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Comunidade: Quem poderá nos ajudar?
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Comunidade: Quem poderá nos ajudar?

DIVERSIDADEConvidados:

Fabiana Fragiácomo - Head of marketing do Instituto Ayrton Senna

Alex do Santos (LeMaestro) - Co - Fundador da REDE Gerando Falcões

Sobre:

Sabe o muro da desigualdade? E aí, em qual dos lados desse muro você nasceu? Existe uma separação na nossa sociedade que define quem vai ter acesso à boa educação e ótima estrutura no lar e na saúde. Normalmente, essas pessoas são as mesmas que ocupam as lideranças das empresas e excluem do mercado de trabalho formal aqueles que vivem nas comunidades e não atendem as exigências elitistas dos processos seletivos, que apenas uma pequena parcela privilegiada da população tem acesso. Mas e as comunidades, quem poderá ajudar? Neste Trampapo, Ana Paula Xongani e Ricardo Morais recebem duas instituições que são referência em impacto social e no desenvolvimento de jovens. Lê Maestro, cofundador e diretor de educação da Rede Gerando Falcões, e Fabiana Fragiacomo, gerente de marketing do Instituto Ayrton Senna, falam sobre privilégios, empatia, meritocracia, capitalismo selvagem e muito mais para refletir a favor da criação de oportunidades por meio da responsabilidade social e do investimento na educação. Vem fazer parte desta conversa, aperte o play!

Comunidade: Quem poderá nos ajudar?
Transcrição:

Ana Paula Xongani: O Trampapo de hoje começa diferente. Solta o meme editor.

[meme] Privilégios? “Ah, você tem privilégios.” Eu tive privilégios por quê? Meu pai é sim empresário, trabalhei sim com o meu pai. E se eu continuei trabalhando com ele, foi porque eu mereci. Se eu estou onde eu estou é porque eu mereci. Não tenho culpa se ela não tem um pai que oferece emprego pra ela. [meme]

Ana Paula Xongani: É isso. E aí, reconheceram? Esse áudio clássico da internet ilustra perfeitamente o assunto de hoje. Se você nasceu em uma família abastada, teve acesso a escola particular, vários cursos para aperfeiçoamento, se você pôde viajar para fora, ter acesso à cultura, tecnologia, ensino superior, e ainda de quebra tem aquele emprego garantido na empresa da família: Parabéns. Saiba que milhões de brasileiros gostariam de ter as mesmas oportunidades que você. Mas é uma verdade universal: quanto mais acesso você tem a educação, mais chance você terá de sucesso. E é claro que, quão pior for a condição social de uma pessoa, menos acesso ela terá e sua jornada profissional e estabilidade financeira, será muito mais difícil. Para ao menos tentar diminuir esse abismo de desvantagem entre classes, existem as medidas sócias, mas, e quando a ajuda vinda não é suficiente? No Trampapo de hoje discutiremos a importância do olhar social, do capitalismo consciente e do impacto da comunidade na força de trabalho. [trilha música]

Ana Paula Xongani: Olá, eu sou Ana Paula Xongani, e apesar do Trampapo ser um podcast, busca ser inclusivo para as pessoas com deficiência. Então para quem precisa de acessibilidade, é possível conferir a transcrição dos programas em texto ou em libras, no nosso site. Anota aí: www.trampapo.com.br. Os convidados também farão sua autodescrição para quem tem deficiência visual poder conhecê-los melhor. Eu também farei isso, e eu vou começar agora. Eu como disse, sou Ana Paula Xongani, sou empresária, criadora nas redes, apresentadora e mãe. Eu sou uma mulher preta, cis, de cabelos crespos, curtos e pretos, olhos escuros, corpo volumoso, hoje eu estou uma camisa de bolinhas, calça preta, tênis bem colorido com várias estampas, com pouca maquiagem e um brinco bem pequeno. E aí, Ricardo?

Ricardo Morais: Oi, pessoal. Eu sou o Ricardo Morais, sou gerente de marketing na CATHO, sou host junto com a Xongani e acompanhe nossos convidados incríveis pra esse papo que vai ser bem importante. Fazendo minha autodescrição: eu sou um homem de um metro e oitenta e um, cis, branco, olhos claros, puro creme do privilégio, né? Hoje eu estou vestido com uma calça vermelha, um tênis branco, e uma camiseta branca. Eu vou aproveitar agora, vou pegar aqui já de cara um dos nossos convidados, o Lê Maestro. Lê, como você está, quem você é e o que você está fazendo no momento?

Lê Maestro: Bom, eu sou o Lê Maestro, Co-Fundador da Rede Gerando Falcões, diretor de toda área de educação que nós temos na rede hoje no Brasil, sou um jovem de 33 anos, negro, cabelo curto raspado, estou de camisa listrada, calça jeans e de chinelo, por conta do home office.

Ana Paula Xongani: Maravilha.

Ricardo Morais: Legal.

Ana Paula Xongani: A gente já gravou de pijama aqui, e faz parte do Trampapo.

Ricardo Morais: É, e pior que a gente fala mesmo o que está vestindo, então ninguém aqui fala “não, estou com uma roupa bacana”, não. É “eu estou de pijama, mesmo”. Aproveitar agora, obrigado, Lê. Obrigado por ter tempo para a gente. E agora a Fabiana Fragiacomo. Fabiana, por favor, se apresente para todos.

Fabiana Fragiacomo: Bom, eu sou a Fabiana Fragiacomo, sou uma mulher que fiz cinquenta anos esse ano, sou meio baixinha, um metro e sessenta, sou branca, da turma dos privilegiamos como a gente está falando hoje em dia, sou mãe de uma adolescente e uma criança de dez anos, estou vestida, vou descrever da barriga para cima que é melhor. Eu estou descalça hoje aqui, enfim, estou de preto com uma camisetinha dos bichinhos, da girafa.

Ana Paula Xongani: Tem um colar bonito aí, é isso?

