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Como não odiar as segundas-feiras?
#22

Como não odiar as segundas-feiras?

MERCADO DE TRABALHOConvidados:

Cauê Oliveira - Consultor e Diretor de Capacitação at Great Place to Work Brasil

Talita Tiemi Pereira - Consultora e Fundadora da UP! Capital Humano

Sobre:

A síndrome da segunda-feira já atingiu a todos nós pelo menos uma vez. Perceber que o final de semana se foi e mesmo quando gostamos do nosso emprego ficamos ansiosos com o recomeço do trabalho. No Trampapo de hoje, Ana Paula Xongani recebe Talita Tiemi, psicóloga e consultora de RH na UP! Capital Humano, e Cauê Oliveira, da Great Place To Work (GPTW), que nos explicam que o trabalho não pode ser a nossa única atividade e que devemos buscar satisfação e equilíbrio em todos os campos da vida. Mas como encontramos entusiasmo nas empresas? Como lidar com empregos que não gostamos? Como superar os problemas com a liderança e de relacionamentos no trabalho? Além disso, tem várias histórias contadas pelos convidados para você refletir sobre propósito, valores, felicidade e motivação. Que tal apertar o play e continuar essa conversa?

Como não odiar as segundas-feiras?
Transcrição:

Ana Paula Xongani – Mas você vai estudar isso? Isso não dá em nada. Estuda primeiro algo para você ganhar dinheiro, para depois estudar algo que vai te fazer feliz. Ao escolhermos uma profissão para seguir, acabamos ouvindo conselhos e muitas vezes até censura das pessoas mais próximas de nós, que dependendo da nossa escolha, se preocupa que não vamos conseguir sucesso financeiro fazendo o que realmente queremos e gostamos. Não trabalhar com o que a gente ama é apenas um dos motivos que pode deixar um funcionário infeliz, um ambiente de trabalho desagradável, remuneração inadequada e falta de reconhecimento são fatores que colaboram para que os trabalhadores odeiem as segundas-feiras. No Trampapo de hoje vamos tentar achar alternativas para que todos possam encontrar a felicidade, trabalhando.

Vinheta – Trampapo, fica esperto, aumenta o som, que a gente tem o dom, se não quer trabalho chato, se liga no Trampapo, a Xongani e o Ricardo vão te dar um papo reto, evolua a sua cabeça, aproveita e fica esperto. Trampapo.

Ana Paula Xongani – Olá, eu sou Ana Paula Xongani, e o Trampapo busca ser um podcast inclusivo para as pessoas com deficiência. Então para quem precisar de acessibilidade, é possível conferir a transcrição dos programas em texto ou em Libras no nosso site. Anota aí: www.trampapo.com.br. Eu e os meus convidados de hoje, farão uma autodescrição para que vocês possam nos conhecer melhor. Então vamos lá, como eu disse, eu sou Ana Paula Xongani, eu sou empresária, criadora nas redes, apresentadora e mãe. Eu sou uma mulher preta, de corpo volumoso, olhos escuros, cabelos bem curtinhos, hoje eu visto uma roupa laranja com desenhos meio afros, calça preta e sandália, unhas coloridas, brincos bem pequenininhos e quase nada de maquiagem. E agora vou pedir para vocês se apresentarem, o que vocês fazem e quem são vocês, como são vocês. Primeiro você, Talita.

Talita – Bom, meu nome é Talita, eu sou mestiça, de oriental com brasileiro, tenho 1,60 metro, cabelo médio. Sou Psicóloga, e consultora de recursos humanos atualmente na Up Capital Humana.

Ana Paula Xongani – Cauê, se apresenta para a gente.

Cauê Oliveira – Olá a todos. Prazer estar aqui com vocês, primeiramente, sou o Cauê Oliveira, trabalho no GPTW – Great Place to Work, que é uma consultoria que fica aqui no Brasil desde 97, mas é oriunda dos Estados Unidos. Achei o máximo essa questão de se apresentar, para as pessoas conseguirem nos ver de uma certa forma, mesmo ouvindo. Então eu sou, eu tenho 1,81 metro, tenho cabelo escuro, cabelo preto, curto, sou creio que mais esguio, mais magro. Pele morena, o que mais, não sei, me ajuda aí? Uso óculos.

Ana Paula Xongani – Barba. Barba preta.

Cauê Oliveira – Isso, é difícil fazer isso, não é?

Ana Paula Xongani – É difícil.

Cauê Oliveira – Uso barba com bigode, aliás, está muito na moda isso, até estava outro dia na barbearia, eles falaram: nossa, tão bom que a gente está na moda, depois de alguns anos, a barba e bigode, porque um boom de barbearia surgiram, foi o que o barbeiro falou para mim. Acho que é isso, acho que é isso. Tenho 34 anos.

Ana Paula Xongani – Boa, eu estou chegando lá, acabei de fazer 33.

Cauê Oliveira – Boa.

Ana Paula Xongani – Bom, acho que vocês estão sentindo falta de mais uma voz aqui. É do Rick. Hoje ele não vai participar do Trampapo com a gente, mas Ricardo, a gente te espera nos comentários nas redes sociais, as suas observações sempre muito importantes aqui para a gente. A síndrome da segunda-feira é um problema real que atinge grande parte dos trabalhadores, ela ataca na noite de domingo e faz com que o profissional sinta ansiedade, depressão, ou desespero só com o pensamento de ter que trabalhar no dia seguinte. Algumas pessoas têm até sintomas físicos, como taquicardia, dor de barriga, crise de choro. Como que as pessoas podem lidar com isso? Vocês já tiveram esse quadro de insatisfação profissional? Aquela situação em que você quer procrastinar tudo, que não tem animo para fazer aquelas tarefas que antes pareciam simples, e tudo no trabalho te faz mal? Talita, conta para a gente.

Talita – Olha, eu conheço essa síndrome também como síndrome do Fantástico.

Ana Paula Xongani – Síndrome do Fantástico?

Talita – É. No domingo à noite, a gente ouve aquela musiquinha, é Fantástico.

Ana Paula Xongani – Você já chora?

