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Como ser um profissional de alta performance
#24

Como ser um profissional de alta performance

MERCADO DE TRABALHOConvidados:

Lisiane Lemos - Gerente de Desenvolvimento de Negócios, Advogada, Professora de MBA e Conselheira

Priscylla Haddad - Gerente Desenvolvimento Organizacional, Talento e Cultura na Coca-Cola FEMSA

Sobre:

O mercado de trabalho mudou rapidamente e as qualidades que as empresas mais valorizam também mudaram. Quais são as características dos profissionais de alta performance, que conseguem promoções e propostas de trabalho com frequência? Neste episódio, Ana Paula Xongani recebe Lisiane Lemos, gerente de desenvolvimento de negócios, advogada, professora de MBA e conselheira; e Priscylla Haddad, gerente de desenvolvimento organizacional, talento e cultura na Coca-Cola FEMSA; que compartilham suas histórias de erros e acertos, dão dicas de como se qualificar gratuitamente e alcançar melhores resultados de forma saudável, sem ultrapassar os limites do corpo e da mente. Elas contam também que estar atento ao que acontece no mundo e aberto para desaprender e aprender é uma regra. Quer saber mais? Aperte o play!

Como ser um profissional de alta performance
Transcrição:

Ana Paula Xongani – Calma, calma, nesse episódio, ninguém vai tentar te vender um curso de coach, nem qualquer outra coisa. A gente sabe que essas promessas sobre como ter alta performance nisso ou naquilo, muitas vezes parecem milagrosas e até simples demais. Nossa missão aqui é outra, é te fazer refletir, a competitividade do mercado de trabalho afunilou ainda mais as oportunidades de emprego para quem tem mais qualificação. Hoje, com a situação política e econômica do Brasil, e com desemprego crescente, ter um diploma já nem faz tanta diferença para muito, mas seria esse o cenário pessimista que impede profissionais de crescerem em suas carreiras e empresas? Ou tem formas de vencer dificuldade e ter uma ótima performance, receber promoções e propostas atrativas de trabalho. Vem pensar sobre isso com a gente no Trampapo de hoje.

Vinheta – Trampapo, fica esperto, aumenta o som, que a gente tem o dom, se não quer trabalho chato, se liga no Trampapo, a Xongani e o Ricardo vão te dar um papo reto, evolua a sua cabeça, aproveita e fica esperto. Trampapo.

Ana Paula Xongani – Eu sou Ana Paula Xongani, sou empresária de moda, criadora nas redes, apresentadora e mãe. Apesar de o Trampapo ser um podcast, busca ser inclusivo para as pessoas com deficiência, então para quem precisa de acessibilidade, é possível conferirem a transcrição dos programas em texto ou em Libras no nosso site. Anota aí: www.trampapo.com.br. Como eu disse, eu sou Ana Paula Xongani e vou fazer minha autodescrição para vocês me conhecerem melhor. Eu sou uma mulher preta, de cabelos crespos e curtos, bem curtinhos, mesmo, olhos escuros, corpo volumoso, hoje eu estou gravando no meu pequeno closet, afinal estamos numa fase crítica da pandemia, e por isso eu estou vestindo uma camiseta preta, com um símbolo do bloco bloco Ile Aiyê, uma bermuda preta, sem assessórios e sem maquiagem. Agora eu vou pedir nossas convidadas, por favor, mulheres, se apresentem, conta um pouquinho do que vocês fazem, conta um pouquinho da sua autodescrição, quem são vocês. Pode começar Lisiane.

Lisiane Lemos – Nossa, primeiro é um prazer, antes de começar a autodescrição, feliz demais que eu estou aqui para falar sobre carreira, trabalho, profissionais de alto performance. Vou tentar fazer uma autodescrição, garanto que não é tão boa quanto a da Ana Paula, mas eu sou também uma mulher negra, de aproximadamente 1,60 metro, tenho cabelo crespo, que você também pode dizer que é black power. Eu estou no meu quarto, no fundo uma parede branca, vestindo roupas de academia que é o que eu mais visto no mundo, então uma camiseta cinza, uma bermuda azul celeste que é uma das minhas cores preferidas, sem usar calçado, nem nada, completamente confortável.

Ana Paula Xongani – Ah Lise, você esqueceu de dizer um pouco de você profissionalmente.

Lisiane Lemos – Um pouco sobre mim, profissionalmente. Eu sou uma especialista em transformação digital, uma Advogada que se encontrou em tecnologia, uma gaúcha que venceu em São Paulo, uma mulher negra que tenta trazer muitas outras para o mercado corporativo, para a área de inovação. Então acho que eu costumo brincar que eu sou uma fazedora de problemas, mas eu também gosto de construir soluções colaborativas.

Ana Paula Xongani – Muito bem. Priscila, fala um pouco de você para a gente.

Priscylla Haddad – Prazer também estar aqui com vocês, é uma honra estar aqui falando com vocês. Não sei se eu vou saber me descrever também e falar também assim de mim, mas vamos lá. Bom, eu estou no mercado de trabalho na área de recursos humanos há 24 anos, para quem vai fazer as contas aí, tenho 46 anos de idade, sempre trabalhando na área de recursos humanos, eu estou na terceira empresa, três grandes empresas, uma empresa química, outra empresa de alimentos e bebidas, e agora numa empresa de bebidas muito conhecida, a Coca-Cola FEMSA. Como que eu estou, como que eu sou? Eu sou morena, tenho cabelos lisos, médios, digamos assim. Sou de origem libanesa, então o narizinho é um pouquinho grande, estou vestindo uma blusa bege, com uma bermuda preta, também sem sapatos. E estou encostada aqui, estou sentada num quarto com fundo branco, acho que é isso.

Ana Paula Xongani – É isso, todo mundo fundo branco, eu aqui expondo as minhas roupas. Sei que vocês estão sentindo, e minha baguncinha também. Sei que vocês estão sentindo falta de mais uma voz, eu também estou sentindo, é do Ricardo, o Rick que me acompanha aqui nessa jornada do Trampapo, já-já ele volta, já-já ele está aqui para conversar com a gente. Enquanto isso, sempre faço a mesma provocação: Ricardo, quero você lá comentando nas nossas redes sociais o que é que você achou desse episódio.
E para início de conversa, vamos falar um pouco do que é esse conceito de profissional de alta performance no mercado de trabalho. Eu acho que uma boa forma é a gente começar entendendo que para ter alta performance, é um misto de boa empregabilidade, com bom desenvolvimento de carreira. Ou seja, até a capacidade ou a possibilidade de conseguir um emprego, além de fazer uma boa gestão da sua vida profissional, traçar e buscar objetivos, se dedicar para executar os planos pretendidos. Mas vocês, eu estou aqui com duas mulheres que com certeza sabem traduzir maravilhosamente bem o que significa ter alta performance no mundo corporativo. Então quero começar perguntando para vocês: o que é que as empresas buscam nesses profissionais? Nessas profissionais? O que fazer para ter uma boa performance e uma boa empregabilidade? Quer começar, Priscylla?

