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Empregos dos sonhos: o que são? Onde estão? Como se reproduzem?
#15

Empregos dos sonhos: o que são? Onde estão? Como se reproduzem?

MERCADO DE TRABALHOConvidados:

Duda de Almeida - Roteirista

Renato Sacco - Jogador aposentado

Sobre:

Fazer o que gosta, na área escolhida, ganhando bem e tendo reconhecimento. Quem nunca sonhou com esse emprego perfeito? Mas será que isso existe mesmo? Neste programa, Ana Paula Xongani e Ricardo Morais mergulham de cabeça no mundo dos empregos dos sonhos para descobrir se as oportunidades de conquistas são iguais para todos e quais são os caminhos para encontrar a tal profissão ideal. Até porque, hoje, as carreiras mais conhecidas e tradicionais, como medicina, direito e educação, deixam de ser as principais opções. Com a dinâmica da internet, existem novos tipos de empregos, como digital influencer, social media e atletas de "e-sports". Afinal, como se arriscar em trabalhos não convencionais? Como conseguir apoio nesta empreitada?  Como lidar com as frustrações de não alcançar os objetivos e com os prós e contras do mercado? Recebemos Renato Braga Sacco, que já foi jogador de futebol e hoje é Coordenador das categorias de base do Taboão da Serra, e Duda de Almeida, Roteirista na 02 Filmes, atuando hoje para a Globoplay, e que já escreveu a série Sintonia, da Netflix, para essa conversa. Aperte o play, inspire-se e questione-se com a gente sobre sua vida profissional!

Empregos dos sonhos: o que são? Onde estão? Como se reproduzem?
Transcrição:

Ana Paula Xongani – Imagina você acordando no horário que você quer, indo para o trabalho perto da sua casa. Esse trabalho é na área que você escolheu, você está fazendo o que ama, com uma equipe formada por ótimos profissionais e todos muito legais. Com um chefe ou uma chefe, que além de uma boa líder, é gente boa para caramba. Seu salário te dá uma vida confortável, seus horários são flexíveis e a carga horária é justa. Um trabalho tão perfeito, que nem parece trabalho! Dizem que ninguém é perfeito, que nada é perfeito. Será possível que o trabalho perfeito exista? No programa de hoje, entraremos de cabeça no mundo dos empregos dos sonhos. O que são? Onde vivem? Como se reproduzem? As respostas para essa pergunta você fica sabendo aqui no Trampapo de hoje.

Ana Paula Xongani – Eu sou Ana Paula Xongani. Sou Empresária de moda, criadora de conteúdo, apresentadora e mãe. Trampapo busca ser inclusivo para pessoas com deficiência, então para você que precisa de acessibilidade, é possível conferir a transcrição dos programas em texto ou em Libras, no nosso site: www.trampapo.com.br.

Eu e os convidados faremos uma autodescrição para as pessoas que têm deficiência visual ou baixa visão, poderem nos conhecer. Eu sou Ana Paula Xongani, sou uma mulher preta, careca, de olhos escuros e corpo volumoso. E aí Rick?!

Ricardo Morais – Olá! Eu sou Ricardo Morais. Eu estou Gerente na Catho, sou um homem branco, 1,80 metro, diabético agora recém descoberto, barba grisalha... Ainda não estou perto do papai Noel porque eu baixei um pouquinho ela! Bom, vou aproveitar aqui também e pedir para os nossos convidados também falarem um pouquinho. Renato?

Renato Braga – Bom dia! Meu nome é Renato Braga. Eu sou um homem branco, 1,78 metro e ainda magro!

Ricardo Morais – Legal, ótimo! Renato, antes de mais nada, com o que é que você trabalha hoje?

Renato Braga – Hoje eu sou Coordenador de todas as categorias de base, de Taboão da Serra, dos esportes de competição. Então eu cuido das categorias desde o sub-07 até a equipe profissional.

Ricardo Morais – Bom! E nós temos aqui também a Duda. Duda?!

Duda de Almeida – Oi, meu nome é Duda de Almeida. Eu tenho 32 anos, quase 33! Sou uma mulher branca, tenho 1,70 metro e uso um manequim 42. Não sou uma mulher muito magrinha, mas satisfeita com meu corpo.

Ana Paula Xongani– Duda, fala para a gente também qual é seu trabalho hoje.

Duda de Almeida – Eu sou Roteirista, escrevi uma série chamada Sintonia da Netflix e atualmente estou escrevendo outra série para a Globo Play. Eu escrevi também a série documentário da Cantora Lexa, que vai para o ar em 2021 pois a gente já terminou de filmar. Então, tem muitos projetos aí legais envolvidos com música para serem lançados.

Ana Paula Xongani – Olha! A gente pode pedir autógrafo hoje, não é?!

Ricardo Morais – Mas eu vou sair daqui com um monte de autógrafo, não tenha dúvida! Autógrafo, telefone, cartão, vou pegar tudo hoje!

Ana Paula Xongani – Renato, você falou de forma muito técnica e tal, mas eu que sou uma pessoa leiga, posso te dizer que você é um técnico de futebol?

Renato Braga – Hoje exerço a função de Coordenador, o que é? A gente faz toda parte de gestão de fora da quadra, que é: patrocínios, logística, a parte de alimentação, buscar outros patrocínios e toda essa parte.

Ricardo Morais – É o super técnico! Super técnico! Ah, entendi!

