A
A
voltar ao inicio
Fortalecendo sua imagem profissional: marketing pessoal
#32

Fortalecendo sua imagem profissional: marketing pessoal

MERCADO DE TRABALHOConvidados:

Bianca Carmignani - Senior HR Business Partner Nestlé Nespresso

Maytê Carvalho - Comunicóloga, Escritora, Professora de Retórica e Diretora de estratégia de negócios na TBWAChiat Day

Sobre:

Como você se apresenta para o mundo? Marketing pessoal, para muitos, pode parecer arrogância, mas é uma ferramenta para se empoderar de suas características, habilidades, experiências e valores. É essencial para se destacar no mercado de trabalho! No último episódio desta temporada do Trampapo, Ana Paula Xongani e Ricardo Morais recebem Bianca Carmignani, psicóloga e Head de RH da Nespresso Brasil; e Maytê Carvalho, escritora, professora de retórica na ESPM e diretora de estratégia da TBWA/Chiat Day, para uma conversa sobre boas impressões, persuasão e orgulho. Para conquistar boas posições no mercado, as redes sociais podem ser tão importantes quanto um bom currículo, elas são um palco para a sua narrativa profissional e seus projetos, assumir as suas vulnerabilidades e vender você por quem você é. Quer aprender mais sobre marketing pessoal? Aperte o play!

Fortalecendo sua imagem profissional: marketing pessoal
Transcrição:

Ana Paula Xongoni: Com certeza você já ouviu falar que a primeira impressão é a que fica, mas no Trampapo de hoje vamos questionar isso, até porque se estamos em constante evolução porque vamos ficar sempre presos à uma mesma definição? A verdade é que as pessoas são suas próprias marcas, e olha que eu não estou falando só de influenciadores digitais não tá? A forma como nos apresentamos para o mundo, nossas ideias, o tom de voz que usamos e até a maneira de tratar o próximo passam uma ideia que pode nos abrir ou fechar portas, principalmente falando do mercado de trabalho. E é por isso que é importante fortalecer a apresentação pessoal para passar em uma entrevista de emprego, conseguir promoções e trabalhar com o que se ama. Tem uma frase da música do Emicida que diz o seguinte: "você é o único representante do seu sonho na face da terra e se isso não fizer você correr Chapa, eu não sei o que vai", é isso tem tudo a ver com o que vamos falar hoje, queremos que cada vez que você estiver diante de uma oportunidade de crescer na carreira, você esteja representando os seus sonhos, seus valores e todo o seu potencial, e você, quer isso também? Então vamos começar.

Vinheta: Trampapo, fica esperto, aumenta o som, que a gente tem o dom, se não quer trabalho chato, se liga no Trampapo, a Xongani e o Ricardo vão te dar um papo reto, evolua a sua cabeça, aproveita e fica esperto. Trampapo.

Ana Paula Xongoni: Olá, eu sou Ana Paula Xongani, sou criadora nas redes, empresária, apresentadora e mãe. O Trampapo busca ser um podcast inclusivo para as pessoas com deficiência, então para quem precisa de acessibilidade é possível conferir as transcrições dos programas em texto ou em libras em nosso site, anota aí, www.trampapo.com.br. Nós vamos fazer nossa auto descrição para que as pessoas que tenham deficiência visual possam nos conhecer melhor. Eu sou Ana Paula Xongani como eu disse, eu sou uma mulher cis preta de corpo volumoso, cabelo crespo curtos e pretos, olhos escuros, hoje eu visto uma camiseta florida, a calça, a clássica calça de pijama porque eu tô aqui no meu pequeno closet porque ainda estamos numa fase crítica da pandemia. Eu tô sem maquiagem nenhuma com brinco de argola só para dar uma alegria. Tudo bem com você Rick?

Ricardo Moraes: Eu tô ótimo, apesar um pouco o coração um pouco batendo mais "ah" assim porque estamos indo para o nosso último episódio. Pessoal, eu sou Ricardo Moraes, eu estou gerente sênior de marketing da Catho, sou aqui o acompanhante da Xongani ao longo desse tempo. Vou fazer minha autodescrição: eu sou um homem cis, hétero, branco, olhos claros, barba grisalha, cabelo preto curto e agora de camiseta preta, calça preta, tênis preto, já tava me sentindo meio magro, agora tô parecendo um palito, tô me sentindo até bem até, mal sabe o sedentarismo que eu tenho. Vou aproveitar eu já aqui e vou chamar a Bianca Carmignani, acho, deixa eu ver se eu falei o nome dela certo, ela vai me corrigir, a Bianca uma das nossas convidadas.

Bianca Carmignani: Bianca Carmignani.

Ricardo Moraes: Carmignani.

Ana Paula Xongoni: Carmignani.

Ricardo Moraes: Carmignani. Tem que fazer assim com a boca, Carmignani, Bianca Carmignani.

Bianca Carmignani: É.

Ricardo Moraes: Bianca por favor, seja bem-vinda, me diz aonde você trabalha, me conta um pouquinho o que você faz e faz a sua auto descrição por favor.

Bianca Carmignani: Tá joia, obrigado pessoal, um prazer estar aqui com vocês meu nome é Bianca Carmignani, eu sou head de RH de Nespresso aqui no Brasil, também sou psicóloga de formação. Vou fazer minha autodescrição, eu sou loira com olho verde, eu tô com uma blusa rosa bem alegre para contribuir aí com o nosso bate-papo descolado, tô usando uma calça azul confortável de moletom e no pé eu estou usando aquelas meinhas antiderrapantes que eu adoro.

Ricardo Moraes: Gênio, uma delícia.

Bianca Carmignani: Trabalhar de home office com essas meinhas, um prazer estar aqui com vocês.

Ricardo Moraes: Ah que legal, ótimo, super bem-vinda, obrigada pelo seu tempinho para a gente. E agora entra aqui outra participação que é a Maitê Carvalho, veio do outro lado do planeta para falar com a gente. Fale tudo Maitê.

