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Como eu vou trabalhar no futuro?
#28

Como eu vou trabalhar no futuro?

MERCADO DE TRABALHOConvidados:

Christiane Silva Pinto - Gerente de Marketing no Google Brasil e fundadora do AfroGooglers

Vanessa Mathias - Fundadora da White Rabbit

Sobre:

O que esperar do futuro? Como se preparar para aquilo que ainda não é realidade e para profissões que ainda não existem? Nesta semana no Trampapo, Ana Paula Xongani recebe Vanessa Mathias, fundadora da White Rabbit, agência especializada em observar tendências e sinais futuros, e Cristiane Silva Pinto, gerente de marketing e soluções no Google Brasil e fundadora do AfroGooglers, para descobrir o que vai acontecer, considerando que está sendo criado hoje. Estudos indicam que 15% das carreiras que conhecemos podem desaparecer nos próximos 5 anos e apenas 7% serão criadas neste futuro emergente. Será que a sua profissão é uma delas? Trabalhos voltados para o desenvolvimento de capacidades, cuidado e relacionamento com outras pessoas continuarão sendo fundamentais para a sociedade, porém, as funções manuais e de fácil automatização passarão por um processo de especialização. A evolução do trabalho pode mudar o mercado que conhecemos em questão de meses, assim como a criação de serviços de streaming abalou as locadoras de filmes ao redor do mundo e os apps de caronas mudaram a forma como nos locomovemos. Quer conhecer os sinais do que está por vir e as habilidades que serão indispensáveis para o profissional do futuro? Aperte o play!

Como eu vou trabalhar no futuro?
Transcrição:

Ana Paula Xongani – Já parou para pensar como é normal estudar história, mas como é muito incomum estudarmos o futuro? Mas não seria importante buscar alternativas de explorar as possibilidades de futuro de forma mais consciente para tomarmos melhores decisões no presente? Hoje vivemos a consequência de inúmeros avanços tecnológicos e industriais que moldaram a forma como trabalhamos, e também o trabalho que temos. E tudo isso foi previsto, não pense que falar de futurismo seja um exercício de adivinhação, é algo mais parecido com a criação de um mapa, com vários cenários e rotas até o futuro. E é sobre isso que vamos falar no Trampapo de hoje. O que devemos esperar daqui 10, 20 ou 30 anos? Será real aquele clichê que os robôs vão roubar os nossos empregos? E nesse futuro, a tecnologia vai segregar ainda mais as populações mais ricas, das populações mais pobres, ou a diversidade vai ter vencido a batalha pela inclusão? Vem se preparar para o futuro com a gente.

(♫ Música ♫)

Ana Paula Xongani – Olá, gente. Esse é o Trampapo de hoje, eu sou Ana Paula, e o Trampapo que busca ser um podcast inclusivo também para as pessoas com deficiência, e por isso você pode acessar os nossos conteúdos e conferir as transcrições do programa em texto ou em Libras, no nosso site, é www.trampapo.com.br. Eu vou fazer a minha autodescrição e as nossas convidadas vão fazer também para que vocês as conheçam melhor. Como eu disse, eu sou Ana Paula Xongani, eu sou Criadora nas redes, Empresária de moda, Apresentadora e mãe. Sou uma mulher preta, de cabelos curtos, crespos e escuros, olhos escuros, hoje eu visto uma blusa laranja, eu estou gravando dentro do meu pequeno closet, por conta da pandemia. Vamos ouvir um pouco das nossas convidadas. Quem quer começar? Se apresenta um pouco, fala o que faz, e faz sua autodescrição, por favor. Quer que eu escolho? Eu vou escolher. Vanessa.

Vanessa Mathias – Oi, pessoal, meu nome é Vanessa Mathias. Eu sou uma das fundadoras da White Rabbit. A White Rabbit é uma empresa que pesquisa e estuda cenários futuros e narrativas emergentes. A gente todo dia, a gente está pensando que é que vai acontecer, e a gente ajuda pessoas e empresas se preparem, a gente não está aqui para adivinhar, a gente não está aqui para prever, a gente está aqui para explorar a quantidade de cenários que podem existir, e ajudar as pessoas a construírem esses cenários que elas desejam, para que a gente não seja empurrado para o futuro, mas sim que a gente faça uma escolha, que seja realmente consciente no que é que a gente quer construir. Tenho cabelos tingidos de ruivo, que tem uma raizinha para fazer aí, mas eu estou muito feliz, dizem que estou reluzente ultimamente, por que eu tenho uma filhinha de 10 meses, que está muito fofa ultimamente, então assim, antigamente eu pensava mais sobre a raiz do cabelo, sobre usar moletom em casa, e hoje acho que eu estou mais feliz com isso, acho que a gente está um pouco mais autentica, e bem dentro da gente mesmo.

Christiane Silva Pinto – Oi pessoal, meu nome é Christiane Silva Pinto, mas vocês podem me chamar de Chris. Eu sou Jornalista de formação, mas depois de uma experiência aí de seis anos na área de RH, hoje eu atuo na área de marketing, como gerente de marketing das soluções do Google aqui no Brasil, voltadas para pequenas e médias empresas. Cuido principalmente das estratégias voltadas para microempreendedores e pequenas empresas, o que me enche muito de satisfação e alegria, ainda mais num momento de pandemia, são das comunidades mais impactadas, as que tem o futuro mais incerto aí, quando pensam em como a situação está hoje em dia. Então me sinto muito realizada de poder trabalhar próxima a essa comunidade empreendedora. Também sou fundadora do AfroGooglers, que é um Comitê de Igualdade Racial, formado voluntariamente por funcionários negros e aliados no Google aqui no Brasil. Então, desde 2014 atuo como ativista desse lado também de inclusão racial e inclusão como um todo no mundo corporativo. E estou super feliz com o convite, super feliz de estar aqui batendo esse papo com vocês, sou uma mulher preta, de cabelos cacheados, raspado do lado, está um tamanho meio diferente.