Ana Paula Xongani – Hoje a gente tem uma mesa formada pelo Renato que trabalha com futebol...Você sempre trabalhou com futebol, Renato?

Renato Braga – Sim. A gente estava brincando lá: duas semanas atrás eu era atleta profissional, fui atleta profissional por 27, 28 anos, e há duas semanas eu me aposentei. Mas já exercia essa função acumulada e a partir do ano que vem, somente terei essa função de Coordenador e está ótimo.

Ana Paula Xongani – A Duda que trabalha com cinema e cinema encanta todo mundo. O Ricardo que é um grande líder, um grande líder do mundo corporativo. E eu sou uma verdadeira blogueirinha, digital influencer. Ou seja, não temos uma mesa melhor para a gente falar sobre sonhos. Mas eu quero perguntar para vocês, Duda e Renato, vocês têm o emprego dos sonhos?

Duda de Almeida – Eu tenho o emprego dos sonhos.

Renato Braga – Ah, eu tenho o emprego dos sonhos, literalmente! Eu nunca imaginei fazendo outra coisa que não fosse trabalhando na competição, sendo um esportista.

Ana Paula Xongani – Mas vamos lá. A definição do que é o emprego dos sonhos varia de cada pessoa. Tem gente que tem como objetivo trabalhar numa determinada área, tem profissionais que focam no status que essa profissão proporciona e tem aqueles que não querem nem saber o que vai fazer. Contando que o dinheiro entre no fim do mês, já está ótimo. Com tantas variações, será que existe emprego perfeito? Duda disse que sim. Somos capazes de trabalhar com o que sonhamos? E aí Renato?!

Renato Braga – Com certeza! Quando a gente faz alguma coisa com amor, mesmo...Falam não tem preço, claro que tem preço, com certeza tem um preço. E a gente recebe por isso, então, não tem por que você imaginar que: Ah, não vou conseguir viver do meu sonho.

Claro que vai, como não? Todo mundo pode viver do sonho, basta acreditar. Vai ser difícil? Muito. Vai ter hora que você vai querer desistir? Muitas. Mas é o seu sonho.

Ricardo Morais – É bacana quando a gente vê isso, porque a Catho ela quis saber também. Nós fizemos um levantamento sobre isso, o sonho. Como existe a questão do sonho, como as pessoas valorizam de fato o trabalho. E aí a resposta foi o seguinte: primeira coisa é que as pessoas se preocupam, têm mais interesse pelo salário atrativo, isso foi cerca de 66%. Perspectiva de crescer na empresa, foi de 62%. Então, ter dinheiro, crescer, melhorar a qualidade de vida, 58%. Fazer o que gosta, 53%. Pacote de benefícios, querer aquela segurança, 50%. Proximidade de casa/trabalho, 44%. Até por que nos dias de hoje, todo lugar tem trânsito. E subir de nível hierárquico, ter uma nova posição, ficou com 38%.

Ana Paula Xongani – Eu amo as pesquisas da Catho, viu Rick? Acho demais as perguntas e as respostas. E dessa aqui fica claro que os brasileiros querem principalmente a ascensão social. O Rick também comentou que a maioria das pessoas preferem um maior salário e a chance de ter qualidade de vida, mas também, se destacam as pessoas que querem se realizar com aquilo que se identifica. Duda, para você, como que é esse tal emprego dos sonhos que você disse que já tem?

Duda de Almeida – Então, o meu emprego dos sonhos não era algo que eu pensava em fazer quando eu estava me formando na escola, não é? Eu não tinha uma referência na minha família de pessoas que ocupavam cargos artísticos. Eu venho de uma família de pessoas muito trabalhadoras, que viviam numa lógica como essa da pesquisa. Era a lógica de ganhar dinheiro, prover para a sua família. Eu tenho pais que começaram a trabalhar muito jovens para poder ajudar suas famílias. Então eu fui educada nessa chave, na chave de escolher um emprego que eu pudesse me sustentar. O fator dinheiro era um fator muito importante para minha família. Então, eu acabei fazendo minhas primeiras escolhas profissionais pautadas nisso.

Eu sempre fui uma criança que tinha uma aptidão para a arte grande. Eu amava desenhar, eu amava escrever, só que eu não via isso como uma possibilidade de trabalho. Não tinham pessoas da minha família que faziam isso, eu não via referências na mídia de mulheres fazendo isso. Então, acaba que você não vê isso como um sonho, você não vê isso como algo possível.

Eu acabei indo para desenho industrial, que era uma faculdade que estava muito popular em 2005 e quando eu fiz meu vestibular. Não é, comunicação social e desenho industrial. E foi na faculdade de desenho industrial que eu acabei conhecendo o cinema, porque eu fiz uma matéria onde eu tinha que fazer um curta metragem. E depois que eu fiz esse curta metragem, eu falei: Olha, eu não sei como é que faz esse negócio, eu não sei como é que entra nesse negócio, mas esse é um negócio que eu quero fazer, eu quero fazer isso. Tudo isso, sabe.

E foi aí que eu descobri o cinema. Até entender o roteiro dentro do audiovisual, já foi um outro caminho, porque o audiovisual tem milhares de funções, não é? Então meu emprego dos sonhos, ele foi encontrado através de muitas curvas e caminhos pouco exatos.