Maitê Carvalho: Que honra, obrigada gente pelo convite, meu nome é Maite Carvalho, eu sou escritora, tenho um livro, "persuasão, como utilizar a retórica e a comunicação persuasiva na nossa vida pessoal e profissional", com prefácio da Gabriela Prioli, um livro que já vendeu mais de 15 mil cópias. Estamos aí seguindo em frente, então acho que a gente vai falar hoje aqui de entrevistas de persuasão e tenho bastante para somar. Além disso eu dou aula na ESPM, na casa do saber e trabalho como diretora de estratégia na TBWA Los Angeles, então hoje eu estou aqui fazendo. Com a pandemia eu consegui conciliar meus antigos trabalhos do Brasil com o meu novo trabalho nos Estados Unidos e nas minhas redes eu sempre posto bastante dicas assim sobre carreira, sobre comunicação. Eu sou uma mulher hétero cis, meu cabelo é curto na altura dos ombros, era loiro, mas a raiz cresceu bastante nesta pandemia, tá em algum lugar ali no meio do caminho.

Ricardo Moraes: Californiana.

Maitê Carvalho: Eu sou morena originalmente, sabe? E eu estou usando uma jaqueta bem estampada e florida, tem tucano, tem enfim, folhas.

Ana Paula Xongani: Onça.

Maitê Carvalho: Eu tô de chinelo. Tem onça e essa sou eu, prazer estar aqui com vocês gente.

Ricardo Moraes: Legal, obrigado.

Ana Paula Xongani: O Marketing Pessoal é muito mais do que um nome bonito para vender cursos de consultoria ou coaching, e quem saca isso cedo se dá muito bem, principalmente no mercado de trabalho e é natural de nós seres humanos buscarmos transmitir uma imagem positiva de si mesmo, isso acontece desde cedo, desde que o mundo é mundo, a diferença é que nos tempos de hoje tem um nome mais bonito, que chama marketing pessoal. Então hoje vamos desmistificar um pouco esse assunto e mostrar que qualquer pessoa precisa se atentar a apresentação pessoal e não tem absolutamente nada de errado com isso, trabalhar seu marketing pessoal não é passar uma imagem enganosa, errônea de si mesmo, não é nada disso, e sim se empoderar de suas qualidades e mostrá-las ao mundo de maneira correta e mais assertiva, o mais assertivo possível, é mostrar com as suas palavras, posturas e atitudes que você é capaz e tem conhecimento, é mostrar a sua paixão pelas causas e assuntos que te movem, é se relacionar com o mundo de forma consciente.

Ricardo Moraes: É, muita gente acaba confundindo quando ver alguém que fala bem ou que se posiciona e fala "nossa, vaidoso, nossa, arrogante, nossa aquilo", que é, tem um fio alí muito... bem delicado entre o que é você fazer um bom marketing pessoal e você exagerar, então aquela propaganda chata que você não cansa de ver que te persegue na internet, então você não pode fazer seu marketing pessoal da mesma forma, tem que tomar um pouco de cuidado e o mais importante é você saber onde você se coloca. Bom eu queria que vocês primeiro dessem um pouco de percepção sobre o que é esse tão falado marketing pessoal? Sabe, um pouco de o que que é impacto positivo e negativo que essa apresentação pode causar, então como é que a gente olha para isso? Então Maitê, me conta como é que você vê essa história toda do marketing pessoal?

Maitê Carvalho: Eu adoro essa reflexão, esses dias até no meu Instagram eu fiz uns stories falando sobre isso, acho que tem duas colocações assim que eu queria fazer, a primeira é essa visão, essa conotação pejorativa de que marketing pessoal é uma coisa ruim ou que você falar das suas conquistas, dos seus prêmios, do que você faz, quem você é, assumir a sua própria narrativa, se apropriar da sua história, de repente a pessoa ela está sendo show off, ela tá querendo aparecer, ela tá querendo ser garganta, eu acho que é uma coisa muito latina, porque eu trabalhei  nos Estados Unidos e com os americanos eu vejo que assim a gente faltou nessa aula na escola.

Ricardo Moraes: Sério?

Maitê Carvalho: Os caras são assim, os melhores do mundo, repara depois quando você segue no twitter ou quando vocês seguem do club house, até no Instagram, tipo quando tem a biografia da pessoa, os americanos é sempre assim: "trabalhei em cinco empresas Fortune 500, eu já vendi 13 empresas.

Ricardo Moraes: Sim.