Ana Paula Xongani – Moicano, não é? Está um moicano.

Christiane Silva Pinto – Tipo um moicano, cresceu, cresceu esse corte. Mas está aí doidão, estou com brincos verdes, uma roupa toda colorida, uma jaqueta toda colorida, para dar um ânimo aqui, nessa manhã em São Paulo. E mais uma vez super feliz de estar aqui com vocês hoje. Obrigada.

Ana Paula Xongani – Eu sei que vocês estão sentindo falta de uma voz, é do Rick. Nesse episódio ele não vai participar com a gente, mas ele está acompanhando os comentários de vocês nas nossas redes sociais. Bom, gente, eu sei que pode parecer engraçado para muitas pessoas, mas existem formas de a gente mapear o futuro. Se nos concentrarmos nos sinais, tanto nos comportamentos do passado, quanto nos avanços que estão em curso, a gente pode entender o que vai adiante, se a gente pegar aquele Sankofa, olhar os passos que foram feitos atrás, para a gente projetar o futuro, pode ser ali uma forma de a gente pensar que dá para a gente fazer esse exercício, e quem tem essa capacidade ou desenvolve essa capacidade, esse olhar para o futuro, pode ter vantagens, até por que ela pode não ser vista do que é inesperado. Quando a gente pensa no mercado de trabalho, isso não é diferente, as coisas mudam o tempo todo, a tecnologia muda as coisas o tempo todo, as relações sociais também mudam o tempo todo. Por exemplo, eu mesma, eu estudei para trabalhar na área de construção civil, quando eu comecei a estudar, eu nunca imaginei que eu seria hoje uma criadora de conteúdo nas redes. Porque era uma profissão que não existia, era uma profissão que talvez já dava ali alguns sinais, mas ela não existia de fato, por isso que esse olhar para o futuro podia me antecipar algumas tendências. Isso pode acontecer com você também. Vamos aqui a um dado. De acordo com o MEC, nos últimos 10 anos, o número de estudantes de tecnologia saltou de 140 para 719 mil pessoas. E aí eu quero começar perguntando para vocês: quais são os empregos que devem aparecer em alta, e quais são os empregos que aí na visão de vocês devem deixar de existir? Chris.

Christiane Silva Pinto – Muita boa essa pergunta, Ana, e talvez a Vanessa até traga alguns dados mais concretos. Eu acho que eu vou ficar muito mais na reflexão de para onde esse mercado está indo, porque assim como você também, eu estudei jornalismo, já passei pelo RH, hoje trabalho no marketing, a direção do mercado é muito nesse sentido, em contratar cada vez mais pelas habilidades, do que exatamente pela sua formação. Ah, você estudou contabilidade, você vai trabalhar aqui, você estudou administração, você estudou engenharia, você estudou psicologia, você estudou jornalismo, e coloca a gente nas caixinhas da profissão, e que é aquela coisa, quando a gente é adolescente, precisa decidir o que é que vai estudar, bate aquele desespero de ferrou, estou tomando a decisão que eu vou ter que carregar para o resto da minha vida. E cada vez fica mais evidente que o caminho para inovação está na direção contrária, está na direção de avaliar as habilidades de uma pessoa, para determinada função. Então um exemplo, quando eu entrei como estagiária no Google, que eu vinha do jornalismo, e achei super estranho ir para o RH, quase desisti até da oportunidade, porque eu falava ai, mas RH, nada a ver e tal, tinha super preconceito. Bom, um ano antes de mim, o estagiário que estava na mesma função, era um estudante de engenharia, eu era uma estudante de jornalismo, nós dois fizemos super bem, eu trabalho, eu gosto de acreditar que sim, porque nós dois fomos efetivados. Mas cada um com o seu conjunto de habilidades, a sua caixa de ferramenta, o seu repertório de mundo, enfim. Então eu acho que esse é um ponto importante, e outro ponto importante é que tem um dado, se não me engano saiu há dois, três anos atrás, pode até ser que esse número tenha mudado, esse dado fala que duas em cada três crianças hoje no ensino fundamental, vão trabalhar em funções que não existem ainda.

Ana Paula Xongani – Uau.

Christiane Silva Pinto – Então assim, você mesma como é comunicadora na sua essência, mas você é uma influenciadora também, você trabalha com plataformas que há 10, 15 anos atrás, não existiam, não tinha, como alguém se preparar.

Ana Paula Xongani – Não tinha matéria na faculdade, né?

Christiane Silva Pinto – Não tinha matéria na faculdade, não tinha como você pensar: o que é que eu vou ser quando eu crescer? Ah, eu quero trabalhar com isso, a plataforma não tinha como você fazer um curso para aprender a mexer no Instagram, por exemplo, ou a gente está aqui no podcast, também, como é que a gente vai se preparar, não existiam plataformas, não existiam essas coisas. E Vanessa você me corrige se eu tiver falado alguma besteira.

Vanessa Mathias – Não, nem corrijo, eu simplesmente concordo com tudo que ela falou. Então a primeira coisa é que a gente não faz previsão, a gente ajuda as pessoas nessa construção. Então eu não posso dizer quais são os empregos que vão desaparecer. Mas obviamente a gente tem muitos sinais no presente que indicam quais são as prováveis, os prováveis trabalhos futuros. Então a primeira coisa que eu acho que é importante a gente falar é sobre automação, obviamente trabalhos que são super automatizáveis, são manuais por essência, tem mais chance de desaparecer com os avanços em robótica, ou melhor, as carreiras que trabalham com isso tem chance de evoluírem, e elas precisam ter habilidades para trabalhar junto com essas máquinas, ou seja, para que os trabalhos delas sejam aumentados, no sentido de realidade aumentada, no sentido de você trabalhar junto com essas máquinas. Por exemplo, trabalhos que são super arriscados hoje, então você tem pessoas fazendo trabalhos dentro de fábricas, ou desde pintar uma janela no último andar, que são trabalhos que precisam sim ser substituídos por máquinas, que são trabalhos extremamente arriscados, mas essa pessoa precisa ganhar novas habilidades, que é como elas conseguem trabalhar junto com essas máquinas. A outra coisa que eu acho que muitas pessoas perguntam e: vai ter mais trabalho desaparecendo ou mais trabalhos aparecendo.