Priscylla Haddad – Vamos lá. Boa performance, boa empregabilidade, é sempre estar aberto para o que está acontecendo no mundo. E acontece coisas todos os dias, todos os momentos, então se alguém responder essa mesma pergunta que a Ana Paula fez para a gente há dois anos atrás, com certeza a resposta mudou, porque o mundo mudou e tudo mudou. Então acho que a principal característica é o profissional ter uma mente aberta, é querer aprender, é ir atrás da informação, hoje a informação está super disponível, é reciclar esse conhecimento também, porque o mundo vem se reciclando e vem mudando de uma forma muito rápida. Então para você ter uma boa performance, é você estar disponível, você estar aberta, você estar flexível, a desaprender para aprender coisa nova. O que você aprendeu, valia para aquele momento, mas para esse momento, não valha mais. Então está bastante aberto para isso, as empresas eu estou vendo que elas estão sendo um pouco menos exigentes com a questão técnica, e mais exigentes com a questão comportamental, trazer funcionários que tenham vontade de trabalhar, que tenha aquele brilho no olho, aquele brilho no olho, ele existe desde 1800 e alguma coisa, mas ele continua sendo importante. E que tenha vontade de compartilhar informação, em trabalhar dentro de um time, de uma equipe, fazendo parte de uma equipe, que traga novas ideias, sugestões, que tudo bem errar, todo mundo erra, mas só vai errar quem tentar também, quem não tentar, não vai errar. Ter espírito empreendedor, o que é um espírito empreendedor que o pessoal fala? O espírito empreendedor é quando você entende que onde você está trabalhando é um negócio seu, um negócio assim, se fosse o meu negócio, investiria nisso? Eu poria dinheiro nisso? Eu gastaria tanto do meu tempo nisso? É você pensar como se você fosse dono, porque você tem uma outra visão se o negócio fosse seu, mas as empresas estão exigindo sim cada vez mais isso. Você também se autoconhecer, o que é que você é bom, o que é que você não é bom, a gente não tem que ser bom em tudo, mas a gente tem que saber o que a gente não é bom, para poder pedir ajuda para quem é bom. E daí essa outra pessoa também vai acabar te procurando em algum momento, porque você é bom naquilo que ele não é bom, mas quando a gente sabe aquilo que a gente não é bom, a gente também pode focar em melhorar um pouquinho e se autodesenvolver naquilo que a gente precisa dar uma melhorada também. Então a gente está cada vez mais querendo trazer pessoas que tenham empatia, que tenham um bom relacionamento, que sejam criativas, que aprendam constantemente, que cooperem, é isso, é assim, é bastante coisa, mas é isso.

Ana Paula Xongani – É bastante coisa, por isso que é alta performance. Lisiane, traz mais coisa para essa conversa, na sua perspectiva, o que é que é, o que é você, você é uma profissional de alta performance?

Lisiane Lemos – Eu queria trazer sobre essa perspectiva, não do recrutamento, mas da vivência. Então meu conceito também de profissional de alta performance tem mudado ao longo dos anos, acho que a Priscylla trouxe isso, que o que era seis anos atrás, não é mais. Quando eu entrei no mercado corporativo, eu achava que alta performance era só atingir resultado. Porque eu sempre trabalhei em vendas, então o profissional de alta performance era aquele que batia a cota, ganhava prêmios, fazia a casa e etc. E eu descobri que ao longo dos anos, o profissional de alta performance é o que consegue encontrar o equilíbrio, um alto nível de autoconhecimento. O que é o equilíbrio? É alguém que cuida da sua própria saúde física, e eu brinco que um executivo de alta performance acaba sendo um atleta, porque você tem que cuidar do seu corpo que é o seu meio de trabalho. Ele tem valores que seja família ou ter algo de lazer que é importante também, ele equilibra, ele está sempre atualizado. Então saber quais são as últimas tendências, e não ser especialista nelas, acho que a Priscylla trouxe isso também, eu gosto muito do livro do David Epstein, que é o Por que os Generalistas Vencem no Mundo de Especialistas?. Que eu acredito que a gente tem que saber um pouquinho de cada coisa, o que é que são as tendências que estão acontecendo, e tem uma frase que eu vi hoje, a gente está em temporada de SXSW, que a Queen Latifah trouxe no painel, que ela falou sobre carreira, que combina muito com o que eu penso de profissional de alta performance. Não é a pessoa que pensa no curto prazo, numa carreira de dois anos, é uma pessoa que pensa em 20 anos. Então o meu primeiro mentor falou: não é o sprint, é uma maratona. Então você vai construindo que legado você quer deixar, qual é a reputação que você quer ter, como que você quer ser conhecido no mundo corporativo, e aí isso te leva a uma alta performance. Então é sempre sobre consistência, com discurso, com as imagens, com os valores. E aí você saber que para mim também tem muito a ver com causar diferença no time que você se insere. Sabe que você entra no jogo para realmente transformar. Então eu sei que em alguns times, eu entro para aumentar o nível de maturidade, em outros eu entro para alavancar o nível de inovação. Em outros eu entro para ter um aspecto muito técnico, então é saber que quando você insere aquele profissional no contexto certo, ele vai causar mudança.

Ana Paula Xongani – Agora uma dúvida, aqui puxando um pouco da sardinha para o meu lado. A gente sempre, eu sempre escuto falar que um profissional de alta performance é um profissional empreendedor. Mas o inverso também é verdadeiro, um empreendedor pode ser um profissional de alta performance?

