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Criatividade para ter sucesso profissional
#29

Criatividade para ter sucesso profissional

MERCADO DE TRABALHOConvidados:

Luiz Eduardo Serafim - Gerente de Marketing Corporativo na 3M

Sobre:

A criatividade é uma ferramenta que pertence ao nosso repertório desde a infância, mas por motivos estruturais e sociais desaprendemos a exercitar e começamos a depender de fórmulas de "sucesso garantido". O que nos leva a uma pergunta: como ser criativo no trabalho? Neste Trampapo, Ana Paula Xongani recebe Luiz Eduardo Serafim, Gerente de Marketing Corporativo na 3M Brasil, professor universitário e palestrante. Ele defende que a criatividade não é só fundamental para o mercado de trabalho, mas sim para todos os âmbitos da nossa vida e que ela pode nos trazer muita felicidade. A criatividade pode ser estimulada quando expandimos nosso repertório cultural e intelectual, mas também observando as necessidades à nossa volta e encontrando soluções criativas para os problemas que surgem. Já no ambiente empresarial, essa qualidade precisa ser encorajada, as lideranças precisam garantir a confiança e a segurança entre seus colaboradores. Essa é a base para criar soluções inovadoras e de grande impacto! Quer fazer parte desta conversa? Aperte o play!

Criatividade para ter sucesso profissional
Transcrição:

Ana Paula Xongani – Dizem que se a humanidade não tivesse a capacidade natural de ser criativa, ainda estaríamos morando em cavernas. Existe um mito de que a criatividade é um dom divino, exclusivo para grandes escritores que criam histórias mirabolantes em filmes ou em livros. Ou talvez para cientistas geniais que inventam tecnologias inovadoras, mas a verdade é que todos nós somos pessoas criativas. A criatividade não está no genial, está nas pequenas coisas. Nas formas diferentes de fazer uma receita culinária, por exemplo, ou no jeito único de desenvolver uma planilha que você, por exemplo, economize tempo. Essas pequenas soluções e inovações, são altamente apreciadas em qualquer ramo de trabalho, e às vezes nós nos sabotamos dizendo uma mentira que fomos forçados a acreditar com o passar do tempo, que é: eu não sou uma pessoa criativa. No Trampapo de hoje, vamos falar sobre como não perder a chama da criatividade tão presente em todos nós quando nós somos crianças e descobrir quem são os culpados por desestimular nossa capacidade de imaginação. Vamos criativamente acabar com o mito de que você não é uma pessoa criativa.

(♫ Música ♫)

Ana Paula Xongani – Olá, eu sou Ana Paula Xongani e o trampapo busca ser inclusivo para as pessoas com deficiência. Então para quem precisa de acessibilidade, é possível conferir a transcrição dos programas em texto ou em Libras no nosso site, anota aí: www.trampapo.com.br. Eu e o meu convidado, faremos uma autodescrição para que as pessoas com deficiência também possam nos conhecer. Além da nossa descrição física, nós vamos falar também um pouco do que fazemos, como estamos atuando aí no mercado. Bom, deixa eu começar. Eu sou Ana Paula Xongani, sou empresária de moda, criadora nas redes, apresentadora e mãe. Sou uma mulher preta, de cabelos crespos, curtos e pretos, olhos escuros, corpo volumoso, hoje eu visto um rosa pink, brincos bem pequenos e quase nada de maquiagem. Serafim, seja bem-vindo a essa conversa comigo e me diz um pouco de você.

Luiz Eduardo Serafim – Ana, e amigos ouvintes, é um prazer estar por aqui falando de um tema que eu sou apaixonado, de criatividade, de inovação, de tentar fazer alguma diferença no mundo. Eu sou Luiz Eduardo Serafim, todo mundo em geral me chama pelo sobrenome, que é o Serafa, Serafim, eu sou, estou atuando há um tempo e são incríveis 26 anos dentro de uma mesma organização, em tempos que isso talvez não seja tão comum, dentro da 3M do Brasil. Eu sou líder de comunicação e marca, e um dos agentes de inovação lá dentro da companhia. Fiz muitas coisas lá dentro, sempre na área de marketing, de comunicação, de marca. E para me descrever, eu sou esse cara apaixonado por criatividade, pai do Gabriel, eu sou pianista desde pequenininho, assim dos cinco, seis anos. Toco de ouvido, sou Professor em faculdades de marketing e inovação, escrevi um livro, fiz um monte de coisa, e sou bem magrelinho, cabelo curto, rosto fino, uso óculos desde os 13 anos, por aí. Prazer.

Ana Paula Xongani – Bom, certamente vocês estão sentindo falta de mais uma voz, é do Rick, ele não está com a gente hoje, mas como sempre ele está acompanhando tudo nas nossas redes socias. Serafa, vamos começar esse papo do começo. Acho que um bom jeito da gente começar, é a gente tentar mapear, desvendar quando começamos, entre muitas aspas a perder a nossa criatividade ou sermos menos criativos. Porque quando a gente é criança, você é pai, eu sou mãe, a gente é hiper criativo, a gente inventa brincadeira, histórias, a gente inventa sonhos, a gente inventa inclusive até formas de fazer diferente de coisas que a gente faz todos os dias. Mas diversos estímulos acabam limitando essa capacidade e minando a nossa espontaneidade, como por exemplo, o julgamento alheio, medo de errar, e a baixa autoestima. Tem um estudo, Serafa, que encomendado pela NASA, que realizou um teste com mais de 1.600 crianças nos Estados Unidos, no primeiro teste, as crianças tinham entre três a cinco anos e 98% delas apresentaram alto nível de criatividade, o mesmo grupo foi testado novamente aos dez anos de idade e esse percentual caiu para 30%, e aos 15 anos somente 12% mantiveram um alto índice de criatividade, ou seja, a gente perdeu um monte de talento aí no meio do caminho. Então queria saber o que você acha disso, porque a gente enfraquece a nossa criatividade? Será que a culpa é da gente, de nós pais, mães, criadores ou será que a questão está no sistema educacional? Por exemplo, muita gente fala que as escolas elas forçam, padronizam, criam uniformes que deixam todo mundo igual, né, anulam essa personalidade. Sem contar que na escola a gente tem um enorme medo de errar, principalmente quando a gente é adolescente, enfim, joguei algumas coisas nessa conversa, mas quero saber de você, quais são os fatores determinantes que vão minando a nossa capacidade criativa?

