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PcD e o Mito da incapacidade
#27

PcD e o Mito da incapacidade

DIVERSIDADEConvidados:

Beto Maia - Desenvolvedor, Paratleta e Criador de conteúdo

Tatiana Hennemann - Gerente de Supply Chain na Natura

Sobre:

O que define capacidade no mercado de trabalho? Para muitos, a única resposta deveria ser o currículo, mas não podemos deixar de lembrar que o preconceito ainda limita o desenvolvimento da sociedade. É fácil perceber que as pessoas com deficiência estão sendo deixadas de lado quando elas não conseguem acessar fisicamente certos espaços e também quando notamos que não as temos em nosso entorno nas empresas e círculos sociais, mas precisamos também treinar o olhar para perceber que as pessoas com deficiência não são incapazes. A capacidade de um profissional não pode ser atrelada a uma deficiência ou a um corpo que é considerado “normal”. Pessoas são pessoas e cada uma tem alguma dificuldade, mas para que todos tenham o mesmo desempenho, é preciso que as condições e oportunidades sejam as mesmas para todos. Por isso, neste episódio, Ana Paula Xongani convida Tatiana Hennemann, gerente de Supply Chain na Natura, uma empresa exemplar no quesito inclusão, e Beto Maia, que é desenvolvedor, paratleta e criador de conteúdo, que comenta suas experiências e seus empregos sendo uma pessoa com deficiência. Quer fazer parte desta conversa que abre oportunidades de inclusão e respeito? Aperte o play!

PcD e o Mito da incapacidade
Transcrição:

Ana Paula Xongani – Capacidade. Quando pensamos nessa palavra, a conexão imediata que fazemos é com o poder de produção ou entrega de alguém. Mas, na prática, quando imaginamos alguém plenamente capaz de conquistar objetivos, ser referência no mercado de trabalho ou estar em destaque frente a qualquer situação, tendemos a imaginar alguém “dentro dos padrões”. Dificilmente a imagem de alguém com deficiência vai representar tudo isso. Mas você já se perguntou o por quê? Talvez você nunca tenha se perguntado o porquê, afinal, desde sempre você simplesmente sabia que as coisas eram assim. Ou, talvez, você tenha se questionado. Talvez você seja uma dessas pessoas com deficiência que quer entender porque outras pessoas como você não são imaginadas nessas posições e realmente não alcançam essas posições. E é sobre isso o Trampapo de hoje. Vamos ter uma conversa sobre como podemos romper com os preconceitos que cercam as pessoas com deficiência, que as deixam de fora das empresas e das comunidades. Vamos criar novas noções do que é ser capaz, tanto no mercado de trabalho quanto na vida.

(Música)

Ana Paula Xongani – Olá, eu sou a Ana Paula Xongani, sou criadora nas redes, empresária de moda, apresentadora e mãe. E você sabe que o Trampapo busca em todos os episódios ser acessível. Então, para quem precisa de acessibilidade é possível conferir a transcrição deste e de todos os episódios em texto ou em libras no nosso site. Eu vou fazer uma autodescrição para que vocês me conheçam melhor e os nossos convidados farão em seguida. Bom, como eu disse, eu sou a Ana Paula, eu sou uma mulher preta, de cabelos crespos, curtos e escuros, olhos escuros, corpo volumoso, hoje eu visto um vestido laranja, sem maquiagem, estou gravando no meu pequeno closet, porque a gente está aqui no meio de uma pandemia e vocês, quem quer começar se apresentando? Dizendo o que faz e fazendo a sua autodescrição?

Tati Hennemann – Bom, eu sou a Tati Hennemann, eu tenho trinta anos, eu sou Engenheira, eu trabalho na Natura há sete anos, eu sou Gerente de Distribuição, atendo em São Paulo e os estados do Sul. Eu tenho um cachorro, o Rico, que eu adotei, quando eu morei lá em Recife, eu amo yoga, eu amo cantar e minha descrição é que eu sou branca, olhos castanhos, cabelos cacheados, hoje ele está preso aqui no meio rabo, eu sou alta, tem 1,70 m estou vestindo um vestido preto, branco, de manga comprida.

Ana Paula Xongani – E você Beto?

Beto Maia – Oi gente, eu sou Beto Maia, tenho 32 anos, sou de Belo Horizonte, eu sou um homem branco com 1,91 de altura, tem cabelos cacheados, os olhos verdes, com a barba por fazer, de pele branca. Hoje eu estou usando uma camiseta azul escuro, estou gravando aqui no meu escritório de recluso também.

Ana Paula Xongani – Acho que vocês sentiram falta do meu companheiro Rick, o Ricardo, mas ele está nas redes sociais de Trampapo, curtindo e comentando os comentários de vocês. Bom, para começar eu acho que um bom início de conversa é a gente fala sobre capacitismo, capacitismo, inclusive, é um termo que muita gente não conhece eu sempre digo que para a gente mudar as coisas, para a gente mudar as questões é primeiro preciso colocá-las na mesa, é preciso enxergá-las. Então capacitismo é o preconceito e a opressão contra as pessoas com deficiência partindo de um princípio de superioridade de quem não tem deficiência, sobre a ideia de incapacidade das pessoas que tem deficiência. Nossos preconceitos não são inerentes aos seres humanos, eles não acontecem do nada, não é algo incontrolável, nem nada disso, nós somos ensinados o tempo todo de forma consciente ou inconsciente a sermos preconceituosos e com as pessoas com deficiência não é diferente. Reproduzimos certas ideias que prejudicam essas pessoas ao longo de toda uma vida. Isso gera um monte de com consequências, como, por exemplo, dificuldades no desenvolvimento de habilidades sociais devido a exclusões nas relações interpessoais, muitas vezes naturalmente rola uma superproteção dos seus familiares, dificuldades em se educar e se qualificar, seja pela exclusão ou pela inacessibilidade urbana das nossas cidades, falta de recursos das famílias para se organizar, para proporcionar também esse aprendizado e tudo isso constrói crenças militantes em todo mundo, que por vezes podem até serem reproduzidos pelas próprias pessoas com deficiências sobre o que elas podem e devem, sobre o que elas podem ou não conquistar. Por isso eu quero que vocês me ajudem aqui nessa primeira pergunta. Falei tudo, o que falta? O que é capacitismo para vocês? Como vocês podem complementar essa informação? E como isso afeta a vida das pessoas com deficiência em todos os âmbitos? Vamos começar com o Beto.