Lisiane Lemos – Quem começa? Eu acho que eu posso falar, porque eu empreendo também. Então eu tenho essa vida dupla, administrando a minha empresa e pagando muitos impostos, então eu entendo da vida empreendedora. Eu acho que todo profissional pode ser um profissional de alta performance, eu estou falando uma professora universitária como a minha mãe é, um professor de escola pública, um empreendedor, todo mundo pode ser, é muito mais sobre essas características, essa curiosidade intelectual ou essa manutenção de atualização, às vezes essa questão de criatividade que a gente está falando de aprendizagem criativa, de usar as ferramentas que você tem para oferecer o melhor para os seus alunos, para os seus clientes, do que propriamente estar em um ambiente corporativo. Eu sempre vou ir a partir dessa ótica do equilíbrio, porque eu vejo também a gente quando empreende, essa sede assim, como é o nosso sonho, a gente trabalha 200 horas, e a gente deixa às vezes de cuidar de nós mesmos, da nossa saúde, do nosso entorno e da nossa família. E isso para mim é uma característica de um profissional de alta performance. Conseguir equilibrar, e eu estou falando, gente, porque eu tive no outro lado, eu entrei com a suspeita de AVC no hospital, então isso é realmente muito significativo para mim, de você transmitir equilíbrio para os seus colaboradores, principalmente no cenário de pandemia, que está todo mundo precisando de empatia, e de você entender que lugar cada um desses espaços ocupa, que seja empresa, que seja relação com seu gerente, que seja relação com seus clientes finais e com seus colaboradores.

Ana Paula Xongani – Maravilhoso.

Priscylla Haddad – Legal.

Ana Paula Xongani – Quer falar alguma coisa, Pri?

Priscylla Haddad – Vou tentar, porque sei lá, vai ficar até difícil depois aqui da Lisiane. Acho que o empreendedor, é tão corajoso assim, de querer assim realizar um sonho, numa situação que é sempre difícil, você empreender é você começar do zero, é você colocar todo o seu amor, sua paixão, o seu sonho, aquilo que você acredita que vai dar certo, e a pessoa como a Lise falou, faz com tanta paixão, com tanto amor, se sacrifica 28 horas por dia, enfim, para tentar fazer aquilo ser um sucesso. E ele usa as melhores armas e ferramentas que ele tem na mão, as melhores. E ele vai buscar o que ele não tem, ele vai atrás, ele é o maior interessado para que tudo dê certo. Então não tem como não ter uma alta performance, e pode até, vai financeiramente naquele ano, não conseguiu o que ele imaginava, enfim, mas ele colocou tanta dedicação, tanto trabalho, tanto esforço pessoal para dar certo, e a gente sabe que empreender é um super desafio, qualquer coisa que você queira fazer, é muito complicado. Então acho que essas pessoas têm que ser reconhecidas de uma forma, de uma coragem excepcional de colocar seu sonho à frente de tudo.

Ana Paula Xongani – É quando eu vi vocês falando as competências, eu penso nisso, quem está empreendendo, ele vai desenvolvendo tudo isso, eu fico imaginando se eu voltasse hoje para o mundo corporativo, depois de empreender há mais de 12 anos, não sei, hein, acho que eu ia arrasar, talvez seria uma dessas profissionais.

Lisiane Lemos – Com certeza.

Ana Paula Xongani – Mas ok, vamos voltar para o mundo corporativo. Vamos aprofundar em dicas, porque quem está aqui, quer dicas. Quem está aqui nos ouvindo, com certeza já tem todo interesse de fazer as melhores entregas e também de crescer profissionalmente. Que bom, o interesse sem dúvida é a principal coisa para a gente começar, mas como a gente falou na abertura e vocês também trouxeram aqui, ter um diploma, muitas vezes não é suficiente. Mesmo com vários certificados, o mercado continua fechado, as promoções demoram anos para chegar, o aumento salarial, é só aquele mísero reajuste anual que às vezes nem faz diferença no final do mês. Vocês falaram de várias outras competências, mas aí fica a dúvida, fica a pergunta para mim e para quem está ouvindo: como desenvolvê-las? Qual foi o processo de vocês? Quais dicas vocês têm para desenvolver essas outras competências que nem sempre a gente aprende na universidade? Começa você, Priscylla.

Priscylla Haddad – Bom, você tem que assim, aprender com as pessoas, acho que as pessoas ao seu redor podem te ensinar muita coisa também. Então quando você está inserido no mercado de trabalho, você está começando, pode ser aprendiz, estagiário, que seja, olha ao seu redor, cada um tem alguma coisa para te ensinar, aprenda com eles também. E se interesse, investigue, o Google está aí com todas as informações que você quiser, está na tua mão, basta você clicar, acessar ali, o YouTube tem muitas dicas, muito legais, vídeos, treinamentos, a gente tem hoje toda informação, que alguns anos atrás a gente não tinha, para a gente ter informação, a gente tinha que fazer uma faculdade. A gente tinha que se inscrever num curso, tinha que pagar uma mensalidade. Hoje está muito mais democratizado, você não precisa fazer tudo isso, não precisa pagar um curso para ter informação, você precisa ter interesse, você precisa ir atrás. Idiomas é importante, em algum momento na sua carreira, sim, vai ser importante, mas tem também sem você precisar fazer um investimento, tem vários aplicativos que as pessoas podem baixar no celular, que vão te ensinar, você não pode ser o expert na vida, mas você vai aprender a falar um idioma, outro idioma, enfim, o que você achar interessante. De novo, acho que a vontade, a garra, o querer aprender, o ser humilde, ser humilde de aprender com as outras pessoas, de olhar para o lado e falar: pô, essa pessoa faz isso melhor do que eu, deixa eu ver como ela faz, aquela faz aquela outra coisa melhor do que eu, deixa eu ver como ela faz, deixa eu conversar, deixa eu pedir orientação. É ser humilde também e estar aberto para aprender, e se interessar pelas informações, eu hoje em dia, eu uso muito o YouTube para fazer vários treinamentos.

Ana Paula Xongani – Autodidatismo, não é? Vai em busca da informação. Suas dicas, Lisiane.