Fabiana Fragiacomo:Ah, e um colar bonito para dar um tapa no visual, para parecer que eu estou bem arrumadinha.

Ana Paula Xongani: Muito bem. Vamos começar nosso papo de hoje. Acho que eu quero começar esse papo falando sobre nós, todos nós, sermos seres sociais, a gente precisa urgentemente aprender a fazer uma leitura social, isso é muito importante. Tem gente que pensa na sociedade e tem gente que não pensa. Mas, quando a gente tem a noção que nós somos, nossas relações, as relações humanas são relações de interdependências, a gente começa a entender a importância da gente olhar pro mundo, pensar: quem eu sou nesse mundo? O que eu represento nesse mundo? Ter um olhar de helicóptero e se perceber esse ser social, mesmo. Outra coisa é a gente perceber nossos privilégios, ou até nossas desvantagens, ter consciência disso é um bom passo. Depois disso é legal a gente desenvolver uma outra coisa, que é assim, um olhar social, uma ação social, um trabalho social para ajudar outras pessoas, e para ajudar a diminuir as desigualdades. E o Trampapo é sobre isso, é sobre desigualdade social e suas consequências na vida profissional das pessoas. Por isso partimos de um ponto muito importante que é, a dificuldade a dificuldade que as pessoas periféricas têm de se qualificar e conquistar uma posição de trabalho valorizada, com uma boa remuneração, condições de trabalho digna, e com perspectiva de crescimento. Muitas vezes os jovens e crianças são condicionados a um ciclo que nunca se rompe, porque precisam trabalhar desde cedo e por isso, não conseguem focar nos estudos. Então o resultado disso é ficar a vida toda com subempregos, ou trabalhando na informalidade, e sem condições de proporcionar isso para as próximas gerações, para os seus filhos e assim por diante.

Ricardo Morais: Segundo dados da Fundação Schwab, projetos de empreendedorismo social impactam, mudam a vida positivamente de seiscentas e vinte e dois milhões de pessoas, ao redor do mundo. Mas não vamos esquecer: só na China tem bilhões. Então, a gente consegue mudar bastante ainda. Desses seiscentos e vinte e dois milhões, mais de duzentos e vinte e seis milhões conseguiram algum tipo de auxílio educacional, por causa de um programa de empreendedorismo voltado para a educação. Ainda, cento e oitenta milhões conquistaram direito à terra, que para muitas pessoas é um direito de subsistência. E quinhentas e vinte e seis milhões, alguma solução por meio tecnológico. Tecnologia começando a mudar as pessoas. Então, eu acho que fica claro como a gente precisa desse suporte para que mais pessoas tenham acesso.

Ana Paula Xongani: E é isso. Muitos motivos aqui no nosso país, podem e devem nos motivar, motivar as pessoas, a terem um olhar social. Mas particularmente, eu quero saber de vocês. Por que e em qual momento vocês decidiram colocar a mão na massa, pra mobilizar a sociedade, cuidando da educação e da capacitação dos jovens? Por que o trabalho que vocês fazem é tão importante? Começa, Fabiana, quem começou da outra vez foi o Lê.

Fabiana Fragiacomo: Bom, gente, eu sou responsável pela área de comunicação do instituto Ayrton Senna desde dois mil e dezesseis. Antes disso, eu tive quase vinte e cinco anos no mercado financeiro, na bolha. Essa mudança, minha saída do banco, desse mercado financeiro, como head de marketing também para ir para o instituto, fez uma diferença brutal na minha visão de mundo. Primeiro eu atualizei a minha visão de mundo e compreendi um pouco, o que a gente estava vivendo. E para mim foi a maior mudança, talvez, da minha vida profissional, foi sair de um setor voltado para lucro, para um setor onde a gente olha gente, onde a gente olha a sociedade.

Ana Paula Xongani: Lê Maestro, conta pra gente o que te motiva?

Lê Maestro: Bom, a Gerando Falcões, ela nasce de uma indignação genuína de poder oferecer as oportunidades que, eu, Edu, nós, enquanto moradores de periferia e favelas, não tivemos, e que nos levaram a situações... assim, a gente nasce na vulnerabilidade, e dependendo das escolhas que a gente faz, a gente aumenta o nível da vulnerabilidade que a gente chega. Então no meu caso, cresci na favela, que vi meu pai chegar todos os dias e agredir a minha mãe por conta do vício, meus irmãos usando cocaína agredindo o meu pai, no quintal da minha avó eu vendo a polícia invadindo, e trocando tiro com os meus tios que eram assaltantes. Então, crescer nesse ambiente foi me causando uma série de crenças limitantes, de traumas, a Fabi falou muito aqui de questões sócio emocionais, e já me limitando, para que mesmo que eu tivesse uma oportunidade, não conseguisse acessar essa oportunidade como deveria. Porque eu estava limitado nas minhas emoções. Com onze anos de idade eu comecei a andar de skate, com treze eu estava competindo, foi o que nesse período me salvou, mas eu me machuquei aos treze anos, tive que ficar seis meses sem andar, e acabei entrando em uma profunda depressão. E aí foram dois anos sem sair de casa, e no final desses dois anos eu conheci a cocaína, que foi a fuga que quase destruiu a minha vida. Então foram oito anos depois desse primeiro dia, que eu experimentei, cheguei a pesar quarenta e cinco quilos, quase morri de overdose, fui pra uma casa de recuperação e lá começou a trajetória com terceiro setor. Descobri um outro talento que eu tinha que era o Rap, queria cantar, queria fazer parte do grupo de samba, mas eu cantava muito mal, gente. Não era afinado. Eu falei “o quê que eu vou fazer para esses caras me aceitarem? Vou escrever um rap, rap não precisa ser afinado.” Precisa. Eu achava que não, mas aí eu cantei a música pro cara, e o cara me contou a maior mentira da vida dele. Porque eu cheguei mentindo, eu falei que eu era um rapper muito famoso na minha quebrada, e eu nunca tinha feito rap. Só que ele olhou para mim e me contou uma mentira maior que a minha, ele falou que eu tinha talento. E eu falei “acredito”, então é isso. Vou usar o rap, vou usar o skate e vou montar um projeto social no meu bairro. E aí eu saí de lá, arrumei um emprego, comprei uns skates, comecei a dar aula de skate, com a proposta de levar conscientização para as crianças, para os jovens, para que não seguissem o meu caminho. Me reencontrei com o Edu. O Edu já fazendo palestras em escolas, prestes a lançar o livro “Jovens Falcões”, a gente se conectou e aí surgiu esse movimento, essa ONG que se tornou um grande ecossistema de desenvolvimento social, que trabalha em rede para mandar a desigualdade da favela para um museu. Então a gente começou, com esse trabalho de motivação, de entrar em escolas, Edu fazendo palestras, eu cantando Rap, de estruturar melhor esse trabalho de oficinas para trair o jovem, e ali ter uma proposta pedagógica, para trabalhar e desenvolver aquela criança, aquele adolescente, nas suas emoções. Depois um polo de cultura e de esporte, depois uma frente forte de qualificação profissional.