Eu acredito que para muitas pessoas vai ser assim, porque nem sempre você vai conseguir enxergar tão longe, ver alguém fazendo uma coisa e falar: Ah, eu quero fazer isso. Para muitas pessoas, é descobrir isso ao longo do caminho, essa possibilidade. Foi o que aconteceu comigo.

Diferente do Renato, eu não via alguém jogando futebol na televisão e falava: É isso que eu quero. Eu tive que ir muito atrás para entender o que eu queria e o que era isso.

Ricardo Morais – Como é que eu transformo isso que eu adoro fazer em um negócio que seja um trabalho? Você falou em desenho industrial e ai ficou meio que: Beleza, desenho, eu gosto de fazer artes... acho que os dois vão dar certo, não é?

Ana Paula Xongani – Eu fiz design de interiores, é esse meio do caminho. Quase uma diretora, quase uma arte. Tem uma coisa que me chama muito a atenção e eu até me emociono com a sua história... Eu sempre falo isso nos meus canais, que ninguém sonha com o que não conhece, não é? Então, a gente apresentar profissões. Agora, fazer como a mãe aqui, para os nossos filhos, para as pessoas que estão perto da gente, é fundamental. Além, é claro, de a gente se ver nesse lugar.

O lance da representatividade que a gente também vem conversando é importante. Eu até já disse que desisti dos meus sonhos por causa desse caminho, de não ter ninguém igual a mim lá e logo esse lugar não é para mim. Então ai logo desisto e falo: esse lugar não existe, se não existe ninguém parecido comigo, eu não posso existir nesse lugar. E aí a gente fala muito sobre sonhos como um fator interno.

Acredite nos seus sonhos, mas não pode esquecer dos fatores externos, que é essas possibilidades de a gente sonhar. E aí eu quero te perguntar isso, Renato, para você que está aí perto dos jovens... Sem dúvida, se tem um sonho popular nesse país, é de ser jogador de futebol. Você está perto desses jovens, como Coordenador e tudo mais. Você foi um desses jovens? Ah! Não é mais jovem!

Ricardo Morais – O corpo está bem de jovem! Você vê o shape do rapaz, está jovem.

Ana Paula Xongani – Está jovem!

Ricardo Morais – Está bem jovem.

Ana Paula Xongani – Me gerou até uma dúvida: o que leva essa juventude? O que é que brilha os olhos deles? Será que é o dinheiro para mudar a vida das suas famílias e sua vida? Até por que muitos deles vêm de famílias humildes e tem o status de ser jogador no país do futebol, não é verdade? O que é que você percebe sobre isso, avaliando e observando esses meninos? E meninas, não é?

Renato Braga – E meninas. Hoje tem bastante.

Ricardo Morais – Amém!

Renato Braga – Essa é a grande preocupação que eu tenho. Por ter vivido muitos anos, eu fico em cima. Hoje com redes sociais, o menino quer tirar foto, ele quer postar no Instagram e ele não entende que isso é uma profissão. Não importa, cada um dentro da sua área, pensar que vai chegar. Só que assim, você vai chegar como? Então, tudo que eu tento pontuar para eles é assim: Olha, tudo em seu momento e você vai ganhar um dinheiro no momento certo. E aí, o que você vai fazer? A gente estava conversando antes: hoje dentro do futsal de Taboão, que eu e meus amigos somos coordenadores, a preocupação era ter uma escola como patrocinador. Tem que ter uma faculdade como patrocinador, ter bolsas de estudo para os atletas. Eu vou trazer no ano que vem para nossa equipe um coach financeiro para que ele passe a visão do que é lidar com o dinheiro.

Ricardo Morais – Genial, genial!

Renato Braga – Então, aí hoje eu busquei uma empresa de marketing esportivo para trabalhar junto com a gente. Eu falei com uma escola de inglês também.

Ana Paula Xongani – Terapia, tem nessa lista?

Renato Braga – Então, existe algumas pessoas, psicólogos. Eu vivi dentro dos clubes que eram de ponta e lá existia. Eu falei assim: precisa ter, porque o menino não sabe lidar com isso e eu acho que nada melhor do que um profissional da área para passar para ele exatamente como é que é. Eu tenho todas as partes práticas, mas, a teoria, aquela pedagogia certa para colocar na hora certa, não tenho. Eu hoje estando à frente disso, busco saber se o menino tem que saber o que fazer com o dinheiro. Na hora que vai postar nas redes, pergunto por que postar tudo aquilo, exatamente tudo.

Ricardo Morais – Então pelo que eu estou entendendo, essa juventude entra mais pelo glamour?

Renato Braga – Pelo glamour.

Ricardo Morais – Não é nem aquela coisa do tipo: Ah, eu preciso porque isso é uma profissão que dá muito dinheiro. E nem é daquela coisa tipo: Poxa, eu sou incrível e eu gosto só de jogar. A parte do glamour hoje, pesa muito?

Renato Braga – Muito, demais.

Duda de Almeida – Exato! A questão do sonho, ela é atravessada por muitas outras questões. Isso é importante a gente falar também, porque, por exemplo, do que adianta o Renato ver um jovem que é talentoso, se esse jovem não vai ter estrutura emocional para lidar com os ganhos, as perdas e o compromisso que o esporte exige? Então é incrível isso que você está falando.