Beto Maia – Bom, eu acho assim, que a descrição também está perfeita, acho que não tem muito o que acrescentar. Então eu vou partir mais para a vivência que eu tenho em relação a isso. Eu vejo o capacitismo, voltado diretamente ao mercado de trabalho assim, dizendo, não é? Ele me afeta desde quando eu perdi a perna muito novo, acho que eu tenho que falar isso primeiro, eu perdi a minha perna, eu tinha 2 anos de idade. Então assim, eu cresci acostumado a fazer as coisas sem a perna, então, esse costume veio meio que me deixando com calos ao longo do tempo, então, eu entendia aqui a minha escola não ia ser 100% acessível, que as atividades que eu fazia na escola também não ia ser 100% acessíveis por mais que alguns professores tentassem fazer essas adaptações, principalmente, em relação a educação física que eu sempre fui dispensado, mas eu fazia questão de participar, porque eu queria estar ali no meio. Então eu já machuquei muito, que já quebrei muita perna mecânica, já matei aula em cima de árvore, eu uma criança como assim, fazia as artes que tinha que fazer. E pequenas barreiras, que vão aparecendo assim, então, te achar nessa questão da dispensa da educação física que eu tinha necessariamente que ser dispensado da educação física sem tentar antes fazer uma adaptação ou propor alguma atividade, ou tentar me incluir efetivamente para que eu pudesse participar junto com todo mundo. Era mais uma imposição minha, da parte da minha mãe era sempre assim: ah deixei de fazer, se ele se machucar do chão ele não passa. Então eu gostava muito...

Ana Paula Xongani – Mães, mães. Maravilhosas.

Beto Maia – É, eu achava que a minha mãe é sensacional quando ela fazia esses tipos de coisa que tipo assim, você quer fazer alguma coisa? Faz, se você machucar tudo bem, sabe, acontece, não vai ser uma coisa do tipo você é de vidro que eu vejo o que acontecia muito no período de escola ali, tipo assim, não fazia isso, porque senão o Beto vai machucar e tal. Ah, o Beto não pode jogar futebol americano, porque é um esporte violento. Está, mas eu queria saber como é que era jogar futebol americano, porque era novidade, que tinha lá. Então assim, era muito dessa questão atitudinal que tinha na época da escola, eu sempre me impunes muito para conseguir participar ali. Mas eu tinha uma base familiar que era diferente da realidade de muitas pessoas. Então eu reconheço que tinha esses privilégios de ter essa estrutura muito bem em casa. E quando fui passando para o mercado de trabalho, quando fui ficando um pouco mais velho eu sentia que quando eu entrava em alguma empresa, alguma coisa assim, eu era muito questionado não diretamente, era sempre aquela coisa muito velado do tipo: se realmente é capaz de exercer a função que você foi contratado. Então eu era muito questionado, era pontuado, os erros eram muito pontuados ali em voz alta para todo mundo ouve, não era uma coisa tipo: senta aqui, vamos conversar. Tal coisa precisa melhorar.

Ana Paula Xongani – Não era uma reunião de Feedback?

Beto Maia – É. Era tipo assim, todo mundo na sala, eu já tive situações, que eu estava no cliente atendendo e o cliente sentava na ponta da sala, ele sentava lá no fundo ele gritar lá do fundo: ou, está errado aqui. Tipo tinha sempre muito disso assim, de pequenas coisinhas de pontuar de maneira errada, de vir falar comigo pisando em ovos assim, achando que sei lá, talvez eu não fosse compreender que talvez eu não quisesse ir na festa da empresa, porque era uma coisa meio baladinha, não ia aguentar ficar muito tempo em pé, mas eu participava de todas, eu sempre quis, eu sempre gosto está no meio da bagunça assim, um dos principais problemas que me acompanhou até hoje, hoje em dia eu consigo me impor mais e falar, mais não. Manda para mim que eu faço e tal. As pessoas começam a me dar mais, ter mais confiança no que eu faço, igual eu deixo o meu currículo que eu quero ser uma referência de implementação de acessibilidade Web. Eu concordo com programador, eu quero que a Internet seja um lugar democrático, todo mundo tem essas informações, acho maravilhoso que o Podcast já é transcrito, que ótimo que eu não preciso nem pedir para que isso aconteça, porque já têm esse cuidado, eu acho isso muito importante.

Ana Paula Xongani – Maravilhoso. E você Tati?