Luiz Eduardo Serafim – Você citou um monte de coisas, conheço alguns desses estudos, a história da criatividade fala do pensamento divergente, né, então me lembro, então eu como já dei muito treinamento, muita palestra, minha carreira de palestrante começou lá em 99 em criatividade, que se a gente colocar tipo um ponto azul na lousa e a criançada lá quanto mais nova ela vai dar 57 mil possibilidades de resposta e a gente já mais adulto vai ficar travado em poucas, né, na história do pensamento divergente, com muito medo de errar ou de falar alguma coisa que socialmente ali, né, não seria aceito, não ser percebido como uma coisa bacana, então eu acho que tem um componente sim que você mencionou escolar, a gente pode citar um dos caras que eu sou, mais sou apaixonado lá é o tal do sir Ken Robinson, um cara que fez um monte de palestras, tem um monte de TEDs, tem livros legais que ele fala sobre esse sistema educacional que realmente padroniza todo mundo, coloca todo mundo junto, com as matérias não integradas, aqui é a hora da matemática, ali é a hora de história, tudo compartimentado, fragmentado. Tem essa ideia da assinale a resposta correta, então impede um pouco que a gente vá explorar ou buscar outros tipos de reflexão, mas eu também não coloco só no sistema educacional, ele é Vital, importante, etc. Mas é o processo da sociabilização e de nós seres humanos que somos maravilhosos, mas também temos as nossas mil oportunidades e travas e etc., então na hora de você querer ser socialmente aceito, então adolescente mais que todos, mas todo mundo, lá com 60 anos precisa, quer ter o sim das pessoas, então você quer fazer aquilo que as pessoas percebam como algo de valor, então você se mede muito, você tem temor, a questão da confiança, será que eu vou acertar ou não? Então é o processo...

Ana Paula Xongani – Humano.

Luiz Eduardo Serafim – E eu acho que o maravilhoso que a gente tem, ainda mais na moldura de 2021 para frente, como nós, cada um de nós ali desenvolvemos esses nossos talentos onde a criatividade é um deles, mas em vários talentos socioemocionais que a gente passa por autoconhecimento e se desamarrando das travas das expectativas dos nossos pais, dos nossos professores e olhando as nossas verdades, para conseguir aflorar, florescer todo nosso potencial.

Ana Paula Xongani – Tá, ok. Mas aí, Serafa, a gente vai para o mercado de trabalho, a gente vai para o ambiente de trabalho onde a criatividade é um recurso fundamental, os profissionais que desbloqueiam essa criatividade têm mais chances de ter sucesso profissional. Através dela, por exemplo, podem surgir novas ideias para facilitar um trabalho, pode surgir formas inclusive de contribuir na atuação do crescimento dessa empresa. Tem um estudo feito pela Adobe com mais de cinco mil pessoas de cinco países diferentes que mostrou que quem tem criatividade tem uma renda de até 13% maior do que os demais, mas muitas vezes a gente poda as nossas ideias, ou por falta de coragem de apresentá-las ou por medos delas não serem aceitas ou até mesmo por um comodismo mesmo, tipo: ah as coisas estão funcionando assim, deixa para lá, não vou apresentar uma ideia não, deixa quieto. E também para colocar uma ideia parece que a gente precisa ser um pouco corajoso, ter uma coragem, ainda mais em ambientes em que isso não é normal, mas não deveria ser assim. Então eu queria saber, você nesse ambiente corporativo, como que você faz e como que você estimula a sua equipe, estimula seu ambiente de trabalho para driblar a autossabotagem, e mais como que as empresas mesmo podem criar um ambiente criativo, aberto para estimular os seus funcionários para serem mais corajosos e apresentar novas ideias?

Luiz Eduardo Serafim – Ana, você falou um monte de pontos importantes. Para começar, acho que do maior, por exemplo, a 3M ela é uma das empresas e tem várias aí que são consideradas referências em inovação e que a inovação está conectada com a criatividade, não é a mesma coisa, mas começa com a criatividade o olhar distinto, o original ali e tal, para se transformar em algo que cria de fato um valor, um impacto real, etc. Eu fazendo as minhas palestras ou um monte de gente que queria conhecer um pouco desse modelo da 3M, você mesmo falou o ingrediente principal são as pessoas, porque são as pessoas que tem que sonhar, usar a imaginação, aprender, colaborar para fazer as coisas que impactam o mundo virarem realidade e para isso precisa da confiança, do ambiente de confiança e de segurança psicológica.

Ana Paula Xongani – O tal do ambiente seguro, né?

Luiz Eduardo Serafim – Ambiente seguro, então você pega algumas empresas eu certeza assim, por exemplo, a 3M é uma, se eu for descrever como é que a gente se tornou inovador, é especialmente por isso, as pessoas lendárias lá e históricas elas muito intuitivas, porque ela não podia escutar esse podcast maravilhoso com a Ana ou fazer um curso do Insper ou do Harvard ou do Counsel, o cara ia intuitivamente ele fazia, o que para minha empresa sempre foi principal respeito, respeito humano, respeito entre as pessoas, criar esse ambiente onde, porque aí você tem uma situação, um cenário mais acolhedor onde você pode ali, não vai ter medo de se expressar, de opinar e alguma ideia não vai ficar com medo de retaliação, não vai estar oprimido por um líder que seja centralizador, tirano, opressor, as vezes virando a sete, então não é que a minha empresa é perfeita e muitas outras não existe nenhuma, mas empresas como a minha ela sempre fez um esforço e lá atrás intuitivo e depois de muitos anos estratégico, mensurado desenvolvido para que criar primeiro passo, esse ambiente de confiança e de segurança.