Eu, através do Sintonia, tenho muito contato com jovens que são periféricos e que não assistem séries, mas por terem visto o Sintonia, começaram a ver uma possibilidade profissional. Só que a maioria deles, me aborda pensando em ser ator da série, em ser figurante da série. Tem um trabalho que eu adoraria que em algum momento tivesse, que é de criar uma estrutura de pessoas para poder orientar esses jovens. Mas o que eu tento fazer, eu sozinha, é informar a eles que ser ator é uma pequena possibilidade dentro desse universo. Você pode ser um criador de conteúdo, você pode ser um roteirista como eu, você pode ser um diretor, você pode ser um diretor de fotografia, você pode ser um diretor de arte, você pode ser muito. Mas o que eles enxergam na série, o que eles estão vendo é o ator. Na verdade, eles se apaixonaram por aquilo como um todo e naquilo existem muitas funções. Então é muito importante isso, de você ter um sonho, mas vamos colocar esse sonho na realidade? E vamos entender o que é que precisa ser feito de forma prática para que esse sonho seja possível? Isso é uma coisa muito importante.

Ricardo Morais – Bom, tem um estudo feito pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, durante o Fórum Econômico Mundial, que traz o seguinte: dados sobre as inspirações profissionais futuras de cerca de 600 mil jovens de 15 anos.

Para meninos a média dos sonhos mais citadas são nessa ordem: engenheiro, administrador de empresa, médico, profissional de TI. Olha, isso é bom, porque o profissional de TI ganha dinheiro para caramba hoje em dia.

Atleta... O mundo quer ser igual ao Renato, professor. Amém! Todo mundo ser professor! Tem também policial, mecânico de veículos, advogado e arquiteto. Já para as meninas, as ocupações mais citadas são: médica, professora, administradora de empresas, advogada, enfermeira ou parteira, psicóloga, designer, veterinária, policial e arquiteta.

Ana Paula Xongani – As mulheres estão mais para frente, hein?!

Ricardo Morais – Bem mais, como sempre!

Ana Paula Xongani – E é interessante, porque quando falaram nos empregos dos sonhos, geralmente a gente imagina uma carreira atípica, como jogador de futebol, publicitário, roteirista de filme, ator. Os jovens de hoje, será que eles estão mais realistas e ligados nas dificuldades do mercado? Ou será que eles são mais acomodados, menos transgressores e deixando de sonhar para ir direto para o emprego seguro? Será que os jovens hoje não estão mais se permitindo protagonizar filmes de fantasia e só veem como possíveis carreiras dramáticas baseados em fatos reais, Duda? O que é que você está vendo por aí?

Duda de Almeida – Então, quando vocês estavam falando sobre essas profissões mais desejadas, eu penso que às vezes também a gente olha para a engenharia ou para a arquitetura e pensa numa coisa dura. Mas se você parar para pensar que a importância que tem um processo urbanístico numa cidade para promover espaços democráticos e espaços livres, aonde as manifestações culturais possam acontecer.

Onde você possa ter, por exemplo, em uma praça em São Paulo que não necessita de um carro de polícia parado ali o tempo inteiro, não é? Por exemplo, isso para mim é um grande sonho. Então, você vê uma menina entrar de repente numa faculdade de arquitetura para poder repensar esses espaços urbanos, é uma coisa incrível!

Nossa, eu olho para isso e acho muito mais legal do que ser roteirista. Eu acho que mais do que você definir uma carreira, uma profissão, é você entender como que você pode ser um instrumento de mudança dentro do que você escolheu. Porque às vezes, a engenharia pode parecer uma coisa dura, mas às vezes não vai ser. Depende de quem tiver lá dentro.

Ana Paula Xongani – Tem engenheiro no cinema, não tem?

Duda de Almeida – Tem.

Ana Paula Xongani – Tem arquiteto no cinema também, não é?

Duda de Almeida – Tem, tem tudo. Então, eu acho isso muito incrível. Agora a questão é: como que esses jovens, com que pensamentos e ideias eles vão entrar nessa faculdade de engenharia e nessa faculdade de arquitetura? Será que não tem um pensamento, será que antes a gente não tem que estar estimulando esses jovens a pensarem o que é que eles querem fazer e qual é o sonho deles para além da profissão? O sonho deles de vida, o sonho deles de cidade, o sonho deles do que é que eles querem para o mundo. Eu acho que talvez esse sonho, deveria ser mais estimulado do que o sonho da profissão, sabe. Para quando você entrar numa profissão, você poder fazer o teu sonho acontecer por meio daqueles recursos, daquelas ferramentas.

Ana Paula Xongani – Agora vamos falar do outro lado, mesmo que o jovem queira se arriscar num trabalho não convencional, como, por exemplo, um digital influencer que reage a outros digitais influencers, e explicar que isso é de fato uma profissão complexa, que demanda diversos conhecimentos, ou mesmo o jogador de Free Fire, que hoje é profissão. Nossa, hoje é reconhecido como grandes esportistas. Muitas vezes é muito difícil explicar e convencer a família que esses trabalhos são legais, que pode dar uma boa renda e que pode sim, transformá-los em grandes profissionais.

Ricardo Morais – Além desses trabalhos inusitados também temos novos tipos de emprego aparecendo no mercado de trabalho. E aqueles que forem ousados e tentarem se qualificar para essas vagas, serão muito bem remunerados. Claro, aqueles se especializarem nessas áreas, mas algo que não será barato e como são campos novos, terão que enfrentar as mesmas descrenças vindas dos pais mais conservadores.