Maitê Carvalho: Eu já prestei consultoria para duas empresas que são as mais inovadoras da fast Company", e assim, shameless, não tem a menor vergonha, não tem a menor culpa, sem a menor tipo assim: "ah, imagina, não, foi todo mundo que fez do time", eu que fiz, eu que construí, fui eu que vendi, não tem senso de coletivo e assim, é até engraçado por que nem passa pela cabeça deles quem eu teria que sentir vergonha para alguma coisa desse tipo porque a noção de self de indivíduo, de conquistas pessoais e de como se promover, isso é uma coisa tão fomentada, tão estimulada, tão parte do Ethos da cultura americana, da ética protestante do espírito capitalista que é uma coisa assim, burro é você que não está promovendo as coisas que você faz, entendeu assim? Vou ficar aqui agora, tipo eu sentia muito isso quando me mudei para lá, então assim no Brasil eu já tinha feito muita coisa, quando eu tinha 18 anos eu venci o aprendiz especial, aquele com o Roberto Justos? Depois outro eu fui demitida, daí eu fiz teeth da minha empresa no shark tank, fiz um monte de coisa e quando eu cheguei lá eu não contava essas coisas porque eu falava "sei lá, não quero ficar falando de reality show assim", e aí depois que passou um tempo meus amigos falavam assim: "meu, você é super legal, você é uma autora best-seller, você já fez tanta coisa, porquê que você não coloca suas credenciais quando você se apresenta assim?", e eu fiquei pensando: "ah, sei lá, eu não quero parecer arrogante", e aí todo mundo olhava para a minha cara e tipo "ãn? Quem te achar arrogante o problema é da pessoa, ela que tem que fazer uma terapia, resolver as questões dela porque assim, você só tá contando as coisas que você já fez e é emérito seu", de alguma forma e aí a gente já pode questionar a meritocracia numa outra questão, assim se você fez e é legítimo por que que você não se apropria disso, aí a segunda colocação que eu faria, então assim ter mudado para lá mudou muito a minha cabeça nesse sentido, fazendo dinâmicas de não só de entrevistas coletivas de trabalho, mas assim, fazendo por exemplo teeth, fazendo reunião do dia a dia, então todo mundo joga a credencial do que já fez o tempo todo sem culpa católica, porque eles foram colonizados pela igreja protestante, assim, sem vergonha e aí é segunda colocação é: então assim, só uma provocação, acho que aqui a gente tem medo de ser bem-sucedido e de se colocar por uma questão de culpa mesmo e cultural e até pela desigualdade social que a gente tem no nosso país é compreensível, lá a questão é diferente no ponto de vista econômico mesmo, você não vai se sentir constrangido em dizer "eu faturei x milhões de dólares esse ano" porque você sabe que tipo assim, as oportunidades de alguma forma lá são um pouco menos desiguais do que no Brasil. Mas aí a segunda colocação que eu colocaria é, esse lance de você vender o seu peixe que é o seu marketing pessoal, que é o seu Ethos, isso é mais velho do que andar para trás, tipo no meu livro inclusive eu falo, Aristóteles falava desse rolê no século 5 antes de Cristo na Macedônia e ele era mentor, ele era coaching do Alexandre que depois virou menino Alexandre, o grande, e ele mentorava grandes líderes do tipo seu Ethos é tudo o que você tem e o seu Ethos é o seu conjunto de valores, é o seu conjunto de ideias, é aquilo que você representa, pensa, acredita, e aí de alguma forma é muito abstrato, como que você pode cristalizar... é a mesma coisa quando você parar para pensar em cultura organizacional, como que o RH vai traduzir a cultura organizacional? Pô com Power Banding? Com iniciativas que vão demonstrar qual que é a proposta dessa empresa? Legal, como que eu posso olhar para você e saber se você tem um fit com essa Cultura? Se o seu Ethos está alinhado ao meu Ethos? Então o marketing pessoal nada mais é do que você saber editar quais são as suas forças, eventualmente fraquezas porque acho que as vulnerabilidades, elas também podem ser exploradas, é muito chato as pessoas são muito boas em tudo, enfim não consegue fazer esse exercício, mas é você entender, especialmente num contexto de uma entrevista de emprego quais os meus super poderes tem alinhamento com o que essa empresa procura e busca. E nas redes sociais, nas suas plataformas, no seu conteúdo que você posta, como que você se posiciona, como que você quer ser percebido, muito mais com uma questão de você como uma persona do que você Maitê indivíduo, entendeu? Eu nunca vi como um tabu você editar partes da sua vida para você mostrar ou escolher temas que você quer falar porquê ali dentro de uma plataforma no Publisher você tá escolhendo um lado da sua vida para mostrar, é óbvio que você não é reduzido somente aquilo, mas em uma visão até, assim Junguiana da coisa é uma persona que você tem e tá tudo certo, então acho que o marketing pessoal é qual é a persona, qual que é o arquétipo, qual que é o branding que você quer construir e que tenha que ser legítimo e que tem que ser muito intrínseco com o seu Ethos que é de fato essa coisa abstrata e intangível que você tem que você carrega consigo, mas que os outros não tem como adivinhar qual é. Então a gente falou no começo da conversa, desde a escolha das roupas que você faz, a forma como você se comunica, se você usa um tom de voz de provocação, de intimidação, de sedução, se você porta um conteúdo mais, vamos assim dizer, combatível, se você escreve artigos mais reflexivos, se você questiona os limites étnicos da sua profissão, qual que é a sua proposta né? O quê que você tem para somar? Eu acho que o seu marketing pessoal orbita muito daí, mas é muito mais no exercício de você olhar para dentro de si e ver qual que é esse seu Ethos para você traduzir isso de uma forma autêntica do que você ficar copiando e colando o que você vê por aí e acha legal fazer uma mimesis, "não, eu acho que um bom profissional tem que ser assim, tem que tirar foto de braço cruzado, tem que enfim, fazer assim, fazer assado", isso aí eu acho que é a pessoa que já se perdeu no personagem e ela não tá fazendo mais marketing pessoal, ela virou no spam dela mesmo, eu acho.

Ana Paula Xongoni: Bianca, o que acontece agora, você é psicóloga né? De formação, você pode nos ajudar agora. O que acontece com nós brasileiros nesse nosso contexto, acho que Maitê trouxe alguns pontos, a desigualdade social, a falta de educação mesmo sobre marketing pessoal desde as nossas formações de base, esse medo da arrogância, esse medo de parecer prepotente, o quê que acontece com a gente?