Tati Hennemann – Bom, eu acho que a palavra que o Beto usou, que é um preconceito mais zelado, cabe muito aqui também, complementando, porque eu não consigo pensar em uma situação muito explícita de um preconceito assim, muito escrachado, mas são peças pequenas ações do dia-a-dia, que a gente precisa e trabalhando é um trabalho contínuo, diário e a gente em um ambiente, eu sou gestora de um dos Centros de Distribuição da Natura, que é mais inclusivo, a gente trabalha hoje com um percentual de 21% de PCDs lá e é muito mais do que o número, porque é um número que a gente precisa ter muita qualidade, quando eu falo qualidade é exatamente isso é você vencer o preconceito que todo mundo era vencer também todos os conceitos que vem com esses mitos, não só dos outros, mas da gente, não é? Porque cada pessoa que está lá tem uma individualidade e a gente como gestora precisa aprender e dar condições. Então a seguinte tem que fazer um trabalho que apoie tudo e que hoje eu percebo que depois de anos da gente fazer esse trabalho o funcionamento bem, porque as pessoas que entram novas elas vão absorvendo muito mais esses conceitos, porque todo mundo do Centro de Distribuição, todo mundo do CD.

Ana Paula Xongani – Que bom que a Natura já está super avançada neste quesito, mas infelizmente não é a realidade de todas as empresas aqui no nosso país. Escutem essa, toda empresa com 100 funcionários ou mais é obrigada pela chamada lei de cotas a ter de 2 a 5% dos seus cargos preenchidos por pessoas com deficiência, porém como muitas das leis aqui do Brasil não tem fiscalização, qual é o resultado? Após quase trinta anos de vigência da lei ainda é comum encontrar empresas que não cumprem essa determinação, apesar do IBGE apontar que 6,7% da população brasileira tem algum tipo de deficiência, os dados da relação anual de informações sociais mostram que apenas cerca de 1% das pessoas com deficiência tem empregos formais no mercado de trabalho, ou seja, é um número absurdamente baixo. Bom, já deu para perceber que a gente tem aqui um problemão, a gente tem até o incentivo que é obrigatório, mas ele não é suficiente e também não é cumprido e muitas vezes quando ele é cumprido é mais para evitar aquela as multas do que ter o real compromisso de promover de fato um ambiente inclusivo, criam aquelas vagas PCDs apenas para cumprir a cota é que não investe em treinamentos, orientações, para acolher bem, integração, o desenvolvimento desses funcionários permitindo com que eles atinjam novos patamares profissionais. O manda papo de hoje é justamente sobre esse tema, vamos ouvir e depois a gente vai ouvir um pouco mais os nossos convidados.

Nildo Oliveira – Meu nome é Nildo Oliveira, eu sempre trabalhei pela lei de cotas aí desde de 2012 eu ingressei no mercado de trabalho tem uma empresa de telefonia. Depois, entrei no mercado financeiro e atualmente estou na Porto Seguro. Quando eu trabalhava na Claro, havia uma questão que eu fiquei quatro anos na Claro e chega um tempo, na carreira que eu auxiliava os vendedores e na falta de um vendedor sênior, que seria para entender um subgerente, eu cuidava da loja na minha penúltima loja, que estive, eu tinha a chave da loja, estava no grupo de gerentes, mas mesmo passando por todos os processos seletivos eu não conseguia ser promovido, com a chave da loja na mão, eu não conseguia ser promovido. Outras pessoas que eu auxiliava, que eu ensinava o processo, passavam na minha frente e eu continuava como vendedor até que houve o desligamento e fui e ingressei em outras vagas. Eu percebo que muitas vezes, eles fazem a vaga de PCD, para cumprir a lei, mas não tem um planejamento de carreira com aquela pessoa, eu sou formado, eu tenho MBA e mesmo assim é muito difícil ser promovido. Um abraço a todos.

Ana Paula Xongani – Muito obrigada pelo seu áudio. E aí eu quero saber na opinião de vocês como que deve ser feita essa experiência para ser uma experiência importante e acolhedora para as pessoas com deficiência em uma empresa? Com o que é a melhor forma de conduzir esses processos, tanto de integração, acolhimento e também de desenvolvimento de carreira para essas pessoas? Agora a Tati começa.

Tati Hennemann – Bom, acho que primeiro a gente precisa investir em medidas para promover a diversidade dentro da empresa, a empresa tem que garante isso e a gente coloca sempre são metas e essas metas, inclusive, acima até da cota do Governo que a gente estava comentando da legislação, hoje a gente está com 7% na Natura e a gente ainda que chegar a esse ano ainda em 8%, além dessas metas, a gente precisa ter um planejamento, então, ações em um plano estratégico para poder incluir essas ações, as nossas, no nosso dia-a-dia como um todo, não é? E aí assim trazendo um pouquinho para o exemplo do processo lá do CD, a gente iniciando o processo de recrutamento, esse processo de recrutamento a gente tem que adaptar a ele depender tanto das pessoas que vão participar. Então um exemplo, se existem deficientes auditivos e a gente precisa ter tradutores de libras e não só no processo, mas a gente, inclusive, formou o ano passado mais de 50 padrinhos e a gente tem mais de um por turno, qualquer tipo de comunicação da Natura precisa ter uma comunicação em libras, a gente tem acesso às plataformas também para poder dá um Feedback que não adianta vir com colegas junto para ficar fazendo a tradução e etc. um parêntese, a gente não tem postos de trabalho de PCDs ou vagas que assim, qualquer posto de trabalho, qualquer tipo de pessoa por dia ali, desde que ela consiga performar. Então a gente precisa dar condições para ela performar.

Ana Paula Xongani – Olha Tati, você nos deu uma aula eu acho que assim, ter muitos gestores aí que estão ouvindo e já pode servir de muita inspiração para esses caminhos. Eu quero reprisar só uma coisa que você acabou de dizer, que eu achei fundamental que isso, a cobrança ela só pode ser justa, igual a todos, se as condições também são justas e iguais a todos. Então a partir do momento que a empresa oferece, pode cobrar, o que não dá até para fazer metade desse caminho, não é? Nem cobrar igual a todos e nem oferecer condições para todo mundo da mesma forma. Mas quero saber agora do Beto, quais são os Insights que você traz? Talvez até pensando de um outro lado, das pessoas, desse indivíduo, que vai buscar uma vaga de emprego, que vai buscar uma oportunidade de trabalho, o que esperar de uma empresa?

