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Demitindo a LGBTfobia
#30

Demitindo a LGBTfobia

DIVERSIDADEConvidados:

Leticia Sayuri - Consultora de Diversidade do Banco Santander e Cofundadora da Rede de Mulheres LBTQ+

Louie Ponto - Criadora de conteúdo e Mestra em literatura

Sobre:

Mesmo com muitos avanços, ainda é visível no mercado de trabalho a rejeição das pessoas que não seguem o "padrão" de sexualidade ou identidade de gênero. Se você nunca sentiu que precisava fingir ser outra pessoa, esconder alguns fatos da sua vida ou mudar sua aparência para conseguir um emprego, esse episódio é pra você. É pra você aprender sobre a realidade dos outros e sobre as desigualdades. Mas esse Trampapo é pra você também que sentiu que para conseguir emprego ou uma promoção era necessário se esconder. É pra refletir sobre a comunidade LGBTQIAP+ e como a discriminação ainda está presente nas empresas e deixando de fora profissionais taletosos. Para isso, contamos com a ajuda de Leticia Sayuri, consultora de diversidade do banco Santander e cofundadora da Rede de Mulheres LBTQ+, também recebemos Louie Ponto, criadora de conteúdo e mestra em literatura na linha de crítica feminista e estudo de gênero. Quer fazer parte desse papo? Aperte o play!

Demitindo a LGBTfobia
Transcrição:

Ana Paula Xongani - Não dá para negar que por mais que a gente avance, tem um preconceito que insiste em dar as caras. Por vezes, ele vem disfarçado e acompanhado de brincadeiras e risadas cruéis. Em outras situações, ele é mais violento, machuca e mata as pessoas da comunidade LGBTQIA+. As vezes esse preconceito também se manifesta como uma rejeição no mercado de trabalho, quando uma empresa ou pessoa se recusa a contratar ou promover alguém por conta da sua sexualidade ou identidade de gênero.

Por isso, hoje estamos aqui para elaborar uma carta de demissão. Como podemos tirar a LGBTQIA+fobia dentro das empresas? Como mandamos a discriminação para o olho da rua e lutamos para contribuir mais com essa causa justa? O Louie e a Leticia estão aqui para nos ajudar!

Vinheta - Trampapo, fica esperto, aumenta o som, que a gente tem o dom, se não quer trabalho chato, se liga no Trampapo, a Xongani e o Ricardo vão te dar um papo reto, evolua a sua cabeça, aproveita e fica esperto. Trampapo.

Ana Paula Xongani - Eu sou Ana Paula Xongani. Apesar do Trampapo ser um podcast, ele busca ser inclusivo para pessoas com deficiência, então para quem precisa de acessibilidade, é possível conferir a transcrição do texto ou em Libras lá no nosso site: www.trampapo.com.br. Por isso também vamos fazer uma autodescrição para que quem tem deficiência visual possa nos conhecer melhor.

Eu vou começar, tá? Bom, eu sou Ana Paula, eu sou criadora nas redes, empresária de moda, apresentadora e mãe. Eu sou uma mulher cis, preta, de cabelos preto e curtos. Hoje eu tenho duas tranças com búzios na ponta, visto uma camiseta com um escrito, sem maquiagem e brincos porque estou gravando em meu closet. Para quem está no futuro, aqui nesse presente, ainda estamos em pandemia. Quem vai se apresentar agora? Acho que é o Ricardo. Que bom que você está aqui com a gente!

Ricardo Morais - Sim! Eu estou tendo sempre meus altos e baixos, porque eu fico doente, tenho que tirar férias para fazer mudança de casa.. Olha, hoje eu estou na minha casa nova e ela tem um quadro que está aqui atrás que está escrito revolução e amor. Eu acho que é bem isso: o amor é uma revolução. Nós vamos tentar reproduzir isso hoje, né? É a revolução por meio do amor, as pessoas entendendo como funciona.

Eu vou fazer então a minha descrição. Eu sou o Ricardo Morais, estou gerente sênior de marketing na Catho. Sou um homem cis, hetero, tenho pele branca, barba rala que está um pouco branca e curta. Tenho olhos claros, visto uma camiseta preta e como estou em casa mesmo, visto um short roda do Simpsons e um chinelo preto.

Eu vou aproveitar a deixa e agradecer a presença ilustre das duas convidadas. Eu acho que o papo vai longe hoje! Agora eu peço que a Letícia fale o nome, local de trabalho e se auto descreva. Bem-vinda, Letícia!

Leticia Sayuri - Eu sou a Leticia, uma pessoa não binária, branca e pansexual. Hoje eu sou consultora de diversidade e trabalho com esse tema já há quatro anos. Hoje eu trabalho no Santander e sou cofundadora da rede brasileira de mulheres LBTQ+. Estou com uma camisa xadrez, mas também vou contar um segredo: eu também estou de pijamas! É assim que a gente trabalha na pandemia!

Ana Paula Xongani - Amo!

Leticia Sayuri - Tenho um cabelo laranja, meio salmão e bem estilo pandemia. Bom, basicamente é isso!