Talita – Já bate aquela ansiedade, aquele friozinho na barriga, aquela vontade de desaparecer, aquela vontade de, do desânimo mesmo, de ter que encarar o próximo dia. Eu acho que todo mundo em algum momento da vida já sentiu essa síndrome, daquele friozinho na barriga de ter que levantar no outro dia e encarar a empresa, e principalmente eu acho que quando a gente fala dessa síndrome, eu acho que há um grande, uma grande relação aí também com as lideranças da empresa. Eu quando senti isso, eu já senti isso um desânimo, uma desmotivação com alguma empresa que eu estava trabalhando, e estava muito relacionado com a figura do meu líder naquela época, de ter que encarar a liderança, de ter que fazer as minhas entregas, de enxergar a minha rotina de trabalho. E eu acho que existem sim algumas saídas, eu acho que quando a gente fala de motivação, a gente está falando aí sobre, a gente vai falar um pouquinho sobre felicidade no trabalho, e o que é felicidade? Felicidade é quando a gente fala de alguns sinônimos, aí está muito relacionado ao sucesso, ao êxito, ao reconhecimento, a satisfação. Então isso não depende só da empresa, porque muitas empresas às vezes não pensam em recursos, para reconhecer o colaborador. Então muitas vezes, isso depende um pouquinho da gente.

Ana Paula Xongani – Hum, hum. Vira uma responsabilidade do funcionário.

Talita – Exato, então depende um pouquinho da gente. Então quando depende da gente, quando a empresa ainda não tem a frente de ações para te motivar, para te manter engajado, você como colaborador, também pode trabalhar um pouquinho isso em você. Então quando a gente fala de felicidade, a gente busca as conquistas, existem aí alguns hormônios da felicidade, que a gente pode inclusive, por exemplo, o hormônio da felicidade também a gente atinge quando a gente pratica exercício físico, quando a gente equilibra a nossa alimentação, a gente se sente mais calmo, quando a gente cuida um pouquinho da nossa qualidade de vida.

Ana Paula Xongani – Da saúde mental, uma boa terapia.

Talita – Isso. Quando a gente também se dedica ao relacionamento interpessoal na nossa vida. Então é olhar todos os âmbitos da nossa vida pessoal, tanto espiritual, quanto educacional. Então quando a gente se sente desmotivado numa empresa, eu acredito que o ideal seja a gente, se a empresa não está dando recursos, obviamente a gente pode abrir portas para as outras empresas também, acho que a gente vai falar um pouquinho mais tarde sobre o que a empresa pode fazer, mas falando um pouco da pessoa, né, tentar dividir a sua atenção em outros desafios. Ou algum curso, ou algum, alguma meta que você queira atingir, tipo fisicamente.

Ana Paula Xongani – O trabalho não ser a sua única ou principal atividade.

Talita – Exato.

Ana Paula Xongani – Para compensar a felicidade.

Talita – Exatamente. A gente geralmente passa 80% da nossa vida no trabalho.

Ana Paula Xongani – Hum, hum.

Talita – Então de repente dividir esses 20% em algo que traga maior satisfação, uma atividade física, o concurso que não necessariamente esteja relacionado a nossa atribuição atual, dividir um pouco em atividades em que traga a nossa satisfação pessoal. Então acho que pessoalmente é isso, eu já passei por isso, acho que muitas pessoas passam, e eu acho que a saída é essa, é a gente tentar colocar outras forças em outros âmbitos da nossa vida pessoal.

Ana Paula Xongani – Perfeito. E você Cauê, conta para a gente, já passou por isso? Conhece alguém que passou? Tem uma dica boa também?

Cauê Oliveira – Legal. Eu passo por isso, alguns devem pensar assim: não, mas como assim, Cauê, você trabalha no Great Place to Work, uma das melhores empresas para trabalhar. Esse é o grande ponto, não existe unanimidade, não existe felicidade plena, acho que isso é importante as pessoas que estão nos escutando aqui entender, eu sou 100% feliz o tempo inteiro. Então mesmo as pessoas que trabalham na empresa número um do ranking das melhores empresas para trabalhar, sim, em algum momento vai ter um pouco, segunda-feira, que coisa, lá vem trabalho. Então assim, são empresas que são muito boas, são excelentes para trabalhar, mas como todo lugar, tem seus problemas, tem seus desafios, tem seus percalços. E agora, a forma como essas empresas, as pessoas enxergam, encaram esses problemas e desafios, é o que vai transformar a nossa vivência em um ambiente agradável, um ambiente desafiador, ou um ambiente da síndrome do Fantástico, como foi muito bem dito, onde escorre até uma lágrima dos olhos quando você ouve aquela musiquinha. Então é legal comentar isso, acho que não tem quem não sinta isso, tem até aquela frase, que é faça o que ama ou ama o que faz.

Ana Paula Xongani – Hum, hum.

Cauê Oliveira – E muitas das vezes a gente percebe isso, as pessoas vão muitas vezes buscar fazer o que amam e se frustram, nem sempre tem o Professor Mario Sérgio Portela, que eu particularmente amo, ele falou o seguinte: não existe sequer uma profissão, ele diz, em que as pessoas vão fazer o que amam o tempo inteiro, não existe, me fala uma que vai ter contraponto. Ele dá o próprio exemplo dele, ele fala assim: eu sou professor, palestrante, e eu amo fazer isso aqui, o que eu estou fazendo, dar aula, amo, mas odeio corrigir prova. Então ele fala que todo trabalho tem as atividades que ele batizou de atividade tenho que. Eu amo dar aula, mas tenho que corrigir prova.

Ana Paula Xongani – Muito legal isso, realmente a mudança do trabalho mudou as nossas relações humanas, o que vai impactar na nossa mudança de felicidade. Ai que delícia, vamos continuar nossa conversa. Um estudo realizado por economista da Universidade de Warwick, descobriu que pessoas felizes são 12% mais produtivas do que as pessoas infelizes. E acontece que um cenário de infelicidade no ambiente corporativo não é difícil de ser encontrado, grande parte das empresas, talvez a grande maioria delas, ainda tem um olhar muito voltado apenas para o lucro, e por isso acabam promovendo ambientes tóxicos, com metas agressivas, inalcançáveis. E sem se importar com os danos que podem causar na qualidade de vida dos seus funcionários. E com certeza, é muito importante que as pessoas se sintam seguras para trabalhar, valorizadas para se dedicarem e não ficar com aquela angústia de estarem trocando a sua própria felicidade por um salário no fim do mês. Tirando o salário, quais as outras técnicas podem ser utilizadas para manter o colaborador feliz na empresa que trabalha? Só o endomarketing resolve? O que é que você acha, Cauê?