Ana Paula Xongani – Respeito, aham.

Luiz Eduardo Serafim – Respeito humano. Para mim, quando falava de inovação, a gente participou apoiando o TED em Campinas no ano passado, a versão virtual deles. Então o que que a gente falava, explicar o modelo da 3M, especialmente respeito pelas pessoas porque quando você está dentro ali, dos corredores, do departamento, sentado ali nas baias, nas mesas, sejam elas separadas, sejam elas mesas colaborativas em um espaço aberto, mas o que é principal, não é a parede colorida ou o escorregador com tobogã, isso pode ser legal, pode ter áreas de descompressão, mas isso tudo é uma cereja, o principal é o alicerce que é o respeito humano, que é a integridade, que é você criar esse ambiente de confiança das pessoas, onde você não tem medo de ser julgado, onde você acha que apesar dos comportamentos que são super humanos, de vaidade, de ambição, todo mundo tem lá os seus, mas, tem por exemplo, na minha empresa essa visão muito de colaboração, de trabalho em equipe onde você também quer crescer, mas você quer torcer, vibrar com as pessoas e quer ensiná-las e quer valorizá-las e quer torcer quando elas tem o seu, alcançam, esse é o principal. O que eu faço depois de, a minha empresa tem 119 anos, 75 de Brasil, eu tenho 26 dentro do Brasil, fiz lá, tenho algum impacto, alguma influência nesse universo dos últimos tempos. Tempos é aquilo que eu já tinha como natureza, né, a gente pode até falar quando estamos procurando onde eu vou entrar, ora eu não sabia quando saí da faculdade, na época não tinha muita informação, você entrava nesses sites que mostram transparências, Glassdoor, mas de algum, eu não posso dizer que foi casual, mas eu acabei entrando e depois eu percebia, você entra em um lugar onde você conecta valores, propósitos e eu sempre falo a gente não tem sentido ser, eu não sou um soldado da minha empresa da 3M, qualquer lugar, isso é bobagem, significa que eu tenho talentos e eu tenho valores que combinam com a empresa os valores e talentos onde ela se puder e for inteligente, vai me colocar para eu florescer. Eu aprendi muita coisa lá dentro e tento fazer dentro da 3M e dentro dos lugares aonde eu vou como professor eu tenho oportunidade de conversar, o papel de liderança Ana, é uma das coisas mais importantes para as organizações para fazer essas transformações culturais e transformações voltadas para inovação, então o papel do líder, que a gente pode falar mais se você quiser em algum momento, mas eu tento ser esse líder lá, a gente pode dar exemplos de como eu crio basicamente é criar um ambiente no meu universo e tentar influenciar os departamentos vizinhos e tentar dar exemplos quando eu tenho alguma visibilidade maior, para mostrar que esse é o caminho, um caminho mais colaborativo, democrático. Você falou de uma palavra que eu adoro, que hoje nos últimos anos ficou bem em voga, a vulnerabilidade, então como líder eu não posso ser perfeito, invulnerável a palavra da vulnerabilidade, eu não tenho que ter todas as respostas, eu sou um cara humano, eu sei várias coisas, mas outras eu não sei e a gente tem que aprender juntos nesse ambiente de retroalimentação com nosso times, né.

Ana Paula Xongani – Ah eu amei, quero até aqui reforçar, assim passar um marca texto no que você disse sobre ter um ambiente criativo, o primeiro é preciso ter um ambiente que respeitem as pessoas, porque a gente só vai se vulnerabilizar se a gente se a gente se sentir confortável, eu acho que depois desse momento da infância que você realmente não tem esses julgamentos, a criança não está nem aí, você pode fazer, ela não está nem aí com o que vão pensar dela, ela vai vivendo ali a vida e tudo mais. Um outro ambiente que muitas vezes a gente é criativo é quando a gente está com nossos amigos que a gente confia bastante, é quando a gente está os nossos familiares, quando a gente confia neles, ou seja, confiança pode ser o alicerce, coordenação você disse para gerar essa criatividade, e eu concordo a gente fala muito aqui no Trampapo nos outros episódio também o quanto que os papéis das lideranças são fundamentais para mudar, tanto a cultura das suas equipes quanto a cultura da empresa e que isso se reflete não só ali, mas se reflete na forma que as pessoas vão levar isso para suas casas, para as escolas dos seus filhos e tudo mais, vira um grande ecossistema de mudança. Mas como sempre diz o Rick, que é meu parceiro aqui do Trampapo, ele sempre costuma dizer que existem alguns dinossauros no meio empresarial que não apreciam essas novas ideias e preferem ficar no meio tradicional do que fazer novas coisas, eles não colaboram muito pelo contrário, muitas vezes até censuram, desencorajam uma atmosfera criativa. Ainda há alguns desses chefes que dizem que até apreciam a criatividade, mas engessam os funcionários com metodologias e estruturas organizacionais toda certinha com muito pouco inovação. Existe uma forma de mudar esse tipo de pensamento, esse tipo de liderança ou até de empreendedores, ou será quando essas pessoas começam a perder financeiramente que eles começam a ter essa sede de mudança e conseguem perceber a importância da criatividade, e por outro lado, pelo lado do funcionário você tem anos e anos de carreira você pode falar dos dois lados, por outro lado, do funcionário é possível ser criativo em uma empresa mais fechada para inovação? Por mais que isso possa parecer paradoxal?