Ricardo Morais: Tem uma coisa que é legal quando vocês dois falam, é o ponto de partida, mas mais interessante é o ponto de chegada. Porque quando a gente olha, vocês dois estão no mesmo lugar hoje, o mesmo interesse, a mesma busca, o mesmo trabalho. E ainda assim estão falando, como a Fabíola colocou, alguém que vem de uma área de privilégio, e depois vê como pode ajudar a mudar, e se conforma com isso. E o Lê sai de um lugar onde...

Ana Paula Xongani: De indignação como, ele diz.

Ricardo Morais: É. De Indignação. E os dois transformam indignação em algo que pode ser para o bem, acho que a gente vê muito isso na sociedade, muita indignação, mas pouca ação, como transformar essa indignação em algo do bem e deixar de ser o justiceiro da rede social que só reclama. Isso a gente sabe que não é só o querer, algumas vezes se a gente tiver só os privilégios não vai dar certo. Agora quando você chega no mercado de trabalho e você está lá, feliz, e pensa “poxa, venci a barreira da faculdade”, o mercado vira e te fala “ah, mas você precisa do inglês fluente” e aí você se pergunta: - mas eu só sou estagiário, precisa mesmo? Não sabia que pra mexer em máquina de cópia precisava de tudo isso. Então cada vez mais essa exclusão vai se normalizando, vai ficando tranquilo, e deixa passar. E fica a minha pergunta, como é que a gente vê esse preconceito, essa exigência irracional das empresas? Como é que a gente consegue explicar quando se faz isso, existem alguns pedidos e, na verdade, se está excluindo pessoas? E se é possível tornar um pouco mais democrática nas oportunidades, pela educação. Então o Lê Maestro que é educador, com que a gente faz isso para tornar as oportunidades mais igualitárias? E aí por último, de que forma vocês acreditam que a gente já começa hábitos de exclusão no processo de seleção no trabalho, ou como vocês já viram na vida de vocês. Acho que o Lê começar seria legal. Do quê que você já foi excluído logo de cara e pensou “isso é preconceito comigo”?

Lê Maestro: Ah, muitas vezes. Você se sente excluído só de chegar na porta da recepção da empresa, o elevador que te mandam subir, às vezes a forma como o entrevistador te entrevista, a gente percebe que a aquele colega passou mais tempo, ele fez mais perguntas, ele teve um pouco mais de oportunidade de respostas, e você está ali para a mesma vaga e ela dura menos tempo, com perguntas rasas e vai embora logo. Já senti isso algumas vezes no passado. O quê que eu acho, assim, como que a gente pode diminuir? Acho que tem duas coisas; acho que as empresas do setor privado começam a sentir também, a falta de mão de obra qualificada de dois pontos de vistas, não só técnico, pessoas que tem habilidade socioemocionais desenvolvidas, quem tem soft skills desenvolvidos. E a favela, o favelado, a comunidade, ela tem alguns desses soft skills, algumas dessas habilidades desenvolvidas de maneira natural, da pior maneira possível. Por exemplo, lá em Varejão do Lago; uma favela que a gente atende, em Maceió, a família coleta Sururu no mangue; é um processo que passa por cinco mãos, inclusive pela da criança, e a família consegue gerar uma renda de $150 reais por mês. E ela sobrevive com esses $150 reais em um mês. Então, quão criativo, resiliente e persistente, para não se entregar a uma realidade como essa, aquela família tem que ser? Imagina se a gente oferece pra uma pessoa como essa, a oportunidade dela fortalecer suas emoções, dela se desenvolver emocionalmente e tecnicamente. Quando ela entra dentro de uma empresa com essas fortalezas, ela se torna um colaborador imbatível.

Fabiana Fragiacomo: Vou citar aqui, até seguindo um pouco a fala do Lê, uma das primeiras pesquisas que foram feitas, mais robustas, com um pesquisador chamado James Heckman, ele fez uma pesquisa onde exatamente olhava para as crianças de alta vulnerabilidade, e ele colocou um olhar mais ampliado. O que aconteceu com essas crianças que tiveram o desenvolvimento dessas habilidades socioemocionais desenvolvidas na infância, e aqueles que são de alta vulnerabilidade que não tiveram; ele compara isso a um horizonte, e comprova com a pesquisa que o impacto é brutal. O que fez a diferença para você em primeiro lugar transformar essas crianças, é esse desenvolvimento, e quanto mais cedo, melhor. Então eu concordo com o Lê, e acho que essas crianças são impactadas, mas a gente tem que lembrar que, elas carregam marcas, o trabalho de autoconhecimento e como você vai ao longo do período ela vai se conhecendo e vai lidando, administrando essas emoções e essas habilidades, para que ela possa se transformar ao longo da vida. Com relação a trazer, a ingressar, e as empresas, a gente tem que olhar a vida como um ecossistema, tudo é sistêmico. Entendemos que a empresa tem um papel intencional, de colocar outras adversidades, é um papel obrigatório da empresa, se ela não fizer isso intencionalmente isso não vai acontecer. No entanto, para isso acontecer de uma forma natural, também a gente precisa trabalhar a base, se não a gente fica enxugando gelo, a gente tem que trabalhar essa origem que está nas escolas esse desenvolvimento, porque quando a gente fala “ah, isso é obrigado”, muita gente fala “é obrigação dos pais, educação é em casa”, agora vai pegar essa realidade que o Lê tá citando? Essa realidade é a maioria, estamos falando de 50, 60% das crianças em situações onde não tem pai, ou não tem a mãe, vive com a avó, todas essas situações que a gente sabe. Então não dá pra você depositar isso como papel simplesmente da família.