Cauê Oliveira – Isso é fantástico, ver que existem dados e existem mesmo, que comprovam por A mais B, que o ambiente onde as pessoas se sentem felizes, se sentem confortáveis, sentem, a palavra que a gente usa muito no GPTW, que é a confiança, sentem confiança naquele lugar, vão ter os melhores resultados. É aquilo que eu sempre digo, as melhores empresas, sempre nos dizem assim, aqui, a gente chega nos melhores resultados financeiros por meio das pessoas, e não apesar delas.

Ana Paula Xongani – Sim.

Cauê Oliveira – E tem muita empresa que acontece isso, até alcanço os bons resultados, apesar das pessoas, mas a grande dúvida que paira no ar, e a gente já não está mais tendo muita dúvida, é o quanto sustentável será esse resultado, quanto tempo vai durar um resultado se for apesar das pessoas?

Ana Paula Xongani – Ham, ham.

Cauê Oliveira – É um resultado que responsabilidade desmorona. Tenho até uma novidade aqui, bem legal para trazer para vocês, foi lançada agora no finalzinho do ano passado, vocês sabiam, pessoal, que as melhores empresas para trabalhar, essa que os colaboradores se sentem felizes, boa parte do tempo, sentem confiança, as que tem capital aberto, em bolsa de valores, tem maior valorização das suas ações.

Ana Paula Xongani – Olha.

Cauê Oliveira – É impressionante, a gente faz esse estudo anualmente, e as empresas que mais se valorizam, nas suas ações, são aquelas que tem as melhores notas da pesquisa de clima, que é aquela pesquisa de satisfação dos colaboradores. Isso é tão verdade, que olha quem abriu os olhos para isso, a B3, que é a bolsa de valores aqui do Brasil, que a gente chama de Bovespa, a B3, que vai lançar agora em agosto um índice chamado B3 GPTW, ou seja, as empresas que figurarem no ranking das 150 melhores para trabalhar do Brasil, e que tiverem capital aberto em bolsa de valores aqui do Brasil, da B3, farão parte de um seleto índice chamado Índice B3 GPTW. Imaginem vocês o que vai acontecer com as ações dessas empresas quando participarem desse seleto índice.

Ana Paula Xongani – Quero investir com sorriso no rosto.

Cauê Oliveira – Eu também, eu também, não tenha dúvida, não tenha dúvida. Então isso é muito legal, essa comprovação técnica, ela é importante por que por muitos anos as pessoas encaravam esse trabalho, que geralmente é conduzido pela área de recursos humanos, como ah, uma área, uma coisa de abraçar árvore, de fazer coisas assim, paz e amor. E não é isso, é algo estratégico, a gente está falando de desenvolvimento estratégico definitivamente. E para fechar aqui o meu pensamento, você perguntou, né, o que é que além do salário, faz com que as pessoas queiram permanecer nas empresas. E a palavra é permanecer, mesmo, não é reter, antes a gente até utilizava o termo retenção, mas retenção não soa para vocês também como algo que enfim, estou te trancando numa jaula, estou te retendo, não é?

Ana Paula Xongani – Ham, ham. Estou te impedindo, não é?

Cauê Oliveira – Exato. É fazer com que as pessoas queiram permanecer, queiram ficar, queiram voltar. E segundo os nossos dados de pesquisa, o maior percentual dos colaboradores nas melhores empresas para trabalhar, cerca de 45% volta, sabe por quê? Por oportunidade de aprendizado e desenvolvimento. Porque eu percebo que ali naquela empresa eu posso aprender e me desenvolver. Segundo lugar, qualidade de vida, eu percebo que aqui eu posso equilibrar bem minha vida pessoal e profissional. Terceiro lugar, alinhamento de valores, os meus valores pessoais combinam com os valores da empresa. E apenas em quarto lugar vem remuneração e benefícios.

Ana Paula Xongani – Uau.

Cauê Oliveira – E quando a gente olha para esse público que fica na empresa por causa da grana, é o público mais insatisfeito, é o público que dá as piores notas na pesquisa de clima, não é salário que mantém as pessoas felizes no ambiente de trabalho, ele tem que existir, não estou dizendo que não tem que existir, mas ele é fator higiênico, fator básico, e a partir dali a gente mantém as pessoas com essa grande satisfação.

Ana Paula Xongani – Talita, você falou um pouco, você deu várias dicas para o funcionário fazer essa autopromoção da felicidade no trabalho. Mas, e para as empresas assim, quais técnicas você acha que dá para utilizar para desenvolver felicidade nos colaboradores?

Talita – O Cauê trouxe uma coisa muito bacana que é a questão do retenção, muito se fala em retenção, eu concordo totalmente. - Talita : – E aí acho que a troca da palavra retenção por pertencimento. Eu acho que para ser feliz no trabalho, a gente precisa ter essa sensação de pertencer em algum lugar. Então toda a empresa tem um planejamento estratégico, com missão, visão, valores, porém muitas pessoas trabalham nas empresas e não conhecem isso. O que é que ter um planejamento estratégico, é ter um direcionamento para onde a empresa quer ir. E os colaboradores precisam entender por que é que eles acordam todos os dias. Por que é que eles estão indo trabalhar todos os dias? Em que direção? Então acho que um ponto muito importante para desenvolver essa questão do pertencimento, é a transparência e a comunicação sobre a estratégia da empresa, onde nós queremos chegar, onde está todo mundo, a gente está remando em qual direção todos juntos? Então acho que é transparência. E um ponto muito importante que eu acho, a informação, você perguntou aí sobre ações de endomarketing, não é? Existe um levantamento que diz, eu também já fiz esse benchmark, esse dado depois eu posso trazer a referência, mas o estudo diz que 29% dos colaboradores que trabalham na empresa, tem domínio total, por exemplo, do pacote de benefícios que a empresa oferece.

