de UX, faço UX para mulheres pretas. A gente tem um grupo dividido com mais de 800 mulheres e em um mapeamento que a gente fez com 200 delas, 66% possuem a graduação, porém 76% ainda está tentando entrar na área de UX e não conseguiu. Sendo que todos os dias pipocam muitas e muitas vagas de UX por aí. Porém, todas elas inalcançáveis ou com níveis de atuação muito elevado.

Isso faz com que não haja oportunidade para mulheres que estão iniciando ou com cargos menores e isso realmente para elas ficam muito difícil de acessar. E essas mulheres em sua maioria, são periféricas e desejam iniciar nessa área de tecnologia que ao ver de primeiro impacto, tem muita possibilidade.

Mas quando a gente vai se deparar com essa oportunidade de fato, a gente tem inúmeras barreiras para conseguir entrar. O processo de capacitação da comunidade a gente faz, a gente tem bolsas de estudos com as melhores escolas e professores do mercado. A gente puxa essas mulheres até a metade da ponte, mas é preciso que as empresas contratem, que peguem essas mulheres da metade da ponte e continuem fazendo esse trabalho. Então, acho que existe uma coparticipação aí de ambos os lados.

Ana Paula Xongani – Que bom que a gente tem vários projetos liderados por mulheres, feitos aqui no Brasil e no mundo, para gerar esse caminho possível para a próxima geração e para a gente também dessa geração alcançar esses lugares.

Espero que cada vez mais o mundo da tecnologia seja um lugar para a gente, um lugar saudável para a gente. E eu sei que Cynthia Zanoni também tem um projeto, onde capacita e transforma esses caminhos pavimentados para mulheres. Fala mais para a gente, Cynthia.

Cynthia Zanoni – Legal, obrigada! Sim, nesse ano estamos comemorando seis anos de WoMakersCode, que é uma comunidade feita por mulheres e para mulheres. Eu acho que faz muito sentido uma frase que a Karen Santos trouxe sobre a diversidade não ser um trabalho fácil de ser feito, seja dentro da empresa ou seja na rua.

Quando a gente olha para esses movimentos de inclusão e empodeiramento, vemos que é mais uma questão de decisão. Quando eu comecei lá há seis anos atrás, o nosso primeiro evento, nossa primeira oficina de programação não para mulheres que estavam ali no início da carreira pensando em tecnologia, mas foi para mostrar um pouco como usar algumas ferramentas no celular para um grupo de mulheres já aposentadas, que tinham lá o seu clubinho do crochê muito famoso em cidades do interior.

De onde eu venho, lá do Rio Grande do Sul, a gente conseguiu ver que em poucos meses depois dessa primeira oficina o quanto aquilo mudou na vida delas. Porque a partir do momento que elas conseguiram começar a se conversar entre si, entre as cidades, elas conseguiram levantar lá no interior do Rio Grande do Sul uma espécie de uma feira parte virtual.

Olha só, seis anos atrás já tinha a multiexperiência, que era parte virtual para entender quais eram os tipos de trabalho que cada grupo poderia produzir para decidir então qual que seria a melhor forma delas chegarem numa cidade para conseguir vender de forma conjunta. E isso acaba refletindo muito na nossa história, por que a partir do momento que nós pensamos assim: ah, não podemos ser somente que mulheres pensando e num momento ou no outro, como fazer a diferença, mas a gente precisa dar um nome para isso, e aí a partir do momento que a gente efetivamente batizou WoMakersCode, que hoje tem o símbolo de borboleta, ela reflete muito essa transformação, porque a borboleta ela nem sempre foi linda, colorida e voando alto, mas ela passou por um processo de transformação e que a gente pode pensar dentro da carreira feminina como o autoconhecimento que muitas vezes é um processo doloroso, mas que é o que vai te ajudar a crescer.

Ana Paula Xongani – E agora vamos para o nosso último quadro, a Dica Extracurricular. Aqui eu vou pedir para vocês darem dicas que podem ser da internet, um filme, uma série, uma dica de leitura, uma palestra que vocês querem indicar. Quem quer começar?

Karen Santos – Bom, primeiro quero indicar as comunidades, tem três aqui que eu trouxe, a UX também nós podemos trazer uma. Então se você é mulher preta, parda, indígena, cis ou trans, será muito bem-vinda na nossa comunidade. Ela tem o foco em UX, na área de tecnologia, então se você deseja conhecer mais, aprender, ter um espaço para trocar com outras mulheres pretas, vai ser super bacana te receber.

Basta entrar em contato com a gente através das redes sociais com o nome UX Minas Pretas. Tem também o Pretux, que é focado em UX e é uma comunidade que é um pouco mais geral, para homens, mulheres e todos os gêneros. Tem designers negros do Brasil, que também tem uma cartilha gigantesca, tem um site que é uma vitrine com diversos profissionais na área de UX. Então Ricardo, manda para todo mundo o link, tem um monte de profissional lá.