Lê Maestro: Pensando nisso, nós desenvolvemos uma metodologia pedagógica que tem como principal o pilar socioemocional. Então todos os programas educacionais hoje, de líder, de jovem, de criança, têm como principal objetivo, desenvolver essas habilidades. E dentro do programa de formação de jovens, antes dele acessar qualquer tipo de emprego, de curso, ele passa por uma formação de seis meses intensivos, para: entender o que é crença limitante, descobrir quais são as suas crenças, descobrir qual é a sua vocação, e com coach, psicólogo, com mentores que estão alocados em empresas, ajudando esse jovem a descobrir a sua vocação. E depois que ele passa por esse processo intensivo, aí sim, ele: “quero ser engenheiro”, “Ah, quero X coisa”, aí nós encaminhamos esse jovem para essa trilha personalizada e ele continua sendo encaminhado. E uma coisa inédita que a gente trouxe, dentro da “Gerando Falcões”, é mais uma parceria com a Waldorf, uma escola que trabalha e desenvolve também, com antroposofia, e iniciamos o credenciamento da Falcões no MEC, nós queremos que esta metodologia pedagógica, esteja credenciada e certificada, para que a gente passe a formar não só os educadores que estão dentro da rede, como os educadores das escolas públicas. E a gente cria um grande movimento de educação, que é isso que a Fabi trouxe, para conseguir disseminar esse tipo de desenvolvimento para todos. Hoje, na Gerando Falcões, a gente consegue oferecer a oportunidade de uma criança acessar uma metodologia de ensino humanizado de uma das maiores escolas particulares do país e do mundo. Mas, nós queremos democratizar esse conhecimento, essa oportunidade, e levar para todos. E também, lançamos dia vinte, o curso da nossa universidade para uma primeira empresa, que é a IDP, onde nós vamos passar a formar esses executivos, formar essas empresas, para entenderem a problemática. Co-criarem as soluções, juntos com os líderes sociais, juntos com os moradores, nos territórios de periferias e de favelas, trazendo os especialistas que falam sobre os impactos ambientais, para que no final desse curso essa empresa tenha o curso de ESG desenhado, pelos próprios colaboradores que estão lá dentro. Fazendo com que a solução chegue de uma forma muito mais eficiente em quem realmente precisa, e essa empresa esteja mais preparada para esse novo mundo que vai surgir. E como foi bem mencionado pela Fabi, as empresas que não estiverem conectadas, ligadas, atualizadas e trabalhando com a favela, dificilmente vão conseguir permanecer de pé, no futuro.

Ana Paula Xongani: A gente tem dois episódios aqui no Trampapo. Um: como trabalhar no futuro, e outro: criatividade; que a gente aprofunda esses assuntos, acho que vale a pena vocês ouvirem esses dois episódios, para te dar insights. O que você vai fazer daqui para a frente? Pena nisso. E eu queria contar para vocês que eu sou uma pessoa impulsionada, vou mandar o papo aqui hoje, gente. Eu sou uma pessoa impulsionada pelos institutos, pelos centros culturais, pelas pastorais, pastorais de saúde, projetos sociais. Eu por muitos e muitos anos fiz coral, Coral Baobá, eu aprendi diversas coisas, não só a cantar, mas como me relacionar, a me entender como um ser humano social, também. E, eu tenho certeza absoluta. Eu fiz uma faculdade particular e super elitizada aqui no Brasil, a Belas Artes, mas eu tenho certeza absoluta, totalmente absoluta, que as principais competências que eu desenvolvi, e que até hoje uso no meu trabalho, como comunicadora, ou como empresária, ou líder da minha pequena empresa, foi a partir desses trabalhos sociais. Ou até quando eu comecei como menor aprendiz, já contei aqui no primeiro episódio. Esse lugar do trabalho somado a educação, que o menor aprendiz tem a oportunidade, é uma oportunidade enorme, que transforma pessoas como eu. Uma mulher preta, da periferia, lotada de sonhos, mas como diz minha querida Viola Davis, “o que separa a gente do sucesso, são as oportunidades”. Quando essas oportunidades são dadas, inclusive por esses institutos, por esses lugares, faz uma diferença enorme na vida das pessoas. Eu sou uma dessas pessoas, e por isso que eu falo até emocionada. E como eu gosto de uma boa história, eu queria ouvir vocês também, vocês poderiam contar a história de uma pessoa, ou de vocês, ou de alguém da família, que foi impulsionado pelos trabalhos sociais que vocês desenvolvem, seja no instituto, seja no Gerando Falcões, para a gente entender os benefícios disso. Para quem está nos ouvindo entender tanto o processo como funciona uma instituição, mas também os resultados. Acho que vale a pena contar essa história. Quem também tem uma boa história para contar?