Lisiane Lemos – Ah, a Pri roubou todas as minhas softs skills, então eu vou para o lado hard, porque é muito mais fácil, ela está comemorando aqui, eu vou para um lado mais hard das dicas, que eu gostaria de ter ouvido mais cedo. Acho que eu estou 200% com a Pri quando ela fala: cara, aprende inglês, se você tem por objetivo vir para o mundo corporativo, esse é o número um. E aí eu quero desfazer esse conceito de que sempre pede inglês fluente. Quando se fala inglês fluente, o que a pessoa espera é que você se comunique bem, você seja hábil, capaz de fazer uma apresentação de negócios e responder perguntas. Então grande parte das pessoas que eu convivo no mundo corporativo nos últimos oito anos, não tem o inglês nativo, ou seja, aquele digno das séries, etc. Acho que essa confiança é o treino, continuar com as pessoas. A segunda dica que eu adoraria ter ouvido no início da minha carreira é ‘guardar dinheiro’, finanças são cruciais para o desenvolvimento de carreira de alta performance. Eu estava conversando ontem com um grupo de estagiários, e eu falei para eles: no momento que eu ganhei autonomia financeira, ou seja, se eu for demitida hoje, eu consigo sobreviver mais de 12 meses, foi algo que eu aprendi numa consultoria financeira, isso me deu autonomia nas minhas escolhas. Eu não estou fazendo uma escolha mais baseada na necessidade, eu faço baseada no que eu realmente quero, não que eu não tenha que guardar dinheiro, mas isso me deu uma liberdade maior, e eu tinha muito medo de ser demitida, gente, muito assim, como se fosse acontecer amanhã, estava batendo 120% de cota e com medo de ser demitida. Acho que outra coisa é fazer terapia sempre, profissionais de alta performance para ter algum lugar para você falar dessa pressão, eu que trabalho principalmente em ponta de venda e marketing, a gente está num cenário super desafiador de lockdown, isso para mim foi importante. E acho que por último, para fechar, é ser dono dos próprios números. Então eu sempre brinco, se a oportunidade da sua vida acontecer agora, se aquela empresa que você sempre sonhou, ainda que eu não concorde com sonhar com empresa, te liga e faz a entrevista por telefone, você é dono dos seus números no sentido de quantos clientes, eu sempre vou olhar por vendas, está bom, gente? Quantos clientes você já atendeu, qual é o tamanho do orçamento que você já gerenciou, qual é o tamanho da equipe que você já gerenciou. Então ser dono dessa história, e não necessariamente precisa estar no mundo corporativo. Quando eu fiz essa virada, todos os meus números vinham do voluntariado. No seu caso, eles vão vir do empreendedorismo, então eu tenho tantos clientes na minha base, eu fiz um orçamento de, e aí ah, o número não é grande, joga para a porcentagem que fica bonito. São 200%.

Ana Paula Xongani – Amo.

Lisiane Lemos – Gerente, equipe multidisciplinar, era um monte de estagiário, de um monte de curso diferente. É a gente contar história a partir do aprendizado, então outra dica é ir para experiências de voluntariado, se a tua atual não te proporciona isso, e aí vai construindo essa história. Mas acho que essas dicas eu gostaria de ter aprendido mais cedo.

Ana Paula Xongani – Lisiane, fiquei muito curiosa. Por que é que não dá para sonhar com empresa? Será que é por que CNPJ não tem coração?

Lisiane Lemos – CNPJ tem coração, porque ele é composto por pessoas, gente, não seja assim, e aí sempre que eu falo isso, as pessoas: ah, mas você trabalhou sempre em empresas maravilhosas. Eu falo: exatamente por isso, a escolha do mercado de trabalho é sempre sobre os valores e o que é importante para você. E a empresa, o nome do cargo, ele é sempre um segundo passo. Então quando eu fiz todas essas jornadas de autoconhecimento para virar, para fazer uma virada para um cargo gerencial ou para entender o que eu queria da vida, eu vi que mais importante do que trabalhar numa super empresa de tecnologia, para mim na vida importa mesmo é a minha família feliz, é eu estar trilhando uma jornada para um cargo de alta liderança, que seja ou se leve a um Conselho de Administração, e estar aprendendo alguma coisa. Nomeadamente em tecnologia. Então sonhar com a empresa, nas empresas que eu trabalhei, aí vocês me stalkear no LinkedIn, para descobrir onde é que eu trabalhei. Eu nunca sonhei em trabalhar nos dois lugares, para dar um pouco de trabalho, eu nunca sonhei. E eu acho que quando a gente tira essa carga, porque senão se dá errado, se você, ah, eu sempre sonhei em trabalhar no Facebook, porque eu sempre sonhei em trabalhar no Twitter, eu sempre sonhei em trabalhar no Google, se não dá certo, você se frustra e o mercado é muito maior do que isso, você pode desenvolver experiências inovadoras na própria Coca-Cola, que é onde a Pri trabalha, ou em outros players de tecnologia, numa Oracle, numa Salesforce. Importa mais as habilidades que você vai desenvolver, e se aquilo condiz com seus valores, por que pode ser que uma dessas super empresas que você sempre sonhou, não seja tão legal por dentro quanto ela parece. Então eu sempre penso assim, se apaixona pelo que você quer na vida, pelo que você quer desenvolver, e o profissional que você quer ser. A empresa e o nome do cargo, só vão se encaixar, aí a sua vida vai ser plena, feliz, contente.

Ana Paula Xongani – Maravilhosa. Diga, Pri.

Priscylla Haddad – Nossa, super concordo com a Lise, é isso mesmo, você tem que fazer aquilo que você goste, e de preferência trabalhar com pessoas bacanas também ao seu lado. O trabalho flui, o seu dia flui, as coisas são gostosas, você consegue realizar boas coisas, enfim. E o nome da empresa não importa muito se você está inserida num ambiente que você se sente bem, entendeu? Isso é muito importante. Às vezes a empresa tem um nome, um renome, não sei se isso é o mais importante, eu não acredito também junto com a Lise que isso seja mais importante. O mais importante é você encontrar pessoas que você admire, que você queira trabalhar junto, que você queira fazer parte daquele time. E os valores, lógico, da empresa coincidirem com o seu de fato. Isso é superinteressante. Eu queria comentar uma coisa da Lise também que eu gostei muito que ela trouxe, isso é o conte a sua história, no mercado, uma palavra inglês, desculpa, é o famoso storytelling. Mas é muito importante como você conta a sua história, a mesma história, ela pode ser maravilhosa ou uma catástrofe. A mesma, vai depender de você.

Ana Paula Xongani – Maravilhoso, gente, incrível. Vocês estão falando muito de time, de outras pessoas, e isso é muito interessante, talvez muitas das pessoas que estão nos ouvindo, acha que aquele profissional de alta performance, é aquela pessoa muito nerd, que está dentro da sua baia e trabalhando loucamente. Não é isso, não é mais isso, talvez, não adianta ter uma alta performance na sua função, mas não ter um senso de coletividade, por exemplo. De não ter tato de lidar com as pessoas, de ser mais funcionário do que ser humano. Eu quero que vocês falem um pouco sobre isso, o quanto que essa relação faz diferença para que essa alta performance aconteça. Quem começou da última vez, Lisiane, sua vez.