Luiz Eduardo Serafim – Bom, tem perguntas para gente falar um tempão aqui, deixa eu ver aqui para estruturar, começar pela segunda parte que você me falou que é importante, e eu quando vou fazer palestras em empresas essa pergunta inevitavelmente vem, aí eu tenho aqui lideranças e são fechadas, como é que eu faço? Que mágica é essa? E eu vou dizer assim, a gente primeiro, obviamente tem que ter uma certa fé, eu sempre sou o cara que tem a visão na inovação, mas eu tenho até pela minha vivência, minha história e minha natureza, um por exemplo na realidade dos lugares, então eu nunca falo de uma forma leviana para assim: chuta o pau da barraca, vai embora. Então você tem que lutar, tem que ter fé, tem que acreditar que os líderes que as pessoas que a empresa possa mudar, não pode ser uma fé eterna, se você fica anos lá esperando, porque numa organização de uma forma geral ela só se transformará com a alta liderança engajada. Se ela não se engajar e não fazer essa transformação de mentalidade para a inovação, que inclui um monte de coisas, foco no cliente, um ambiente que a gente falou já de segurança, de tolerância, uma forma diferente do líder se colocar, de buscar diversidade. Se não se engajar e dar exemplo e baixar lá políticas e metas que tenham isso, não vai acontecer, então você pode ter essa escolha assim você no seu mundo, por exemplo, eu por exemplo, precisa sempre fazer diferente, eu conseguiria fazer uma revolução na minha área? Eu conseguiria, eu acho que eu conseguiria, eu consigo pegar minha equipe e tal, eu consigo talvez influenciar pessoas que estão no meu ciclo, os meus vizinhos, departamentos, áreas, clientes internos, parceiros, talvez um pouco, alguma coisa eu consigo, mas eu não ia conseguir mudar a companhia, na cultura, então você, algumas revolução são feitas como, é uma das respostas que eu costuma dar, você precisa encontrar no mínimo algumas pessoas da liderança, da alta liderança que sejam como os lidere de resistência, a gente vai para ficção científica, Star Wars lá sei lá, então você tem lá, porque sempre tem, vai ter lá presidente ou diretor, ou sei o que nós, mas tem lá cara lá na frente que tem algum poder, e esse cara talvez, então pelo mesmo tem que ter uma madrinha, um padrinho ali que vai alimentando, que vai ajudando, que vai fazendo...

Ana Paula Xongani – Para fazer a ponte, não é.

Luiz Eduardo Serafim – Para fazer a ponte, isso precisa acontecer, se você fica lutando lá, aí depende das sua inspiração, se você quiser ficar ali e se dar por vencido e fazer pequeninas mudanças na sua área, então isso é importante, mas a gente tem que saber o nosso tempo de aprendizado, de ficar ali, de esperar as mudanças, a fé, tentar colaborar, tentar mostrar, tem que mostrar, mostra os seus projetos de mudança, de sugestões para novos caminhos da organização. Se você inevitavelmente é sempre tolhido, tem uma hora X que você vai saber a sua verdade e vai falar: bom, está na hora de eu procurar outro ambiente, ou outra marca, né, isso é importante.

Ana Paula Xongani – Eu gosto muito dessa ideia e você falou de completude, né, que a gente precisa ver as nossas vidas de uma forma com completude. Nós não somos nem só o trabalho, nem só fora do trabalho está tudo interligado, e por isso que estimular a criatividade pode ser vantajoso em vários níveis, pode ser fundamental para sua ascensão profissional, mas pode ser fundamental para sua própria vida, a gente, quando a gente é mais criativo a gente acaba conhecendo melhor, se conhecendo, conhecendo os outros seres humanos, a gente tem um interesse pelo o outro, a gente vai também se aprimorando nesses quesitos, o que vai te ajudar lá no seu trabalho. Aprendemos a desenvolver novos hábitos, aprendemos a nos expressar melhor. Quem é criativo aprende também a julgar menos outras pessoas, porque você é mais mente aberta, né, você fala assim: ah essa pessoa está tendo uma ideia muito louca, mas é isso pode virar uma coisa muito legal, então quando você é mais criativo talvez você tem um pouco de empatia com o processos criativos das outras pessoas e sem contar que as pessoas criativas, dá um tempero para nossa rotina, dá um tempero para o nosso dia a dia, e aí eu te pergunto, quais são as suas dicas para gente desenvolver uma criatividade agora no âmbito mais ampliado, assim, na vida pessoal e quais são as vantagens de conquistar essa criatividade durante esse processo?

Luiz Eduardo Serafim – Delícia de pergunta, e aí você troca bola comigo porque eu tenho, várias coisas me vêm à cabeça quando você estava montando essa moldura, porque assim, eu sempre defendi muito essa questão multidisciplinar, está na moda nos últimos tempos, inventaram uma palavra nova, inventaram não, trouxeram à tona a palavra polímata, palavra esquisita, né, não é muito bonita.

Ana Paula Xongani – Conta pra gente.

Luiz Eduardo Serafim – É o multi, eu usava mais o multipotencialista, que é isso, assim o que é o Serafim, o Serafim é um cara que ele não é muito remunerado por música, mas ele toca desde os cinco anos, ele já ganhou três festivais de música na faculdade, ele compõe e às vezes, ele tocou em barzinhos por 10 anos em Campinas, ser músico é ter essa atividade que pode ser só lúdica, que é uma palavra bonita que eu adoro, aprendi no meu curso de psicologia positiva, no ano passado que é autotélico, você faz pelo, eu faço pelo prazer, agora o fato de eu tocar e etc. no fim de semana ou às vezes tocar em alguma festinha e etc., meu isso faz um bem-estar, uma autoestima e abre a conexão, e quando eu vou para 3M para ser remunerado etc., quando eu vou então muito feliz, se eu não tivesse isso eu ia menos feliz, porque ia impactar a minha produtividade.

Ana Paula Xongani – Claro.

Luiz Eduardo Serafim – Aparentemente parece que não nada a ver, mas tem hoje em dia, porque a gente está falando de bem-estar e felicidade, de bem-estar integral, e aí eu fui fazendo as minhas coisas, depois eu fui trazendo para consciência isso, antes era meio intuitiva, então eu sempre quis ser, eu sempre gostava de ser o CDF, o cara que ia bem na escola, fazia, tirava nota de química, de história, adorava português fazia redação, e ao mesmo tempo gostava de fazer bagunça, de ser o cara lá do time de futebol, de vôlei, nadava enfim. Então é uma mistura, eu fiz duas faculdades, eu fiz a ECA que é famosa Escola de Comunicações e Artes da USP, que é uma escola em geral que diz que a divisão de esquerda, é muito aberta etc., e eu fiz FGV que é outro...