Ana Paula Xongani – Hum, hum.

Talita – O que é que isso quer dizer? Que às vezes a empresa tem recursos, pensou em ações para manter este colaborador dentro da empresa, mas não comunica, não valoriza, por exemplo, esse pacote de benefícios. Então eu acho que não só ações de endomarketing como ações de comunicação e principalmente, ações voltadas para o desenvolvimento de liderança, por que quem que é o espelho da empresa?

Ana Paula Xongani – Os líderes.

Talita – São os líderes. E não é só papel do RH desenvolver pessoas, não é só o papel do RH motivar as pessoas, é desenvolver as lideranças para que faça esse trabalho com as pessoas dentro da organização. Então eu acho que tem dois pontos muito importantes, que é o desenvolvimento da liderança e essa questão da comunicação transparente com os colaboradores, passar a real informação dos objetivos organizacionais, fazer com que ele pertença, é importante também que com que engaje ele nas tomadas de decisões. Então quando a gente fala das metas organizacionais, do objetivo organizacional, ele precisa participar das decisões tomadas quando se não atinge uma meta, ou quando se está atingindo a meta, quais são os próximos passos. E principalmente, quando atingir, a Great Place to Work está aí para falar, é o celebrar, não é Cauê?

Cauê Oliveira – Exatamente.

Talita – Um dos pilares é o celebrar. Isso eu acho que é um fator fundamental para que a gente seja feliz no trabalho, o reconhecer, o celebrar.

Ana Paula Xongani – Maravilhoso. Vamos falar um pouco mais do GPTW então, do Great Place to Work, que na tradução literal, é um ótimo lugar para se trabalhar, estou certa, Cauê?

Cauê Oliveira – Isso mesmo, um ótimo ou um excelente lugar para trabalhar, isso mesmo.

Ana Paula Xongani – E tem uma atuação muito importante para promover um mercado de trabalho melhor para todo mundo, ainda bem. Mas eu quero saber que você, eu quero que você fale um pouco dessas empresas que já estão aí no radar. O que é que elas fazem e principalmente, quais são os resultados que ela tem? O que é que motiva as melhores empresas a investir e cuidarem dos seus colaboradores, Cauê?

Cauê Oliveira – Beleza, eu vou começar por essa última pergunta. Eu acho que o que motiva é entender uma questão muito estratégica, e saber que vamos alcançar os resultados por meio das pessoas, como eu disse anteriormente, eu acho que isso é uma das coisas que mais motiva. E também é uma coisa que deixa o melhor legado, qual a diferença entre legado e herança? Acho isso muito legal, herança é aquilo que você vai deixar para as pessoas, para as pessoas, legado é o que você vai deixar nas pessoas.

Ana Paula Xongani – Hum, hum.

Cauê Oliveira – Então acho que são empresas que querem deixar melhor e maior legado para todos os colaboradores que nela estão. E o que a gente percebe em comum nessas melhores empresas para trabalhar, basicamente são dois pontos, resumindo, ponto número um, é ter um propósito claro, ou seja, todos que lá trabalham, entendem o porquê fazem o que fazem. Como foi até mencionado agora, a questão de missão, valores. Então esse é muito claro, sabe, você pergunta, tem até uma história que eu acho muito legal contar, uma história que aconteceu lá na década de 60, lá atrás, em que havia o Presidente americano da época, John Kennedy, teve o sonho de levar o homem para a lua, e daí de repente a Nasa, a estação espacial americana, começa a trabalhar dentro desse projeto Apolo, todo mundo já assistiu aquele filme Apolo. E de repente ele visita a Nasa, para ver como que estava andando o projeto. Aí ele conversa com um, conversa com o outro, caminhando lá pela Nasa, imaginem vocês, o Presidente dos Estados Unidos, e você faz o que aqui, ele perguntava. Aí eu respondia: ah, eu sou o astronauta. E você faz o que aqui? Eu sou o Diretor Espacial. E de repente ele avista um homem que estava varrendo o chão, estava ali limpando o chão, com produto, então assim, nitidamente era o faxineiro do local. E quando ele perguntou: e você faz o que aqui? Esse homem respondeu: estou levando o homem para a lua, senhor Presidente. Olha, a história é conhecida, muitos já ouviram essa história, mas assim, eu acho essa história linda, que ela pode fazer um perfeito delineamento do que significa esse propósito claro, independente de quem está na empresa e entendem o porquê estamos ali. Então isso é muito legal. Um último ponto, segundo ponto que há em comum nessas melhores empresas, é uma liderança que valoriza pessoas, é uma liderança que não valoriza apenas a obtenção dos resultados, mas realmente que está interessada em conquistar a confiança, não ganhar, porque não ganha a confiança de ninguém, a gente conquista, por meio de tempo, que se leva tempo para conquistar a confiança das pessoas, e por boas práticas, como foi dito agora, a prática de celebrar, prática de agradecer, de inspirar, de comunicar, e por aí vai, a gente diz que tem nove práticas das melhores empresas, que ajudam a criar esse ambiente de confiança, por meio de uma liderança que definitivamente valorize pessoas, que tem até uma palavra que a gente inventou, é engraçado essas invenções assim, mas é o que define, o que tem em comum, que a gente chamou de gift work. Gift vem do inglês, presente, work, trabalho, presente no ambiente de trabalho. Como assim, Cauê, as melhores empresas para trabalhar, ficam dando presentinho para os funcionários o tempo inteiro? Não é isso, gift work tem um conceito de um presente de baixo investimento, tanto financeiro, às vezes nenhum financeiro, o tempo para quem oferece, baixíssimo, mas para quem recebe, um altíssimo valor.

Ana Paula Xongani – Ah, dá um exemplo.