Ricardo Morais - Legal, legal! Super bem-vinda! Louie?

Louie Ponto - Olá, gente! É um prazer, obrigada pelo convite e eu estou muito feliz em estar aqui. Eu sou a Louie, formada em Letras, tenho mestrado na Linha de crítica na escrita feminina e estudo de gênero e no momento não atuo exatamente nessa área, porque eu trabalho com criação de conteúdo para a internet. Eu sempre estou levando essa discussão sobre gênero e sexualidade no meu canal e nas redes sociais.

Eu sou sapatão e é assim que eu me posiciono no mundo! Eu nunca correspondi aos padrões de gênero. Sou uma pessoa branca, com cabelos curtos que estão crescendo por conta da pandemia.

Ana Paula Xongani - Parece que está crescendo como nunca, né?

Louie Ponto - Eu nunca tive o cabelo tão comprido, estou achando esquisito e uma experiência interessante para acompanhar. Eu uso óculos redondos, tenho 1,58m, 29 anos e estou usando uma camiseta preta, como sempre. Mas também, uso um casaquinho cinza porque sou uma pessoa friorenta. Ah! Eu também estou usando pijama, confesso! A minha calça é de pijama.

Ricardo Morais - Gente, mas alguém não usa pijama em casa? Não acredito! É impossível!

Ana Paula Xongani - É, eu desconfio dessas pessoas!

Louie Ponto - Eu nem sei mais o que é uma calça jeans!

Ana Paula Xongani - Nem sei mais como fecha! Olha, nesse episódio, aliás, eu acho que em todos os episódios do Trampopo fazemos um papel de conscientização. Já faz muito tempo que procuramos contribuir com algumas lutas e não seria diferente com as pessoas LGBTQIA+. É sobre as dificuldades que elas têm em enfrentar o mercado de trabalho e também sensibilizar quem precisa ser sensibilizado com esse tema. A gente acredita nessa ponte de transformação, ou seja, fazer com que as pessoas nos escutem e a partir daqui construam um mercado melhor para essa comunidade.

De acordo com os dados que o Rick irá citar já, as pessoas LGBTQIA+ não se sentem seguras sendo quem são nas empresas. Elas trabalham nas empresas que querem, mas como dizemos em outro episódio, segurança e acolhimento é a base para qualquer profissional produzir bem.

Além disso, eu tenho uma frase que carrego e que acho é um bom início de conversa: liberdade é não ter medo. Não é mesmo, Ricardo?

Ricardo Morais - É isso, liberdade é não ter medo mesmo e acho que hoje em dia todos nós vivemos em uma sociedade do medo de tudo. Começa desde a segurança, a educação e o medo de se você vai conseguir ter um trabalho. Mas o nosso foco de hoje é falar do medo de ser quem você é, de se permitir e de viver em sua plenitude.

Tem uma pesquisa feita pela organização Coqual que diz que 61% das pessoas escondem a sexualidade de gestores e colegas. Então, não é só dizer que não falam para a família. O cara diz: eu não sou acolhido. Ele não é nem acolhido no trabalho e aí imagina, passar o dia em um ambiente que você não pode ser quem é ou pior, tem que se policiar para ser quem é. Então, é aquele estado de medo e de pressão.

Já os outros 49%, eles não escondem, mas não falam abertamente sobre o assunto no ambiente de trabalho. Aí fica aquele: eu não comento, nem você comenta e então deixa para lá. Olha, cerca de 41% dizem que já sofreram algum tipo de discriminação. Pausa. Discriminação! Você sai de casa para ir até o seu ganha pão, lá você faz a sua contribuição para a família, para a sociedade, tem o seu lugar de trabalhar e você é discriminado. É um absurdo tão grande imaginar que até hoje tem gente que sofre com isso.

A gente já passou por tantas histórias de discriminação por muitas rações ao longo do tempo e agora, em pleno século 21, a gente continua com esse tipo de coisa.

Ana Paula Xongani - É! Olha, os abismos são tão grandes que fica até difícil eu elaborar essa pergunta para vocês, meninas. Mas eu acho também que pode ser um passo inicial falar de dois aspectos em especial. Na opinião de vocês, qual é a motivação principal das pessoas não acessarem o mercado de trabalho? Onde está o maior medo? Se é que podemos falar o maior! Enfim, é por falta de aceitação, por medo da rejeição nessa oportunidade de emprego ou é algo mais profundo? A alta aceitação já tem suas dificuldades por conta de todas as questões sociais. Louie, conversa com a gente.

Louie Ponto - Eu acho que esse sentimento que carregamos não é apenas no ambiente de trabalho e sim por uma crença que vem de antes de nos conhecermos por LGBTQIA+. A gente nasce e cresce em uma sociedade preconceituosa, que ensina que existe só um padrão de humanidade e esse padrão é cis, hetero, branco e sem deficiência. Enfim, não dá para falar só de sexualidade e identidade de gênero sem falar sobre raça, de classe e também de deficiência.

Existem diferentes discursos em muitos espaços que sempre reforçam esse padrão, onde pode ser a família, escola, igreja, TV e meios de comunicação. É por isso que a gente incorpora a ideia que possa ter algo errado com a gente.