Ana Paula Xongani – Boa pergunta.

Vanessa Mathias – Essa é a primeira coisa.

Ana Paula Xongani – Diga para a gente.

Vanessa Mathias – Então, assim, isso é uma das coisas que mais são discutidas entre os futuristas, a gente sabe que a tecnologia ela sim, gera muitos empregos, mas geram empregos muito distintos. Mas eu acho importante a gente discutir uma coisa séria, que é os próximos cinco anos. A questão da pandemia, ela realmente vai trazer discussões na forma que a gente trabalha, ela veio para acelerar muitos movimentos, inclusive o Fórum Econômico Mundial, saiu um report falando agora sobre 2025, e que nos próximos quatro anos, ou seja, nesses próximos, nesse futuro emergente, até 2025, a gente sente que sim, eles até têm uma previsão que a gente tem em torno de 15% de carreiras desaparecendo e outros 7 a 8% de carreira sendo criada. Ou seja, num futuro emergente, ou seja, num futuro a curto prazo, a gente vai ver sim uma crise de trabalho. E eu acho importante a gente falar sobre isso, porque não é importante a gente só ter uma perspectiva super otimista, a gente precisa saber o que está acontecendo, e que as pessoas que estão procurando emprego, elas também entendam que é uma crise sistêmica e que não é um problema especificamente dela. E daí a gente fala assim: como que a gente pensa sobre os nossos próprios trabalhos, de uma forma a eles se encaixarem dentro dessas habilidades do futuro. Então tem os três T que eu gosto muito de comentar sempre, que são trabalhos que não são substituíveis por máquinas, e trabalhos que em todas as carreiras, devem crescer. Então eles giram em torno do coach, ou seja, ajudar as outras pessoas a serem melhores, ou você treinar esse exercício.

Ana Paula Xongani – Desenvolvimento pessoal.

Vanessa Mathias – Isso, de uma visão, de dar feedback para o time, de você ajudar outras pessoas a serem melhores. Por exemplo, professores, a gente não precisa só ir, por exemplo, coaching é um trabalho de professor. Uma outra coisa, todas as habilidades que tenham a ver com cuidado. De você ajudar a melhorar a saúde, de você ajudar a melhorar o bem-estar das pessoas, ou mesmo bem-estar do seu time, de você ser um gestor que presta atenção nisso. E a outra coisa são habilidades que trabalham com a conexão, ou seja, de unir pessoas, processos, diminuir as fronteiras ou de você conectar duas coisas. E por último, mas não menos importante, eu acho que são todos os trabalhos relacionados a sustentabilidade, a ESG que é uma sigla, que tem a dizer sobre o meio ambiente, sobre governança das empresas. Porque esse, claramente, esse é um assunto que vai crescer muito nos próximos 10 anos, até pela emergência que a gente vive, no sentido de esgotamento de recursos. Então as pessoas que vêm trabalhar com isso e pode ser desde uma pessoa que começa a vibrar com reciclagem lá na ponta, até uma pessoa que está implementando processos de ESG dentro de uma organização global, esses trabalhos devem acrescer, porque eles estão crescendo dentro das organizações. Então as pessoas que têm esse tipo de conhecimento, habilidades ou desenvolvem isso, também tende, aí é uma carreira que tende a ser solicitada cada vez mais.

Ana Paula Xongani – Maravilhoso, olha, já fizemos aqui um bom exercício de futurologia, hein, adorei. E você falou muito sobre as pessoas, eu quero relembrar uma frase de Barack Obama, que ele diz assim: “As máquinas vão fazer os trabalhos repetitivos, mas só as pessoas podem pensar e inspirar.” E por isso temos que motivar os jovens a serem criativos, e os países que melhor fizer isso, vão ser mais bem sucedidos, ou seja, Brasil, vamos incentivar os jovens a ser criativo. E é bem isso, muito além de a gente estudar uma super tendência do mercado, é importante já deixar muito acesa essa luz desses desenvolvimentos de habilidades comportamentais, a chamada soft skill. Para que as pessoas sejam aderentes a esse mercado de trabalho, tem que ter esse potencial criativo, tem que desenvolver esse potencial inovador, tem que ser autodidata, tem que buscar essas novas referências, seja curadoria de informação, um coach que vai te orientar nessas carreiras, isso tem que estar cada vez mais próximo da gente. Essas habilidades já são requeridas atualmente, mas é possível que essas competências sejam um grande diferencial, principalmente no futuro, seja algo importante para você lá na frente. Então já começa a desenvolver desde agora. Por isso eu pergunto para vocês: quais habilidades vocês acham que nós temos que desenvolver para que esses profissionais estejam atentos a essas novas tendências e essas novas exigências do mercado de trabalho nessa área de desenvolvimento, de habilidades comportamentais e desenvolvimento pessoal.