Bianca Carmignani: Eu tenho um ponto aqui para a gente tentar desmistificar é pensando o marketing pessoal como uma ferramenta, eu acho que às vezes a forma como se utiliza essa ferramenta, eu acho que aí você entende o resultado, qual é a percepção que você vai trazer para os ouvintes, para os stakeholders que estão envolvidos naquela conversa, então se você utiliza o marketing pessoal como uma ferramenta para promover aquilo que você tem como característica, habilidade, experiência, valores e compromissos, eu acho que a gente pode pensar por uma perspectiva positiva, então o marketing pessoal é uma ferramenta para alavancar a sua carreira, ou alavancar um objetivo da sua vida, desde que você tenha isso muito claro, então por exemplo: "ah, meu objetivo é ter uma carreira internacional", bacana, como é que eu vou usar a ferramenta marketing pessoal para chegar nessa trajetória de carreira internacional? Será que eu tenho que fazer um curso diferente? Será se eu tenho que fazer networking com pessoas que trabalham em outros mercados para que eu possa conhecer um pouco os aspectos culturais dessas outras localidades para ver se faz um match com o meu desejo de carreira, enfim. Então eu enxergo muito mais pela perspectiva hoje de positiva, então acho que no passado era algo assim, você tem que fazer seu marketing pessoal, usar sua melhor roupa, falar 300 línguas, não necessariamente, depende qual o seu objetivo, o quê que você busca, eu acho que hoje a gente quebra muito esse paradigma no sentido de muito mais valioso a sua experiência, os seus valores, o que você traz na sua mochilinha do que quantos cursos você fez, as 300 milhões de certificações e tudo mais, então eu acho que no processo de entrevista o entrevistador está buscando entender como é que o entrevistado contribui para aquele requisito, para aquela vaga, para aquele desafio, para aquele projeto, e não existe certo ou errado, existe o melhor para aquele momento, para aquele cenário, para aquela vaga, então eu enxergo muito o marketing pessoal para a minha carreira como que eu posso entender cada vez mais, como a Maitê citou, o autoconhecimento, gente é a palavra assim para mim e a competência principal para qualquer coisa da vida, seja pra eu cuidar da minha filha, seja para eu cuidar dos meu afazeres aqui em casa, seja para mim evoluir na minha carreira enfim, seja para mim ser líder, como é que eu sou percebida como líder, então como é que você usa o marketing pessoal para expandir seu network, para se conhecer, o que eu sou forte, o que eu não sou, porquê tá tudo bem eu saber o que eu não sou, assumir minha vulnerabilidade e entender que em algum momento isso pode ser um fator positivo ou negativo, mas se eu tenho isso malhando eu consigo lidar melhor com os riscos da situação, então eu enxergo muito como algo para alavancar, alavancar a favor de você porque seu nome é sua marca, e como é que você cuida da sua marca? Como é que você investe em você? Como é que você trabalha isso sobre uma percepção positiva das pessoas que estão ali trabalhando com você e que estão na sua rotina, enfim, então eu acho que é muito importante cuidar da nossa imagem nesse sentido porque a gente tem uma responsabilidade com a gente em primeiro lugar e com o próximo, então quando a gente cuida dessas variáveis eu acho que a gente respeita, se respeita, respeita o próximo e a gente usa o marketing pessoal de uma forma positiva e não de uma forma arrogante, uma forma de se colocar de uma forma "ah, eu sou melhor que o outro", enfim, eu acho que dá para trazer uma leveza como um propósito de contribuir para o seu crescimento pessoal e profissional.

Ana Paula Xongoni: Bonito. E no mundo profissional se apresentar bem é de lei né, você pode ter todo o potencial do mundo, mas se você não consegue transmitir esse potencial quando você se relaciona não adianta nada, começando por um bom currículo, é preciso tomar cuidado para demonstrar para os recrutadores que você tem uma organização, objetividade, clareza na comunicação, criatividade, uma vez inclusive eu contratei uma pessoa porque o currículo era extremamente criativo, e assim por diante. Não podemos deixar de falar aqui das redes sociais gente, as redes sociais hoje diz muito sobre a gente, tá super ligado no processo seletivo também, quantas vezes eu já contratei pessoas e antes eu fui dar aquela boa stalkeada nas redes sociais, os recrutadores fazem isso, não esqueçam, então as suas redes sociais também precisam contar sobre você, você pode ter duas inclusive, uma mais editada como a Maitê disse e outra mais para os seus amigos, não tem problema, isso pode facilitar, ou então fortalecer o seu LinkedIn para as conversas profissionais e outras redes para as conversas mais pessoais, pensa nisso. Mas o mais importante é a forma como nos apresentamos numa entrevista de emprego porque muitas vezes o profissional que está te avaliando vai observar não só o conteúdo, suas qualificações, mas também é sua postura, a sua entonação, a forma como você fala, o seu ânimo ao tratar do assunto do trabalho, e tudo isso conta na sua entrevista de emprego, isso pode ser decisivo para você conseguir o emprego ou não.

Ricardo Moraes: É, afinal é durante a entrevista de emprego que você vende seu peixe, e você tem um tempo limitado para fazer isso, então não é só que é um marketing pessoal, mas é um marketing pessoal se vira nos 30, você tem que saber o quê que você vai falar exatamente, como vai falar. Bom, quais as dicas que vocês podem dar para fazer um bom marketing pessoal durante a entrevista então, já que é um momento curto e tem que ser assertivo. Vestimenta, roupa importa mesmo? É fato isso? E que cuidados a gente deve tomar quando está falando em roupas ou enfim, algumas posturas. E o clássico, o que pode queimar o filme nesse momento? Bianca, conta para a gente como é que você olha isso.

Bianca Carmignani: Olha, eu vou quebrar um paradigma sobre a minha experiência como profissional de recursos humanos, eu não olho para vestimentas, roupas e tudo mais porque eu acho que isso é um preconceito que a gente já cria e estabelece sob a pessoa, tá? Eu acho que o mais importante é observar como a pessoa traz a narrativa de história dela e os exemplos sobre os projetos, sobre as ações, ou seja, entender a experiência e como ela através de um processo de perguntas, como é que ela traz a narrativa de começo meio e fim, então ter objetividade, ter claro o porquê daquele projeto, como é que foi, como é que se envolveu as pessoas, quais foram as entregas, e não tem problema nenhum dizer que não teve sucesso, que não deu certo, desde que a pessoa traga uma transparência e que a pessoa consiga se comunicar de uma forma empática também é um fato importante porque gera uma conexão com o entrevistador, e eu acho que um fator que eu diria para não fazer durante um processo de entrevista, não mintam.

Ricardo Moraes: Não queime seu filme.

Bianca Carmignani: Não minta, não diga que você fez e você não fez, sabe por quê? Porque isso só vai prejudicar você numa situação como você vai que você assuma essa posição e essa vaga e aí você vai se encontrar num dilema na qual você assumiu um desafio que não tinha nada a ver com você, então eu acredito que um processo de entrevista, uma vaga, é um relacionamento, tem que combinar com você, tem que combinar com os seus valores, a cultura da empresa tem que combinar com seu estilo de trabalho, com o seu estilo de liderança, se você não tiver o famoso match, não rola, então seja sincero.

Ana Paula Xongoni: Você também tá entrevistando, né?

Bianca Carmignani: Exato.

Ana Paula Xongoni: Você também tá entrevistando a empresa.