Beto Maia – Eu acho legal, tudo isso que a Tati falou, porque era uma coisa que eu ia pontuar, que assim, o problema maior hoje que eu vejo das empresas já passou da parte da contratação, a questão mesmo está na repetição dessas pessoas, porque se eu entro no ambiente do trabalho que não me oferece as condições que eu preciso para conseguir performar, não é? Eu não vou conseguir, sabe, se eu não consegui me comunicar lá dentro a coisa não vai acontecer, sabe? Eu no meu caso como tenho amputação, a adaptação que eu preciso no ambiente de trabalho é só um banheiro adaptado, é o mesmo que uma pessoa que usa a cadeira de rodas precisa, eu preciso também, porque geralmente quando eu estou de prótese, principalmente, em época de calor duas ou três vezes por dia tem que tirar a prótese e lavar, porque sua muito e para eu continuar o resto do dia sem ter risco ali de machucar alguma coisa. E assim, toda, toda não, não vou generalizar de jeito, mas assim, a maioria dos lugares tem um banheiro adaptado, ok, maravilhoso. O problema é que quando chega o horário do almoço esse banheiro adaptado vira o número dois de todo mundo, sabe? Todo mundo utiliza o banheiro da forma mais errada possível e aí quando chega alguém que realmente precisa usar o banheiro e está sempre ocupado e era uma reclamação que tinha muito nas últimas duas empresas que eu trabalhei, porque era um problema, porque eu chegava lá com a prótese doendo ou muito suada, não estava conseguindo, arrastando a perna assim, para andar já, eu precisava fazer higiene da prótese e não conseguia, porque as pessoas não respeitavam, mas não passava pela cabeça delas que o Adalberto precisa usar aquela, aquele banheiro, porque ele não estava em uma cadeira de rodas. Então tipo assim, essa imagem da pessoa com deficiência ser ou a pessoa com a bengala, que a pessoa cega ou a pessoa na cadeira de rodas é muito genérica e ainda existe mudaram o símbolo de acessibilidade por conta disso, antes era uma pessoa na cadeira, agora é uma pessoa com os braços e pernas abertas ali representando as diversas habilidades das pessoas, não é? Justamente para cair esse conceito que tinha que a pessoa com deficiência era só esses dois fenótipos aí, entender que a pessoa com deficiência dentro da empresa, por parte dos colegas e colegas de trabalho, que ela está ali, porque ela tem currículo para isso, ela consegue fazer aquilo que ela foi contratada para fazer e mais, não é? Eu consigo evoluir também daquilo que eu faço. Então a empresa dá curso para todas as pessoas ali dentro, o curso tem que ser acessível, porque se eu me interessar por aquela coisa, eu também tenho que ter acesso àquela informação, também ter que ter acesso àquela oportunidade de crescimento. Aquele rapaz mandou, ele tem que inibir aí, por que eu colocaria a uma pessoa MBA e não sei qualquer área que ele fez, um cargo de analista de... Um auxiliar administrativo sendo que ele pode exercer uma outra coisa ou ser gestor assim, aí eu escutei o áudio, eu converso...

Ana Paula Xongani – Tem que ser compatível, não é?

Beto Maia – Exato. Eu escutei o áudio, eu estava aqui assim, segurando para não quebrar alguma coisa por que eu achei muito errado isso que fizeram, sabe? E eu vejo que é comum isso acontecer realmente a pessoa ela treina outra pessoa para exercer a função e essa pessoa é contratada tem um cargo acima dela, para virar gestora dessa pessoa que ensinou, como as coisas acontecem ali dentro da empresa e outra coisa também que tem que acontecer, que eu acho que faz parte desse ambiente seguro é que as pessoas têm que, eu acho que tem que partir de cima para baixo da gestão da empresa, passar para as pessoas, tipo assim, olha, somos plurais, só nos diversos, outras pessoas com características extremamente diferente das suas podem trabalhar que a gente tem que saber como é que essa relação vai se dar, tem que ser uma coisa mais fluida. Então assim eu sou uma pessoa gay e muitas vezes eu escutava muita piada homofóbica, porque pensava assim: o Adalberto pode ser tudo, mas como ele é uma pessoa com deficiência, ele nunca que vai ser gay.

Ana Paula Xongani – Uma coisa só.

Beto Maia – É, é uma coisa só. Não entendem a interseccionalidade de que pós, sou, tem diversas características para além da perna que me falta.

Ana Paula Xongani – Maravilhoso. Beto, você trouxe muitas perspectivas, tanto da gestão, das lideranças, da cultura da empresa que é um tema que a gente fala em quase todos os episódios, mas também para a ação dos indivíduos que vão trabalhar com você, porque assim como ocorre em outras lutas, a causa anticapacitista precisa ser uma causa de todos, não é um problema individual é um problema social, pois todos nós somos responsáveis pela manutenção dos preconceitos. Qualquer pessoa que gosta de ser justo, qualquer pessoa que gosta de ser uma pessoa legalzinha como eu sempre falo, precisa também querer e deve ser anticapacitista. O primeiro ponto é entender o seu local de privilégio, o corpo com deficiência é tido como menos capaz, tendo como comparação aquele corpo que tido como perfeito, ideal, bonito, funcional e forte. Depois de reconhecer esse privilégio é importante também desconstruir a ideia de capacidade por mérito e força, segundo ponto é a naturalização é a visibilidade, aqui a gente fala também em outros episódios. É importante naturalizar a existência dessas pessoas. Então, consuma conteúdo, busque referências, se aproxime, ofereça afeto, ofereça escuta, certamente tem muito conteúdo já disponível para que você aprenda, naturalize essas existências e saiba cada vez mais. Além de sempre busca se posicionar contra o capacitismo, contra a discriminação e preconceito, não vale se calar diante da descriminação e das situações opressoras, isso vale em todos os lugares é na roda de amigos, é no HH, no Happy hour depois do serviço, é responsabilidade de todos se posicionar e educar o seu retorno, se educar sempre, por isso que eu pergunto para vocês, como que a sociedade pode contribuir com a luta das pessoas com deficiência? Como a falta de referência de representatividade e de consciência da causa anticapacitista afeta essa manutenção dos estigmas e dos preconceitos. Agora é a vez do Beto.