Entre essas profissões temos: gerente de origem ética, detetive de dados, analista de cidade. Tem o Talker, um profissional para ouvir seus problemas sem ser psicólogo. Olha, a gente tem um monte de amigo talker, um monte, um monte deles.

Ana Paula Xongani – Mas não estou ganhando dinheiro com isso! Precisa avisar eles.

Ricardo Morais – Eu pago bastante drink para ficarem me ouvindo chorando.

Ana Paula Xongani – É uma forma de pagamento.

Ricardo Morais – Pago almoço, pago muita coisa! Temos o Técnico de assistência médica, assistido por inteligência artificial e entre outros. Olha quanta coisa louca, quanta carreira nova que existe.

Ana Paula Xongani – Agora eu quero dica de vocês: se pudesse voltar atrás... Você Renato, que é pai também. A Duda não é mãe, não. Não é?

Duda de Almeida – Ainda não.

Ana Paula Xongani – Renato que é pai, Duda que está ali junto com tantos e tantos jovens: como convencer a sua rede de apoio a não surtar se você escolhe uma carreira não convencional de um nicho estranho ou novo no mercado? Como conseguir o apoio da família, que é tão importante, para você seguir a sua profissão, independente de que profissão seja?

Duda de Almeida – Bom, como conseguir o apoio da família? Eu acredito que pela diferença de geração entre a gente e os nossos pais, sempre vai ser um pouco complicado deles entenderem o que a gente quer fazer. Fora que eles têm muito medo de que a gente se dê mal na vida e tudo. Então, acho que talvez a gente tem que começar essa conversa tendo muita paciência com nossos pais, de entender que realmente a preocupação deles é uma preocupação legítima. Às vezes eles podem não falar de um jeito legal, eles podem não agir de um jeito legal, mas quanto mais a gente mantiver a nossa calma e a nossa paz, mais tranquilo vai ser esse processo.

Eu acredito que a primeira coisa é você demonstrar realmente um comprometimento maduro, mostrar que é isso que você quer. Isso é, se a sua mãe acha meio estranho aquilo que você quer fazer, mas vê que você se dedica, que você está ali trabalhando, que você não está só passando o tempo e que você está pesquisando, lentamente ela começa a enxergar aquilo como uma possibilidade, como uma realidade. E não como uma coisa da sua cabeça.

Então tenha paciência, converse com os seus pais, mostre referências de pessoas que deram certo dentro daquilo que você quer fazer e demonstre comprometimento. Você vai estar também educando seus pais em relação aquilo que você quer fazer. Também não fique numa postura de achar que seus pais têm que entender tudo e tem que apoiar tudo, porque eles são seres humanos. Eles têm muito medo de que as coisas deem errado para você, então, tenha paciência e é aos pouquinhos que se chega lá.

Ana Paula Xongani – Inclusive a Cíntia Tereza que é Gestora de Gente e Hospitalidade disse o seguinte: “A idealização de um emprego dos sonhos pode interferir diretamente no nosso nível de felicidade. Isso se deve ao fato de que por acreditar que para sermos felizes, precisamos ter uma vida e um emprego perfeito, que nos trará satisfação constante, livre, de qualquer dificuldade. Ao nos deparar com a realidade, a tal idealização gera um sentimento de frustração que afeta a nossa experiência de vida como um todo. ”

Ricardo Morais – Tem um humorista que ele diz o seguinte: a depressão é algo tão comum nos países de primeiro mundo porque eles são ensinados a sonhar ao invés de sobreviver. É por isso que tem muito dessa coisa de achar que tudo é uma brincadeira. Obvio que pode ser, mas ainda assim, tem um fundo de verdade, porque desde que a gente é obrigado a cumprir metas e bater aquelas metas, tem a expectativas.

Estávamos falando dos pais: ah, porque você vai ser o primeiro médico da família. Tipo, obrigado, mas eu não gosto de medicina, não gosto nem de biologia. E aí isso também vai mudando não só no trabalho, mas para a vida, porque aí vai criando expectativa.

Ah, eu fui uma pessoa de sucesso, ou então, eu tive minha própria empresa. Você tem que conseguir ter a tua. Ah, porque vocês sempre foram para a Disney. Eu quero que você vá para a Disney e seus filhos também possam ir.

A gente vai cumprindo não só o que tem que cumprir, mas o que os pais também fizeram e tem que fazer melhor. Eu vejo muito isso: a diferença de geração. Ah, os pais são muitos facionados em engenheiro e aí tem aquele filho bem hippie, sabe? Ou aquele pai que é super bicho grilo, cuja natureza tem um filho exato. A gente vem sempre do contra!

E aí quando você começa a olhar essa expectativa de todo mundo, no final parece que todo mundo tem que virar uma família de comercial de margarina, não é? A família tem que ser tradicional. Até hábitos de vida, gênero, tudo que a gente deseja. É complicado, pois essa cobrança é tão grande, que às vezes a gente deixa de atender a qualquer um dos quesitos e sente como fracassado. Na verdade não era o seu sonho, era o sonho dos outros.

Ana Paula Xongani – É, e também tem a busca por uma carreira ideal e perfeita sem considerar que sempre terá alguma coisa ali, algumas dificuldades. Pode gerar uma frustração, você fala: Ai, queria muito trabalhar com marketing – e aí você acha que todo seu trabalho está ali na sua idealização. Não, tem alguns outros processos que talvez você precise fazer até diariamente, precisa passar por coisas que você não gosta tanto.