Lisiane Lemos – Esse ponto que você trouxe, era exatamente do jeito que eu pensava no início, que alta performance era trabalhar 12 horas por dia, e eu falei que um dos meus maiores aprendizados é que produtividade não é igual a horas trabalhadas. Então para mim, um profissional de alta performance, número um, ele se comunica muito bem, e é algo que eu invisto bastante, as pessoas brincam que sempre que elas conversam comigo, elas saem com uma lista de leitura. Eu sou uma leitora e vocês estão escutando, é a vida, tem sempre um podcast, eu recomendo um livro que chama persuasão, da Maitê Carvalho, a Maitê foi duas vezes vencedora do Aprendiz, uma pessoa incrível que eu conheci por aí, ela tem um curso no YouTube também que a Priscylla falou sobre comunicação, e ela ajuda a estruturar esse pensamento a partir de lógica, dados e pensamentos. Então comunicação número um. Acho que o segundo, na colaboração, eu gosto muito de mentoria, de aprender com quem trilhou antes de lá, acompanhou, posso te acompanhar numa reunião. E acho que o terceiro grande profissional de alta performance se tratando de time, é aquele que não tem medo de dizer que não sabe, mas mostra que quer aprender. Então eu falo que nesses últimos dois anos que eu mudei de empresa, a frase que eu mais falei foi olha, eu não sei isso, mas eu aprendo rápido. E aí eu ficava do lado da pessoa, até aprender e se eu não aprendia, tudo bem, eu também não vou dizer que a gente fala que como se o mundo fosse perfeito, como se a gente não tivesse síndrome do impostor, não ficasse frustrado, eu fico, mas eu acho que a minha vontade de aprender é muito maior.

Ana Paula Xongani – Além da lista de livros, a gente sai também com belas frases a serem tatuadas, não é mesmo? Tatuada alguma.

Lisiane Lemos – Aí é da frase pronta.

Ana Paula Xongani – Ah é? Frases a serem tatuadas sobre alta performance. Vai Pri, diga aí suas frases a serem tatuadas. Como você desenvolveu na sua trajetória para ser uma profissional de alta performance, e o senso de colaboração de equipe, de time?

Priscylla Haddad – Qualquer trabalho, assim, principalmente numa corporação, que você for fazer, você não consegue fazer aquele trabalho sozinho, você vai precisar de outras pessoas, ou que já tenham feito do trabalho antes, ou que vão fazer depois, ou que vão te dar informação para que você conclua seu trabalho. Se você escolher, sempre brinco, as pessoas têm duas escolhas na vida: escolher não se dar bem e escolher se dar bem. Se ela escolher não se dar bem, ela vai conseguir concluir o trabalho, ela vai fazer o trabalho dela, mas vai demorar mais tempo, vai gastar mais energia, talvez ela tenha que repetir com as pessoas a mesma informação para checar se a informação está correta. Talvez aquela pessoa vai te colocar no final da lista, por que você não está sendo legal para ela, ela vai te dar informação, mas quando ela terminar de dar a informação para o resto da companhia. Então você pode escolher ter um bom relacionamento, depende de você. Ela pode além daquela informação que você pediu, te dar mais informação que vai ajudar o seu trabalho, ser mais rápida com você, enfim. Então a boa convivência, a integração, o trabalho em equipe, é superimportante, porque um dia a pessoa precisa de você, no outro dia você que precisa dela.

Ana Paula Xongani – E agora a gente chega no nosso quadro que chama Manda Papo. Inclusive se você quiser mandar um papo para a gente, faz isso para você participar aqui junto com a gente do nosso podcast. Hoje, a gente vai ouvir o Cláudio Alexandre, ele falou um pouco do que significa para ele ser um profissional de sucesso. Vamos ouvir.

Cláudio Alexandre – Como ser um profissional de sucesso? Eu acredito que se você indiferente da área que você atua, se você é um profissional no qual as organizações querem que você quando estiver lá, permaneça, ou se quando você se candidatar, se candidata para trabalhar lá, eles querem você. Ou se quando você saiu, elas pensam em ter você de volta, você é um profissional de sucesso. Como? Quando você entrega um conteúdo que a empresa necessita, aí você começa a ser desejado pelas organizações. Só que para isso eu acredito que você precisa ter conteúdo, você precisa ter conhecimento, e você precisa saber lidar com o conhecimento que você tem, transformando ele em conteúdo aplicado, que possa agregar valor para as organizações, desta forma você se torna o profissional de sucesso, porque você começa a ser bem quisto para as organizações que começam a procurar você. Em qualquer área de atuação, um abraço, Cláudio Alexandre.

Ana Paula Xongani – Obrigada, Cláudio. Olha, ele definiu bem o conceito do sucesso para ele, já falamos sobre parte do que o Cláudio trouxe. Mas eu queria te perguntar, Priscylla, sobre profissionais de alta performance, como que o RH que você trabalha, como que você vê esse processo seletivo acontecer para trazer esses profissionais e principalmente para reter esses profissionais? Como que é essa logística? Porque não está escrito ali: cargos de alta performance, se inscreva aqui, como é que faz?

Priscylla Haddad – É um desafio, é um super desafio fazer isso, a gente sempre tem os requisitos da vaga, né, e a gente aí através de uma entrevista, de uma ou duas horas, depende de quantas entrevistas são feitas, a gente tenta identificar um profissional. Dá para identificar 100%? Não, não dá para identificar 100%, mas a gente também tenta casar o que é que a vaga precisa, aquela equipe, quem está dentro da organização sabe, de repente eu tenha uma equipe que eu preciso de uma pessoa melhor na comunicação, mesmo sendo uma área mais técnica, digamos assim, uma área financeira, preciso de uma pessoa que saiba se comunicar melhor, eu preciso de uma pessoa que tem uma formação um pouco diferente dos outros profissionais para complementar, não para ser mais um igual dentro do time. Então muitas vezes, o que a empresa busca, são coisas que ela tenta encaixar, que nem um quebra-cabeça, a gente já tem uma peça e falta trazer a outra peça. Ah, poxa, mas eu tenho formação, eu tenho idioma, tenho a experiência, mas pô, de repente não era exatamente essa peça que a gente estava buscando. Então os profissionais, eles não têm que se sentir mal que eles não entraram numa vaga, porque às vezes você é ótimo, mas a gente está precisando complementar o time com uma peça que está faltando dentro do time. História de recursos humanos, a empresa que sabe exatamente o que é que precisa.