Ana Paula Xongani – Meu Deus.

Luiz Eduardo Serafim – Para mim faz tanto sentido para minha, para o meu mantra, o que eu falo, porque é, não tem um lugar que eu achei assim, mais importante, justamente beber das fontes múltiplas, isso me ajudava a ter perspectivas diferentes, então eu ia praticando essa visão de empatia e de não ser polarizado que é uma coisa que tanto hoje em dia está no foco da coisa, eu não gosto assim, eu sou um cara que estou sempre vendo de todos os lados, inclusive Mens, Mens Sana in Corpore Sano, então era o cara ativo, físico, uma super mental, tentando equilibrar o tripé, o tripé que fala né, que é a essência da vida, tripé da filosofia, da ciência e da arte, por exemplo a ciência nos dois, três séculos e o mundo corporativo fez muito isso, trouxe à tona a parte da ciência, não reclamando da ciência porque a gente precisa promover a ciência, a 3M é uma empresa de ciência, mas a ideia da ciência dessa história muito, quanto ao ROI, qual é o retorno no investimento, qual é, quanto que vai dar e quanto, qual é a produtividade, tem ganhar mais meio, é muito importante para as organizações? Claro que é, mas você fica desbalanceado a coisa, isso fica ruim, então às vezes a te que falar, tem ser mais diversos na empresa, por exemplo, né, e às vezes eu escutava ali, temos porque isso vai trazer mais produtividade, não isso é bom, isso claro é ótimo que tenha produtividade , mas a gente tem que fazer isso por exemplo porque isso é o certo a fazer, pelo valor então o meu mantra e conselhos e sugestões para as pessoas lá, o máximo que puderem ser conectadas com as suas áreas de interesse, terem várias dimensões. Interessante, Ana que eu, tem um programa que nós criamos na 3M que muito por vontade nossa lá, atrelado com a marca claro, pelo valor da criatividade, chama Inspiramove, é um programa que passou na TV Cultura alguns anos, são vários empreendedores da economia criativa que contavam suas histórias, como descobriram sua criatividade, como fizeram, como depois de 40 anos continuam se reinventando, renovando como a Glória Coelho ou um Caetano Veloso, como o cara continua, então como tirar um raio x disso, e lá eu escutei no começo quando a gente estava buscando o nome, primeiro nome que veio falaram que era Lado B, vamos batizar esse programa de Lado B? Quase foi, aí uma menina muito de seus 23 anos disse, mas esse nome é ruim porquê? Porque nós não temos lado, não tem lado Rob o lado, sabe? Desde então, faz sei lá 10 anos, na verdade a gente é um ser multidimensional, não tem lado onde eu uso aquele lado e só sou aquele lado, depois eu uso o outro lado.

Ana Paula Xongani – Maravilhosa.

Luiz Eduardo Serafim – É lindo, é um hobby, eu toco piano é um hobby, não, não, é tão importante para o seu quem eu sou usando essas várias dimensões integradas.

Ana Paula Xongani – Adorei Serafa, e que bom que a gente pode hoje cada vez mais buscar empresas que estão de acordo com os nossos propósitos. Inclusive eu já indiquei aqui, quem já ouviu os episódios anteriores de Trampapo sabem, eu sempre falo que lá na Catho, você consegue, tem uma parte que se chamamento, Por Dentro das Empresas e aí você consegue ver como que as empresas são, depoimentos e tal, quais são os valores dessa empresa para você encontrar uma empresa que tem valores parecidos com os seus. Te indico procura uma empresa que valorize a sua criatividade, afinal a gente sempre fala aqui que o mercado é seu. E assim como qualquer habilidade, a criatividade é um talento que pode ser praticado, ele pode ser desenvolvido, ele pode ser estimulado, de várias formas, pode ser através de atividades como leitura, assistir novas séries, novos filmes, visitar ambientes culturas, exibições, museus, teatros, sei lá tentar sempre estar pronto para aprender coisas novas, pode ser lendo, vendo tutorial, sobre sua profissão ou sobre qualquer outra coisa, mas eu queria saber de você, como que os nosso ouvintes podem estar ouvindo aqui a gente, falar está legal, quero ser mais criativo, me senti inspirado depois dessa conversa, para ser mais criativo, como que eu posso treinar a minha criatividade? E por outro lado, como que as empresas podem colaborar para terem funcionários com a mente mais aberta às ideias? Será que aquelas sessões de brainstorming, onde os funcionários tem que debater, trazer temas, será que são dinâmicas em grupos, atividades que coloquem as pessoas para pensar fora da caixa? Enfim, será que você tem uma dica de ouro também para que as empresas também estimulem, você falou das paredes coloridas, será que é pactuação pintar as paredes coloridas ou não, tem outra forma de fazer, o que a gente faz para estimular essa galera à criatividade?

Luiz Eduardo Serafim – Olha, eu gosto dessa ideia, né, durante algum tempo a gente falava muito de que, e isso continua valendo, para gente desenvolver o nosso potencial criativo que todos temos em doses talvez diferentes, ainda bem, cada um é de um jeito, mas que todos podem amplificar e isso o potencial criativo que é verdadeiro, a gente tem essa ideia do repertório, para repertório de conteúdo, então quanto mais, e eu pratiquei sempre para mim, obviamente a gente estimulava dentro das nossas equipes lá, mas cada um de nós pode fazer isso, então primeiro é ler várias coisas, dentro da companhia, citar da organização, ter contato com outras pessoas e outros projetos, por isso às vezes lá, participar de grupos, grupos de afinidade, ele é importante pela vocação e pela causa, mas ele é também importante para você ter um...

Ana Paula Xongani – Relacionamento, né?