Ricardo Morais – Ótimo.

Karen Santos – Tem quatro estudos também com bastante dados legais sobre essa questão de tecnologia, gênero e tudo mais que é o da programaria, mulheres na tecnologia. Tem um da ThoughtWorks, que é o Quem Coda Brasil? O site da Preta Lab.

A Xongani trouxe algumas referências de lá e é muito bacana, tem um super reporte lá dessas informações. E também o panorama UX, que traz esse recorte, essas pesquisas mais voltadas para a área de UX e aí fala de salário, de diversidade, de como está a área. Todos os anos eles fazem uma nova pesquisa e a desse ano já está rolando também. E o filme que eu queria indicar é o Estrelas Além do Tempo, que é uma história de três cientistas negras que trabalham na Nasa na década de 60, é um filme muito bom. Acho que tem tudo a ver com nosso papo de hoje.

Ana Paula Xongani – Delica de indicação. Cynthia Zanoni?

Cynthia Zanoni – Bom, vamos lá. Tenho várias dicas aqui, mas o que eu gostaria de trazer no primeiro ponto é: valorizem as criadoras de conteúdo, existem tantas mulheres incríveis e eu especialmente fiquei muito feliz de ver a participação da Dani Monteiro, trazendo ali algumas dicas sobre ser mulher em tecnologia, porque ela faz parte do coletivo aqui da WoMakersCode.

E ela, assim como a Loiane Groner, que é uma outra Engenheira aí de software bastante conhecida dentro das comunidades, produzem muito conteúdo, muitos cursos e de forma gratuita. Elas literalmente estão tirando investimento do próprio bolso para conseguir oferecer uma oportunidade de capacitação.

Então, o que eu quero trazer é que vamos tentar nos esforçar para criar uma cultura dentro do Brasil que a gente possa valorizar as criadoras de conteúdo, porque não é fácil só chegar, abrir uma live, ou criar um vídeo. Tem muito trabalho por trás, muita capacitação e formação que a gente tem que correr atrás para fazer. Então, vamos valorizar esses conteúdos gratuitos que são ofertados aí por mulheres, dentro das comunidades.

Acompanhe as comunidades de tecnologia, venha fazer parte da WoMakersCode. Hoje a gente está presente em vários lugares aqui do Brasil, não somente no eixo aqui de Sul e Sudeste, mas a gente tem uma força muito grande no Nordeste também. A gente tem projetos que desenvolve olhando para mães, mulheres mães também que querem recomeçar.

Então aí eu acho que isso é muito importante, venham participar, todas as formações são bastante direcionadas, tanto para essa parte de soft skills, mas como também programação, com tecnologias abertas e ciência de dados também, inclusive até tenho super orgulho que em 2020, nós formamos tanto uma turma de cientistas de dados, do qual a gente teve mais de 50% de mulheres pretas e todas elas foram empregadas aí em várias startups, então acho que isso é muito legal de ver esse movimento, a questão das mães também, indo para empresas melhores aí, e tendo melhores condições de sustentar a sua família.

Tem também outras comunidades que é a Rails Girls, a Desprograme e a PHPSP, que juntas, nós criamos um coletivo que se chama Wedavsamet, que tenta conectar várias comunidades, não só a daqui da cidade de São Paulo, da cidade, do estado, mas principalmente olhar para comunidades que são de programação dentro das universidades, ou cidades, bairros, enfim, que não tem acesso a literalmente network, que é rede de contato para conseguir ajuda de empresas de tecnologia para levar alguma oportunidade para dentro da sua cidade, através desse coletivo a gente tenta oportunizar isso para essas comunidades, porque a gente não acredita na concorrência entre projetos, mas sim a soma para a gente consiga chegar ao nosso objetivo que é mais mulheres na tecnologia.

E por fim, eu quero deixar aqui a dica de um livro que se chama essencialismo, que ele foi escrito por um psicólogo inglês, que fala um pouco sobre práticas que a gente pode adotar no nosso dia a dia para melhorar o nosso foco e tentar ser uma pessoa mais direcionada para os nossos objetivos. E isso é muito especial para quando a gente pensa em mulheres que estão vendo agora na tecnologia a carreira que vai dar oportunidade para trazer o sustento para a sua casa, para sua vida, tem tanta modernidade, tanta coisa, que muitas vezes na transição de carreira, você fica perdida e não sabe qual área ir.

E aí várias dicas que trazem esse livro, inclusive ele está disponível para download gratuito na internet, vão te ajudar a ser uma pessoa multitarefas, porque a gente sabe que não adianta você tentar aparar tudo e fazer uma única coisa, mas sim ir mais forte no seu foco para você conquistar aí os seus sonhos. Então é um livro que transformou bastante a minha vida em 2020, tenho certeza que pode ser bem interessante aí para quem está nesse caminho de transformação ali e autoconhecimento também.