Trazendo para as minhas experiências, eu me sentia deslocada desde que eu comecei a ir para a escola, desde que eu me sentia diferente e não sabia o que era de diferente. Isso é porque se sentimos diferentes, é porque existe um padrão a ser seguido, Então, desde de criança eu sentia vergonha, medo da rejeição e eu acreditava que eu tinha que me adaptar, me esconder para sobreviver em um mundo que não me aceitava.

E mesmo quando a gente desconstrói essa LGBTfobia internalizada e começa a se olhar com carinho, respeito, a gente entende que o que está errado não é a gente. O que está errado é o mundo, é a sociedade excludente e violenta. Mas olha, mesmo quando passamos por um momento de autoconhecimento e aceitação, a sociedade continua a excluir e violentar.

Então, às vezes, esconder quem de fato você é dentro do trabalho é uma atitude de sobrevivência, de você permanecer no emprego. No ano passado saiu uma pesquisa que afirmava que 22% das pessoas LGBTQIA+ estavam desempregadas, quando o índice real do Brasil era de 12% na época, que já é bem alto.

E essa desigualdade ficou mais acentuada na pandemia, pois eu li em uma matéria que pessoas LGBT eram as que tinham mais problemas financeiros e de saúde nesse período. Inclusive, em relação à saúde mental, porque é uma população que vive em alerta, com medo e suscetível a violência. Ela está mais vulnerável a sofrer de ansiedade e depressão, por exemplo.

Ana Paula Xongani - Leticia, traga suas contribuições e fale um pouco sobre a sua experiência ao ingressar no mercado de trabalho.

Leticia Sayuri - ai, Xongani, olha, quando eu tinha uns 30 anos... Eu já estou com 32.

Ricardo Morais - Oi?

Leticia Sayuri - É, eu tenho 32 anos.

Ricardo Morais - Gente, se vocês pudessem ver a pele dessa mulher, vocês jamais diriam que ela tem 32 anos.

Leticia Sayuri - É a luz!

Ana Paula Xongani - Ai, gata, desculpa, mas você está toda de pijama e a gente está vendo a realidade, viu?!

Ricardo Morais - Nua e crua. Está ótima!

Todos riem

Leticia Sayuri - Enfim, quando eu fiz 30 anos, foi uma data importante porque foi o marco de: estou mais tempo fora do armário do que dentro. Isso é para mim. Eu acho que quem é LGBT sai do armário aos poucos, igual uma cebola. Primeiro você se entende, aí tem a família, os amigos e para quem trabalha, o ambiente de trabalho. Você vai entrando nos lugares, no começo não é nada confortável e dá medo mesmo. Mas aos poucos você vai se sentido seguro, de acordo com aquele ambiente que você está.

Quando eu comecei a trabalhar, eu já me entendia com uma pessoa não heterossexual. Eu até estava em um momento mais fluido, mas já percebia que eu não era hetero. Eu também sempre tive medo de falar sobre isso no trabalho, sempre achei que isso fosse uma questão minha, de autoaceitação e que eu não me sentia bem falando sobre isso. Eu tinha medo do que as pessoas pensavam.

Então, eu sempre trazia para mim: é meu, eu não preciso falar sobre isso. Mesmo eu sabendo, já sendo uma pessoa militante e me envolvendo muito com a pauta feminista. Mas eu também entendia que a minha sexualidade pertencia e interessava somente a mim. Eu não precisava falar e nem afirmar sobre isso.

Aos poucos eu entendi que essa dificuldade de falar sobre a minha sexualidade estava sim relacionada com a minha autoaceitação e algo estrutural. Como a Louie falou, quem é LGBT sobre violência em todos os lugares. E podemos pensar que essa violência é só as agressões físicas. Tivemos um caso emblemático aqui em São Paulo de dois jovens que foram espancados na Avenida Paulista com uma lâmpada. E aquilo ficou marcado muito forte como um símbolo negativo de violência contra LGBTs.

Mas a violência não é só isso, ela começa em casa, na rua, na escola e em todos os lugares, inclusive no ambiente de trabalho. Eu já trabalho faz um tempo, e quando comecei no estágio, eu entrei em uma empresa, isso há dez anos atrás, que não estava preparada para falar sobre o assunto porque não havia nenhuma referência. Eu só conhecia pessoas heteras que falavam disso abertamente no ambiente de trabalho.

Então, como uma pessoa de dezoitos anos, que não conseguia se entender, vai chegar no trabalho e dizer: oi gente, eu sou lésbica. A gente não tinha esse espaço para conversar, mas hoje eu acho que já há empresas se preparando para ter um ambiente mais aberto. Além de falar, elas acolhem muito mais essa questão de diversidade.

Eu acho também que além de falar, o ideal é combater aqueles comportamentos que não ideias. Se você chega em um lugar que tem uma postura ativa de acolhimento e de combate à opressão, com certeza, o profissional irá se sentir melhor. Pelo menos, eu me sentiria melhor.