Luiz Eduardo Serafim – Relacionamento, trabalhar com outras equipes, com outras pessoas, que não seja só aquele seu mundinho, da sua área, desafios diferentes, por exemplo, grupo de afinidades é uma dessas áreas, tem outros projetos que sejam projetos eventualmente voluntários, colaborativos dentro da organização, se enfia nesses lugares, por que é importante, por que a ideia de conexões e de conhecimento, é vital. Então se você está em algum lugar, vamos falar especificamente do seu, da sua função aí e tal. Sempre a gente estimula olhar, eu com a minha equipe, olha mais do que a tua função, mas de qualquer forma no mínimo na tua função, a gente sempre fala assim, eu trabalho na área tal, lembra que inovação vinha sempre de observar e identificar as necessidades do teu ser humano, do teu cliente, usuário, sei lá e tal. Então bom, eu preciso, você pode aprender técnicas, mas quanto mais a gente na 3M tinha esse mantra, tem que ir na rua, tem que passar metade do tempo junto com teus clientes, senão para que é que você vai ajudar ele, como é que você vai criar valor para ele, se você está ali no ar-condicionado, no Google, etc. Não, não, tem que ir lá e interagindo, observando, vendo aquele filme, mas ali presencialmente, isso é genial. A gente tem um monte de insight ali, um monte de oportunidade na interação, observando aquele contexto, é um dos segredos que a 3M tem para inovação dela.

Ana Paula Xongani – E agora vamos para o nosso quadro Manda o Papo, aqui é o espaço aberto para a gente ouvir mais pessoas, para a gente ouvir novas vozes, que vão contribuir com nosso bate-papo. Hoje a gente vai ouvir a Jacque. - Jacqueline – Oi pessoal, tudo bem? Meu nome é Jaqueline, eu trabalho na Catho, também trabalho na produção do Trampapo, e eu gostaria de participar do Manda o Papo de hoje mandando uma dúvida que eu tenho, mas que eu acho que pode ser também a dúvida de muita gente porque é a criatividade que é exigida no mercado de trabalho, é exigida em qualquer profissão e também em profissões alternativas como empreendedor ou criação de conteúdo como é o caso da Xongani e também é o caso da dúvida que eu quero trazer aqui, que é como especificamente o público pode ser uma fonte de ideias criativas, como que as empresas ou os criadores de conteúdo podem usar, que insights o público fornece em comentários também em métricas das redes sociais, aquilo que elas consomem, como que a gente pode usar o comportamento do público e a opinião deles sobre o nosso produto, serviço ou aquilo que a gente está se propondo a fazer para ter ideias criativas e disruptivas?

Luiz Eduardo Serafim – A Jacqueline fez um comentário bem importante porque lembra que eu assim, muitas coisas de inovação partindo da criatividade que é poder encontrar uma alternativa diferente, original para aquele problema ou para aquela oportunidade, eu gosto de falar podemos até explorar isso, para mim criatividade não é só solução de problemas, para mim é muito mais amplo que isso, muita gente fica atrelado a só solução de problemas, mas ok, a gente tem lá algumas necessidades, projetos se eu vou a campo, lembra eu fale a 3M a gente sempre foi lá para interagir, para conectar com o cliente seja ele, a gente te produto para tudo, né, na oficina de reparação ou eletricista ou enfermeira no centro de infecção hospitalar lá controla infecção hospitalar no hospital, a gente está sempre lá interagindo, observando, tentando identificar ali esse insight. Quando a gente está em um mundo mais virtual para várias profissões, a gente fala gerador de conteúdo, programas, etc., você fica conectado com as opiniões do público e os insights que eles podem te fornecer, como a gente fazia antes, ali na rua observando filmando ou falando ou digitalmente, manda mensagem ou o próprio comportamento dele pode te dizer, né, então você pode aprender muito na inteligência desses dados, dos comportamentos e nas próprias contribuições ali que a pessoa manda por inbox ou se ela manda lá. Eu acho que é uma tremenda fonte, para a inovação para produzir esse efeito que melhora o cenário futuro, é uma situação melhor do que as alternativas existentes a gente tem que escutar e tem que buscar insights de todos os cantos, do usuário propriamente, dos dados, da análise dos dados, da voz dos vendedores do executivos de venda, do serviço ao consumidor do 0800, do chat que está lá interagindo com o chat, então tudo hoje tem mais fontes, então tudo isso é importante, é escutar sem parar, né Ana?

Ana Paula Xongani – É escutar nossa comunidade, acho que se é para eles que a gente está fazendo ter esse feedback é sempre importante, tipo para mim que sou criadora de conteúdo tem muita criatividade ali do outro lado, porque isso é um ciclo, você estimula a criatividade de pessoas que estimulam sua própria criatividade, elas vão te dar respostas

criativa e outra quando a gente coloca um conteúdo no mundo, um produto no mundo, a gente tem que estar disposto e dispostas a ter várias leituras sobre o nosso próprio produto, e aí essas leitura podem gerar insights até para inovação do produto inicial que a gente fez. Eu vejo quem trabalha por exemplo com comunicação, tem e saca essa ideia das mensagens, das respostas como fonte de criatividade tem uma ferramenta enorme na mão, tem várias empresas por exemplo, que usam como uma das estratégias de comunicação o próprio repost dos seus clientes que tem muitas vantagens principalmente a vantagem da credibilidade, porque os outros consumidores pensam várias coisas, entre elas uma, não é a marca dizendo é o meu outro, é o outro consumidor como eu falando, então é uma comunicação muito potente, e segundo mesmo que não foi a pessoa que escreveu esse comentário essa pessoa se sente ouvida, ah se ela ouviu uma pessoa comum, se essa marca ouviu uma pessoa comum, se esse criador ou essa criadora ouviu uma pessoa comum, ela vai me ouvir também, e aí vira um grande ciclo de ideias, criatividades que se bem organizadas, pontuadas, se bem observadas podem virar muitos processos de inovação aí onde trabalha. Bom, Serafa, chegamos no nosso último quadro, você acredita, nesse papo bom? Chegamos no quadro Dica Extracurricular, aqui são dicas para que as pessoas continuem pensando, conversando, dialogando, estudando sobre esse assunto, pode ser seu próprio livro pode ser outros livros, uma série, um vídeo, uma palestra disponível na internet, uma dica de leitura, o que você quiser. Quais são suas dicas extracurricular para as pessoas que querem continuar pesquisando sobre a criatividade?