Christiane Silva Pinto – Bom, acho que tanto a Vanessa já trouxe, como na frase que você trouxe também do Barack Obama, fica evidente que o fator que continua na equação, é o fator humano. Porém, com novas habilidades sendo exigidas. Então pesquisas, tem pesquisa do The Economy, tem pesquisas de vários meios, consultorias, enfim, se procurar as habilidades mais exigidas do mercado aí, joga no Google que vocês vão encontrar. Mas trazendo as mais importantes, a gente com certeza fica como solução de problemas, trabalho em grupo, comunicação, e tem algumas outras, mas eu acho importante primeiro a gente parar e frisar essas, porque assim, solução de problemas, trabalho em grupo, comunicação, pensa na vida que a gente está tendo hoje, olha só todos os desafios, não tem como a gente estar aqui falando sobre mercado, falando sobre trabalho e não falar do momento atual, que é a pandemia que está gerando um nível de desemprego altíssimo, e está fechando sim negócios, está fazendo com que pessoas percam o emprego, estejam precisando se reinventar, mas ao mesmo tempo é difícil se reinventar no meio de uma crise. Mas o pensamento é voltado para solução de problemas, é algo que vai ser muito esperado, e que já é muito esperado nas empresas, justamente por que os problemas a gente não consegue mais prever o que é que vem por aí, a gente não prevê quais são as novas tendências do mercado, a gente não prevê quais são as novas tecnologias, é claro, sim, a gente tem estudos que apontam para uma direção ou outra, mas amanhã, pode surgir um unicórnio, uma startup nova, que vai lançar algo que a gente nem imagina, e de repente vai mudar o trabalho como a gente conhece hoje.

Ana Paula Xongani – Como o Uber, né?

Christiane Silva Pinto – Exatamente, exatamente.

Ana Paula Xongani – Como que era a vida sem isso?

Christiane Silva Pinto – Exatamente, e pensa em situações que ameaçaram outras profissões. Então, por exemplo, você trouxe o Uber, no começo foi aquele drama, né, gente, vamos lá, vamos, quem passou por ele, lembra. Então era das brigas de taxistas versus úberes, e não sei o que.

Ana Paula Xongani – Não podia parar aqui, não podia parar ali.

Christiane Silva Pinto – Não podia parar aqui e tal. Hoje, o que aconteceu? Cada vez mais organização dessa profissão, a gente vê pessoas que começaram a alugar carros para ser Uber, então ao invés de ter uma frota de táxi, a pessoa tem uma frota de Uber. O Airbnb, ai meu Deus, surgiu Airbnb, e agora, e as pousadas e o hotel, está roubando. Não, surgem novas profissões, agora tem gente que é fotógrafo de Airbnb para poder colocar o seu anúncio, mais relevante, mais chamativo, tudo mais. Então o jornalismo, gente, eu era jornalista na época que toda semana eu passava lá na redação, ah, demitiram 100, demitiram 200, você chegava na redação de manhã, tinha uma fila de pessoas chorando embaixo, a caminho do RH, talvez por isso que eu tinha esse trauma com RH, a caminho do RH com a carta de demissão na mão. E todo mundo: aí, o que vai acontecer com o jornalismo, porque agora as redes sociais, os sites, e tudo. Gente, quem passou pelas maiores crises foram as empresas que ficaram agarradas no modo antigo de se fazer. Então enquanto os portais, por exemplo, onde as notícias cresciam, tinham redações que estavam ali focadas em fazer o impresso, em salvar o impresso, e todas as decisões estratégicas eram voltadas para salvar o impresso enquanto o site estava lá: ai, me dá uma atenção aqui, não, a gente tem que salvar o impresso. Então a mesma coisa acontece com a gente, pessoalmente, esse olhar para a solução de problemas, tem a ver com isso, tem a ver com não se apegar às vezes a uma realidade que a gente já conhece, e sim olhar para os novos desafios com essa cabeça de como a gente pode solucionar isso, o que pode ser melhor.

Vanessa Mathias – A gente vai precisar se manter nesse estado beta, de constante mudança. Lembra que antigamente a gente tinha software que a gente falava: esse aqui é a versão beta para depois lançar.

Ana Paula Xongani – É a gente, nossa geração é uma geração beta.

Vanessa Mathias – É, mas a gente fala assim, olha, agora a gente aqui é a versão beta do aplicativo, e depois vai lançar de verdade. Hoje não existe isso, que todos os aplicativos são atualizados, a gente está sempre sendo atualizado, pega qualquer aplicativo, vai lá e fala assim, precisa atualizar. É meio a gente, a gente não tem mais aquele negócio, porque antigamente a gente ia para a escola, que ficava pronto, daí a gente tinha a versão beta, e daí a gente está pronto. E agora não é mais assim. Então acho que a primeira coisa que a gente precisa entender, todo mundo vai ter que aprender. E está ótimo, porque gente, aprender é uma coisa incrível de fazer, todo mundo gosta de aprender. Por mais que assim, não gosto de ir para a escola, porque escola realmente é um mecanismo horrível, que mata a criatividade, super, do jeito que ela é feita hoje, né. Mas aprender, é uma coisa que as pessoas gostam, a gente gosta de fazer. Agora uma coisa que a gente não gosta de fazer é desaprender, ninguém gosta de desaprender, você chegar e falar assim: ah, aqui na minha empresa, a gente não gosta, a gente não faz as coisas dessa forma mais. Aí você fala: ah não, sério que vou ter que de aprender uma coisa que eu já aprendi? Porque a gente não é condicionado para isso. Então essa ideia de que a gente tem que aprender, desaprender, que muitas pessoas andam falando, eu acho que tem essas novas camadas para a gente pensar o que é necessário a gente fazer para a gente ter essa habilidade de desaprender? E essa ideia de que a gente precisa, para a gente desaprender, a gente precisa desapegar, desapegar de a gente fazer as coisas do jeito que a gente faz, não é simplesmente aprender, é a gente falar: está bom, então vamos testar, fazer coisas diferentes e a gente não é programado biologicamente para fazer isso.