Lê Maestro: Na Gerando Falcões, a gente teve muitas histórias legais, e que quebraram essa bolha, que furaram essa bolha dos dois lados, a gente tem hoje, jovens que saíram da favela e estão trabalhando na Microsoft, jovens que saíram da favela e estão trabalhando na Accenture, que é uma empresa global. Então, tem várias histórias desse tipo, assim, de transformação, jovens trabalhando na Ambev. A maioria das empresas que hoje atuam junto com a Gerando Falcões, seja investindo, ou aportando conhecimento, tem jovens empregados dentro dela. E tem uma história em especial, que é bem recente, que é de um jovem chamado Vitor. Ele morava em um abrigo, não morava com seus pais, porque a convivência em casa era muito difícil, então ele foi realmente tirado para morar em um abrigo. E ele chegou na formação, e essa formação socioemocional, e os três dias de aula presencial, ele chegava com um capuz na cabeça, de cabeça baixa, e um boné cobrindo o rosto. E no quarto dia ele começou a ficar sem o capuz, no quinto dia ele já estava sem o boné, e no final do curso, ele era o orador da turma, na formatura, ele que deu o discurso, está trabalhando no Nossa Bazar Escola sendo preparado para ingressar na universidade de engenharia que o sonho dele. Para se tornar um engenheiro no futuro. A gente também tem essa transformação de dentro para fora que eu acho que é muito legal a gente ressaltar, porque também foi a transformação que eu também vivi. A gente deixar de usar as drogas, não foi suficiente, eu tive que trabalhar uma série de questões emocionais, a minha autoestima, meu autocontrole, toda essa questão do autoconhecimento, para que eu conseguisse me tornar o melhor profissional também. Então a gente tem histórias de sucesso como a do Vitor, que passaram por esse desenvolvimento de dentro para fora, que fazem com que eles trilhem carreiras de sucesso incríveis. Ele voltou para casa, consegue ter uma melhor convivência com a família agora, e continua sendo trabalhado e acompanhado. Desenvolvimento humano não acaba, autoconhecimento não acaba em um ano, é pro resto da vida. Histórias de líderes sociais, como a gente trabalha com um grande ecossistema em rede, tem ONGs e líderes que chegaram na rede Gerando Falcões, com projetos extraordinários de impacto, mas sem investimento, sem escala e hoje são ONGs e líderes sociais que captam milhões de reais por ano. Fazem o seu trabalho se tornar mais impactante, atingem outras pessoas, como por exemplo a Amandinha, do instituto As Valquírias, Amanda Oliveira, que faz um trabalho incrível de empoderamento feminino. Tem uma fala dela que ela fala que fez um ano aquilo que ela não fez em dez, usando essa metodologia que ela aprendeu na Falcões University e na Gerando Falcões, e hoje é uma ONG que, na sua cidade se tornou uma referência de impacto e transformado milhares de vidas, lá. Centenas de vidas.

Ana Paula Xongani: Uau. Obrigada pelas histórias, quem está ouvindo e não está inspirado, pelo amor de Deus, ouve de novo. Ouve de novo que vai se inspirar. Ouvindo sobre o potencial de iniciativas como a Gerando Falcões e do Instituto Ayrton Senna, fica muito claro que esse é um dos caminhos para a nossa sociedade e o mercado de trabalho oferecerem condições mais dignas. As empresas que investem nas comunidades, podem colaborar para criarmos mudanças significativas para o mercado de trabalho, e até para reestruturar o consumo de serviços e produtos. Muitas vezes a indústria cria problemas apenas para vender a solução e lucrar, então isso também tem a ver com a questão da sustentabilidade.

Ricardo Morais: É a história do capitalismo selvagem. Você tem que viver consumindo, consuma, faça, tenha mais, você não é alguém se não tiver aquele item novo, pro capitalismo consciente, o que eu preciso, de quem eu compro, eu vou comprar aqui da comunidade, vou comprar de alguém próximo.

Ricardo Morais: Vocês acreditam que a gente consegue mudar isso, sair dessa lógica de capitalismo selvagem e migrar pra um capitalismo consciente? Como a gente pode impactar essas comunidades menos privilegiadas, fazendo oportunidades mais justas e vidas mais dignas? Uma vez que a gente saia desse modelo feroz que a gente tem atrás do dinheiro, e ser um pouco mais igualitário, como é que você vê isso, Lê?

Lê Maestro: Como a gente conversou aqui, o mundo caminhou para isso, a gente falou aqui do ESG e etc. Acho que tendo uma conscientização genuína e forçada como a Fabi falou aqui, para que isso comece a deixar de acontecer, a gente tem alguns exemplos de como isso pode ser eficiente, com a própria Gerando Falcões. A gente tem parceria com várias empresas, que atuam investindo seu recurso para que a gente consiga replicar e fazer o trabalho que a gente faz. Mas, também participam ativamente dos programas de educação que a gente tem dentro das favelas. Temos empresas como a Oracle, por exemplo... Além de oferecer o curso de programação, ela também disponibiliza os seus colaboradores para mentorear os jovens que estão passando pela formação socioemocional. Eu acho que outras empresas que têm produtos, que são consumidos pela grande massa, também vão deixar de vender se daqui dez anos elas não estiverem atuando de uma forma mais consciente, para que as pessoas consumam esse produto que ela mesma está vendendo. Então, eu acho que a gente, do lado da gerando falcões, a gente criou um programa chamado Hawks para trazer essa consciência para os herdeiros, o programa de formação para herdeiros, a gente trouxe o ESG para fazer essa formação para empresas entenderem essa problemática, entenderem melhor esse futuro e como elas podem atuar. Justamente para que a gente consiga fazer com que o trabalho dela se torne ainda mais consciente nos próximos anos, e a gente tenha mais dignidade para a ponta. Dignidade para o empregado, dignidade de benefícios, dignidade de salário.

Fabiana Fragiacomo: Eu acho que é isso mesmo... Ou por bem ou por mal, a gente tem uma geração nova, essa geração é muito consciente nesse aspecto, é a geração Z que entrou no mercado, é a geração que entrou tanto no trabalho quanto no consumo. Então, você tem um funcionário novo, com pensamento novo sobre isso, sobre os valores, sobre a conexão do propósito dele com a empresa, e isso está sendo muito forte.