Bianca Carmignani: Exato, é um processo de, é uma via de mão dupla, você tem que gostar da empresa que está te convidando e vice-versa, então assim, seja sincero, objetivo, traga os exemplos reais com fatos e dados, isso é importante, não ficar: "nossa, eu acho que o mundo é lindo", não! Traga o porquê que você acha... então acho que fatos e dados é uma comunicação objetiva, e foque em trazer do que você tem orgulho. Eu acho que é bacana, porque quando você traz aquelas coisas que você orgulha de ter implementado você traz a sua emoção, e quando você traz a sua emoção você traz a sua essência.

Ricardo Moraes: Nossa, isso aí pra mim foi fenomenal.

Ana Paula Xongoni: Bonito, né? E você falou uma coisa antes perfeito, que você falou assim "todo mundo tem uma mochila, e uma mochila de coisas boas, traga a sua mochila para a mesa.

Bianca Carmignani: Traga. Coloque a mochila na mesa.

Ana Paula Xongani: Traga, coloca lá.

Bianca Carmignani: Traga e comece a sacar todas as coisas que você veio arquivando ao longo da sua vida.

Ana Paula Xongani: Maravilhoso.

Ricardo Moraes: Maitê? Então quando a gente olha com o marketing pessoal a questão da emoção, porque eu gostei dessa parte, as experiências que eu tive de passar por entrevista era muito isso, você se apaixonar pelo que você faz, quando eu gosto eu gosto mesmo, então dá para dizer que até dentro do marketing pessoal você expressar bem a sua emoção faz parte do marketing pessoal?

Maitê: Quando a gente fala para pensar na forma como a gente descreve qualquer comunicação que tem uma finalidade de convencimento e o marketing pessoal ele de alguma forma é uma expressão que tem como essa a finalidade, de convencer você de alguma coisa, que eu sou inovadora, que eu sou séria, que eu sou responsável, que eu sou enfim, depende do quê que eu quero transparecer e aí a gente tem eu falei do Ethos logo no começo que é o seu conjunto de valores e o Aristóteles falava sempre desse pilar que é o Ethos, o Pathos e o Logos, sendo o Pathos a emoção e o Logos a razão, que nada mais é do que foi falado aqui pela Bianca, então a razão, ela é muito importante quando eu comprovo com a prova lógica, com números, com fatos, então eu trago um estudo de caso, eu falo porquê que esse tamanho de mercado, ele é importante, eu falo porquê que me interessa entrar neste segmento, justifico isso através do Logos, mas quando eu trago por exemplo o porquê que isso me move e me toca, porquê que eu decidi trabalhar com essa área, qual que é a minha história de vida e qual que é a intersecção que eu tenho com esse segmento, enfim, qual que é a minha bagagem mesmo e aí eu já vou para um lado mais no que a gente chama do Pathos, então assim eu diria que um bom marketing pessoal, marketing pessoal vencedor traz seu Ethos que é a sua credibilidade, seu histórico, o Pathos que é a emoção e Logos que é a Razão, se você consegue passar por esse tripé você consegue de alguma forma isso para tudo, desde um fit de negócios, um post das suas redes sociais, um artigo que você for escrever, toda a comunicação que tem como finalidade de alguma forma influenciar ou persuadir aí pode ser uma comunicação que você está vendendo o seu próprio peixe que é uma ideia ou projeto tem que passar por esses três pilares, então eu inclusive em entrevista de emprego que eu já fiz eu sempre dou um jeito de na hora de pensar em como vou me apresentar, quais são os estudos de casas que eu quero trazer, você tem que editar a sua vida em algum momento, poxa empresa é uma empresa no setor de higiene pessoal e cosméticos, eu não vou trazer um estudo de casos e quando trabalhei com uma construtora, eu vou trazer de um segmento parecido.

Bianca Carmignani: Do quê que você tá falando, né?

Maitê Carvalho: Não sei, você tem que facilitar também a vida da pessoa de entender o quê que você. A não ser que esse caso da construtora realmente seja interessante porque eu apliquei uma metodologia ágil que melhorou em 200% a produtividade e a vaga que eu tô concorrendo é para uma área de inovação. Sei lá assim, eu já passei por exemplo questões da vulnerabilidade, essa minha entrevista para os Estados Unidos obviamente é uma entrevista muito diferente assim, primeiro que eu acho que eu fiz mais perguntas para eles do que ele fez para mim porque eu estava mudando de país, eu ia abrir mão de muita coisa aqui no Brasil e eu nunca tive essa pegada de falar assim "nossa, gratidão, muito obrigada pela vaga que você tá me oferecendo, essa oportunidade de eu ir para aí", eu era muito assim: "pô, legal, tô animada, vai ser bom, mas vai ser tão bom para mim quanto vai ser para vocês, porque ninguém tá me fazendo um favor, é só uma troca".

Ricardo Moraes: Relacionamento, relacionamento né.

Maitê Carvalho: "vocês acham que eu posso somar para a empresa e eu acho que eu posso contribuir, então não é ganhar", nunca numa posição também abaixo assim sabe, então eu acho que às vezes também o que eu sinto muito nessas dinâmicas é uma isonomia de poderes sabe, a pessoa tá lá, ela tá quieta, fica só ouvindo as perguntas do entrevistador sendo conduzida, se sentindo às vezes constrangida, se sentindo como se aquilo fosse a última oportunidade da vida dela e aí ela trava, ela fica ansiosa e ela não consegue brilhar e ser quem ela é, então acho que tem uma ajuste de mentalidade de você pensar: "essa empresa é muito boa, essa oportunidade ela é fantástica e incrível, mas eu também sou", e agir pede igualdade e nunca olhando de baixo para cima e nunca de cima para baixo porque aí também é arrogância.