Ana Paula Xongani – Olha, eu estou pensando um monte de coisa assim, eu acho que eu disse já hoje, eu sou muito apaixonada por pensar o futuro, até por que até falo que é muito novo, eu acho que esse exercício de a gente poder pensar o futuro, pode ser novo para muita gente, inclusive para quem está nos ouvindo. E aí eu estou aqui ouvinte de vocês também, e pensando está ok, eu preciso desenvolver as minhas habilidades. Eu vou jogar no Google e não tem lá: faculdade de desenvolvimento das minhas habilidades. Eu vou precisar procurar caminhos, formas de desenvolver essas habilidades, e eu não faço a mínima ideia de como começar. E eu quero trazer essa pergunta para vocês. Entendi, entendi esse futuro aí que vocês estão propondo para mim, o que eu faço agora? O que vocês indicariam? Eu sei que não tem uma resposta única, e nenhuma resposta completa, mas um primeiro passo, acho que a gente pode dar, né?

Vanessa Mathias – Eu acho que a gente tem uma visão muito condicionada sobre o que é aprender. Quando a gente fala aprender, a primeira coisa que as pessoas pensam assim, gente, que curso que eu vou fazer?

Ana Paula Xongani – Faculdade, que faculdade.

Vanessa Mathias – Que curso, meu Deus, que curso que eu vou fazer para me atualizar? E essa ideia que as pessoas estão chamando de lifelong learning, que é aprendizado por toda vida, e um aprendizado mais transversal, o que é que isso significa? Significa que a gente aprende em todos os nossos contextos.

Ana Paula Xongani – Exatamente.

Vanessa Mathias – Inclusive uma criança, quando a gente fala: ah, ele está aprendendo na escola, não, ela aprende muito mais em casa do que ela aprende na escola. Ela aprende muito mais sobre o que o avô dela vai ensinar, sobre a sociedade que ela está inserida, e por isso que a gente vê essa disparidade, inclusive de justiça, por que as pessoas saem de patamares extremamente diferentes, que ela está aprendendo em todo esse contexto. Então eu acho que é meio pensar, você é um pensamento que é para frente, mas é um pensamento que é muito para dentro. A gente sempre fala sobre isso, que nas verdades do futuro, quando a gente pensa sobre futuro, a gente sempre tem que mergulhar para frente, para entender o cenário, o contexto, o que está acontecendo ao redor, mas a gente precisa mergulhar para dentro.

Ana Paula Xongani – Maravilhoso. E Chris, fala um pouco sobre você também, você é uma dessas profissionais hoje que a gente tem hoje no Brasil, aqui em São Paulo, com muitas competências e habilidades envolvidas, né, reconhecidas no mercado, tanto para as pessoas, para os seus pares profissionais, quanto para as pessoas que te observam à distância. Então conta aí seu plim-plim-plim, seu segredinho, como você acha que você desenvolveu e vem desenvolvendo, que eu imagino que nunca acabe, essas competências.

Christiane Silva Pinto – Ótima pergunta. Tem que olhar, vou olhar para dentro agora, como a Vanessa sugeriu. Olha, eu acho que algo que sempre foi muito latente em mim, foram interesses múltiplos. Assim, então desde criança, sei lá, na escola, não tinha aquela coisa, como a gente é condicionado, igual a Vanessa falou, às vezes a escola na forma como a gente conhece hoje, mata sua criatividade. É aquela coisa, se você é bom em português, você não pode ser bom em matemática. Se você gosta de história, você não pode ser bom também em ciências. Então acho que a gente tem que desconstruir algumas crenças limitantes, mesmo, como essa, sabe, ah, não é por que você não é bom com números, de repente, que tem muita gente que fala assim: ai, eu sou péssimo com números, já fico nervosa. Que você não tenha um olhar analítico, ou um olhar de solução de problemas, uma coisa não está ligada a outra. Então eu acho que nutrir essa coisa que eu sempre tive de me interessar por vários temas, é algo que hoje quando eu olho para trás, foi importante desenvolver habilidades diferentes. Pouca gente sabe, por exemplo, que eu já fiz técnico em eletrônica, eu queria ser engenheira, a minha vida inteira eu queria ser engenheira, antes de prestar jornalismo, e aí depois eu acabei mudando, mas antes disso, eu já tinha estudado eletrônica, já tinha super mergulhado na área, sabe, você não perde esses conhecimentos também, você leva com você, apesar de eu não ficar aqui hoje, todos os dias montando um circuito, com certeza chover ou que seja, ainda assim, são as habilidades que eu levo. E vira e mexe, às vezes numa conversa eu falo: você sabe que no técnico de eletrônica eu tinha aprendido tal coisa, às vezes até hoje vem. Então acho que esse se abrir, se abrir para surpresas, também é bem importante, comentei aqui mais cedo que eu quase desisti da posição no Google, hoje entrar no Google como estagiária por que era na área de RH. E eu tinha um entendimento sobre o que era a área de RH que eu achava super careta, super quadrado, eu falava assim: eu hein, imagina, não tem nada a ver comigo. Então quase desisti, aí depois eu pensei bem, ah, é o Google, é uma experiência de só seis meses, que é o estágio, depois se eu não gostar, vai ser bom para o meu currículo, ou posso mudar de área lá mesmo, então vamos lá, vamos nessa, e qual foi a minha surpresa, quando eu entrei, eu me apaixonei pela profissão, e eu fiquei seis anos na área, justamente por que eu percebi quando eu entrei no Google, uma empresa com essa dimensão, eu comecei a ter acesso a treinamentos, viagens, pessoas com experiências incríveis, e cada troca, viver nesse ambiente, estar ali aprendendo o tempo inteiro, justamente como a Vanessa falou, a gente aprende a cada interação, a cada conversa, pegando café, então assim, quando eu entrei nessa posição, e aí vivendo isso, aprendendo tanto, eu vi como a minha vida estava mudando, a partir de eu ter sido contratada. E eu vi como no RH eu também ia ter o poder de transformação na vida de outras pessoas, e isso foi algo que me apaixonou, assim, que fez eu me apaixonar, e aí com o tempo, quando eu já não estava mais feliz nesse momento na minha carreira, ali naquela área, justamente por que eu já não estava aprendendo tanto, se você acha que aprender é chato, que nem já apareceu aqui na conversa, chato não é aprender, para a pensar quando você está numa situação, de já há muito tempo sem aprender, sentindo que você não está aprendendo coisas novas, que você não está crescendo. Aí sim você percebe o valor como isso vai tirando a sua alegria de viver, até quando você não está aprendendo coisas novas, quando você sente que você não está se expandindo assim. Então em algum momento, putz, comecei a ficar frustrada, e aí eu olhava para todas as áreas lá, eu não tinha interesse de sair da empresa ainda, e ficava olhando, pensando putz, eu não vejo uma área aqui para mim, pô, as soluções são vendas, é uma opção muito técnica e tal. Descobri no marketing que é onde eu estou hoje, um lugar onde eu posso aplicar muito das habilidades que eu construí ao longo do tempo, as habilidades de relacionamento do RH, o entendimento, a empatia pelo outro, eu trago a comunicação do jornalismo, que nem você também aplica todos os dias, a comunicação do seu trabalho. Então a gente se abrir para essas surpresas, expandir a mente, às vezes se abrir para o uma oportunidade, que não exatamente se encaixa no que a gente desenhou para nossa carreira, eu sinto que para mim, foi muito importante. Então se abrir para essas surpresas, se abrir para interesses diferentes, que às vezes na cabeça das outras pessoas não tem nada a ver.