Luiz Eduardo Serafim – Poxa, muito legal, pena que está acabando lá, mas assim, existem sim alguns conteúdos que eu valorizo e sempre tentei indicá-los, especialmente assim, se a pessoa quiser na parte da inovação, para tornar uma empresa inovadora, porque a gente fala na organização, aquela ideia nova que foi em equipe, trabalhada e etc., viabilizada e implementada, e que está fazendo o mundo mudar. Como a 3M fez aos 50 mil itens dela, o Scott Bratt, são coisas que, então para aquela ideia diferente de vingar, você precisa ter a parte da inovação. Então tem um livro que chama Inovação Prioridade nº 1, um dos melhores livros que eu li sobre inovação, por que dá esse efeito sistêmico para a empresa ser transformada em inovação, é um sistema, se não tiver sistema, fulano, beltrano, ele pode inovar ali no mundinho dele uma vez? Pode, porque tem aqueles apaixonados, revolucionários, que a despeito de não ter apoio, de não ter sistema, o cara vai fazer alguma diferença, para ele mesmo, mas não fica que nem uma empresa que nem a 3M lá, 119 anos, que sempre todo ano e tal. Então você precisa ter um sistema inovação, prioridade nº 1, gestão de inovação na prática, que é um livro da turma da Innoscience, uns amigos de uma consultoria que eu achei muito legal, quando eu comecei a dar aula, usei de base. Eu escrevi esse livro Poder da Inovação, que eu acho que é bacana, que ajuda a entender essa parte da inovação. Você falou de alguns conceitos, eu iria atrás desse conceito de flow, que eu acho vital, tem um cara com um nome muito difícil, com muitas consoantes.

Ana Paula Xongani – Como?

Luiz Eduardo Serafim – Mirraletizamirrale, é o fundador desse negócio. Mas coloca flow e vai atrás de alguma coisa, tem em português, tem professores do Brasil que falam sobre essa ideia da criatividade, que a gente falou. Quando encontro aquela atividade que eu vou na imersão, como fazia o Einstein, esqueçam de almoçar, a Glória Coelho, esqueçam, eu fico tão imerso, eu fico a noite inteira, a madrugada. Então a ideia de alguma forma muito significativa, do flow, vai procurar esse termo ali do flow. O vulnerabilidade que você falou, é muito legal, a tal da Brené Brown, muita gente lê livros dela, vai no TED dela, os textos são legais.

Ana Paula Xongani – Hum, hum.

Luiz Eduardo Serafim – Ela fala, ela quer falar: o berço da criatividade é a vulnerabilidade, eu não digo isso, não. Eu estudo mais, o negócio, agora a vulnerabilidade é vital, é um dos, uma das coisas que é muito importante para nós como líderes, para criarmos nosso ambiente. Pô, vai estudar lá a história da vulnerabilidade com a Brené Brown, por exemplo, é muito legal. O Kim Robinson é outro cara que eu amo, então livros dele e TED Talks que eu leio, podcasts que falem sobre ele lá, que acho muito sobre a educação, etc. para o futuro, acho que isso são oportunidades boas de conteúdos. Não esqueça aquela história, vai na Netflix, tem as coisas lá que são relevantes para você, pega uma coisa diferente, que não é tão relevante, você vai pegar outro tema que você nunca vê um pouco, música, com o nosso amigo do Talking Reds lá, o Davis. Ele lá atrás fazia, eu tenho que fazer isso, adoro colocar minha descoberta do Spotify assim, porque escutei, aprendi tanta coisa assim, de estilos e de bandas que eu nunca tinha ouvido falar, isso só faz a tua cabeça ficar efervescente, Ana.

Ana Paula Xongani – Tem mais dica? Manda, manda.

Luiz Eduardo Serafim – Tem uma coisa que eu acho vital, você fala: pô, cara, que dica para eu fazer amanhã?

Ana Paula Xongani – Amanhã, gosto.