Lê Maestro: Você tem esse cara também consumindo. Você sabe que ele cancela a marca rapidinho.

Ricardo Morais: Sim. O cancelamento. Bobeou? Você roda.

Fabiana Fragiacomo: Exatamente. Essa é uma questão que a empresa vai ter que escolher, pelo bem ou pelo mal, o Lê falou, a gente não tem muita saída. Tem muitos caminhos para isso, é legal a gente refletir. Existem caminhos que você pode fazer dentro, e caminhos que você pode fazer fora. Óbvio que não adianta você jogar esgoto no oceano, e depois você ajudar uma ONG de impacto ambiental. Não tem o menor sentido. Lógico que você tem que ser coerente. Mente, coração e ação. Tudo isso, a empresa tem que estar alinhada para trabalhar, então, em primeiro lugar, acho que é fazer esse alinhamento, escolher causa, alinhada com propósito, óbvio que propósito de lucro está super fora de moda, o propósito não é o lucro, o propósito é você ter um significado na sociedade, é você ter um valor, e você mudar, ajudar a mudar o seu entorno e tudo mais. E o seu produto ser bacana pra isso.

Ana Paula Xongani: E voltando ao meme do privilégio, que ouvimos lá na abertura desse episódio. Esse famoso meme, é resultado perfeito da promessa da meritocracia. Para quem nunca ouviu esse tema, a meritocracia deriva da palavra mérito, tem a ver com esse tal do “eu mereci”. Quem aplica essa meritocracia não se desloca para perceber seus privilégios a sua volta. E num país tão desigual como o nosso, todo e qualquer privilégio cria um abismo gigantesco entre grupos de pessoas. Como em um mundo escancaradamente desigual, como tem quem pode falar e acreditar na meritocracia?

Ricardo Morais: A meritocracia é a coisa mais prejudicial que existe, porque parte do princípio que todo mundo pode ter as mesmas chances, então, é absurdo. “Vai, lá que você consegue, você pode, todo mundo pode”. E aí, a gente sabe que sem os apoios que a gente vem conversando não dá. Tem dados chocantes. Se a gente pegar agora na pandemia, onde tivemos uma população inteira sendo mais impactada, por não conseguir se manter, ou ter que sair para trabalhar, porque não tem como ficar em casa sem os subsídios. Mas, a gente aqui no Brasil, segundo a Forbes, tivemos 20 novos brasileiros na lista de bilionários, e desculpa: não é milionários, é bilionários. Bi de bilhão mesmo. Quando a gente vê isso, o que significa, no mesmo momento em que muita gente se dá mal, muitos poucos que se dão muito bem. E quando a gente começa a olha para isso, é tão absurda a concentração, vamos falar de oportunidades... Tem 63 pessoas no mundo inteiro que correspondem a mesma riqueza que $3.5 bilhões de pessoas mais pobres. Essa é a concentração de renda, então vamos pegar um desses $3.5 bilhões, pegar um desses, e comparar com esses sessenta e três, será que a chance é igual?

Ana Paula Xongani: Não é. E é por isso que eu pergunto para vocês, porque eu acho que a gente tem que pensar pelos dois lados. Como por um lado a gente pode e deve ensinar para os jovens sobre a meritocracia, principalmente para esses jovens que estão neste lugar de privilégio. E por outro lado, motivar os jovens com menos privilégios de ir em busca dessas oportunidades. Vocês acham que isso é possível? A gente tanto pensar num lado, nessa educação, seu privilégio, e no outro, para que essas pessoas tenham essa força, a continuar buscando, e continuar a competir de uma forma com mais equidade nesse mercado de trabalho. Mesmo sendo mais vulneráveis? Lê.

Lê Maestro: Eu acho que pro jovem que teve mais oportunidade, outra perspectiva, a gente tem que trabalhar as emoções dele, porque ele foi criado dentro de uma bolha que fez com que ele acreditasse nisso.

Ana Paula Xongani: Eu tenho um pouco de dó da menina do meme.

Ricardo Morais: Sim, porque ela acredita que aquilo é verdade.

Ana Paula Xongani: É, e ela está sofrendo, sério... Ela está mal ali, e isso dá um dó da falta de consciência dela. Sou pisciana, enfim.

Lê Maestro: Mas ele precisa ser trabalhado, ele precisa enxergar o mundo como exatamente é, e entender a realidade. Precisa ir na favela, precisa ser levado lá, precisa pisar o pé, lá, e falar “oh, está vendo? Esse aqui é o mundo real”. O que a gente tenta fazer com esse movimento de rede inclusive, é de criar esses movimentos pra essa galera ir ver a realidade. E tem casos de pessoas que foram lá, viram a realidade, chegou em casa no seu tríplex, dobrou o joelho no chão e começou a chorar de remorso, assim “cara, eu estou completamente fora da realidade, eu preciso fazer alguma coisa para me mudar e ajudar a mudar isso”.

Ana Paula Xongani: E aí, Fabi? Como você vê? Como trabalhar essas duas pontas? E o meio do caminho também.

Fabiana Fragiacomo: A meritocracia é a total falta de empatia, a forma como o sistema se desenvolveu é uma falta de empatia. Empatia é uma habilidade que precisa ser desenvolvida, dos dois lados. Então, quanto mais as pessoas têm a capacidade de desenvolver a empatia, mais elas conseguem ver essas diferenças.

Fabiana Fragiacomo: Eu acho que tem muito recursos que a gente vai poder usar breve, eu acho que pro lado de cá, porque a gente tem um muro que nas apresentações é uma foto clássica. Você tem a favela de Paraisópolis e o Morumbi.

Ricardo Morais: Sim, é um clássico.