É engraçado que eu tive muitos momentos nessa minha construção e agora eu sei a importância de falar: oi gente, eu sou lésbica, sou sapatão. Eu sou LGBT, não sou do jeito que a sociedade espera, porque, quando eu tinha dezoito anos e entrei em uma empresa, em um espaço corporativo, eu não tinha essa representatividade. Só existia um jeito de ser e isso eu não me enquadrava.

E por muito tempo, por anos, eu tentei criar uma vida paralela, mas eu não era feliz desse jeito. Teve um marco na minha vida, que foi quando eu disse para mais de duzentas pessoas que eu não era heterossexual e isso me libertou de uma forma gigantesca. Desde então, eu faço questão de me afirmar dizendo: olha, eu não sou hetero, sou sapatão, eu estou bem com isso e só vou estar em lugares que me aceitam dessa forma.

Ana Paula Xongani - Que fala incivil! Obrigada! Eu tive uma experiência muito legal uma vez, onde rolou uma palestra comigo, com a Rosa, Luiza Junqueira e JoutJout Prazer. A gente contava sobre as nossas vulnerabilidades e também estendia esse convite ao público. Um dia fizemos essa palestra na Campus Party e foi muito bacana. Tinha muito a ver com isso que vocês falavam, de se sentir segura para trazer esse papo.

Então, como a gente contava das coisas que sabíamos, das coisas que nem sabíamos, trocávamos perguntas e depois convidava o público, dessa vez teve três grupos de empresas que participaram. Ai, de um dos grupos teve uma pessoa que levantou a mão e contou: já que hoje eu me sinto confortável, graças a essa palestra, eu gostaria de dizer para todos da minha empresa que eu sou lésbica, Aí, surgiu outros nos grupos: e eu quero revelar a minha empresa que eu sou gay! Nossa, foi incrível e mostra o quanto um ambiente acolhedor faz a diferença.

E para contribuir com essa nossa conversa, vamos para o nosso quadro Manda o papo. Nós temos aqui o áudio do Gabriel, que traz muito para discutirmos aqui. Vamos ouvir?!

Gabriel Amaral: Eu sou o Gabriel, estudo Ciência da computação e desde o segundo período da faculdade eu venho conversando com meus amigos sobre o meu TCC ser voltado para o público LGBTQIA+. Eu acho que quando levantamos um trabalho de conclusão de curso em cima dessa causa é algo muito gratificante.

O que eu venho compartilhar não é uma pergunta, é um desabafo para podermos criar uma reflexão. Em meu questionário para a pesquisa, eu coloquei um campo com a pergunta: o que você mudaria em seu corpo para conseguir um emprego?

E eu tenho lido coisas como: meu cabelo, minha voz. Mas eu também vejo coisas bem pesadas como: não gosto da minha vida, inclusive tentarei me suicidar de novo. E eu acho que essas ideias pesadas são de pessoas que ficam reclusas, que não conseguem ajuda.

O que eu quero falar também é que conseguimos cinco mil respostas em menos de cinco dias de divulgação da pesquisa. E eu quero agradecer a Catho pela oportunidade de dizer isso, de falar sobre esse tema e de ter essa reflexão junto a vocês. Eu acho que devemos abraçar a comunidade.

Ana Paula Xongani - Leticia, quer comentar o áudio do Gabriel?

Leticia Sayuri - É muito triste ouvir esse tipo de depoimento. São pessoas que estão com um nível de vulnerabilidade emocional tão grande que a melhor alternativa que elas encontram é o suicídio. De fato, quando discutimos a saúde mental na comunidade LGBT, encontramos índices altos de depressão e logo, de comportamento suicida.

Assim, sem dúvidas isso é relacionado a falta de apoio, a violência, suporte familiar, abandono do círculo de amigos e de uma forma geral. É de fato uma perseguição que essa comodidade sofre. Claro que aqui temos que comentar dos privilégios, de ser uma pessoa branca, de classe média.

Eu não tive uma transição, uma saída de armário tranquila dentro da minha família, mas eu também nunca tive uma violência explícita contra o meu corpo. Aqui em casa, eu passei por poucos episódios de violência na rua.

Ana Paula Xongani - Isso até parece paradoxal, né?!

Leticia Sayuri - Pois é! É horrível dizer isso, mas eu fui agredida poucas vezes. Eu tive uma boa aceitação, mesmo que ainda passava um pouco nesses espaços um olhar diferente. Eu também veio de um lugar com privilégios, tendo a possibilidade de fazer terapia e ter um bom apoio psicológico.

Mas a maioria das pessoas não tem esse suporte e aí encontramos a pandemia, com pessoas que já se sentem sozinhas ficando ainda mais só. As pessoas tendo mais dificuldades para encontrar um emprego, tendo índices maiores de desemprego. Então, estamos chegando em um momento em que ninguém da sociedade está bem e a vulnerabilidade delas faz com que estejam mais suscetível a violências e o prejuízo da saúde mental.

É muito triste ouvir isso e assim podemos pensar que a solução é a forma que deveríamos nos posicionar nesses casos, revendo toda a violência que essa população sofre.