Cauê Oliveira – Ah, claro, eu posso dar um exemplo. Valor que às vezes não tem nem tamanho. Um exemplo que eu adoro contar, foi de um treinamento que eu apliquei aqui no interior de São Paulo, e aí a pessoa do RH me ligou assim antes do treinamento, ele falou assim: ai Cauê, temos um problema, porque a Diretora quer participar do treinamento com os gerentes, o que é que eu faço? E aí eu falei: olha, não tem problema, pode deixar ela participar, porque às vezes acontece isso, de uma diretoria estar junto com os gerentes, pode afugentar um pouco a participação dos colaboradores. Eu falei, e foi o que eu disse para ela, se ela por acaso for aquela diretora que vai inibir, é melhor não, que ela não participe, ela virou no telefone e falou assim, Xongani: você não tem ideia de quem é a Andrea. Aí na hora eu pensei: isso é uma coisa boa ou ruim? Porque pode ser dos dois lados. Aí a primeira pessoa que eu quis conhecer quando eu cheguei aqui em São Carlos, interior de São Paulo, foi a Andrea, e aí não era uma coisa boa, não, viu, era excelente. A Andrea era um ser humano gift work, ela tinha isso dentro do coração dela. Num determinado momento da turma, e todo mundo participou à vontade e tal, ela falou assim: Cauê, eu posso contar um exemplo de gift work? Eu falei: deve. Ela falou: olha, eu trabalho já há alguns anos como diretora aqui dessa empresa, mas antes eu era gerente, e quando eu fui promovida para gerente, fiquei muito feliz, eu perguntei por que, ela disse, porque eu venho de uma família humilde, poucas pessoas tiveram chance de estudar, crescer, e quem diria virar gerente de uma empresa desse tamanho, então eu fiquei muito feliz. Ela disse: fiquei seis anos como gerente, um dia o meu diretor me liga. Andrea, venha na minha sala imediatamente, ela falou que foi com o coração acelerado, meu Deus, diretoria chamando na sala, o que será que aconteceu. Ela chega lá, estava ele junto com a mãe dela, ela olha, não entendeu nada, uma surpresa, mas estava todo mundo com cara boa, cara feliz assim, então não era nenhuma desgraça na família, aí responsabilidade eles perguntaram e ele disse: Andrea, quando há seis anos atrás quando eu te promovi para gerente, eu te falei uma coisa que eu nunca esqueci, você falou assim olha, como eu gostaria que a minha mãe estivesse vendo essa cena, porque eu sei que isso faria a maior diferença para a vida dela.

Ana Paula Xongani – Chocada.

Cauê Oliveira – Chocada.

Ana Paula Xongani – Eu já estou chorando.

Cauê Oliveira – Já está chorando. E ele completou dizendo: você agora está sendo convidada para ser a diretora da nossa empresa. E eu chamei sua mãe para ver. Arrepia, na verdade, arrepia. E assim, pensa comigo assim, tirando um pouco a questão emocional, que é lindo para caramba, emocionante, e trazendo a questão racional, quanto que esse cara gastou de dinheiro para fazer essa prática?

Ana Paula Xongani – Só o transporte.

Cauê Oliveira – O transporte, o Uber, sei lá, o táxi. Agora assim, vejam que não tem a ver com grana, tem a ver com como que você vai tratar as pessoas, e tempo também, quanto tempo que ele gastou, ele já ia fazer aquela promoção, foi tempo extra de uma ligação de cinco minutos para combinar a surpresa com a mãe. Então um baixo investimento para quem dar, mas altíssimo valor para quem recebe, esse é o gift work, está nas melhores empresas.

Ana Paula Xongani – Nossa, amei. Que bom seria se todas as empresas tivessem essa consciência, e essas medidas. Além de promoverem a melhoria da cultura organizacional da empresa, na convivência com os funcionários e nas contratações, elas também gerariam resultados positivos nas receitas que a gente já conversou aqui, até na bolsa de valores, nas concepções de produtos e serviços no atendimento, em todos os aspectos. Mas infelizmente, nem todos os empresários estão dispostos a humanizar os seus negócios, a gente já falou muito sobre humanização, que é muito engraçado, que se estamos trabalhando com pessoas humanas, por que é que humanizar ainda é um termo tão distante de muitas empresas? Talvez por que os lucros vão muito bem, obrigada, e aí não tem um interesse dessas empresas de promoverem essas mudanças, para que encarar esse desafio que pode ser tão grande, por que fazer esse gasto, esse investimento com os funcionários, se está tudo indo muito bem. E são nesses cenários que estão também as empresas que a gente chama de empresas tóxicas, que não se importam com os profissionais, não se importam com profissionais desmotivados, não se importam com profissionais sobrecarregados, e não observam nem a saúde mental dos seus colaboradores. Tem muitos lugares que saúde mental inclusive ainda é frescura, sabe, não treinam seus gestores, você, a Talita vem falando muito sobre liderança, tem menos funcionários do que precisa, o que acaba sobrecarregando esses funcionários, não se importam se as pessoas estão insatisfeitas, se tem sugestões, se as pessoas têm reclamações, ou seja, não tem escuta, e nada muda. E aí fica a dúvida, que eu acredito que muita gente que está nos ouvindo também quer saber: tem como amar uma segunda-feira se essas empresas estão assim? Se você sabe que toda semana você vai estar num ambiente tóxico, será que isso tem solução? Como você evitar o desgaste. Talita falou um pouco sobre isso, mas vamos se aprofundar, Talita, como evitar o desgaste se você está nesse ambiente e se a princípio você não tem como imediatamente sair desse lugar?

Talita – Sim. Olha só, você falou uma palavra muito importante que é humanização. Também vou contar uma história aqui, está Cauê?

Ana Paula Xongani – Conta.

Talita – Então assim, todo empresário, ele quer o que, o dono de uma empresa, o CEO, ele quer o quê? A empresa existe para ter lucro, para ter um crescimento. Mas é possível a gente fazer isso de uma forma humana, colocando aí humanização, uma vez eu trabalhei muito tempo, durante muito tempo na área da saúde, empresas de home care, não sei se vocês sabem o que é home care, é atendimento domiciliar. Então auxiliares e enfermeiros vão atender pacientes dentro do domicílio do paciente. E o que é que acontece, para fazer esse atendimento, você precisa ter pessoas humanas, você precisa ter pessoas engajadas, imagina, você vai receber um enfermeiro na sua casa para cuidar de um parente seu.

Ana Paula Xongani – Às vezes um idoso, não é?