Fabiana Fragiacomo: É clássico. Então o que você falou, o IDH do lado de cá, para o IDH da Nigéria, digamos assim, e o do lado do Morumbi e o do lado do Canadá. Então você vai viver 10 anos a mais aqui, e vai ganhar 10 vezes mais aqui.

Ana Paula Xongani: Um do lado do outro.

Fabiana Fragiacomo: É o lado do muro, depende do lado do muro que você nasce. Não tem como você se importar com aquilo que você não conhece, sabe aquele ditado da vovó? O que os olhos não veem, o coração não sente? Eu acho que isso que o Lê falou é super importante, a pessoa ter contato com isso. Senão você não vai ser empático, você não conhece, isso não te dói. E a meritocracia é completamente distorcida no Brasil, eu vim de empresa e sei bem, ela deveria ser abolida, do jeito que a gente conheceu. Eu sempre tive uma crítica com a premiação de bônus, é sempre individual, o próprio bônus que a gente recebe na empresa é individual. Como é que você vai diminuir a competição se você premia o individualismo? O bônus, as premiações tem que ser coletivas. Então a meritocracia, até aquela que está dentro das empresas precisa ser revista. E as notas dos alunos, a forma como você reconhece, porque uma nota você pode traçar o destino deste jovem, dessa criança. Quando você ranqueia, a nota é pra você olhar para as pessoas e dizer você tem essa capacidade de se desenvolver, essa aqui você precisa melhorar. Então eu acho que desde a escola a gente tem que repensar a meritocracia, nesse sentido da avaliação. A gente hoje monta todo o sistema de ensino, em cima do ENEM. Você já viu? O ensino médio faz as pessoas estudarem para uma prova, ela não está estudando para aprender.

Ana Paula Xongani: Para a vida.

Fabiana Fragiacomo: Elas estão estudando para passar no ENEM, então, a avaliação define a educação, acho que tem muita coisa errada aí.

Ana Paula Xongani: Você já abriu muitas portas de conversa aqui para os futuros Trampapos.

[trilha música]

Ana Paula Xongani: Agora vamos para o nosso quadro: Dica extracurricular: Se você, assim como eu, quer continuar essa conversa, esse papo, essas informações, aprender mais, ter mais ideia, escuta essas dicas. Aqui, eu, o Ric e os nossos convidados, vão trazer uma ideia de livro, live, texto, pessoa, podcast, palestra disponível na internet, filme série, o que quiser, pra você continuar nesse papo de hoje. Quem vai para as dicas? Vai lá Ricardo. Estou vendo que você está pronto hoje.

Ricardo Morais: Estou, estou feliz porque tem um livro que de certa forma, o Lê comentou, pega alguém de Harvard e, poxa, é o que eu quero comentar. Ele tem uma trilogia de livros, professor de Harvard, o nome dele é Michael J. Sandel, vai estar depois descritinho para todo mundo conseguir pegar pelo nosso site. São três livros, o primeiro é: Justiça, o que é fazer a coisa certa? Então, ele explica o que a gente hoje fala de justiça, como entender e como a justiça muda ao longo do tempo. Então para a gente que se sente oprimido é, porque dizer que algo é correto? e depois o outro é: A Tirania do mérito. O que aconteceu com o bem comum, onde ele quebra essa história do mérito em todas as possibilidades, tanto no trabalho, e dia a dia, e de como isso é um erro e vai destruindo a sociedade. Grande desigualdade. E por último: O que o dinheiro não compra? Os limites morais do mercado. Que vem de base, é o que a gente está falando da busca do capitalismo selvagem. Essa trilogia dele é muito importante. Hoje, a base e até alguns cursos dele de justiça são até abertos na internet, se procurar, você encontra como fazer e é um professor de Harvard. Então, é alguém que estudou bastante pra falar isso tudo para a gente.

Ana Paula Xongani: Muito bem. Tem dica, Fabi?

Fabiana Fragiacomo: Vou vender meu peixe aqui.

Ana Paula Xongani: Venda.

Ricardo Morais: É o que a gente mais gosta. É o que a gente mais gosta.

Fabiana Fragiacomo: A gente dentro do site do instituto Ayrton Senna, a gente tem uma área de conteúdo, e a gente tem uma série inteira, um bloco inteiro de socioemocionais. Estão ali o que elas são, como são desenvolvidas, e dicas de como desenvolver para pais e para educadores. O instituto é muito baseado em ciências, em evidências científicas, a gente só coloca coisas que a gente conseguiu testar, e com apoio da ciência. Então eu acho muito legal, porque tudo o que está ali é de ótima qualidade, essa é a primeira dica que eu daria, que é o nosso próprio site, e na parte de conteúdos. Vou fazer também um “jabá” aqui, que a gente tem, 15 de junho vamos ter um evento internacional de motivação, onde a gente vai explicar, o que é a motivação pelos olhos da ciência, quais as habilidades que a gente tem aí, alçar, como elas se combinam, a gente vai explicar um pouco. Tirar um pouco do senso comum, só a motivação como a gente compreende. É um evento que vai ter gente grande e a gente vai ter o William Kamkwamba que fez “O menino que descobriu o vento”, na Netflix. Ele mesmo vai estar lá no nosso evento, a gente vai ter Gisele Bündchen, enfim... É um evento bastante bacana, e vai ser bem amplificado.

Ana Paula Xongani: E quem está ouvindo depois, Fabi... Quem tá ouvindo depois consegue acessar?

Fabiana Fragiacomo: Vai ficar gravado. É um evento o dia inteiro, e ele é online e gratuito para todos os educadores, e gente que se interessa por educação e aprendizagem. E também a gente tem um livro de criatividade que vocês vão gostar, que também é um estudo profundo da OCDE, e o Instituto Ayrton Senna foi o único que participou desse livro com projetos de criatividade. Por último eu vou deixar um livro aqui também que se chama “Utopia para realistas”, é de um holandês, acho que algumas pessoas devem conhecer, é livro pequeno, mas é um livro super interessante para gente repensar o impacto social, formas de repensar na sociedade.