Beto Maia – Olha, eu acho que você falou o ponto mais legal de todos que têm, que assim, do começo desse ano eu comecei a me aventurar no TikTok, eu comecei consumindo conteúdo, porque eu estava tão assim, eu estava realmente tem uma bad assim, com todo esse cenário de pandemia, não poder sair de casa e tal. Eu sou uma pessoa muito ativa, era academia, eu sou paratleta, eu jogo vôlei, estou parado de treino a muito tempo, assim, meu corpo sente falta desse movimento assim, fazia muito bem para a minha mente. Então eu comecei a me aventurar no TikTok, mas era só vendo vídeo e tal, passando o tempo, aí eu comecei a gravar, porque eu vi que tinha um pouco de representatividade também da pessoa com deficiência e eu achei muito legal eu falar disso, porque hoje mesmo eu respondi um comentário no TikTok, porque tinha, eu fui comentado em um vídeo meu assim: eu acho muito legal quando uma pessoa com deficiência não fica de mi, mi, mi e faz piada da própria situação. Aí eu fiquei muito chocado assim, demorei dois dias para responder assim, eu vou partir do ponto que essa pessoa não sabe do que ela está falando e eu vou ensinar, mas assim, é chato, é cansativo ensinar o básico, mas o que eu disse foi: enquanto eu estou fazendo esses vídeos com algumas piadinhas, usando minha prótese para fazer alguma coisa, para a gente rir e tal, é uma pessoa com deficiência que não está apontando para outra rindo para outra pessoa, eu estou te convidando para você rir junto comigo, não para você rir de mim tem uma diferença muito grande nisso daí.

Ana Paula Xongani – E outra, cada um pode escolher como quer se comunicar.

Beto Maia – Sim.

Ana Paula Xongani – Você quis fazer desse jeito, não precisa ser igual o jeito da outra pessoa.

Beto Maia – Sim, e, principalmente, esse ponto, não é? Por sermos diversos, somos plurais. Então tido boa forma que eu lido com a minha deficiência é de um jeito, se a outra pessoa, sei lá, que está em uma situação semelhante à minha, ela demorou um pouco mais para reabilitar com a prótese ou alguma coisa assim, porque eu tenho que cobrar dela, dela reabilitar no mesmo prazo que o Beto reabilitou, sabe? Não é, porque eu coloquei a prótese hoje e estou andando sem a muleta amanhã, que uma pessoa que acabou de perder a perna vai colocar a prótese e vai fazer essa reabilitação no mesmo tempo, tem que respeitar essa individualidade, não é? Eu acho que isso que eu falo, que eu ponho tudo na mesma caixinha, ou é a pessoa que está na cadeira de rodas ou é a pessoa que está com a muleta ali, com a bengala, que a pessoa cega. Sabe? Eu acho muito legal isso de consumir pessoas com deficiência, sabe?

Ana Paula Xongani – Vou dá uma dica aqui, porque eu acho que é um assunto que a gente fala sempre também, que é isso, tem que consumir essas pessoas em diversos âmbitos, você pode consumir as pessoas para aprender, para ouvir sobre capacitismo, para ouvir sobre as vivências individuais daquelas pessoas, mas também é importante você consumir pessoas com deficiência, que falam sobre qualquer outra coisa. Eu acho que essas duas medidas são super importantes para a naturalização do que a gente deseja, não é? Do que a gente quer. É importante você buscar referências desses dois aspectos, sabe? Para que você consiga aprender cada vez mais, mas ampliar a sua visão sobre cada vez mais também, não é Tati?

Tati Hennemann – Exatamente. É bem legal esse ponto, porque até ouvindo o Beto falar, as vezes a gente acha que sabe se colocar no lugar do outro que é muito diferente. Então eu volto para trazer o ponto da gente tenho muita essa escuta ativa. Então e conseguir olhar, mas do ponto de vista das empresas, eu acho que a Natura é diferenciada, porque desde a fundação, tem políticas e processos focados em conscientizar e também sensibilizar toda a sua rede, para qualquer tipo de combate a comportamentos discriminatórios, não é? Isso aí é importante, também isso não está restrito, não é? Ao Instituto, não está restrito de repente há um Relatório Anual, isso tem que estar na Tati, que era a gerente de logística lá do CD, não está na pessoa que é responsável por diversidade. Então isso é você começar a trazer o tema, eu não vou saber do tema logo que eu entrei, não é? Então o que é algo que é bastante constante, que a gente precisa fazer crescer e aí, e eu acho que uma das premissas aí que a gente sempre fala da Natura, que nós acreditamos que quanto maior a diversidade das partes, maior a riqueza e vitalidade do todo e agora que a gente é um grupo acabou de colocar diversas marcas dentro do grupo Natura, tem Avon, tem a VerboShop, tem isso, que a gente virou um grupo mundial a ideia é que a gente consiga disseminar políticas e esse aprendizado que a gente está tendo interno ali em algumas mais, em outras menos, um ambiente operacional na realidade, o Brasil na realidade, como que a gente consegue como sociedade, levar isso para um todo, para todas as marcas, para várias geografias.