Talita – Exato. Então eu preciso que essa pessoa esteja engajada, esteja sensibilizada com o negócio. E a minha, eu era gerente na época, a diretora chegou e falou assim: Talita, eu estou com um problema enorme, nós estamos recebendo muitas reclamações dos familiares dos pacientes que estão simplesmente dizendo que os profissionais de saúde chegam na casa, aferem a pressão, fazem os procedimentos técnicos e não tem aquele olhar humano. Então eu queria que você pensasse em uma solução para isso, que era um problema que estava impactando nos resultados da companhia. E eu falei, eu pensei comigo: como fazer com que os profissionais de saúde enxerguem o familiar de uma forma humana, como fazer isso, que eles se motivem a entrar na casa da pessoa e entender que não é só o paciente importante, tem a família do paciente, às vezes o cachorro na casa daquele paciente é importante também, como fazer isso? Aí eu pensei algo importante, quem que é importante para essa pessoa? É a família dele, então qual é a ação que eu fiz? Eu escondida, entrei em contato com os familiares de todos os enfermeiros, e eles gravaram vídeo, dizendo o quanto que era importante, este enfermeiro era importante para a família dele. E aí um evento x, era um jantar com todos os enfermeiros, eu passei esse vídeo, com os depoimentos dos familiares dizendo quanto que eles eram importantes para a família deles. E o que acontece, houve sensibilização, todo mundo chorou, todo mundo se emocionou, no final, a colocação foi a seguinte, não dói, estou vendo todo mundo chorar aqui, não dói quando mexe com a sua família? Quando é a sua família trazendo informação. Fazendo essa homenagem com vocês, não te sensibiliza, não te mudou de alguma forma? Vocês estão fazendo a mesma coisa na casa dos nossos pacientes, sem valorizar os familiares dos pacientes. O que é que eu quero dizer isso, com conclusão, que eu quero dizer isso, quando a gente trabalha num ambiente em que não te proporciona essa humanização, o nosso atendimento fim, o nosso trabalho fim, impacta no resultado total da companhia. Então todo ambiente, ele tem que ter esse grau de humanização, que às vezes não requer investimento, não requer um investimento, um budget para isso, um orçamento para isso. Então eu acho que o grande desafio aí das empresas é trazer um pouquinho a humanização e não olhar só o colaborador como um trabalhador, como um número, e sim tentar enxergar a vida pessoal dele, o que é que impacta na entrega final dele, tentando olhar ele como um ser humano.

Ana Paula Xongani – E você Cauê, quais são as dicas que você dá para as pessoas agora, para ela promover sua autofelicidade, um termo aí que a gente acabou de cunhar aqui no podcast, autofelicidade?

Cauê Oliveira – Eu acho que as pessoas devem lembrar que não estão apenas trabalhando no dia a dia, ou seja, existem outros lados da vida. Tem até uma dinâmica que eu adoro fazer com as pessoas quando eu faço workshop e tudo mais, que é a dinâmica roda da vida. Como que funciona essa dinâmica, é até muito conhecida na área da psicologia, enfim, que é uma roda, pensa aí um círculo dividido em algumas fatias, tem várias versões, eu uso a versão mais simples, que a gente brinca que é a pizza da vida, que são oito fatias, hum, deu até fome em que está ouvindo, não é? E aí cada fatia é um lado da tua vida, um deles é o profissional, mas tem tanta outra coisa, tem familiar.

Ana Paula Xongani – Mas é para dividir em oito? É para dividir em oito?

Cauê Oliveira – Isso, tem oito fatias, e aí a partir dessas oito fatias, tem alguns pontos, por exemplo, família, espiritual, intelectualidade, social, relacionamento afetivo, o seu lado financeiro, gente, tem vários, tem algumas versões que tem 16, 20, aqui a gente usa a mais simples. Mas eu estou citando isso, para mostrar que se você entrega única e exclusivamente a tua vida para o trabalho, de forma visceral, muito provavelmente a sua vida vai estar em desequilíbrio, e é impossível você ser um bom profissional se você não estiver equilibrado na sua vida pessoal.

Ana Paula Xongani – Bom, se você está num ambiente tóxico, a solução ideal é mesmo você buscar um outro emprego. A gente já falou várias vezes isso aqui, até em outros episódios. Busca o emprego, uma empresa que se alinhe com os seus valores, para que você tenha de fato um ambiente saudável. Mas às vezes o problema é maior do que o seu ambiente de trabalho. Fazer um trabalho pelo qual você não consegue se apaixonar, passar a maior parte do dia se dedicando a uma coisa que não te dá prazer, tentando se consolar, pensando só no final de semana, ou no dinheiro do final do mês, é muito torturante. Um consultor de carreira, o Fred Machado, fez uma pesquisa de satisfação em 21 estados brasileiros, e chegou à conclusão que 64% das pessoas gostariam de trocar de área, para fazer algo que realmente te faça feliz. E é justamente isso que a gente vai ouvir no Manda Papo de hoje. Vamos ouvir, gente.

Gabriel – Bom, eu comecei minha carreira, eu tinha 14 anos, e aí com 16, eu fazia colegial técnico de manhã, de processamento de dados, à tarde eu trabalhava numa operadora de turismo na época, fiquei nessa operadora uns quatro anos, que eu trabalhei lá. E à noite eu estudava no colegial normal. Então eu já atuava na área de marketing, e aí desde então não parei mais, e aí disso foi mais quatro anos em outra operadora de turismo que eu fiquei, na área comercial e na área de marketing. E depois publicidade, então eu fiquei na área de publicidade 12 anos, passei acho que pelas maiores agências de publicidade do país, e eu descobri que começou a me dar gatilho assim de eu não aguentava mais ouvir a palavra concorrência e tudo, de uns dois anos para cá que eu vi que o meu ego começou a falar mais alto que eu, eu passei a engordar muito, fiquei bem para baixo. E aí depois de um tempo, eu refleti, fui buscar ajuda médica, emagreci bastante nessa época. E aí a pandemia veio, mas veio de uma forma bem flexível aí, nessa época eu comecei a desenvolver alguns projetos pessoais, escrevi um livro, dois livros infantis, postei na Amazon, e um dos livros passou a ser um dos 100 mais baixados da Amazon, fui até remunerado pela Amazon junto com o meu irmão. Isso foi bem legal para mim, e aí no começo desse ano eu recebi uma proposta que, de uma empresa que tinha tudo a ver comigo, era para mudar de área totalmente, de sair, não mudar do marketing, mas sair da publicidade e ir para uma área de transportes. E aí hoje, e essa empresa tem tudo a ver, porque ela faz um bem danado para a sustentabilidade, Smart Seeds, então ela tem um pensamento bem para frente, isso veio bem a calhar com o que eu estou agora nesse posicionamento, então, mas é isso, eu acho que se a gente tem que refletir alguma coisa, é colocar a cabeça no lugar e ter uma meta, traçar algo que você quer, que você quer para você, e que você vai conquistar e lutar por aquilo, que a gente consegue.