Ana Paula Xongani - E tem uma coisa que sempre falamos quando discutimos aqui no Trampapo assuntos sociais que é: não é a culpa do grupo sobre qual estamos falando e sim um problema da nossa sociedade. Quando começamos a comparar os dados de suicídios de pessoas negras com as de pessoas LGBT, temos que ter uma noção que estamos perdendo muitas vidas e isso tem que ser um problema de todxs, um problema social. Uma outra coisa que é extremamente agressiva, é que temos que mudar algo em nosso corpo para estarmos em alguns lugares. Isso é agressivo demais, é o nosso corpo, é o nosso templo e a nossa morada. Então, ter que se transformar e ter que se esconder é muito violento. Eu queria que você falasse sobre isso, Louie.

Louie Ponto - Eu também fico muito triste quando ouço esses relatos, me tocam em uma feria ainda aberta. A Letícia falou em processo terapêuticos e isso é importante, pois eu faço terapia para lidar com o meu passado e presente.

Ana Paula Xongani - E até o futuro!

Louie Ponto - Isso me toca muito porque eu também já pensei que não existiria um lugar para mim nesse mundo e isso é muito violento, não achar que há um lugar para você. Isso faz você pensar que não deveria estar aqui. Eu acho que por já nascermos em uma sociedade preconceituosa, antes de conhecermos o que é LGBT, já conhecemos o que é a LGBTfobia. Então, a gente não quer ser.

Quando eu comecei a crescer, eu já fui chamada de sapatão muito cedo, antes de eu conseguir compreender a dimensão da sexualidade. Eu não sabia o que era ser sapatão, mas também nem queria ser. Essa era a palavra para me ofender na escola, porque eu nunca correspondia aos padrões de gênero e ser sapatão é isso, a não ter um lugar. Você não é lida como mulher, mas ao mesmo tempo, é uma mulher.

Eu ouvia que queria ser um homem, mas isso era uma das minhas questões de subjetividade e autoestima. Então, também é muito confuso crescer sem ter uma referência e isso faz com que a gente vá se podando, se limitando e tentando caber em um espaço que nos dão. Em um espaço que dão para a gente, mas que não é confortável.

Eu até tentei por um tempo me adaptar, usar outras roupas e tentar corresponder a um padrão de comportamento porque é muito cansativo ter que lidar todo o tempo com essa não aceitação e violência. A gente acha que é privilegiada por não ter sofrido tantas violências, eu também penso nisso. “Ah, poxa, ninguém na minha casa me bateu”. Mas eu já ouvi muitas coisas. Eu sofri violência psicológica e abusos que hoje eu consigo reconhecer quando acontecem dentro de uma escola, faculdade, na rua. Então, isso deixa marcas e eu acho até que é uma defesa de sobrevivência toda essa adaptação, tentar sempre mudar alguma coisa em nosso corpo. Tentamos mudar o jeito de se comportar e de andar. Nossa, por muito tempo eu fiquei tentando observar o meu modo de sentar, de falar, minha roupa e isso é muito desgastante. Viver em um mundo já é difícil, imagina viver pensando sobre tudo isso o tempo todo. Olha, foi libertador quando eu consegui me aceitar. Mas eu também lembro que foi um processo, algo que não foi de repente. Tipo: me aceito e me amo do jeito que sou. Não! Isso é um processo contínuo. Eu também acredito que há espaços que não conseguimos sair do armário e eu falo muito isso nas minhas redes sociais, para aqueles que me acompanham. Às vezes, me perguntam como eu sai do armário e isso é uma atitude contínua. Quando somos LGBT, temos que ter uma adaptação e sair do armário não significa só falar sobre isso.

Eu, por exemplo, por não ser feminina, não preciso estar com outra mulher para sofrer lesbofobia. Então, eu acho que por mais que seja libertador falarmos sobre isso e mesmo que estejamos confortáveis para falar de novo sobre isso, eu sempre saio do armário e tentam me colocar de novo.

Ana Paula Xongani - Eu acho que antes de continuar, vale um reforço aqui. É importante lembrar que a diversidade das pessoas LGBTQIA+ são enormes e que cada uma das letras representam um grupo. Essa luta tem muito em comum, mas também tem alguns pontos diferentes. Inclusive, nós temos um episódio incrível aqui no Trampapo todo dedicado às pessoas trans do mercado de trabalho.

Olha, vale muito a pena ouvir, pensar as coisas importantes que foram ditas sobre esse grupo específico. E é por isso que vale muito discutir sobre interseccionalidade. E um dos exemplos explicativos sobre o tema é justamente isso o que falamos sobre as pessoas trans serem as que menos estão dentro do mercado.

A expectativa média de vida de pessoas trans é de 33 anos e 90% delas estão fora do mercado de trabalho formal. E aí eu pergunto: como a interseccionalidade aprofunda a desigualdade no mercado de trabalho?