Ana Paula Xongani – Maravilhoso. E Lise, do outro lado, conta pra gente um dos seus cases, que você considera um dos seus cases de sucesso, onde você percebeu que você estava ali na sua melhor performance e que isso trouxe resultados, ou em números, ou em porcentagens, mas conta para a gente.

Lisiane Lemos – O ruim da carreira é que eu assumi tanto acordo de confidencialidade que eu posso contar todos os milagres, mas não posso contar o santo. Deixa eu pensar em algum caso, antes de eu sair da última empresa que eu trabalhei, eu fui responsável pela estratégia de lançamento de uma solução no Brasil. E acho que foi o ano que eu mais aprendi, porque eu tive que interagir com times globais, pedindo toda a política de desconto, e isso importava em alguns clientes, crescimento de 300, 400% ano a ano. Tinha que fazer as apresentações para todos os níveis de liderança, então eu tinha que convencer o analista até o C-level, que aquela solução era melhor. E depois que ela estava implementada, eu era responsável por dar todo o suporte, às vezes vender soluções de crescimento. E novos produtos dentro daquilo, e o produto não estava bem pronto, assim uma maravilha, mas quando você faz lançamento de produto, não está pronto, e o mundo não está pronto para mim, acho que foi o sucesso e aí eu estava pensando enquanto a Priscylla falava, normalmente para os profissionais de alta performance, dinheiro não é um diferencial. Então você aumentar o meu salário, claro que é bom, mas não é o vai me fazer mover de empresa, vai ser esse desafio, vai ser interação com as pessoas, desenvolver alguma coisa nova e ser vocal também nas suas expectativas é importante para essa liderança, o profissional de alta performance, número um, enquanto você estava falando eu pensei, cara, eu não consegui enxergar uma vaga que peça um profissional de alta performance, eu só penso que eu quero ser conhecida como uma profissional de alta performance que transforma qualquer cadeira que eu sentar. Essa inversão, acho que a primeira da lógica, e aí voltando para essas transformações, é exatamente isso, você se evocar, hoje eu estava conversando com uma pessoa que estava num desafio, eu falei sobre isso, gerenciar o seu gerente, o seu líder nas expectativas, entender que às vezes ele também tem 10, 15 diretos para gerenciar, que ele não sabe o que é importante para você, que ele não sabe que cargo você quer ocupar na empresa depois, que curso você está fazendo, que recurso você vai usar, também é parte de um profissional de alta performance, se colocar no sapato do seu gerente. E aí fechando, por que é que essa experiência foi bem sucedida? Acho que primeiro, porque eu nunca atendi uma pluralidade tão grande de clientes, então eu atendi de todas as indústrias possíveis de sistemas financeiros a empresas familiares, acho que o segundo, interagir com times globais, que para mim faz muita diferença em tecnologia, poder exercitar o meu inglês. E às vezes a gente trabalha em multinacionais e fica sem falar inglês, muito tempo.

Ana Paula Xongani – O tal do inglês fluente.

Lisiane Lemos – Você só fica assistindo. Não, não, não, não, isso aí tipo, não, inglês the books on the table é bem comum, e acho que a minha capacidade de resiliência, porque eu escutava uns 50 nãos por dia, era assim: Lisiane, o que eu tenho está funcionando, por que é que eu vou comprar uma coisa 400% mais cara, que não tem em português e você diz que funciona, mas eu não vi ninguém comprar. Então me fez aprender muito e interagir com as pessoas e ir conquistando, o que a gente fala, você fala inglês, que são os stakeholders ou todas as pessoas que vão te apoiar ao longo da cadeia. Você tem que ter o estagiário casado junto com o analista, com o coordenador, com o supervisor, com o diretor, com o vice-presidente, porque todo mundo vai fazer parte daquele projeto. E também ter essa humildade, entender que todo mundo é importante, até a tiazinha do café, às vezes ela é mais importante do que os outros, porque se você é empático com ela, se você é compreensivo, para a gente é muito pessoal, mas enfim, se você é empático, às vezes você ganha umas informações extra quando a gente tem encontros presenciais, é superimportante, ou com a secretária para conseguir o encaixe na agenda, eu acho que o profissional também de alta performance, ele tem uma capacidade de unir todos os elos, e de uma forma genuína, não pode ser forçado, as pessoas sabem quando você está bajulando, quando você está mentindo, quando você não está falando a verdade numa apresentação. Então acho que também ser genuíno faz parte do pacote.

Ana Paula Xongani – Deu para perceber que qualquer pessoa em qualquer cargo, o que parece que o profissional de alta performance são grandes lideranças e tal, mas está tudo interligado, você que é estagiário, trainee, está começando sua carreira, você já pode começar a sua carreira com um olhar de alta performance. A busca por ser um profissional de alta performance de excelência, pode ter um certo preço. A ideia é vendida na sociedade, que o sucesso é fácil de ser alcançado. É aquele discurso da meritocracia, sabe, mas a gente vive num país de oportunidades e condições desiguais, onde direitos básicos são negados a uma parte da população, a outra parte tem seus direitos negligenciados e uma parte bem pequena, tem os seus direitos, o que torna uma vantagem muito competitiva. Podemos citar, por exemplo, a estrutura familiar, financeira, afetiva e de educação, ou seja, poucas pessoas detêm as melhores educações, aprendem idiomas desde cedo, tem acesso a laboratórios, equipamentos, espaços culturais, e os contatos, o tal capital social que favorece o mercado de trabalho. Já as pessoas que tiveram um mundo de oportunidade, acabam servindo como parâmetro do que é ser uma pessoa bem sucedida no mercado, do que é ser desejável como qual qualificação é desejável, do que as empresas se tornam também referência do que as empresas chamam de profissionais completos e ideais. Mas esse parâmetro não é nada saudável, a busca para se tornar um profissional de alta performance, precisa ser realista e confortável. Precisa ser coerente com a realidade de cada um e não pode ser diferente, senão se torna muito doloroso. Se muitas empresas sequer vão ter a sensibilidade de perceber as condições de vida dos seus colaboradores, quem dirá a perceber as desigualdades socioeconômicas, que fabricam esses princípios e esses padrões do que é ser um profissional atrativo. E é por isso que eu pergunto para vocês: o que vocês diriam para as pessoas que não tiveram ótimas condições de qualificação ao longo da vida, mas que estão ali se dedicando ao máximo para competir de igual para igual, até com quem já largou na frente nessa corrida? Como continuar na luta? Mas sem atravessar aquele limite que não deve ser atravessado, que é os quadros de Burnout, de estresse, de privações de momento de lazer, de momento com a família. Lisiane.