Ana Paula Xongani – Aí Tati, você estar até dando uma de esperança para o mundo aqui. Eu estou tomando, mas eu sempre gosto de pensar na responsabilidade das empresas de que de fato construir esse micromundo, algumas empresas são tão grandes internacionais e tal, que nem é tão micro assim, esse mundo, mas que impacta no mundo todo, porque para, para pensar que cada um desses colaboradores ele sai da empresa e eles conversam com a suas famílias, eles educam os outras crianças, eles educam os seus pais, eles educam as escolas dos seus filhos. Então quando a gente pensa dessa forma ampliada, do que uma empresa é capaz de impactar, a gente tem mais uma noção de quanto é importante a gente pensar tem diversidade. A gente criar uma falta imensa até hoje de investimento na acessibilidade, tanto em espaços físicos, como lojas, estabelecimentos, nos centros de estudos, nas escolas, como também em ambientes virtuais que é a área que o Beto atua. No desenvolvimento de produtos e serviços voltados para as pessoas com deficiência. A gente super pode afirmar que a gente tem um mundo projetado para as pessoas que não tem deficiência, não é? E aí para onde vão? Onde ficam essas pessoas com deficiência? As soluções urbanísticas, industriais e tecnológicas não são pensadas para essas pessoas, além de não proporcionar liberdade, autonomia, dignidade para elas, também são perdidas diversas formas de renda, formas rentáveis e oportunidades de negócios, sim gente, tem negócio aí se você tem uma equipe de festa ou se você pensa a diversidade e acessibilidade, por isso eu quero perguntar para vocês. Beto, você que trabalha para essa área de trazer essa acessibilidade para o ambiente virtual, como que isso pode gerar negócio? Quais são os benefícios para além dos benefícios sociais, que a empresa vai transportar para os seus colaboradores e sociedade, quais são os benefícios econômicos? Como o que faz para gerar e transformar isso em negócio?

Beto Maia – Posso contar uma historinha para ilustrar isso daí?

Ana Paula Xongani – Eu amo uma historinha.

Beto Maia – Há um tempo atrás, eu praticava futebol de amputados, eu já rodei muito assim, de um tanto de esportes, mas quando eu praticava o fútil volte amputados, teve um campeonato específico que era em São Vicente, em São Paulo, então assim, eu não viajei com pessoal, porque eu estava trabalhando, não ia dá tempo. Então eu peguei um avião e fui sozinho para São Paulo, de São Paulo eu ia para São Vicente. Já tinha carteira a um tempo e aí eu falei assim: Ah, ótimo, quando eu chegar em São Paulo eu alugo um carro e eu vou para São Vicente, porque é pertinho, 2h no máximo eu chego lá e eu consigo chegar a tempo para jogar e tudo mais. Foi uma dificuldade tão grande para conseguir alugar um carro que eu não consegui, na verdade, porque nenhuma empresa tinha um carro adaptado, nenhuma empresa queria fazer o carro automático no preço do câmbio manual, porque era muito diferente o preço, tipo assim, como que esse pessoal pede dinheiro. Há um tempo atrás eu estava trabalhando na Localiza aí eu pontuei isso lá, eu plantei uma semente tinha muito grande lá, eu falei assim: gente eu estou trabalhando para um produto que eu dou por consumir, isso é muito frustrante. E falei isso com o sênior assim: isso é muito frustrante eu não puder consumir o produto que eu estou ajudando a vender assim? Hoje se você é que entrar no site da Localiza tem com carro adaptado lá para alugar, isso foi a marca da minha vida, assim, eu ter conseguido.

Ana Paula Xongani – Viber.

Beto Maia – De eu ter conseguido levantar esses questionamentos, as pessoas começarem a ver.

Ana Paula Xongani – Maravilhoso. Sobre a galera da Catho eu acredito que sim, eles pensam desses impactos um pouco que eu conheço, eu sei que tem um time muito dedicado para transformar, tanto esse ambiente quanto outros ambientes próximos em um ambiente melhor e mais justo, inclusive, esse Podcast é sobre isso, se vocês puderem explorar os episódios anteriores dessa segunda temporada, da temporada anterior a gente sempre está aqui para falar: que o mercado é seu, não é? Inclusive, esse é o bordão, o mercado é seu, porque a gente que cada vez mais as pessoas sintam pertencentes desse mercado por isso que eu faço e estou muito orgulhoso de fazer parte dessa história. Eu sempre escuto, principalmente, nas vivências da comunidade negra, quando a gente fala sobre outros tipos de inclusão que o Brasil é um dos países campeões em preferir não investir em diversidade, mesmo abrindo mão do seu lucro, não combina, não faz sentido pensando no que a gente vive, no capitalismo que a gente vive e isso é uma coisa que a gente precisa mudar, se a gente já tem números, dados, informações, pesquisas, que a diversidade gera lucro, porque não, por que abrir mão desse lucro? Muitos de nós excluímos as pessoas com deficiência, seja no amor, nas amizades, nas atividades escolares e como não poderia deixar de ser no trabalho. E quando pensamos em exclusão a gente sempre coloca na mente assim uma pessoa muito má, que desrespeita, que xinga a pessoa com deficiência e não é exatamente o melhor, não é sempre assim, precisamos entender essas opressões, o capacitismo, como acontece nas relações cotidianas e que a gente reproduz o tempo todo. Eu vou dá um exemplo aqui, por exemplo, com a nossa linguagem, como a gente fala ou quando a gente se relaciona com essas pessoas, quando, por exemplo, a gente pergunta para a mãe da pessoa com deficiência, algo que poderia ser respondido diretamente por ela ou quando a gente acha fofinho, frágil, ingênuo ou até mesmo aquele grande ícone de superação dessas pessoas. Então eu quero perguntar aqui para vocês quais desses comportamentos e atitudes prejudicam a comunidade, mas não só prejudicam as relações de trabalho das pessoas com deficiência nesses ambientes de trabalho? Vai Beto.