Ana Paula Xongani – É muito interessante. Hoje pela manhã, eu estava conversando com meu companheiro, que a maioria dos profissionais que a gente admira, teve essa trajetória como eu, como a Chris, talvez a Vanessa, de mudar de área no meio do caminho, porque estavam muito atentos ao futuro, e muito atento às oportunidades que vieram. Então acho que como a gente está falando sobre vários desenvolvimentos de competência para o futuro aqui, talvez um desenvolvimento de competência seja também estar sempre atento, disponível a mudança, ao desaprender que Vanessa falou, contar boas histórias que a Chris falou. Aqui tem muitas dicas para o futuro. E agora eu quero ajuda de vocês, e a contribuição, para a gente refletir no futuro, e nas novas relações de trabalho, as novas relações trabalhistas também. A digitalização dos processos das empresas, fizeram um monte de transformações e de mudanças nas formas que a gente trabalha nas últimas décadas. Para muitos jovens, por exemplo, é difícil imaginar uma sala cheia de computadores, cheia de papéis, arquivos, aqueles armários, para arquivar, pastas e pastas, com etiquetas, pois é, isso tudo já mudou muito. Mas como tudo, tem dois lados. A tecnologia encurtou distância em trabalhadores, produtos e consumidores, e como não poderia ser diferente, mudou o jeito de a gente fazer as nossas tarefas profissionais. No caso, o home office, por exemplo, muitas pessoas passaram a ter oportunidade de trabalhar, para algumas pessoas, isso gerou qualidade de vida, para algumas empresas, isso gerou até diversidade, por que pode contratar gente de norte a sul do país, até gente que está em outros países. Mas essas facilidades também favorecem o crescimento do trabalho informal, cada vez mais trabalhadores passam a ganhar o seu sustento, fazendo entregas de delivery, sendo motoristas de aplicativos, vendendo seus próprios produtos e serviços, fazendo freelancer. Vou trazer um dado aqui, antes mesmo da pandemia, o trabalho informal, ele já vinha crescendo, mas em 2019, mais de 40% dos trabalhadores do país, já estavam nesse modelo. E com tantas perdas de emprego, com carteira assinada na pandemia, esse número só cresce. Por isso eu pergunto para vocês, como vocês percebem tudo isso, existe uma tendência dessa flexibilização do mercado de trabalho no futuro? Isso pode se aprofundar, e a necessidade de um apoio mínimo para esses trabalhos informais ser ainda maior e urgente? E esse tal de home office, que hoje, por exemplo, estamos todos aqui em home office, vai continuar no futuro? E se vai, vai ser um privilégio ou será que a gente tem perspectiva para ser mais abrangente para atingir mais pessoas? Quem quer começar? Eu sei que são muitas perguntas.

Vanessa Mathias – Você falou um pouquinho sobre trabalho remoto, e eu acho que trabalho remoto é uma das poucas coisas que a gente pode dizer, que realmente veio para ficar, e não é que veio para ficar para todas as empresas, em todas as profissões como a gente está agora, mas que teve um processo de aceleração muito contundente, e que esse processo de aceleração não volta atrás. Então 74% dos profissionais hoje dizem que eles poderiam trabalhar em qualquer lugar, por exemplo. A gente crê que até 2030 essa demanda deve aumentar em mais de 30% com a chegada dessa geração z. E a gente viu que as empresas entenderam que a flexibilidade aumentou a produtividade, é por isso que não deve voltar atrás, porque as empresas entenderam que elas têm uma redução de custo e aumento de produtividade, e quando eles tendem a entender isso, isso não volta atrás. Claro que a gente deve ver uma reconfiguração, porque não é todo mundo, acho que essa é a primeira coisa, eu acho que tem uma série de, quando a gente fala de todos os setores, de entretenimento, setor de eventos, as pessoas vão continuar fazendo teatro on-line? Não, provavelmente não, tem um monte de coisas, ginástica, um pouco, talvez algumas pessoas continuem, mas a maioria, não. Então eu acho que é um pouco assim, não é para todo mundo? Não, mas é para muitos trabalhos, sim, principalmente trabalhos administrativos. Hoje a gente vê que, eu não lembro exatamente, mas em torno de metade, mais ou menos metade das profissões hoje consegue ser feitas de uma forma remota, relativamente tranquila. Mas obviamente que aí a gente tem uma série de outras coisas que a gente vai pegar, vai precisar aprender a lidar, qual o momento certo, Burnout, estados psicoemocionais do trabalho. Impacto na comunicação, porque a gente ainda não conseguiu trabalhar de uma forma extremamente fluida nesse sentido. E daí eu deixei por último, não por menos, não por não à toa, porque eu acho que é um dos mais interessantes que você comentou, que é sobre a informalização. A informalização, eu vou dizer que assim, está todo mundo falado agora sobre big economy, ou economia dos freelancers. Inclusive fora do Brasil e tal. Mas o Brasil sempre foi um país informal, metade das pessoas que trabalham no Brasil, são 40% eu acho, dos trabalhadores no Brasil, são trabalhadores informais. Mas claro que quando a gente fala sobre isso, é muito legal, você tem muitos clientes, que a economia está bombando, e que está todo mundo automatizado, mas você tem uma segurança muito clara. Mas não é a realidade da maior parte das pessoas, e daí a gente vê que tem países tão desiguais quanto o Brasil, isso é super...