Lisiane Lemos – Ai Jesus, que fala maravilhosa. Estou apaixonada. Enquanto ela falava, eu ficava: é minha vida todinha, sou eu, sou eu, gente, eu, minha mãe é funcionária pública, meus bisavós eram analfabetos, sou eu. Mas sobre isso, quando eu falo da tiazinha do café, da senhora que limpa a empresa, é porque era a minha tia, porque era a minha avó que fazia faxina, que fazia isso. Como que eu inverti essa lógica, gente, não é sobre o que você não tem, é sobre o que você tem, e quando a gente inverte esse pensamento, tudo fica diferente. Eu nunca, quer dizer, agora eu posso, mas é uma escolha, mas quando eu entrei, eu não tinha uma SPM, eu não tinha uma PUC, eu não tinha uma GV, não tinha essas super universidades que eu via todos os meus colegas terem estudado, e eu tentava, não vou dizer que vai ser fácil, que é unânime, não pensar que eu era menor, porque eu não tinha aquilo, mas pensar sobre todas as coisas que eu trazia para a mesa quando eu sentava, nenhum deles já vendeu vale-transporte para conseguir comer antes da faculdade, nenhum deles dormiu sentada cinco minutos entre uma atividade e outra para conseguir descansar, e foi ao mesmo tempo, fazia ensino médio, era monitora no cursinho, trabalhava à noite, nenhum deles aprendeu a digitar de olho fechado, porque eu digitei todas as apostilas do cursinho para conseguir uma bolsa de estudo. Então quando eu entrava na sala, eu pensava em todos os aprendizados que eu tive nessa jornada, e o meu diferencial frente a todos os meus colegas, e que isso ia me fazer ser diferente naquela sala, que isso ia agregar o meu valor. E ainda tem esse diferencial que eu sempre pensava, por que é que eu estou aqui? Qual é esse meu propósito que todo mundo está buscando? E o meu é muito simples, eu quero tornar o mundo mais legal do que quando eu entrei, eu quero me divertir, e no meio do caminho e tornar o ambiente mais alegre quando eu sento nele. Então não tem algo de muito complexo, quero impactar um milhão de pessoas, não quero. E aí quando eu chegava na sala, eu pensava sobre todas essas experiências que eu tinha, e que eu já era uma vencedora a chegar ali. Eu já tive um Burnout, e por que é que eu tive um Burnout? Porque eu acreditava que horas trabalhadas era igual a produtividade. E que isso ia ser o meu diferencial. Eu não atingi os resultados certos, eu não conversei com as pessoas certas, porque eu estava focada em produção. Então acho que hoje o que eu busco é esse equilíbrio, então se eu estou cansada, eu entendo que eu não posso produzir à força, forçar o meu corpo se a minha mente está cansada, se a minha cabeça está doendo, não adianta, então eu vou, dou uma caminhadinha, tomo uma água, vê um TEDx, e aí eu volto para produzir com o mesmo nível. Se eu estou triste, eu respeito esses meus momentos, ainda mais num cenário de pandemia. E se eu estou cansada, eu tenho a sorte de conviver com gerentes que compreendem isso, esses dias eu falei para o meu chefe: cara, eu estou exausta, que eu me mudei por ter um monte de coisa acontecendo, que o cenário de pandemia está me deixando super triste, e isso afeta minha produtividade, eu preciso me dar essa manhã e eu juro que eu volto inteira. Então para mim, se você está nesse horizonte assim, cara, eu estou, eu nunca, eu não tive oportunidade de estudar no melhor lugar, eu vejo que todo mundo é dessa super universidade, gente, eu me lembro até hoje, vou trazer um episódio super engraçado. Que eu cheguei na empresa para trabalhar, recém formada, não tinha dinheiro, tinha voltado de Moçambique muito pobre, e aí eu estava conversando com a menina no meu time, ela falou ai, eu vou para praia, não sei o que, mas é muito difícil. Falei: ah, por que, com esse seu carro, eu gosto muito de carro, com esse seu carro deve subir bem a serra, carro normalmente 1.6, ela ai, não, que meu carro é blindado, ele sobe mais devagar. É a primeira pessoa no universo que eu conheço que tem um carro blindado, isso nem tem em Pelotas, direito, gente. Então era um diferencial de renda muito grande, e aí eu estava tipo na posição de gerente dessa pessoa. Então não é de onde você veio que vai nortear para onde você vai, o tamanho do seu sonho, o tamanho da sua ambição. Acho que a Ana traz muito isso, é o poder da sua história, é honrar a sua ancestralidade, é honrar quem veio antes, e lembrar de tudo que você tem, e não do que você não tem.

Ana Paula Xongani – Maravilhoso, obrigada pela sua fala. Eu tenho certeza que vai inspirar muita gente. Bom, agora a gente está chegando no nosso último quadro, eu sei que vocês já estão sentindo saudade desse episódio, eu tenho certeza, que é o quadro Dica Extracurricular. Nesse quadro, é hora de soltar mesmo as dicas, para a gente continuar pesquisando esse assunto. Vale palestra, filme, série, alguma informação que esteja disponível na internet. Quem quer começar nas dicas hoje? Vai Pri, começa você, porque a gente sabe que a lista da Lisiane talvez seja grande.

Priscylla Haddad – Exato.

Lisiane Lemos – Eu estou pensando, estou pensando aqui, uma coisa nova, deixa a Pri que ela já deve ter várias coisas.