Ana Paula Xongani – Muito obrigada, Gabriel, muito legal te ouvir. E aí gente, existe uma forma sem muito risco de trocar de área? O que é que o profissional quer perseguir o emprego dos sonhos, ou até um emprego só mais saudável, mesmo, deve fazer para mudar de carreira, de uma forma segura? Quem começa? Cauê.

Cauê Oliveira – Ah, que legal. Adorei a história aí, viu, do Gabriel, não é?

Ana Paula Xongani – Gabriel.

Cauê Oliveira – Muito legal, Gabriel, adorei a sua história. Sabe que eu mesmo mudei de carreira também, acho que tem até uma história própria. E eu me formei na área de hotelaria, administração hoteleira, trabalhei em hotel, trabalhei em resort no iniciozinho assim da minha história profissional. Mas o meu grande sonho, era trabalhar com teatro. Eu fiz teatro na época da escola, me apaixonei por esse negócio, e na época de formação, de escolher que faculdade eu faria, eu escolhi um caminho entre aspas mais seguro e um caminho do sonho. E aí acabou dando certo o caminho mais seguro, que foi administração hoteleira. E aí o teatro, eu acabei guardando numa caixinha. Aliás, coisa que muitas pessoas fazem, guardar o sonho numa caixinha e às vezes essa caixinha fica guardada para o resto da vida. E o que acontece, quando eu entro para trabalhar no Great Place to Work, que não é teatro, eu começo a perceber que há uma possibilidade de uma certa forma, eu cumprir aquele meu sonho e tirar aquela caixinha para fora. Ou seja, o que eu gostava mesmo não era o teatro em si, mas era poder conversar com as pessoas, tocar públicos, de uma certa forma transformar pessoas. E aí eu trabalho hoje com o meu sonho, que é justamente fazer isso, por exemplo, estar nesse podcast agora, é um pouco de um palco.

Ana Paula Xongani – Super.

Cauê Oliveira – Apresentar mini palestras, fazer workshops, treinamentos, então isso é muito legal, é como que às vezes você encara seu sonho e pode redirecioná-lo para que possa atender as suas necessidades a nível pessoal, a nível financeiro e assim por diante.

Ana Paula Xongani – Agora vamos pensar num outro aspecto, porque também é possível que o funcionário esteja em sua área de escolha, fazendo o trabalho que ama, e ainda assim esteja infeliz por estar num ambiente que não trata ele bem. O bullying não é uma coisa que é restrita para crianças e adolescentes no colégio ou no máximo na faculdade. Muitos profissionais sofrem bullying dentro da empresa. Enquanto tentam simplesmente fazer o seu trabalho. Como que as empresas e também as pessoas devem lidar com esse tipo de situação? Quão necessários são, sei lá, palestras, seminários, programas para prevenir esse tipo de comportamento no ambiente da empresa? E como fazer a integração de todos para que todos tenham um bom ambiente de trabalho? Fala para a gente, Talita.

Talita – Então aí falando do pilar confiança. A empresa precisa criar uma relação de confiança com o colaborador. Muitas vezes, o colaborador tem um chefe tóxico, que o assedia, que faz bullying ou algum colega de trabalho. E às vezes o colaborador não tem para quem contar.

Ana Paula Xongani – Sim.

Talita – E aí o que acontece, às vezes a gente perde um talento, perde uma pessoa que gosta do que faz, gosta da empresa, mas os problemas estão relacionados aos colegas de trabalho, a liderança. Então empresa, ela precisa buscar estruturas para que tenha um canal aberto de comunicação. Pode ser através de um canal de denúncias, ou até mesmo, parece tão forte, a gente falar um canal de denúncias, mas muitas pessoas às vezes...

Ana Paula Xongani – Aquela pesquisa de clima, não pode ser ali também?

Talita – Também, é que às vezes não dá para esperar a pesquisa, às vezes a pessoa está sofrendo um assédio ali, e ela não pode ficar quieta, ela não pode se calar. Então ela tem que ter um canal aberto de comunicação de imediato. Então o ideal seria que as pessoas procurassem ajuda, e realmente não se calem. Por que muitas vezes, a alta direção, ou até o departamento de gente e gestão, a gestão de pessoas, não sabe desta informação. E é através deles que eles vão ficar sabendo e tomar as devidas decisões, e as mudanças necessárias.

Ana Paula Xongani – Eu sinto que as pessoas talvez tenham aquele medo de falar: nossa, eu vou parecer infantil se eu disser que eu estou sofrendo bullying na minha empresa, na multinacional que eu estou trabalhando, mas não.

Talita – Então, e assim, a pessoa não necessariamente precisa se identificar, quando se abre um canal de denúncias, a gente está falando aí de compliance, que vai analisar os riscos do trabalho, os processos de trabalho. Então seria muito legal que a empresa, é muito bacana que a empresa tenha esse canal de comunicação aberta e não necessariamente obrigue, assim como uma pesquisa de clima, o colaborador a se identificar.

Ana Paula Xongani – Muito bem, agora estamos indo para o nosso último quadro, que é a Dica Extracurricular. Vou convidar vocês a dar uma dica para quem quiser continuar pesquisando esse assunto. Pode ser uma palestra disponível na internet, pode ser um vídeo, uma série, um filme, um livro. Quem quer começar com uma boa dica para complementar esse papo de hoje?