E aí em vez de ser uma coisa positiva para sua vida, se torna alguma coisa negativa. Então, eu quero perguntar para vocês: e aí, o que é que não é tão legal no emprego dos sonhos? Que até no emprego dos sonhos tem coisas que não é tão legal, não é?

Duda de Almeida – Olha, no caso de você ser roteirista, você lida com prazos um pouco insanos.

Ana Paula Xongani – Para criar e criar algo nesse cenário insano, não é?

Duda de Almeida – Exato! E aí entra esse fator de sair da idealização, porque criar, quando você cria como uma profissão, você não pode esperar o momento que a sua inspiração vai vir. Isso não é uma coisa real, isso é uma coisa que a gente tem que tirar da nossa cabeça.

A musa que vem, que te inspira e vem a ideia e tal. Isso não acontece! Você realmente tem que criar todo dia por muitas horas por dia. Então, é muita transpiração do que inspiração, e através desse processo, você acaba aprendendo a cessar sua inspiração. Então, ser roteirista envolve ter prazos muito apertados, existem expectativas de toda uma equipe, dos atores, do diretor, do diretor de fotografia em cima do seu texto ecada um reage de um jeito.

Ana Paula Xongani – Tem o vai e volta do texto também, não é?

Duda de Almeida – Tem um vai e volta muito grande de texto. O roteiro, que é esse documento de páginas, que descreve as cenas e os diálogos dos personagens, ele passa por vários tratamentos, são várias versões. Eu me lembro que o episódio piloto do Sintonia, nós fizemos 10 versões dele.

Ana Paula Xongani – Uau!

Duda de Almeida – E essas versões, elas passam para a Netflix....

Ana Paula Xongani – Tem aprovações, não é?

Duda de Almeida – Tem aprovações e tem pedidos de ajustes que às vezes você não concorda. Aí alguns você briga, algumas lutas você ganha e outras você perde, mas depois você vê que foi melhor você ter perdido.

Então, lidar com esse processo de criar algo e isso ser mexido por mil pessoas, com pedidos de alterações e você tem que fazer tudo. Aquilo ali deixa de ser uma coisa só sua. Então, você é capitão do navio de um texto, que está sendo modificado por muita gente e isso é muito difícil de lidar.

Às vezes você entregou um roteiro que você acha que está lindo, você ama aquela fala, vem o diretor e fala: eu não compro essa fala, essa fala está ruim, essa fala está cafona. E tudo mexe com você, tudo mexe com seu subjetivo. Você fica: “ai meu Deus, mas essa fala na verdade é uma coisa que eu peguei, porque meu pai tinha me dito e eu achei que ia caber super bem aqui. Ai meu Deus!”. Então assim, você lida com muita insegurança, isso é um lado bem difícil de ser roteirista. E os prazos insanos que eu já falei.

Ana Paula Xongani – Três vezes. E você Renato, como jogador de futebol, como Coordenador?

Renato Braga – O limite do corpo, isso é, nossa! Chega uma hora que você fala: “não vai dar. ” E por aí vai! Uma vez eu jogava no Corinthians e morava lá na casa que era do cube. Aí veio um jogador muito antigo, da década de 70, que chamava Ruy Rei. Na época, ele jogava e estava escrevendo um livro. Um dia ele estava na casa, falou: vou ficar o fim de semana aqui. E gente: ah, fica aí!

Ele contava muita história e sempre se referia a ele na terceira pessoa. Que ele isso, que ele aquilo e eu ficava com isso na cabeça. Um dia falei: seu Ruy, por que é que o senhor fala na terceira pessoa? Ele falava assim: Renato, a gente quando faz alguma coisa...

No caso da Duda, uma roteirista, pelo que ela contou, deve ser uma loucura. Você se transforma, você tem que fazer coisas que você não imagina. Então assim, você quando trabalha é uma pessoa e fora disso é outra. Eu era uma coisa, eu era uma pessoa, e aqui eu sou outra. E aí eu cresci assim. Não é, fui vivendo e fui aprendendo.

Quantas vezes eu cheguei a falar: nossa, hoje eu não tenho condições nenhuma. Aí colocava a roupa e mudava, jogava. Está treinando e você sentir que o pé está sangrando, eu falava: vou parar, vou parar. E dentro vinha uma coisa e falava: não vai parar!

Eu terminava, tirava o tênis e a meia cheia de sangue. Injeção então? Não tem que contar! Então assim, é uma luta diária e a gente luta. A Duda falou da luta com o tempo? Olha, a gente luta com o corpo e é uma luta.

E isso são coisas que as pessoas não têm ideia. Acham que assim: nossa, que legal, sou roteirista. Então, tudo que eu penso, tudo que vier na minha cabeça, eu vou pôr lá e está ok. Você é um jogador? Nossa, vai ser uma moleza, tem um monte de acordo e vou jogar bola todo dia.

Eles acham que é só isso, que você não treina, você não faz fisioterapia. Olha, você não faz pilates. Quando você começa, não entra num avião e fica 15 horas. Quando é avião, ainda está bom, mas na maioria não é, é num ônibus.

Ricardo Morais – Quando não é no ônibus, é a van que te leva.