Ana Paula Xongani – Problemático.

Vanessa Mathias – Impactante, principalmente a curto prazo. Então a gente viu movimentos ano passado, tipo o breque dos apps, repensando o modelo de trabalho dos entregadores. E a gente não tem, e aqui eu não vim falar sobre uma solução, porque a gente não tem uma solução hoje sobre esse problema, porque a legislação ela normalmente ela é super lenta, e ela não consegue acompanhar a aceleração exponencial da tecnologia e dos unicórnios.

Ana Paula Xongani – Tocou aqui muito importante, que a inovação está sendo desenvolvida a todo momento, o futuro já está rolando, o futuro já está em produção, o futuro se constrói no presente. Mas a tecnologia que já existe, muitas vezes ela é distribuída de forma desigual. E a gente precisa falar sobre isso. O avanço tecnológico criou uma segregação ainda maior entre aqueles que têm dinheiro, e aqueles que têm muito pouco ou nada. Isso se reflete num prejuízo intelectual, que também segrega as pessoas no mercado de trabalho. As pessoas que não têm familiaridade com as tecnologias e que não tiveram facilidade para acessar o conhecimento, automaticamente são designadas aos empregos menos qualificados, com menos remuneração, e prejudicados, inclusive, no mercado de trabalho. Segundo o IBGE, divulgou uma pesquisa em 2020, que diz que 25%, ou seja, um a cada quatro brasileiros, ainda não tem acesso à internet, se a gente faz ali um cruzamento ainda com classe, raça e gênero, esses números ficam ainda mais absurdos. Aí vocês parem para imaginar, num mundo que está cada vez mais tecnológico, com a gente que teve esse atravessamento da pandemia, que teve que trazer a tecnologia mais perto de muitas pessoas, como que faz com essas 25% das pessoas que não tem acesso a tudo isso? Por isso eu pergunto para vocês, como podemos agir para moldar um futuro com mais equidade, um futuro que pensa também na falta de acesso à tecnologia de alguns grupos. E nesse futuro ainda será necessário estimular a diversidade nas empresas, ou teremos finalmente um mercado de trabalho que a gente tanto sonha?

Christiane Silva Pinto – Tem a frase de um ativista que eu gosto muito, que é o Diogo Stam, acho que falei certo o nome dele, mas não sei. Que ele fala assim: se você não estiver intencionalmente, deliberadamente incluindo, você vai estar não intencionalmente excluindo. Então sempre que a gente não estiver ativamente, proativamente fazendo um esforço pela inclusão, a gente vai estar excluindo, mesmo sem querer. E nesse caso, essa explosão vem por, às vezes nem assumir que tem pessoas hoje no nosso Brasil que não tem acesso à internet, a gente está vendo o problema das crianças nas escolas, a evasão escolar está mais alta que nunca. O buraco da desigualdade, ele está só aumentando durante a pandemia, e muito tem a ver com a falta de acesso à tecnologia também, porque isso faz com que muitas crianças, adolescentes, não estejam podendo acompanhar aulas. Gente, isso vai deixar um rombo na evolução aí, no desenvolvimento do nosso país, e da carreira e de tudo, nessa geração, que eu acho que a gente não está, não tem nem como medir hoje o impacto negativo, disso que está acontecendo. A gente precisa se educar em relação as desigualdades, se educar em relação aos privilégios, e estou falando isso porque realmente não tenho a resposta de como resolver a questão da desigualdade de acesso à tecnologia. E construir formas menos excludentes de avaliação, menos excludentes de interação, de integração.

Ana Paula Xongani – Bom, vamos para o nosso quadro Dica Extracurricular. Aqui eu convido vocês a darem uma dica para quem quer continuar pensando o futuro, com a dica de vocês, pode ser uma palestra disponível na internet, um filme, uma série, um vídeo, um podcast, uma dica de leitura, o que vocês quiserem, para quem quiser continuar emergindo nesse papo. Pode ser para desenvolver habilidades, que a gente falou aqui, pode ser para pensar um futuro mais justo, o que vocês quiserem. Quem quer começar?

Vanessa Mathias – Eu vou falar uma coisa que não é super obscura, pelo contrário. Eu vou dar uma dica do TED talk mais assistido no mundo. Ou seja, ele é até conhecido, não, mas é muito legal, porque a gente falou sobre isso, a gente falou sobre isso um pouquinho mais cedo, que é do Ken Robinson que fala sobre a escola, as escolas marcam a criatividade. E é rapidinho, gente, é 20 minutos, está disponível em todas as línguas, ele é um TED, e ele fala especificamente sobre essa ideia, quando a gente estava falando sobre a ideia de a gente aprender, de como a gente foi condicionado a aprender a ir pela média, a gente inclusive tinha média ali. Em vez de a gente ajudar as pessoas entenderem quais são as habilidades delas, e como que elas conseguiriam desenvolver. Então quando a gente está falando que é tão importante a gente ter nossas habilidades, para a gente criar as profissões que a gente quer no futuro, a gente voltar a entender, e a descondicionar o que a gente entendeu por aprendizagem, é superimportante. Então acho que todo mundo devia ver, recomendo fortemente.