Ana Paula Xongoni: Maravilhoso. Antes de a gente ir para o fim do nosso bate-papo acho que tem um lado dessa conversa que a gente não pode deixar de fora o que é a inteligência emocional, a gente já conversou muito aqui sobre isso, ou seja, como as nossas emoções e principalmente saúde mental, a Bianca falou também sobre autoconhecimento, pode impactar na forma como nós nos apresentamos, porque eu vejo que tem dois lados, tem um lado interno e tem o lado externo. O lado interno é a gente trabalhar esse autoconhecimento, é a gente trabalhar nossa autoestima, isso é super importante, eu sempre chamo a atenção disso nas minhas redes, o autoconhecimento para os negócios, o autoconhecimento para esse mundo corporativo, o autoconhecimento para o ambiente de trabalho, e você também trabalhar sua autoestima tá? Se você não consegue falar bem de você o quê que está acontecendo ali? Será que isso não vale uma investigação mais profunda? Uma investigação sobre você para que você esteja também preparado e isso seja mais um potencial da sua negociação ali no mercado de trabalho. Mas também tem lado externo, nem sempre depende só de você ter autoconfiança, tem muitos ambientes de trabalho que não te deixa livre para se expressar profissionalmente, falar sobre você, principalmente quando você tá numa empresa que falar sobre isso causa desconforto, como por exemplo você ter chefes intimidadores que apontam muito os seus erros, que são muito rígidos, isso pode acabar influenciando a pessoa se fechar, a se reprimir, ou também pode acontecer outros desconfortos que muitas vezes te impede de você pensar numa promoção pessoal ou então você ver que algumas pessoas elas são protegidas naquele ambiente de trabalho, isso te gera uma sensação de injustiça, ou seja, tem dois lados, trabalhar ao lado interno é importante e se perceber nesse ambiente externo como as oportunidades para fazer esse marketing pessoal acontecer também é muito importante, tem que saber se o ambiente que você tá te traz a oportunidade de trabalhar esse marketing pessoal, né Ricardo?

Ricardo Moraes: Exatamente, se você começa a se tocar que tá num lugar que você não cresce, ou as outras pessoas conseguem e você sente a tal da síndrome do impostor que nada mais é quando você questiona, que você duvida que você consegue fazer aquilo, você sabe que faz, você já fez, mas tá num ambiente que não consegue desenvolver aquilo que você faz de melhor ou mostrar quem você é talvez seja a síndrome do impostor porquê? Porque é um chefe com má gestão, é uma empresa com uma cultura que você não deveria estar porque não é a sua, você não tem o mesmo gás, ou enfim, ou você o lugar é muito parado e você tem muito mais gás, se você tem que se mudar então não tá muito correto. Então olhando para isso como vocês acham que esses fatores externos interferem nisso da confiança, da inteligência emocional do profissional principalmente no dia a dia do trabalho, como é que isso vai acontecendo? Como é que você olha isso Bianca?

Bianca Carmignani: Olha, isso na verdade eu acredito que a gente faça todos os dias e aí é um pouco de entender o seu momento e o momento da empresa, eu acho que para todo líder quando liderado é muito importante de que às vezes os líderes não param para pensar o impacto que eles causam na vida das pessoas, às vezes a forma como você fala com colaborador ou um ponto que você aborda de uma forma não estruturada pode causar um trauma sensível na carreira dessa pessoa, eu acredito no diálogo, seja qual for a empresa que você busca estar, transparência e diálogo, se você não tem, não se sente confortável de sentar com seu líder ou o seu liderado para ter uma conversa madura e dar um feedback estruturado fica difícil evoluir a relação, se você não tem como dizer como você está se sentindo, se você está com dificuldade, ou que você gostaria muito de estar naquele projeto X que foi o seu colega que foi nomeado, talvez aquele lugar não seja para você, então eu acredito numa cultura de realmente ter espaço para as pessoas trazerem e contribuírem, eu gosto muito do programa de mentoring que a gente tem aqui na empresa e que eu sou super fã, eu sou mentora e eu sou mentorada também porque eu acho que é uma via de mão dupla, a gente aprende com quem quer aprender com a gente e vice-versa porque a gente sempre aprende na relação com o próximo, então eu acho que buscar mecanismos e entender a empresa que você tá se ela oferece isso para você, se ela investe nos colaboradores, se traz uma gama de recursos, se ela estimula isso, se trabalha questão de você aprender em projetos, aprender com outras áreas, então eu acho que tem que sim sem dúvida olhar para como tá a sua inteligência emocional no sentido de se você não tá confortável no ambiente na qual você está sendo exposto você precisa tomar uma decisão porque é sua carreira, é você, então é você que está se colocando num ambiente que talvez você não faça parte, então acho que ter esse cuidado, esse olhar para os valores, para a cultura. E a Maitê falou um negócio muito importante na questão do processo de entrevista porque para mim a entrevista é um convite, não é somente pensar sobre a perspectiva de um processo seletivo, então a partir do momento que uma empresa te faz um convite para participar de um certo desafio é você entender ou ganha-ganha, já tive momentos em que eu fui para uma entrevista e que eu não gostei, adorei a pessoa de recursos humanos que me entrevistou, achei que foi super bacana a forma em que ela abordou porque ela tava muito mais interessado em conhecer a minha malinha de experiências do que me acordar com um monte de questões, enfim para saber se eu tinha domínio sobre tema x e z, e aí quando eu fui conversar com o gestor da posição, a pessoa que eu reportaria, não teve fit, não rolou empatia, eu falei "não admiro essa pessoa", pela percepção da entrevista, foi um bate-papo que não foi bacana, não foi eu, então eu falei: "bom gente, se eu vou passar boa parte do meu dia talvez interagindo no processo que eu já na primeira percepção eu já não me senti confortável talvez não faça sentido para mim", aí depois eu fui estudar com outros colegas que fazem parte da cultura dessa empresa e eu vi aqui que não tinha match com a Bianca, que era uma empresa um pouco mais meritocrática, agressiva, tudo para amanhã, enfim e tal, e que não tem certo ou errado, mas para a Bianca não fazia sentido, então eu acho que é importante você entender que nem a Maitê trouxe, eu sei do meu valor, eu sei da minha experiência, eu sei do que eu estou trazendo na minha bagagem, será que vale a pena? Essa relação, esse convite? Então nunca coloque de lado você, porque é você que vai estar lá no dia a dia passando por esses desafios e buscando crescer e ter esse desenvolvimento pessoal é profissional que as duas coisas caminham juntas.