Renato Braga – 18 horas de ônibus, então é difícil. Mas isso eu acho que é a grande sacada que a gente tem que ter por ter passado por tudo isso. E como você acaba virando referência, agora é explicar para as pessoas isso. Olha, tem os prós e tem os contras. É o seu sonho? É! Então está bom!

Agente fala assim: você já foi na padaria e comprou um sonho ruim? Falo: já! Então, é mais ou menos isso. Às vezes você vai pegar um sonho que você vai morder e não vai estar mil maravilhas. Eu particularmente tento trabalhar muito isso.

Eu pergunto: você já viu a história da Alice no país das maravilhas? Já! Aí tem uma hora que perguntam para ela: para onde você vai? Ela fala: não sei! Então, qualquer lugar é caminho, não é?! Agora, se você não tiver o início e o fim, a gente vai te explicar como são os meios: você não vai chegar a lugar nenhum, não adianta, não tem segredo, não é milagre.

Ana Paula Xongani – Gente, vamos para o manda papo! No manda papo de hoje, a gente já falou aqui várias vezes sobre cada um ter um sonho e cada profissional tem um sonho como uma carreira. Então, hoje a gente vai ouvir uma história de uma profissional que sempre sonhou com o que ela faz, vamos ouvir.

Vanessa – Meu nome é Vanessa, eu tenho 37 anos, sou casada e tenho um filho. Eu sempre sonhei em ser policial militar e aos 18 anos eu ingressei como Soldado nessa tão amada instituição, onde o nosso compromisso é defender a sociedade com o sacrifício da própria vida. Após um ano de curso de formação, eu trabalhei no policiamento por cerca de 10 anos realizando atendimentos dos mais diversos tipos de ocorrência policial. Hoje, com 19 anos de polícia, eu trabalho na Escola Superior de Soldado, onde exerço a função de Comandante de Grupo, sendo docente das matérias de direção policial preventiva e de direito penal. Desta forma, colaborando na formação dos novos policiais militares, que assim como eu, sonham com um Brasil melhor. Uma mensagem que eu gostaria de deixar para vocês é que lugar de mulher é onde ela quiser e que jamais desista daquilo que você não passa um dia sem pensar.

Ana Paula Xongani – Olha, ela falou várias coisas que a gente falou aqui! Sobre encontrar caminhos dentro da sua área profissional. Ela é professora, docente e lugar de mulher é onde ela quiser, isso mesmo. E se você também quiser mandar um áudio para a gente, falar de alguma coisa que está passando aí na sua cabeça, para esse Trampapo, é só entrar nas nossas redes, no www.trampapo.com.br ou no nosso Instagram @trampapo.podcast

Como trabalhadores mesmo estando nas suas áreas de escolha, sempre teremos que lidar com ordens, com cobranças, tanto dos seus superiores, como do próprio mercado. É isso, tem profissionais que a cobrança não é do seu chefe, a cobrança é do mercado. Prazos, não importa o que você faça ou quanto feliz a gente está, frustrações fazem parte, momentos difíceis também faz parte disso.

Será que então é melhor a gente deixar para lá o emprego dos sonhos e procurar o emprego ideal? E você pais e mães, como vocês estão se preparando quando um dia chegar e falar assim: olha, eu tenho uma novidade para contar, minha nova profissão agora vai ser fã de youtuber e descobri que isso dá dinheiro, está valendo à pena na internet.

Você apoiaria seu filho quando chegasse a hora de começar a estudar para investir numa profissão nova? Tipo, eu vou, (olha a trolagem para o Ricardo) sair da engenharia e vou estudar mídias sociais.

Ricardo Morais – Olha só que tenso!

Ana Paula Xongani – Calma aí, quem tem filho aqui? Vamos lá. Só nós dois, não é?

Ricardo Morais – Renato e Xongani, sim.

Ana Paula Xongani – Apoiaria, Renato?

Renato Braga – Apoiaria.

Ana Paula Xongani – Eu também, viu. Eu acho que a gente que teve uma profissão não convencional, é mais fácil de apoiar, não é?

Renato Braga – É o que eu falei para vocês, eu não me via em outra profissão. Quando eu voltei para o Brasil, eu fui comprar uma franquia. Ah, sou empresário? Não sou! Comprei a franquia, pus no shopping.

Eu tinha uma cafeteria e investi tudo, lógico! Não tem como, se a gente está ali, põe o amor mesmo. Eu acho que se minha filha vir e fala: pai, eu quero fazer isso. É o que você quer? Você vai se empenhar? Se você não vê o empenho, você vai indo no automático. Tem que falar: estamos juntos, vamos lá.

Ana Paula Xongani – E os amigos também. Para os dois participarem desse papo aqui, teve que ter os amigos também. Os amigos também criam expectativa sobre sua vida, sobre suas carreiras e também às vezes não te dá aquele apoio.

Uma coisa que a gente aprendeu nesse papo, é que se a gente tem um sonho, a gente tem que bancar ele, ou para os nossos pais, ou até para os nossos amigos, certo?

Ricardo Morais – Bônus e ônus, bônus e ônus.

Ana Paula Xongani – Agora vamos para o nosso último quadro: dica extracurricular. Quero que os nossos convidados falem, mas eu e o Ricardo também vamos dizer alguma dica.

Pode ser filme, podcast, palestra... Ela é do roteiro, acho que vai vir filme! Mas que seja sobre o tema que a gente conversou hoje, para que esse papo continue reverberando aí na casa de quem está ouvindo.