Luiz Eduardo Serafim – Porque o que acontece é que nós temos mil oportunidades para adotarmos um pouco dessa atitude criativa. Algumas sem grande risco, etc., tal, na nossa vida. Então lembra que a gente é integrado, então quando eu chego na 3M também posso usar e vou usar. Mas quando estou em casa, também posso usar, com os meus amigos posso usar, e você fala: às vezes eu posso, por que eu já estou mais familiar com eles assim, me sinto bem, mas sou eu quem eu sou, putz, o ideal é que a gente esteja em empresa onde eu sou quem eu sou na minha empresa também, mas a gente pode aplicar. Então vou dar exemplos que talvez estimule as pessoas. Quando a minha mãe fez 60 anos, eu acho que sim, ela fez música, ela compunha, eu toco piano muito por que ela tinha um piano e aprendeu e tal. Então ela compôs músicas para o meu pai aos 20 anos de idade, lá em 1959, imagina só. Fez duas músicas bonitinhas, eu falei assim, quando ela fez 60 anos, antes muitas vezes eu fiz cartõezinhos bonitinhos, mas eu dava flor, perfume, lenço, camisa, que é o que a gente faz, e é bonitinho, então continua fazendo isso. Mas, pô, 60 anos, cara, essa, e eu não tinha tempo, mas lá eu vou caprichar. Por que isso tem sentido, lembra da história do sentido? Isso tem sentido, eu quero, e não é o resultado daquela solução, é um problema para resolver quando fala da criatividade? Não, é provocar emoções e fazer a vida mais feliz, essa é a essência da criatividade também. Então eu fui lá, eu peguei dois amigos, fizemos um trio de jazz, fomos num estúdio e a gente gravou um CD. Com duas músicas, as músicas dela, que ela fez para o meu pai lá em 1960 e mais outras músicas, já que eu estou fazendo um CD, deixa eu pegar músicas que ela ama, aquela música do Gonzaguinha, aquela música do sei lá quem, deixa eu fazer. Cara, só minhas irmãs talvez queriam me matar, porque eu já sou o caçula, elas vão achar que puta, sou protegido, dei o presente que é o presente mais legal do mundo. Pelo prazer de fazer, por fazer a vida valer à pena em cada instante. Vou dar outro exemplo. Meu amigo foi lá, fez 10 anos de empresa, vamos falar de um negócio de empresa. Então 10 anos, o que é que a gente faz numa organização, o chefe faz geralmente, a chefe, puta, vai lá, puta, está aqui um certificado, muitas vezes pode dar um certificado, vamos almoçar, faz um discurso muito legal, é muito legal. Então não deixe de fazer isso, então tudo legal. Mas se você puder, de vez em quando aquela história, cara, eu quero fazer um pouco mais diferente, criar um ambiente de mais confiança e de mais surpresa, de mais encantamento com o que a gente vive. Pô, estou lá o dia inteiro na empresa, há anos, pô, eu tenho que fazer aquilo ser encantador. Então eu peguei o meu amigo, o meu amigo trabalhou na Grow antes de ir para a 3M. Então eu fui lá, ele gostava de jogo de tabuleiro, ele montou um monte de jogo de tabuleiro, ele fazia jogo super trunfo, ele que criava os jogos. Aí eu peguei assim, fiz 10 anos, como se fosse um tabuleiro com aquele caminhozinho, e até os 10 anos, cada ano, e aquelas coisas que acontecem no mundo corporativo, caiu na casinha tal, mudou de chefe? Muda? Perdeu três pontos porque perdeu a história. Entrou não sei o que global, atrapalhou a vida. Ou tem os impulsionadores, caiu nessa casa, essa casa, peguei, desenhei um desenho dos Simpsons que ele gosta, por exemplo, e fui lá no dia, putz, dei esse treco para ele. Sem tempo para eu fazer isso, são 11h30 da noite, meia-noite, lá, desenhar, fazia, porque eu tenho prazer naquilo. E a gente faz esse negócio. Eu tenho um amigão que eu fiz aniversário, então eu vejo isso acontecer, eu fiz aniversário, o que é que ele pegou? Eu e o meu filho, a gente ama Simpsons, de assistir os episódios, e ele é um tremendo desenhista esse meu amigo, ele foi e o que é que ele deu de aniversário? Ele já me deu vinho, já me deu Negroni, já me deu, não, ele foi lá, ele fez um quadrinho, eu, o Serasimpsons, eu e o meu filho na cadeira de rodas juntinhos assim, a gente desenhado como Simpsons, e bonitinho assim, com o fundo, assim, putz, sabe, aquilo é inestimável, aquilo é, causa uma coisa maravilhosa. Eu posso fazer isso, vocês que estão ouvindo, podem fazer isso toda hora, tem alguma coisa, o teu aniversário de x anos, o aniversário da tua mãe de x anos, sua namorada, seu namorado, sei lá o que, do seu parceiro, ou pode ser na empresa. Então eu cultivo isso sempre, pessoal, vamos fazer um evento no final do ano na feira da Pixel assim, não pode ser normal, vamos fazer uma celebração de tal coisa, o dia da família dentro da 3M, o que é, cara, a gente junta, cria esse ambiente, é claro que o líder tem esse papel, vai respeitando, vai deixando, quando você vê, tem aquela galera. Então putz, e eu para terminar aquela história, a criatividade tem esse papel, além do resultado de ser mais produtivo, de ser mais diverso e trazer impactos, know-how e etc., a gente faz isso por que faz a vida valer à pena e ser muito mais feliz, não tem nada mais importante que isso.

Ana Paula Xongani – Que lindo. Eu acho que eu tenho mais um novo sonho na vida, sabe qual é? Ganhar um presente seu.

Luiz Eduardo Serafim – Vou fazer.

Ana Paula Xongani – Olha, existem três ações que fazem parte de um processo criativo. 1- A atenção, quando uma pessoa reconhece um problema ou uma oportunidade de aprimorar alguma coisa. A segunda é a fuga, que é aquele momento em que deixamos de aceitar as coisas como elas são e abrirmos novas possibilidades para a cabeça e para a gente mudar de ideia. E três, é um movimento, usar a imaginação e tentar novas ideias para criar algo novo. Tendo interesse, curiosidade e foco, qualquer um pode ser criativo. Isso não quer dizer que todas as suas ideias serão inovadoras, nem sempre nossas mudanças serão as melhores. Mas isso não deve desencorajar ninguém. Talvez você tenha encontrado parte de uma solução que será completada por uma outra pessoa criativa. Talvez hoje você não tenha tido uma boa ideia, mas ao menos exercitou a sua mente para ter ideias melhores no futuro. E lembre-se, não existem ideias bobas, você só precisa dar mais crédito a si e para suas ideias. Mantenha sempre sua mente aberta e tente sempre pensar fora da caixa. Esse foi o Trampapo de hoje, sempre ajudando a inovar cada vez mais. Serafa, muito obrigada por todas suas ideias, pelo seu entusiasmo na voz, eu queria que você soubesse que a sua voz também estimula a criatividade, com esse entusiasmo, com essa vontade de falar, e principalmente com esse gran finale que a criatividade pode tornar nossa vida muito melhor. Muito obrigada por estar aqui com a gente hoje.

Luiz Eduardo Serafim – Muito obrigado pelo carinho e pela atenção, espero que as pessoas saiam lá, se inspirem, na vida todo dia tem motivo para inspirar, e faz a sua vida valer à pena, e impactar com ideias boas, envolvido com gente bacana, fazendo a diferença no mundo. Ana, muito obrigado, pessoal da Catho.

Ana Paula Xongani – Olha gente, vocês viram que Serafa deu muitas ideias, muitas dicas para a gente, e está tudo ali bem facilitado no nosso site, que é www.trampapo.com.br. Tem os links para você continuar estimulando a sua criatividade. Também quero criatividade lá nos comentários, no nosso Instagram: @trampapo.podcast. Estou esperando vocês lá, até o próximo episódio, um beijo e tchau.

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