Louie Ponto - Eu acho válido pensar que um ser humano não é igual aos outros, não somos apenas gênero, sexualidade, raça. Os nossos corpos são entrecortados por uma série de opressões e é importante refletirmos sobre isso. Quando pensamos em alguém LGBT, quem são as mais marginalizadas? Já estamos falando de um grupo que já é marginalizado por violências, mas dentro desse grupo quem são as mais a margem? As que não tem acesso à educação, segurança, moradia.

Olha, moradia e emprego são questões extremamente importantes, porque há muitas pessoas LGBT que vivem em situação de rua.

Ana Paula Xongani - É um direito constitucional.

Louie Ponto - Exato! São pessoas que muitas das vezes foram expulsas de casa, que tiveram que sair da escola, estão desempregadas por conta da exclusão, abandono familiar e também do abandono do Estado. A gente não tem políticas públicas voltadas a LGBT e eu acho que não há outra forma de ver esse mundo com uma lente da interseccionalidade.

Isso faz a gente entender as diferentes formas de opressão, desigualdades e que violências elas provocam, e que forma tudo isso está conectado. Eu penso que isso serve para refletirmos sobre o nosso lugar no mundo e compreender a dinâmica social.

Por exemplo, eu sou sapatão, sofro opressões e estou vulnerável à agressão por conta da minha sexualidade, meu gênero. Não por ser lida como mulher, mas também por não ser lida como uma mulher. Mas eu sou uma pessoa branca, eu ocupo um lugar de privilegio e em minha vivencia, vai ser diferente de uma lésbica negra, indigna, amarela.

A gente precisa pensar sobre isso, pensar sobre classe, deficiência e saber que as vivências e violências são diferentes.

Ana Paula Xongani - E agora, eu queria perguntas a vocês, para ir caminhando para o final, se podemos trazer juntos uma mensagem para as pessoas que estão nos ouvindo ter coragem. Como as pessoas LGBTQIA+ podem sobreviver, se motivar perante esse mercado ainda tão excludente. Será que é possível passar por tantas coisas e ainda construir uma carreira de sucesso? Ser assim como vocês?

Eu acredito que vocês são exemplos de sucesso. Então, como que grupos coletivos, os encontros, as redes sociais e os lindos trabalhos feitos como a da Letícia podem ajudar a ter um mundo melhor?

Louie Ponto - Exato. Uma coisa que eu sempre digo é: o conhecimento é muito importante. Entender a origem das coisas, dos preconceitos, das violências que sofremos, eu acho que isso mudou a minha vida. Foi uma virada de chave para mim, porque, até esse momento, eu me culpava e muito. Eu acreditava que isso era comigo, que eu que tinha que mudar e me moldar para caber nesse lugar.

Aí, quando eu entendi que o problema estava na sociedade, nas pessoas que me agrediam e não em mim, isso foi algo transformador. Quando eu comecei a entender o sistema da sociedade, isso também foi transformador. Foi a partir desse ponto que eu comecei a trabalhar a minha autoestima, meu amor e minha aceitação. Isso é muito importante e acho que sempre será um recado no qual eu gosto de transmitir para as pessoas.

Busque apoio também, porque da mesma forma que o mundo é violento e você irá encontrar pessoas preconceituosas, eu acredito que não há LGBTs que não sofreram nenhuma violência. Bom, a não ser que elas não soubessem, porque quando você percebe, sabe que sofreu preconceito. Mas procure apoio, pois irá encontrar afeto, carinho e outras pessoas LGBT, pessoas aliadas, verdadeiras e que vão segurar a sua mão.

Com certeza isso vale a pena, pois eu já passei por um momento na minha vida que acreditava que não valia por não ver perspectivas. Eu não via referências, não via um futuro e acreditava que não seria feliz. De verdade, eu achava que nunca iria receber apoio, que nunca construiria relações de amizades ou família. Eu pensava muito nisso. Tinha a questão de trabalho também, onde eu não pensava que iria conseguir.

Olha, eu vou fazer 30 anos agora e quando eu olho para trás, penso na Louie adolescente, fico muito feliz. Penso nas coisas que ela passou, por ter aguentado firme, por ter vivido a sua adolescência e o início da vida adulta para chegar nos dias de hoje com orgulho dessa trajetória. Eu estou feliz por estar aqui com vocês, por estar falando sobre isso.

Eu nunca imaginei que a minha sexualidade, escolha de gênero sempre foram questões de vergonha para mim e hoje é orgulho. Tem o meu trabalho também, que diz muito sobre quem eu sou, o que vivi e como cheguei até aqui.

Leticia Sayuri - Eu vou falar primeiro sobre segurança, porque acho que é importante para quem é LGBTQIA+ ou para quem é de outros recortes de vulnerabilidade e de grupo de minoria. A gente precisa sempre pensar em nossa segurança, descobrir quais os lugares onde podemos ou não circular e poder dizer abertamente sobre a nossa identidade. Isso é importante.

Não dá para separar essa nossa conversa da nossa vida profissional e eu acho legal falarmos sobre empoderamento, de: vai lá, seja quem você é. Então, a gente precisa garantir o mínimo, que é segurança, trabalho e condições dignas. Muitas vezes vamos ter que entrar em um armário que não é confortável. E tem muita gente que acredita que esse armário é confortável e tranquilo, mas não é! Esse armário é um espaço, que muitas vezes vai garantir o nosso mínimo. Então não tem como sempre falar: ah, vai lá e arrasa - porque em muitos lugares, temos que prezar pela nossa segurança.