Duda de Almeida – Então, eu vou dar uma dica de filme, um filme brasileiro, do Recôncavo Baiano, chamado Café com Canela.

Ana Paula Xongani – Amo.

Duda de Almeida – É um filme lindíssimo e tem uma cena das duas personagens protagonistas, onde elas falam sobre o cinema. Sobre o que é que o cinema desperta nelas, é uma das cenas que me marcaram. Eu acho que fala muito sobre traz só o ofício do cinema, tem o que é que a gente deseja quando a gente faz cinema. Eu recomendo esse filme assim, é belíssimo.

Ana Paula Xongani – Não esperava menos que um belo filme brasileiro, vindo de você, Duda. Renato.

Renato Braga – Assim, filmes, existem vários que contam histórias de superação. Existem histórias como a do Ronaldo fenômeno, a superação dele é um negócio absurdo. Ele colocava uma roldana na perna e tinha que ir subindo para levantar um grau.

Ana Paula Xongani – Tem filme?

Renato Braga – Não, mas tem entrevista dele assim. Ele ficou seis meses numa clínica na França e para conseguir atingir um grau do joelho dele, ele amarrava a perna numa roldana. Era ele mesmo que ia subindo e superando a própria dor.

Então, acho que isso, histórias das pessoas que conseguiram chegar e ouvir que realmente é superação todos os dias. Não existe um dia que você não saia para trabalhar e que você não vai se superar em alguma coisa, seja emocional ou física.

Ricardo Morais – Legal! Bom, eu vou tietar feio! Gente, eu estou aqui babando até esse momento pelo projeto. Eu vou recomendar: assistam Sintonia. Sintonia é incrível, procurem! Ela conta a história de dois jovens, de como eles estão mudando da vida, sobre a dificuldade de ser um jovem periférico e conseguir sair do padrão clássico de ir para o tráfico. Um tentar virar alguém famoso, um MC e tudo mais.

Estou com essa beldade aqui na frente da a Duda para dizer que Sintonia para mim é a melhor dica. Assistam com carinho, olhe com o olhar do jovem, dos pais. Olhem isso, aquela profissão que talvez seja impossível: mas como assim virar um cantor? Mostra todo sucesso do garoto.

Duda de Almeida – Pois é! Sintonia é uma série sobre sonho e como cada um dos personagens, dos três personagens, que são muito diferentes entre si, nos seus tons de pele, nas suas oportunidades e nos seus gêneros, como que cada um consegue ou não consegue materializar o seu sonho nesse contexto periférico de São Paulo. Tem tudo a ver com nosso papo.

Ana Paula Xongani – Valeu a tietagem, hein? E mais que isso, vocês vão assistir Sintonia de uma outra forma. Vocês vão falar: agora eu conheço a roteirista.

Eu tenho duas indicações hoje. Um livro que eu não sei se já indiquei em outros episódios, mas se eu não fiz isso, eu vou indicar nos futuros, porque eu sempre repito: ‘O ano que eu disse sim’. É um livro da Shonda Rhimes que é uma grande Escritora também, e que ela fala muito sobre pós e contras da sua profissão. Ele fala também sobre conhecer realizações.

A gente falou sobre diversidade, sobre referência, a Shonda Rhimes sem dúvida é uma referência para as mulheres pretas do cinema. E também agora eu vou me autotietar, pode, gente?

Ricardo Morais – Deve, deve.

Ana Paula Xongani – Eu fiz uma entrevista com a Vitória Ferreira, que é jogadora da seleção, jogadora feminina da seleção brasileira e é uma menina jovem, mas que também já tem muitas informações.

Nela tem muito do que o Renato trouxe aqui, da presença da família, de ser uma mulher no futebol, de trazer esse sonho e desse sonho virar realidade. Sobre os caminhos para ela chegar nesse sonho. Então, essa entrevista é do quadro Não Enrola. É só procurar por Xongani e Vitória Ferreira no YouTube que vocês vão encontrar.

Queridos, adorei o papo de hoje! Falar de sonho, sem dúvida é um dos meus assuntos preferidos. Muito obrigada, Duda. Muito obrigada, Renato, por todas as partilhas aqui nesse papo hoje. Não é Rick?!

Ricardo Morais – Pessoal, super obrigado! E de novo, é muito legal quando você consegue ver coisas que você ama ou coisas que você tenta imaginar se é possível existir.

Eu tenho duas pessoas aqui do meu lado, a Duda, que realizou meu sonho, pois agora eu sei de onde vem o Sintonia. Pô, Renato mostrando exatamente aquilo que eu sempre imaginei de um esportista, que é aquele raiz mesmo, que tem isso como vida, é a dedicação e é fazer com que outros possam fazer assim. Renato, obrigado pela sociedade e por você existir, cara. Isso é muito bom!

Renato Braga – Eu que agradeço. Olha também estou um pouco nervoso aqui com a Duda, quando eu fiquei sabendo.

Duda de Almeida – Gente, muito obrigada pela oportunidade. Boa sorte a todos e todas.

Ana Paula Xongani – É isso! Estamos encerrando mais um delicioso papo aqui no Trampapo de hoje. Mas essa conversa pode continuar nas nossas redes sociais. Vai lá no nosso site: www.trampapo.com.br ou no nosso Instagram e Facebook, @trampapo.podcast.

Um beijo, até o próximo episódio e tchau!

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