Ana Paula Xongani: Muito obrigada pelas dicas. Lê, suas dicas de hoje. Vale o jabá também.

Ricardo Morais: Deve...

Lê Maestro: Bom, a gente tem um blog no nosso site gerandofalcoes.com, e a gente fala sobre todos esses temas que a gente trouxe aqui para a nossa discussão. E duas dicas que eu queria dar, também fazendo jabá, mas um jabá que não é só pra a gente, mas um artigo que saiu na Folha, “Quando a favela fala, é melhor escutar, é melhor ouvir”. É um artigo que Edu Lyra, Preto Zezé e o Celso Athayde, trazem um diagnóstico sobre periferias e favelas, sobre como ajudar, que é incrível. E acabou de sair hoje uma matéria no Valor Econômico, falando do ESG que a gente lança aqui na Gerando Falcões. E pra quem quiser saber mais sobre isso, dá uma olhadinha lá no Valor Econômico. Está incrível.

Ana Paula Xongani: Maravilhoso. Bom...

Ricardo Morais: Só um item: Valor econômico do dia seis de maio de dois mil e vinte e um.

Ana Paula Xongani: Exatamente.

Ricardo Morais: Vá atrás depois.

Ana Paula Xongani: Nossa... Eu acho que tenho muitas dicas, algumas jabás também, vamos lá. Eu queria indicar o livro do Gênero, Raça e Classe, que fala sobre essas intersecções, de Angela Davis, clássico para ter na sua biblioteca. Quero indicar para quem gosta de um filminho, dar um pouco de risada, de série, clássica também já, Dear White People, Cara Gente Branca, que fala sobre privilégios. Vou indicar, que Lê me lembrou aqui de uma entrevista que eu fiz com Preto Zezé, lá no Alô comunidade, nas redes de Salon Line, vou deixar as redes aqui pra vocês. E para terminar minha indicação jabá, lá na área de conteúdo do Instituto Ayrton Senna, eu apresentei um podcast que chamava “Nada sei”. Um podcast incrível que a gente fala sobre educação, para pais, educadores, professores, pra todo mundo que quer pensar em educação. Educação é a base das transformações que a gente quer. Lembrando você que está aqui escutando Trampapo que tá cheia de dicas, indicações, tem matérias, tem tudo mastigadinho lá no nosso site: www.trampapo.com.br . Aí você entra lá, clica no link, e já vai direto pra onde você quiser continuar pesquisando sobre esse tema. Quero agradecer demais, demais, demais, nossos convidados, aqui hoje por tantas dicas, por tantas informações para a gente, de forma utópica ou prática, construir um futuro melhor. Obrigada, Lê, obrigada, Fabi, obrigada, Ric, também, claro.

Ricardo Morais: Lê, deixa uma palavra uma palavra pra gente, põe um último motivacional para todo mundo que ouviu sua história, que viu o Gerando Falcões, acreditar que vai vencer.

Lê Maestro: Maravilha. Eu agradeço muito pela oportunidade de ter tido esse espaço aqui com vocês, aprendi demais também. Essa partilha faz com que a gente não só ensine, mas também aprenda. Então pra mim foi uma grande aula estar aqui somando com vocês. Parabéns pelo o que vocês estão fazendo, vou deixar um jabázinho antes da motivação. Estamos com a campanha “Corona no Paredão, Fome, Não.” Em aberto. Uma campanha para você doar cestas digitais, já chegamos a quase setecentas mil pessoas sendo alimentadas atualmente, por uma cesta básica digital. Arrecadamos quarenta e um milhões de reais, com doações de empresas e doações de pessoas físicas, mas tem muita gente precisando ser alimentada durante essa pandemia. Então entra no nosso site e faça uma doação, lá. E acho que é cliché, mas, a mensagem final é que tudo é possível e só tem uma coisa, que diferencia quem chega e quem não chega. Apesar de todo problema sistêmico, de toda desigualdade, para mim é quem para ou quem continua. Se você continuar independente da adversidade, da dificuldade, da desigualdade, você vai conseguir furar os bloqueios necessários e vai conseguir chegar na realização dos seus sonhos. Tamo junto.

Ricardo Morais: Valeu... Fabi.

Fabiana Fragiacomo: Super grata. Acho que é uma oportunidade rica, a gente aprende muito, mais do que ensina nesses encontros. Eu queria deixar uma mensagem também. Primeiro que você não precisa virar uma freira, não precisa virar uma enfermeira. Uma pequena ação ajudar, seja doando, doando seu tempo, doando qualquer coisa. A doação de tempo inclusive é uma das coisas mais importantes que tem, de maior afeto que se consegue ter, é a de ajudar o próximo, ajudar alguém, e enfim, qualquer coisa que faça é um pequeno ato, que faz uma diferença gigante para um monte de gente. O instituto também é uma ONG, recebe doação para apoiar exatamente, todo esse trabalho que a gente faz, de educação, então convido vocês a entrarem no site, não só consumir os conteúdos, mas se tiverem vontade de doar e doar para qualquer lugar, qualquer coisa. Hoje está valendo tudo, doar para o seu vizinho, para alguém que passar na rua, qualquer coisa, vamos fazer pequenas atitudes virarem grandes mudanças. Nós temos 7 bilhões de pessoas no planeta, se cada um ajudar um, imagina a transformação que a gente não faz, não é verdade?

Ricardo Morais: Perfeito. Pessoal muito obrigada pelo tempo de vocês, pela riqueza da conversa e principalmente, por mostrar pro mundo que dá pra fazer muita coisa boa, com paixão, ajudando o próximo, e mostrando o que de fato é ter amor pelo próximo. Vocês deixaram isso bem claro hoje.

Ana Paula Xongani: É isso. Então a gente se vê no nosso próximo episódio do Trampapo. Um beijo a todos e tchau.

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