Beto Maia – Assim, o que mais me incomoda é a do herói, a de servir de exemplo assim, entre muitas aspas assim, eu vejo isso muito na Internet de fotinha de alguma pessoa com deficiência trabalhando, fazendo uma coisa banal que todo mundo está fazendo ali daí ela ser colocada em um pedestal assim: meu Deus, enquanto tiver uma pessoa com deficiência trabalhando não vou aceitar tal coisa como desculpa, não sei o que. Eu falo assim: meu Deus do céu, porque para mim isso só chega como tipo assim, enquanto aquela pessoa tiver trabalhando, a minha vida pode ser a pior do mundo, pelo menos eu não sou essa pessoa, para mim só chega desse jeito. Tem uma palestra muito boa da Stella Young, que de um TikTok que ela fala justamente sobre isso, sobre o pornô motivacional, que fala da objetificação de um grupo de pessoas que seria as pessoas com deficiência e benefício das pessoas que são pessoas sem deficiência. Tipo, exatamente isso, se eu colocar, tipo assim, minha vida poderia ser a pior de todas, mas pelo menos eu não sou, eu não estou naquela posição ali daquela pessoa, eu acho que é o que me traz mais incômodo hoje, seja na Internet, seja no trabalho.

Ana Paula Xongani – O Tati, eu fico pensando que esse comportamento também pode ser muito prejudicial, porque as pessoas que têm esse comportamento perdem talentos, não é? Porque se a gente infantiliza essas pessoas às vezes você tem um talento ali dentro da sua equipe, que você não está enxergando por essa infantilização, não é?

Tati Hennemann – Ah com certeza. Eu acho que é um trabalho também de formiguinha ali com o tempo que você vai conhecendo a pessoa, as capacidades dela, é que vai se tornando natural, um pouco o Beto falou, como deveria já ter, mas infelizmente no começo não é, a gente percebe quando entram novas pessoas, que eles ficam um pouco mais assim, e a um atraso para todo mundo ali, que tem hora, que você está na produção é um conjunto ali, como se fosse uma orquestra, todo mundo tem que está fazendo as coisas de forma coordenada, um chama a atenção do outro, olha ali está de um jeito, ali está de outro e se a pessoa não consegue abordar a outra, se está com problema também, para os dois, se estão em um atraso ali. Então que é algo que não faz tanto sentido, mas que a gente tem que ir quebrando aos poucos, não é? Eu falo que o sonho que a gente tem é andar na linha de posição é sem ninguém saber quem é quem, porque tem um lugar que você vai, que tem um lugar específico, um pôster específico. Então assim, você não vai saber e isso é muito legal, porque todas as vezes que eu trago pessoas para fazer o evento de marketing no CD e é um CD super tecnológico. Então normalmente as pessoas não vêm fazer Benchmarking em relação a essa parte de inclusão, mas é o que eu mais gosto de falar. Então eu termino apresentação falando disso, porque no final que a pessoa já está super impressionada com a produtividade, contudo e ela não percebeu que o CD tem 21% de pessoas com deficiência aí eu falo.

Ana Paula Xongani – Maravilhoso.

Tati Hennemann – E aí todo mundo fica um pouco chocado, assim, não tem como, aonde que estão essas pessoas?

Ana Paula Xongani – Bom, agora a gente já está na final, estamos indo para o nosso quadro: dica extracurricular, essa parte aqui é para você que gostou e já sacou a importância dessa conversa e quer continuar se aprofundando, quer levar esse papo para sua empresa, para os seus amigos, para o seu ambiente familiar, que mais dicas, pode ser uma palestra disponível pela Internet, um filme, uma série, um vídeo, uma dica de leitura. Quem quer começar com as dicas? Eu vou começar hoje, eu vou indicar o Beto Maia. Não, vai lá Beto, se autoindica, aqui vale isso também.

Beto Maia – Eu preparei algumas coisas para indicar, mas eu confesso que eu tinha me esquecido. Então eu vou falar assim: me sigam nas redes sociais é @betomaiafilho, tanto no TikTok quanto no Instagram, no TikTok é meio que um espelho um do outro assim, mas eu gosto de falar de capacitismo, de situações que eu já vivi, de coisas engraçadas também, porque eu sou um palhaço fora da hora séria, eu gosto muito disso. Aproveita e de uma olhada as pessoas que eu sigo também, que tem muita influência de inclusão lá, são muitos, mais muitos nomes mesmo, eu vou falar de um que é o que eu trouxe o livro dele, que eu Victor Di Marco que é o Capacitismo: O Mito da Capacidade. Assim, virou o meu livro de cabeceira, porque isso aqui é maravilhoso, eu vou indicar também um filme, façam a sessão pipoca na empresa de vocês ou em casa mesmo, chama: Crip Camp, está no Netflix, que é a história de como se iniciou a luta pelos direitos das pessoas com deficiência nos Estados Unidos e assim eu confesso que como eu me via muito naquilo ali, cinco minutos de filme eu chorei até o final. Eram 5 minutos, choro de emoção, com o choro de revolta, com juro de felicidade...

Ana Paula Xongani – Vários choros.