Talita – Eu vou indicar aqui dois filmes, são muito conhecidos, mas eu gosto muito, que trazem muitas lições de reflexão. O primeiro é o Senhor Estagiário, que fala sobre um programa de estágio em uma empresa que contrata pessoas da terceira idade. E é incrível assim, como ele não perde a motivação, mesmo ali, não tendo seu reconhecimento, no começo do filme, não vou dar spoiler, mas assim, só contar um pouquinho, mas no começo ele é deixado um pouquinho de lado na empresa, e como ele não deixa isso desmotivá-lo dentro do ambiente de trabalho. E olha que era uma super, hiper, mega empresa. E o segundo filme, é o Parasita, é um filme coreano, não sei se vocês já ouviram falar, é um filme coreano, parece que não tem nada a ver com o ambiente organizacional, mas é uma família em que decide trabalhar na casa de uma outra família. E eles elaboram toda uma estratégia para que todos sejam contratados. Toda uma estratégia para se manter ali, e depois ao longo do filme, vão acontecendo várias coisas. E aí no final tem um final bem surpreendente, e aí eu acho que passa muito uma mensagem de não desistir de perseverança, de manter a motivação, apesar dos percalços. É assim, eu tive que entender, assisti duas vezes na verdade, para tirar conclusões assim, para o mundo organizacional, ele é um pouco confuso, mas é um filme que vale muito à pena. Então o Senhor Estagiário e Parasita.

Ana Paula Xongani – Muito bem. Cauê, suas dicas de hoje?

Cauê Oliveira – Poxa, muito legal, adorei a sua dica, viu? Esses dois filmes que eu amei também. Senhor Estagiário é um dos meus favoritos, já assisti umas quatro, cinco vezes, aqueles filmes que você vai vendo sempre. E o Parasita é meio difícil, mesmo, tem que ver umas duas vezes para entender assim, mas ele é profundo para caramba, amei, Talita. Puxa, tem um TED que eu tive o prazer de gravar, chamado Como Construir a Melhor Empresa para Trabalhar. É um TED X, de 15 minutinhos, nele eu dou algumas dicas bem legais de como que as pessoas podem entender o que é um ótimo ambiente de trabalho e como, eu falo até dessa história da Andrea também, eu conto lá no TED, vale à pena, e tem outras histórias que eu também conto.

Ana Paula Xongani – Com todo seu talento de ator?

Cauê Oliveira – É, exato, de palco. E tem um autor, tem dois autores que eu gosto muito, aí vale à pena vocês pesquisarem quem está ouvindo aí tudo que eles têm aí, um deles é o Simon Sinek, ele é fantástico, esse autor, e tem um livro muito bom dele que é Comece pelo por que. Fala sobre propósito, tem até um vídeo muito famoso dele que é o tal do Golden Circle, o Círculo Dourado, que tem no centro desse círculo o por que, depois o como e depois o por que, na parte mais da extremidade. Vale muito à pena. E uma outra autora que eu adoro, chama-se Brené Brown, Brené Brown é uma Autora americana também, do Texas, ela tem TED, um TED maravilhoso chamado O Poder da Vulnerabilidade, e esse TED foi tão visto, acho que se não me engano um dos mais vistos a nível mundial, que a Netflix gravou uma palestra dela e colocou na plataforma Netflix, então se vocês procurarem o nome dela, Brené Brown, vocês vão achar alguma palestra, chamada The Call to Courage, que é o chamado para coragem, uma palestra de uma hora e 15, que vale cada minuto, tenho certeza que vocês vão gostar.

Ana Paula Xongani – Que delícia de dicas. Hoje eu vou indicar um clássico, que a gente gosta de clássicos, que é o filme A Procura da Felicidade, com Will Smith, tem vários filmes para vocês assistirem depois dessa conversa. Mas é um ótimo filme para a gente falar sobre mudança de rota, mudança de trajetória, buscar novos caminhos para encontrar o sucesso. Lembrando que todas essas dicas vão estar lá tudo organizado no nosso site, então entra no nosso site www.trampapo.com.br e também entra nas nossas redes sociais: @trampapo.podcast. Bom, quero muito agradecer vocês, eu adorei cada história, eu acho que histórias é uma das melhores formas de a gente conversar e de a gente aprender. Talita, fala um pouco como a gente continua te encontrando aí no mundo, nas redes, e muito obrigada por estar aqui com a gente.

Talita – Imagina, eu que agradeço o convite, foi demais. Adorei conhecer o Cauê aí, obrigada a Jack, também, que fez o convite, obrigada você também, Xon.

Talita – Bom, então em todas as plataformas digitais, exceto no YouTube, ainda, está como @upcapitalhumano. Quem quiser procurar, também tenho um canal no Telegram, também é só procurar por Up Capital Humano, lá a gente tem em torno de quase 5 mil profissionais de RH, no Instagram já estamos aí em 46 se não me engano, no LinkedIn, é só procurar por Up Capital Humano. Futuramente quem sabe no YouTube.

Ana Paula Xongani – Maravilhosa. Você Cauê?

Cauê Oliveira – Primeiramente também obrigado, amei, Talita, Xon, obrigado Jack também pelo convite, foi incrível eu estar com vocês nessa gravação, eu espero que quem ouviu aí, tenha aproveitado as histórias e se inspirado cada vez mais. Estou, acho que a principal rede social que eu utilizo a nível profissional, é o LinkedIn, Cauê de Oliveira, Cauê com a letra C, de Oliveira. Mas também incentivo que as pessoas sigam aí as redes sociais do GPTW, que é GPTW Brasil, aí tem canal de YouTube, tem o site, tem Instagram, tem tudo, e aí lá tem várias dicas, tem vídeos, conhecimento para as empresas e pessoas, conhecerem e saberem como criar as melhores empresas para trabalhar. Obrigado pelo convite, estamos sempre à disposição, viu?

Ana Paula Xongani – Lembrando sempre que toda segunda-feira a gente tem episódios novos, em todas as plataformas digitais, então a gente te espera para o nosso próximo bate-papo, não se esquece, o mercado é seu. Um beijo, até o próximo episódio e tchau.

Vinheta – Trampapo, fica esperto, aumenta o som, que a gente tem o dom, se não quer trabalho chato, se liga no Trampapo, a Xongani e o Ricardo vão te dar um papo reto, evolua a sua cabeça, aproveita e fica esperto. Trampapo.

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