O segundo ponto que eu queria falar é sobre o orgulho, né?! A gente fala de orgulho LGBT e estamos chegando em junho, o mês de orgulho, pois o dia 28 é importante para a nossa comunidade porque não temos vergonha nenhuma de sermos quem somos. Ser LGBT não tem problema nenhum, está tudo bem. A gente precisa se amar, precisa aceitar a nossa real identidade, porque a sociedade o tempo todo diz o que deveremos ser, a norma, quem deveríamos amar e como devemos nos vestir.

Na verdade, o trabalho que deveríamos fazer, todos deveriam, é de conhecer qual a nossa real identidade e saber quem a gente é mesmo se não tiver ninguém olhando. É a partir disso que conseguimos nos afirmar e em um ambiente seguro, teremos coragem de falar quem somos, nos vestir do jeito que quisermos e expressar a nossa máxima identidade para ser feliz.

Um último ponto, é sobre atuação. Para quem quiser se organizar de uma forma ativa, existem alguns passos para começar. Se você está em uma empresa que te dá a segurança para ser quem é, vai lá entender e saber se existe um apoio ao LGBT, se existe uma organização e se não existir, saiba se há um espaço para ser criado. Há muitas iniciativas corporativas que começaram pelos próprios funcionários, quando eles se juntaram em um grupo de Whatsapp ou nas ferramentas que a empresa disponibilizou. Eles começaram a fomentar a discussão e depois isso tomou uma esfera grande.

Olha, se não tem espaço dentro da empresa, muitas vezes, nós mesmo podemos praticar essa política militante por meio de trabalho voluntários. Existem muitas organizações, tipo aqui em São Paulo, que tem a Casa Florescer e tem a Casinha no Rio de Janeiro. É um lugar onde a gente pode atuar com pessoas que se sentem desmotivadas por não ter espaço. Mas a gente pode atuar fora das empresas e também em organizações políticas. Então, procure aí na sua cidade um espaço onde tem essa possibilidade de ser ativista.

Eu sei que é muito difícil trabalhar em um lugar onde nem existe a possibilidade, mas as vezes, quando olhamos para fora, enxergamos um caminho que podemos fazer a diferença. Algumas pessoas precisam disso. E não também não é obrigatório, pois tem gente que pensa: ah LGBT tem que ser atuante, militar. Mas não é isso, não é por isso. A gente primeiro precisa ter segurança, orgulho de ser quem é e se tiver vontade, tem espaço para ser atuante e militante.

Ana Paula Xongani - Potente a fala de vocês, obrigada! Agora, a gente vai para o último quadro: Dica extracurricular. Nesse quadro é para vocês deixarem dicas de livros, filmes, pessoas, textos, podcasts, palestras, séries para quem quiser continuar essa conversa ou até para reforçar esse momento de acolhimento. Quem vai começar as dicas de hoje? Leticia?

Leticia Sayuri - Eu vou fazer um jabá meu, vou divulgar o meu projeto...

Ricardo Morais - Boa, boa!

Leticia Sayuri - Eu quero falar sobre a rede brasileira de mulheres lésbicas, bissexuais, transgénero e queer. Esse é um projeto que foi fundado em 2019, que busca conectar essas mulheres que não estão sendo ouvidas e que não tem espaço dentro da pauta LGBT. A gente fala sobre oportunidade de trabalho, networking, indicação de vaga, articulação política, oportunidade de negócio, acolhimento e vamos ser todos amigos.

Falar sobre a solidão da mulher é uma pauta que precisa ser abordada e discutida. E a gente tem como missão não só falar com a população cis, branca e sim temos a preocupação de dialogar com todas as outras possibilidades que se encaixam na pauta LGBT. Então, a gente vai procurar por mulheres que são indígenas, deficientes, trans... Vocês conhecem quantas mulheres LGBTs que têm alguma deficiência ou que são negras ou que estão dentro de um espectro que são invisíveis? Então, esse é meu jabá para conhecer mais sobre a gente. Entre no Instagram: @mulherelbtq. Lá temos a possibilidade de se conectar, de fazer parte da rede ou até mesmo de seguir e saber mais sobre o trabalho.

Ana Paula Xongani - Rica ou Louie, quem vai?

Louie Ponto - Gente, eu sempre acho difícil quando chega nessa parte de indicações porque eu não sei escolher coisas! Aí, depois eu vou ouvir esse episódio e ficar pensando: meu Deusa, por que eu não fiz tal indicação? Aquele filme ou aquele livro? Mas olha, eu vou indicar um Instagram que se chama @indiginaslgbtq. Eu acho muito importante a gente seguir e conhecer. E tem também uma criadora de conteúdo que se chama...

Ricardo Morais - . Louie ponto!

Louie Ponto - Ah! Também tem essa. Dizem que ela é bem legal!