Priscylla Haddad – Deixa não, eu vou começar primeiro para não passar vergonha depois de você. É o que eu te falei, eu vou muito no YouTube, eu vejo muito TED, muitos temas que me interessam, eu vou para ouvir palestras, palestras até uma hora, mais do que isso para falar a verdade, mas enfim, daí eu fiquei estudando também o que é que eu poderia trazer para vocês, eu tenho aqui algumas dicas. Uma que a Lise falou e eu adoro, e está super, que é Descubra seus Pontos Fortes, por que muitas vezes a gente fica: preciso desenvolver aquilo que eu não sou boa, preciso, tenho uma deficiência aqui, eu preciso aprender. E cara, você sabe aquilo que você é bom, aquilo que você é bom, pode te levar para cima, você tem que reconhecer e conhecer aquilo que você é bom também. Então esse Descubra seus Pontos Fortes é muito bacana. Tem um autor que eu gosto muito, ele acho que é australiano, ou da Nova Zelândia, que é o Simon Sinek, Comece pelo Porquê, muito interessante também. E um livro de inteligência emocional do Daniel Goleman, que inteligência emocional é muito importante. Principalmente nos dias de hoje, enfim.

Ana Paula Xongani – Na vida do ser humano.

Priscylla Haddad – Nos dias de hoje, de amanhã e de depois de amanhã então.

Ana Paula Xongani – Perfeita, muito bom, muito obrigada pelas dicas.

Lisiane Lemos – Ai Jesus, vamos lá, estou pensando aqui, também o livro que a pessoa vai dizer, ai Lisiane me deixou pobre, essa menina acha que eu só trabalho para pagar livro. Vamos lá, eu falei para você, número um, gente, invistam num curso de inglês, ponto. Pode ser gratuito, pode ser pago, cursos de conversação entre amigos, essa é a minha dica número zero, e a partir disso eu quero já, eu vou trazer uma mídia em inglês, que é o podcast que chama TED Business, que aí fala de negócios e não adianta, militante é sempre militante, e ponto curioso, gente, eu sou tão militante que casei com um vestido Xongani.

Ana Paula Xongani – Era o segredo desse episódio. Ela foi minha noiva.

Lisiane Lemos – Foi a única extravagância do casamento, eu sou super econômica com certas coisas, mas a minha extravagância foi o vestido Xongani. Enfim, esse TEDx, ele é liderado por uma professora africana, deixa eu achar aqui o nome dela certinho, que é professora de Columbia, chama Modupe Akinola. E o meu episódio favorito particularmente, eu gosto muito de esportistas, é o do Russell Wilson, que para mim número um, ele é o marido da Ciara, mas ele também é um investidor de Super Bowl, e ele fala sobre treinamento, o episódio chama treine você mesmo para brilhar sob estresse. Porque um profissional de alta performance está constantemente sob estresse e isso é muito importante.
Eu gosto muito de assinar newsletters e seguir profissionais de inovação. Então acho que no Brasil, a Martha Gabriel é uma super referência e eu gosto de seguir no Instagram. E para quem já está pensando em investir, eu assino uma newsletter que chama, um clube de inovação que se chama Oxygen Club, que é liderado pela Andrea Janér, que eu gosto, é aquilo, eu não sei tudo, mas eu sei de tudo um pouco, para também investir em networking. E aí os livrinhos, acho que a minha recomendação de hoje é um livro que chama Garra, que é de uma pesquisadora americana, que ela diz que não são os mais inteligentes que vencem, são os mais persistentes. E que persistência é um músculo que pode ser adquirido e treinado. Então acho que a dica é para mostrar assim, eu falo, eu não sou mais inteligente ou sou mais rica, mas eu venço na força da raiva. São as dicas para hoje, e escutar o Trampapo sempre.

Ana Paula Xongani – Ah, você pegou minha dica, olha. Minha dica de hoje vai ser o episódio que é o preferido inclusive da minha mãe, mas eu acho que tem a ver com a gente também, porque é Mulheres, nós, na tecnologia. E é um dos episódios preferidos até hoje dessa jornada que a gente está fazendo no Trampapo. Também a gente falou muito sobre autoconhecimento e vulnerabilidade, e aí eu me lembrei de um livro, que é um bestseller já, que ele chama A Coragem de ser Imperfeito. Muita gente está indicando esse livro, esse livro é muito legal, mas faz muito sentido para você que quer empreender, para você que está pensando num mundo corporativo, e principalmente para você que quer aprender a contar bem a sua própria história.
Mulheres, esse episódio foi incrível, incrível, incrível. Eu acho que o mais potente dele, eu acho que a gente conseguiu aproximar muitas pessoas do desejo de ser uma profissional ou um profissional de alta performance a partir dos conhecimentos, das informações, das dicas, das histórias que vocês trazem. Sei lá, eu senti que está mais perto, mais próximo. E a gente trazer essa possibilidade para mais gente é incrível, afinal a gente fala muito aqui que o mercado é seu, mas a gente está aqui contando como. Então muito obrigada por vocês estarem aqui hoje.

Priscylla Haddad – Muito obrigada.

Lisiane Lemos – Obrigada, gente. Queria deixar aqui, vocês sabem que eu sou uma, eu brinco, eu sou uma aspirante a influencer CLT, então seguir nas redes, Instagram, LinkedIn, também Meteora Podcast como colunista, para trazer mais uma fonte aqui.

Ana Paula Xongani – Você, Pri, o que é que você quer dizer aqui para terminar? E deixa seus contatos também.

Priscylla Haddad – Uma honra participar, muito obrigada, dividir aí o palco com todas vocês, foi super bacana, aprendi para caramba também, muito super obrigada, anotei todas as dicas que vocês deram, está tudo aqui anotado no caderninho. E enfim, muito legal mesmo, bom, eu não sou uma influencer em nada.

Ana Paula Xongani – Será, todos somos, hein, todos somos.

Priscylla Haddad – Podem me seguir no LinkedIn, no Instagram, enfim.

Ana Paula Xongani – Sabe o que eu esqueci de dizer, mas é muito importante que vocês deram dicas preciosas, todas essas dicas estão mastigadinhas ali, os links, no nosso site www.trampapo.com.br, inclusive vou pedir para a produção deixar o LinkedIn de vocês, porque vocês deixaram a gente curiosas, né, curiosos, vocês falaram muitas coisas, a gente quer saber mais de vocês. Eu indico inclusive para vocês pesquisarem e buscarem essas duas profissionais incríveis que compartilharam muito com a gente hoje. Muito obrigada, a gente se vê no próximo episódio de Trampapo, indica esse episódio para todo mundo. Um beijo e tchau.

Vinheta – Trampapo, fica esperto, aumenta o som, que a gente tem o dom, se não quer trabalho chato, se liga no Trampapo, a Xongani e o Ricardo vão te dar um papo reto, evolua a sua cabeça, aproveita e fica esperto. Trampapo.

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