Ana Paula Xongani: E Maitê, como que na sua trajetória você cavou essas oportunidades de fazer o seu bom marketing pessoal já dentro dessas empresas?

Maitê Carvalho: Eu arrisco dizer que eu sou a maior marqueteira pessoal que eu conheço.

Ana Paula Xongani: E só isso já é um bom marketing pessoal, né?

Maitê Carvalho: Com muito orgulho.

Ricardo Moraes: Já começou bem.

Maitê Carvalho: Muito orgulho assim, e sofri muito bullying no Brasil por conta disso, mas hoje eu dou risada lá em Beverly Hills, mas assim, as pessoas sempre me zoavam gente, sempre, "ah, lá vai a Maitê" e eu sentia que tinha até um lance meio assim "essa menina aí é espuma, ela na hora H ela não entrega não porque ela é panelita de evento aqui, ela aparece lá, mas na hora H", e quem trabalhava comigo, obviamente sabia, mas eu sentia sempre uma reação assim: "será? Será que ela é uma jogada de Piard, de assessoria de relações públicas ou ela é real?". E eu sempre, eu tive grandes assim aspirações que são mulheres de negócios assim, vamos assim dizer, que são americanas, uma delas é a Bozoma Saint John, eu não sei se vocês conhecem, que é a CMO da Netflix, eu já vi algumas palestras dela no south by southwest no festival de Canne, primeira dica que eu daria para construir um marketing pessoal, você tem que tá em grandes eventos, se você não conseguir tá presencialmente você entra na sala do club house, você interage com essas pessoas nas redes sociais, manda um artigo, cita essa pessoa no artigo, manda para ela, fala que você citou, fala que você leu o livro, enfim, mas com noção também, não vai ser um chato. Eu vi uma palestra dessa mulher em 2017, ela entrou com uma trança gigantesca assim, era uma lace, uma peruca, ela tava com um macacão prateado com um decote até o umbigo, na época ela era chief marketing office da Beats, aquela marca de fones da Apple, e ela foi dar uma palestra falando sobre marketing mesmo, gestão, etc. Quando ela entrou no palco eu falei "meu, é isso que eu quero ser quando eu crescer", tipo eu olhei e falei assim, a gente falou de dresscode, pode usar isso, pode usar aquilo, quem acompanha a Bozoma nas redes sociais, bom, primeiro que o @ dela no Instagram já é assim @badassboz, tipo "a chefona", e é hoje, ela é CMO da Netflix e ela continua utilizando esses looks maravilhosos, fendas, roupas coloridas, batom roxo, brincões, e eu acho que também tem a ver com a cultura organizacional da Netflix que é uma cultura mais inovadora, mais aberta, mais horizontal, então também tem o lance da Netflix quando eles compraram a Bozoma desfazer para o bem da marca, para o Empire branding da marca Netflix que é esse tipo de postura que eles querem incentivar, uma pessoa que tem protagonismo, voz ativa e questiona tanto o status quo tanto de questionar a vestimenta e dresscode, então eu acho que não tem certo ou errado, depende muito, talvez o banco do Brasil não contratasse a Bozoma pra um cargo de liderança, mas aí é um problema assim, de alinhamento de fit cultural, ali ela encontrou esse espaço, e quando e viu eu falei "gente!", comecei a seguir nas redes sociais, comprei livro, a Sheryl Sandberg também é outra pessoa que eu acompanho, de carreira, e a [inaudível 37:23] que é uma escritora que tem uma empresa de pesquisa, ela trabalhava para a Nielsen, empreendeu e montou, então eu acompanhava o movimento dessas mulheres e eu percebia que elas toro mês tinha artigo delas numa revista, tinha um podcast aqui acolá, elas nas redes, elas postavam conteúdo dando prestação de serviço, falando sobre o mercado e eu falei "eu vou, vou começar a fazer a mesma coisa" e comecei a fazer, no começo "ah é blogueirinha, bom que zuado", bom, hoje eu tô com 60 mil seguidores, são 60 mil pessoas que de alguma forma se sentem nutridos por esse conteúdo e pelas dicas que eu compartilho, já fiz muitas colaborações bacanas, então teve uma vez que eu fiz até uma simulação de entrevista de emprego, já que a gente está falando aqui sobre isso, eu recomendo para o pessoal que está nos ouvindo, no canal do YouTube do Leandro Carnal a gente fez um role playing, eu e o Carnal de entrevista de emprego, como lidar com perguntas dos entrevistadores, qual o seu maior defeito, quais suas maiores qualidades, enfim. E eu acho que eu nunca tive tabu em assumir que eu sou uma marca inteira pessoal, nem lembro qual foi a pergunta que você me fez, nem sei por que que eu comecei a falar disso.

Ana Paula Xongani: Mas você me respondeu super, como você cava as oportunidades, você já deu várias dicas.

Maitê Carvalho: Eventos gente, vai para evento, vai se misturar, segue essas pessoas no Instagram, troca com elas, você tem que respirar o mesmo ar que elas respiram, você tem que estar por dentro, você tem que ler. Leia os mesmos livros que elas leram, entenda da onde elas bebem, de que fonte, qual é o podcast que elas ouvem, entendeu? Qual que é o curso que elas fizeram.

Ricardo Moraes: Trampapo.

Ana Paula Xongani: É óbvio que é Trampapo.

Ricardo Moraes: É Trampapo que eles ouvem.

Ana Paula Xongani: Óbvio.

Ricardo Moraes: Essa parte a gente já sabia.

Ana Paula Xongani: Marketing pessoal na veia nesse podcast. Bianca pelo amor de Deus, quais são suas inspirações? Me conta.

Bianca Carmignani: Olha, eu poderia citar várias aqui, mas acho que assim, ao longo da carreira você tem alguns líderes que te inspiram, o que a Maitê falou, então ao longo da minha trajetória em diferentes momentos eu falava "nossa, essa pessoa que na empresa fala muito bem, como é que eu faço para falar igual ela?", só que eu era muito ousada nesse sentido, então eu ia lá e convidava a pessoa para tomar um café só que de preferência um Nespresso, então eu sempre tive essa questão.