Ricardo Morais - Eu quero que você diga o seu @ também, viu?!

Louie Ponto - Certo! Depois eu faço a propaganda pessoal, mas antes eu gostaria de indicar uma outra lésbica: a Lorena Eltzs. Ela fala sobre a sua vivencia como mulher lésbica, deficiente e com colostomia. Eu acho a Lorena um amor, uma querida e que cria um conteúdo didático e importante.

Ah! E tem eu também! Eu quero indicar o meu trabalho. Eu sou a Louie, mas vocês me encontram nas redes sociais como Louie Ponto. Eu tenho um canal no Youtube, perfis nas redes sociais e eu espero que gostem. Mas eu também queria dar uma sugestão bem ampla, de dizer às pessoas que conheçam pessoas LGBT, as histórias, os trabalhos, as artes, a voz, as músicas e leiam o que estamos escrevendo.

Eu acho que com isso a gente cresce, se sensibiliza, evolui como ser humano e quanto sociedade quando conhecemos realidades diferentes. A diversidade é bonita e sobretudo, importante para gente e para o mundo.

Ricardo Morais - Linda! Bom, eu vou pegar s deixa e dizer duas. Indo pela linha que a Louie disse, de conhecer mais as pessoas, tem um livro que se chama Guardei no Armário. Fala sobre diversidade, respeito, sobre a luta racial, sexual e de gênero. É do Samuel Gomes, um jovem nascido na periferia de São Paulo que superou o racismo, a homofobia e que luta pelo direito de outras pessoas. Ele também já deu várias entrevistas.

E a outra, como estamos dizendo de carreira e tudo mais, é o site www.carreiraesucesso.com.br. Ele é um blog da Catho que tem bastante conteúdo sobre carreira: como começar, como dar o primeiro passo... Ele conta com vários colunistas e além de passar mais sobre carreira, ele te mostra como chegar em lugares bons, assim como o da Letícia e a da Louie. É como podemos mudar o mundo em uma grande corporação, como falar com todo mundo e mostrar como ter acesso.

Eu também vou aproveitar e pedir para seguirem as duas, pois foi uma conversa bem bacana. Olha, sigam as duas, faça esse bem para vocês! Sigam a Leticia e a Louie.

Ana Paula Xongani - Bom, as minhas dicas de hoje... Já que o Ricardo roubou o meu Guardei no armário e o Samuca, meu amigo, me excita nesse livro, galera. Eu vou indicar então mais um livro, que para o começo de conversa, o título já é bom. Ele se chama Como ser um líder inclusivo, da Liliane Rocha. Eu acho que vale a pena para quem está pensando em liderança.

Eu também quero indicar o perfil da @transpreta, que é uma criadora que eu amo. Ela conta sobre as suas vivências como mulher trans, preta e também sobre cinema, eu gosto muito dela, acompanho, acho um perfil bom e inclusive para fazermos uma interseccionalidade.

Ah! Eu também vou fazer um jabazinho! Eu tenho muito orgulho de falar que o vídeo mais visto em minha carreira, que já gerou mais de mil visualizações em várias redes, é sobre quando eu ensino a minha filha de 6 anos o significado das letras LGBTQIA+. E esse vídeo me orgulha muito, porque eu sempre quis que minha carreira fosse marcada por construção e não só por dores. Então, quem quiser ver, está lá no meu @anapaulaxongani.

Gente, é isso! Chegamos ao fim de mais um papo que sem dúvidas ficará registrado como algo importante, cheio de ideias incríveis para construirmos um mundo melhor para todxs. Meninas, eu quero muito agradecer vocês por esse papo, pela entrega, pelas dicas. Obrigada por estarem aqui hoje.

Ricardo Morais - Pessoal, super obrigado!

Louie Ponto - Eu gostaria de agradecer pelo convite, foi um prazer estar aqui e amei o nosso papo. Gente, passou muito rápido e eu não queria que acabasse! Obrigada por esse espaço, um beijo e uma abraço bem forte.

Leticia Sayuri - Eu também queria agradecer o convite. A Catho é uma empresa que fez eu conseguir um emprego, então, eu acho muito incrível. Particularmente, eu também sou muito fã do trabalho da Xongani e eu a conheço há um tempo pelas redes. Eu me entendo, me identifico com a forma que você comunica e foi muito legal conhecer vocês, mesmo que virtual! Obrigada novamente pelo convite. É sempre bom falar sobre militância, sobre o nosso trabalho para ter um mundo melhor.

Ana Paula Xongani - Eu espero que já já estejamos mais perto, porque eu não aguento mais! Olha, eu quero lembrar que todas as dicas do quadro Dicas extracurricular e também o @, as informações de todos estão lá no nosso site: www.trampapo.com.br. Está tudo mastigado para você continuar esse bate papo. Obrigada, até o próximo episódio, um beijo e tchau!

Vinheta - Trampapo, fica esperto, aumenta o som, que a gente tem o dom, se não quer trabalho chato, se liga no Trampapo, a Xongani e o Ricardo vão te dar um papo reto, evolua a sua cabeça, aproveita e fica esperto. Trampapo.

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