Ana Paula Xongani – Muito obrigada, Cynthia Zanoni. Ricardo, quais são suas dicas hoje?

Ricardo Morais – A primeira dica, é uma newsletter, que é chamada The Brief. É uma newsletter que fala sobre tecnologia, mundo de startup, novidades que gira em torno desse mundo. O que é que eu acho muito legal neles? A pegada fala muito de igualdade, eles trazem um olhar muito sobre as pessoas que estão começando na carreira, e ali você tem notícias que muitas vezes estão somente em meios lá de fora, ou estão em língua inglesa, eles traduzem bonitinho.

E todo e-mail marketing, toda newsletter é diária, todas elas vêm no começo, sempre com um gif incrível. Então assim, acho que é uma forma de você pegar um pouco mais de informação sobre o mercado de tecnologia e aí ter, sem nenhum viés.

Ana Paula Xongani – Bom, as minhas dicas de hoje eu vou indicar minhas amigas. Eu quero indicar a Info Preta, que é um projeto, é uma empresa de informática e que também oferece computadores para mulheres negras ingressarem nas faculdades de tecnologia. Quero indicar também a Lisiane Lemos que sem dúvida é uma das minhas grandes referências quando eu penso em tecnologia, ela tem o Instagram dela é lisianelemos, ela também cria conteúdo sobre esse tema, sobre o mundo corporativo, como eu disse, é uma das minhas grandes referências, então parabéns, amiga.

E para terminar, eu quero indicar um filme que me impactou, principalmente como mãe, que é o A Gente se Vê Ontem, é um filme de ficção científica que tem como protagonista uma menina preta, então ela é uma menina, gosta muito de ciência, e que usa a tecnologia para fazer diversas coisas. Então é um filme ótimo para você assistir, para você assistir com as crianças mais perto de você, para você assistir em família, para criar esse imaginário possível para mulheres negras dentro da tecnologia.

Mulheres, Cynthia Zanoni e Karen Santos, eu quero muito agradecer, sem dúvida esse papo foi extremamente transformador, para mim, e para mim enquanto mãe, para mim enquanto uma mulher atenta à tecnologia, para mim enquanto uma pessoa que também está disposta a contribuir para essa humanização da tecnologia. Então esse papo foi enriquecedor, espero que para vocês tenha sido também. Quero muito agradecer a presença e a participação de vocês. Vocês transformaram meu dia hoje, e sem dúvida, os meus próximos passos.

Cynthia Zanoni – Poxa, uma super honra participar. Obrigada.

Ricardo Morais – Muito obrigado também, fico super feliz de vocês participarem com a gente aqui, de coração, mesmo, vamos junto, vamos tentar mudar o que a gente pode, o que a gente puder suportar e fazer essa mudança, assim, são líderes femininas como vocês, que o mundo precisa assim, eu tenho, tenho como eu falei, fico orgulhoso de estar nesse habitat, esse momento no espaço da terra e saber que existem mulheres como vocês fazendo isso. Obrigado.

Karen Santos – Quero agradecer também, obrigada, Cynthia Zanoni, adorei te conhecer, conhecer sua comunidade um pouquinho mais de perto. E Xongani, obrigada, eu sou muito sua fã, te amo muito. Aceitei esse convite e 80% tem parcela da sua participação aqui, então é isso, obrigada, eu estou muito feliz com esse convite.

Cynthia Zanoni – Eu agradeço também a oportunidade, foi um prazer conhecer a Karen Santos, nós estamos fazendo tantos movimentos e ainda a gente não tinha tido a oportunidade de se conhecer um pouquinho, então foi uma oportunidade incrível, agradeço ao Ricardo, aqui a todo time da Catho, e também sou super fã aqui da Xongani, sigo as redes sociais. Quando eu olhei, eu confesso que eu tive um pouquinho de friozinho na barriga, mas disse assim olha, eu vou por que eu quero conhecer essa mulher.

Então foi muito incrível poder desfrutar da oportunidade de conhecer e estar um pouquinho com vocês aqui, e espero ter contribuído um pouco aqui para a missão. Muito obrigada de verdade.

Ana Paula Xongani – Ixi. E agora para terminar, eu sou pisciana, já estou quase chorando, nessa troca de reconhecimento e amor aqui entre nós. Muito, muito, muito obrigada. Bom, agora é a sua vez de usar a tecnologia ao nosso favor, se conecta com a gente a partir das nossas redes. O nosso Instagram é @trampapo, e o nosso site www.trampapo.com.br. Um beijo, até o próximo episódio e tchau.

Vinheta – Trampapo, fica esperto, aumenta o som, que a gente tem o dom, se não quer trabalho chato, se liga no Trampapo, a Xongani e o Ricardo vão te dar um papo reto, evolua a sua cabeça, aproveita e fica esperto. Trampapo.

Produzido por