Ana Paula Xongani – Chris, suas dicas de hoje.

Christiane Silva Pinto – Muito bom. Bom, primeiro eu vou puxar um pouco de sardinha aqui para o lado do meu trabalho, porque acho que uma coisa que foi uma vantagem para quem tem esse acesso, é que muitos conteúdos que antes ficavam condicionados a um espaço presencial, às vezes só São Paulo, só aquela lista de convidados, hoje passaram para a internet, eu sei que a gente está vivendo um pouco já uma fadiga do tempo de tela, mas ao mesmo tempo é a nossa forma de se conectar com o mundo hoje, para quem está, tem a oportunidade de estar isolado em casa. Então vamos também aproveitar o que tem do lado bom. Então uma das coisas boas é isso, tem muito conteúdo que está mais acessível, conteúdos de qualidade que está mais acessível, porque agora está sendo feito on-line e não presencialmente. Com isso estão cursos gratuitos, então procurem, gente, eu falei que era sardinha para o meu lado, justamente porque eu lá no Google, a gente tem feito muitos treinamentos, mentorias, são voltados para a carreira, são voltados para quem tem um negócio, para profissionais informais, autônomos. Então para o que você for, independente de qual seja o seu momento de carreira ou do seu negócio, tem conteúdo on-line de qualidade e gratuito. Então procurem, porque se você tem acesso à internet, não fica só usando seu tempo para besteira, e usa para coisas que vão te acrescentar também. Então essa é a primeira dica, e a segunda dica, é você trouxe no começo, o Sankofa, não é Xongani, de olhar, resgatar o passado para construir um futuro. E tem um intelectual brasileiro negro que me inspira muito, que é muito pouco conhecido, menos que ele deveria, ele foi muito pouco reconhecido academicamente também, por preconceito dos acadêmicos, por ele não ter uma trajetória como a dos outros, que é o Clovis Moura. Porque ele traz, ele fala do Brasil, está saindo do período escravocrata, e como a gente se democratizou, como foi o processo, tanto político, quanto econômico. Explica muita coisa, obviamente, sobre o nosso momento atual, e que a gente precisa refletir para construir esse futuro. Então vamos conhecer o passado, vamos conhecer o passado pela perspectiva de um homem negro, e realmente tem me inspirado muito, aprender mais sobre Clovis Moura, um grande intelectual nosso.

Ana Paula Xongani – Muito obrigada. Bom, já que estamos nesse momento de puxar sardinha, também vou puxar. Hoje eu vou indicar três episódios que têm tudo a ver com a conversa que a gente teve hoje, três episódios aqui do Trampapo. O primeiro é o 13º episódio, Efeitos da Pandemia, Um Novo Normal no Mercado de Trabalho, que traz muitos insights, sobre como fazer essa gestão de tempo, essa gestão de carreira, pensando nesse trabalho à distância. Tem muitos insights bacanas, tanto para você que é, que trabalha em alguma empresa, quanto para você que é líder, ou para você que é gestor de alguma empresa. O segundo é o 24º episódio que chama como ser uma profissional de alta performance, nesse episódio a gente também fala muito sobre essas habilidades a serem desenvolvidas, para que você tenha alta performance na sua carreira, independente se você é empresário, empreendedor, estagiário, alta performance, pode ser em qualquer etapa da sua vida. E minha última indicação de hoje é o 25º episódio, que é o Afrofuturismo e o Antirracismo no Mercado de Trabalho. Se a gente está pensando no futuro, eu como uma mulher preta, eu desejo que esse futuro seja afrofuturista, também seja preta, também tenha as pessoas incluídas nessa ideia de um futuro, principalmente, quando a gente pensa num futuro próspero. Quero muito agradecer a participação, os insights, os ensinamentos, os aprenderes, e os desaprenderes de vocês aqui nesse episódio. A gente falou sobre futuro, algumas coisas positivas, outras não tão positivas assim, mas o mais importante que a gente quis trazer para vocês que estão nos ouvindo, ideias, ferramentas para que você também pense no seu futuro, e que também seja próspero como eu disse aqui anteriormente. Muito obrigada, Chris, muito obrigada, Vanessa. Digam um tchau, mas não só, como a gente continua encontrando vocês por aí.

Vanessa Mathias – Gente, é um prazer estar aqui com vocês, Chris quero conversar mais com você, Xongani eu quero conhecer muito mais sobre o que você faz aí, fiquei muito curiosa. E eu queria falar para vocês acessarem nosso Insta, que é White Rabbit, então acesse a gente, que a gente fala muitas coisas por lá, sobre os mesmos tópicos que a gente colocou aqui. E também se vocês quiserem falar mais, perguntar alguma coisa, fique à vontade para mandarem uma mensagem direta, que a gente responde.

Christiane Silva Pinto – Ah, eu que agradeço o convite, esse papo incrível, é sempre bom poder trocar ideias com vocês. Eu estou, aprendi muito também nesse papo, então mais uma vez, obrigada, obrigada Vanessa, obrigada equipe que está aí, obrigada Xongani, com essa mediação genial, carinhosa, acolhedora, além de cheia de informações inteligentíssimas. E pessoal, vocês me encontram no LinkedIn como Christiane Silva Pinto, com ch, e também no Instagram como Choco Chris, também com h aí no Chris, e bom, vejo vocês lá para a gente continuar trocando essa ideia. Foi um prazer.

Ana Paula Xongani – Lembrando que todas as informações, links, estão facilitados no nosso site www.trampapo.com.br. E agora eu espero vocês também lá no nosso Instagram, @trampapo.podcast. Eu adorei esse episódio, mas a gente se vê no próximo. Um beijo e tchau.

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