Ana Paula Xongani: Maravilhoso.

Ricardo Moraes: Amei.

Bianca Carmignani: Essa questão de estabelecer relacionamento, é fundamental, não é dar visibilidade, fazer amizade, enfim, é networking porque a gente não faz nada sem o próximo, seja amanhã a gente precisa para um projeto X, E, H, eu talvez não tenha todas as competências necessárias, mas eu sei quem teria para me ajudar nessa jornada, então o segredo, então ao longo da minha trajetória eu tive vários líderes na qual eu me inspirei e eu falei "poxa, isso vai ser bacana para mim construir para minha carreira", outros que eu falei "nossa, pelo amor de Deus, nunca quero ser que nem essa pessoa", então acho que é o que a Maitê trouxe, é ter claro quem te inspira, porquê te inspira e como é que você pode de uma certa forma se relacionar e se aproveitar desse momento aprendendo com essa pessoa e aquelas pessoas que você tem certeza que não tem nada a ver com você e por que que aquilo te causa um desconforto tão grande, se é algo realmente que você não te inspira ou se é algo que você tem um pouquinho dentro de você equivale uma oportunidade de você trabalhar como autoconhecimento, além de óbvio de ter a perspectiva da minha mãe de me inspirar a forma como ela cuida das pessoas, conforme a forma que ela se relaciona com as pessoas independente do background da pessoa, a minha mãe é uma pessoa muito inspiracional para mim e meu pai sob a perspectiva de que sempre teve ali no meu lado, nos dilemas quando eu tinha trabalho e não conseguia resolver aquele problema de matemática e ele estava sempre lá, "calma filha, vamos lá, qual foi a parte que você não entendeu, vamos começar do zero". Então as minhas inspirações são pessoas próximas de mim e os líderes aí que eu tive durante a minha trajetória de carreira.

Ana Paula Xongani: Lindo. Olha gente eu acho que, Rick você concorda comigo? A gente tem várias dicas extracurriculares aqui que a gente vai pedir para a equipe do Trampapo organizar tudo do nosso site no www.trampapo.com.br, vai ter os livros, as dicas, as palestras, Rick também vai contribuir, eu também vou contribuir. Quero agradecer vocês por estarem aqui, por essa enxurrada de marketing pessoal que fizemos ao vivo aqui nesse Trampapo hoje, obrigada pelo tempo de vocês e por todos os compartilhamentos de conhecimento aqui, eu tenho certeza de que vocês também vão inspirar várias outras pessoas.

Ricardo Moraes: Super obrigado meninas, eu gostei muito mesmo assim, é legal que se espremer esse daqui dá para fazer mais uns 35 episódios iguais, tem muito assunto ainda.

Maitê Carvalho: Obrigada pelo convite, foi uma honra e estava aqui com vocês, me diverti muito, quem quiser pode me acompanhar no meu @maitecarvalhoesc, vou só fazer meu Marketing pessoal aqui né gente.

Ricardo Moraes: Boa!

Ana Paula Xongani: A gente não esperava menos.

Maitê Carvalho: Tem várias dicas, sigam tudo e compartilhem.

Ricardo Moraes: Obrigado, obrigado Bianca.

Bianca Carmignani: Obrigado pessoal, foi uma honra estar aqui com vocês, aprender a trocar e queria deixar só uma mensagem final. Fiquem firmes com os seus valores, como que tu buscas para a sua vida com os seus ideais, independente do seu marketing pessoal não faça nada que depois você deita no travesseiro e não condizia com que você foi criado, com a sua trajetória pessoal e profissional, então sejam vocês que independente disso você chega lá já acordo com o seu objetivo e use marketing pessoal como uma ferramenta para alavancar sua carreira pessoal e profissional.

Ana Paula Xongani: É isso!

Ricardo Moraes: Amei.

Ana Paula Xongani: E esse foi o último episódio da segunda temporada, mas não fiquem tristes. Tá triste Rick? Como você tá.

Ricardo Moraes: Eu tô, quero mais.

Ana Paula Xongani: Eu também, um pouquinho, mas eu tô feliz também porque gente foram muitos episódios. Eu quero muito agradecer você Ricardo pela companhia nesse Trampapo já que Cátia, Guilherme, galera do post360, minha equipe Márcio, Mari, todos os convidados que compartilharam esse momento junto com a gente, a gente conversou demais, eu acho que se somar todos os minutos quantas horas a gente falou nessa segunda temporada Ricardo?

Ricardo Moraes: Nossa, dá muito, dá mais de um dia falando, olha só.

Ana Paula Xongani: Já pensou alguém fazer uma maratona Trampapo? Um dia inteiro só ouvindo a gente?

Ricardo Moraes: Eu recomendo ou cerveja ou vinho para acompanhar, tá?

Ana Paula Xongani: Mas Não fiquem triste não porque logo, logo teremos mais conteúdos inéditos e por isso não esqueça de continuar acompanhando o Trampapo nas redes sociais, anota aí, coloca aí, salva no seu Instagram, @trampappo.podcast, deixa lá nos seus salvos, www.trampapo.com.br e aproveita e se inscreva lá no site para você receber todas as novidades por e-mail. Muito obrigada Rick.

Ricardo Moraes: Obrigado, foi incrível e teremos mais e muito em breve.

Ana Paula Xongani: Eu quero dar uma dica que sim, para as pessoas verem o nosso making off do Trampapo, tá lá no meu Instagram, @anapaulaxongani, aproveito e faço o meu bom marketing pessoal, mas dá para ver um pouquinho da gente trabalhando, eu, Ricardo, Jaque, pessoal da post360, Cátia, então vão lá ver, vocês vão gostar de ver um pouquinho da gente. Obrigada equipe, até a próxima, um beijo e tchau.

Vinheta:  Trampapo, fica esperto, aumenta o som, que a gente tem o dom, se não quer trabalho chato, se liga no Trampapo, a Xongani e o Ricardo vão te dar um papo reto, evolua a sua cabeça, aproveita e fica esperto. Trampapo.

Produzido por

Politica de privacidade