Beto Maia – De ver o que está acontecendo, mas assim, me tocou muito assim, é maravilhoso esse filme. E eu não cheguei a comentar aqui, mas acontece muito na Internet do Crip Face, que é a pessoa sem deficiência interpretando um papel de pessoa com deficiência. Então eu vou indicar o filme: Fuja, que é estrelado por uma moça que é cadeirante e ela faz o papel de uma pessoa cadeirante e seu primeiro filme muito tempo que eu vejo que está fazendo isso e isso para mim é maravilhoso, não é? Deem oportunidades para os atores, que são pessoas com deficiência interpretar as pessoas com deficiência também, que isso é muito bom.

Ana Paula Xongani – Dicas deliciosas. Tati as suas dicas de hoje?

Tati Hennemann – Bom, acho que o primeiro é o Love on the Spectrum ou Amor no Espectro que é da Netflix, na verdade é um Reality show, um seriado como se fosse um documentário e traz várias pessoas procurando o amor, pessoas que têm autismo e o que eu mais gostei, eu choro tem tudo, eu chorei bastante também e rir muito, porque é muito bacana, é incrível, mais como traz de a individualidade, que não dá para você colocar tem uma caixinha, tal deficiência, a gente tem que tratar assim, ou tem essa fórmula mágica não tem, cada pessoa ali tinha uma vivência, uma dificuldade, uma criatividade, uma coisa diferente, uma necessidade diferente. Então eu gostei muito desse seriado. O outro que eu trago é um é um filme, que chama: Front of the Class que é O “Primeiro da Classe” que mostra a história baseada também em uma história real, de um garoto com a Síndrome de Tourette. Eu acho que traz uma outra dificuldade bem interessante e que é um filme mais voltado também aos preconceitos que ele sofre, mesmo tempo da família dele inicialmente, eu achei incrível. E o outro é um livro que ele traz, não necessariamente do relacionado a deficiências em si, mas se chama: Um Antropólogo em Marte do Oliver Sacks, que é um neurologista que ele traz sete estudos de condições neuróticas que parecem paradoxais. O que eu gosto é, porque ele derruba mitos assim, então, é um pintor que perdeu a capacidade de ver cores e sabe, nunca mais ia pintar e aí ele, não é? Ele tem essa capacidade de pintar, inclusive, aprimora de outras formas e etc. tem uma outra que é um cirurgião, que tem Tourette, a pessoa não vai conseguir. Então, derruba muitos mitos, eu achei muito interessante.

Ana Paula Xongani – Quer me dá mais uma dica Beto?

Beto Maia – A última dica, que eu esqueci falar, também para seguir o coletivo que eu faço parte, que é o PcdVale que é o Vale PCD, ele traz a intersetorialidade de pessoas LGBT, que é mais, que são pessoas com deficiência, eu não sei qual vem em primeiro, mas para mim é tudo junto as duas coisas assim.

Ana Paula Xongani – Perfeito. Hoje eu vou indicar um TED, que chama: Inclusão e Acessibilidade do Flávio Arruda e quero indicar um livro que para mim foi superior importante, eu acho que foi o meu primeiro passo para as minhas pesquisas pessoais sobre as pessoas com deficiência que chama: 71 leões: Uma história sobre maternidade, dor e renascimento, que é da Lau Patrón, mãe de uma criança atípica e esse livro me pactuou e virou também o meu livro de cabeceira de certa forma. Então eu sou muito grata a ele. A gente sempre fala por aqui, no Podcast sobre humanização das empresas, mas nesse caso o buraco é tão mais embaixo que a gente está falando sobre a necessidade de humanizar pessoas. Quando falamos de inclusão e de acessibilidade estamos falando de enxergar que existem pessoas antes das deficiências. Pessoas que precisam de afeto, dignidade e humanidade. Todos somos diferentes. Todos temos aptidões e talentos únicos, assim como temos as nossas singularidades. Existem pessoas, por exemplo, com talento para a escrita, mas com um enorme bloqueio para trabalhar com números. Pessoas que consegue fazer belos artesanatos, mas não consegue ter um talento, por exemplo, na cozinha. Por isso precisamos treinar os nossos olhares para diversos, trilhar o nosso olhar para o diferente. Então por que continuar olhar para as pessoas com deficiência com tanta distância? Não é assim, aproxima, por isso o Trampapo de hoje a gente pede para todos, valorize as diferenças e busque enxergar a qualidade e o talento de cada um. Muito obrigada pelo tempo de vocês Beto, muito obrigada a Tati, obrigada pelas dicas, pelas informações, foi o último compartilhar esse momento com vocês.

Tati Hennemann – Eu que agradeço gente. Eu adoro falar do assunto. Então eu estou muito, muito feliz. Espera que a gente consiga contribuir com a sociedade melhor, não é?

Beto Maia – Gente, muito obrigado pelo convite. Assim, fico muito feliz de poder falar assim, porque fazer o debate acontece mesmo, porque tem que conhecer as evidências das outras pessoas mesmo e fazer essa troca para mim é sempre muito gostoso.

Ana Paula Xongani – Tati, onde a gente encontra?

Tati Hennemann – No Instagram, nesse lugar?

Ana Paula Xongani – É, ou a gente não tinha encontra?

Tati Hennemann – Encontra, eu tenho Instagram. É Tatiana. Hennemann. Ou no LinkedIn também Tatiana Hennemann, estou lá.

Ana Paula Xongani – Perfeito. Queria lembrar vocês que estão nos ouvindo, que todas essas indicações maravilhosas, tanto o Beto quanto a Tati, também está lá no nosso site, tudo, facilitado para você acessar é www.trampapo.com.br e se você gostou desse episódio compartilha, compartilha nas redes sociais, marca a gente o nosso Instagram é @trampapo.podcast. Eu adorei estar aqui com vocês, até o próximo episódio um beijo e tchau.

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