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A psicologia positiva pode te ajudar a ser mais feliz no trabalho?

19/03/2021MERCADO DE TRABALHO
A psicologia positiva pode te ajudar a ser mais feliz no trabalho?

Quem nunca quis parar os ponteiros do relógio no final de semana, querendo adiar a chegada da segunda-feira?
Quem nunca ficou pra baixo ao final da noite de domingo, porque está chegando de novo a hora de deixar de lado por uns dias a própria vida, os momentos de lazer e ficar “preso” ao trabalho, em compromissos desconfortáveis que só fazem sentido porque fazem parte do ganha-pão mensal?
Quem nunca sonhou em ganhar uma bolada na loteria, largar o emprego no dia seguinte e não precisar responder pra chefe algum por toda a vida?

Pois é. Se você nunca, parabéns!

Porque grande parte das pessoas já enfrentaram a chamada síndrome da segunda-feira, que são aqueles sintomas de ansiedade, desânimo e tristeza que surgem quando as coisas não vão tão bem no trabalho - ou nas emoções do indivíduo, que se afloram com o trabalho.

Mas por que isso acontece com tanta gente? Se no nosso país, com altos índices de desemprego que só crescem, com tanta desigualdade social, por que quem está vencendo as estatísticas e tem um emprego pra chamar de seu fica infeliz? Por que a sensação de saber que vai conseguir pagar os boletos, ter comida na mesa e um teto sob a cabeça não é suficiente para superar aquele luto do final de semana? Por que as pessoas acordam reclamando quando o despertador às lembram que devem levantar pro trabalho? Por quê? Essas perguntas não são críticas. A gente não quer que você se sinta uma pessoa ingrata por não estar agradecendo a cada minuto a oportunidade que tem. Até porque, mesmo os profissionais mais realizados que existem, nos cargos de maior notoriedade nas empresas, na mídia ou nos esportes, por exemplo, têm seus momentos de insatisfação, cansaço, decepções, incertezas e até “ranços” momentâneos. Afinal, todas as carreiras têm seus ônus e bônus. Nem tudo vai ser um mar de rosas e, geralmente, cada escolha significa também uma renúncia.

Então, diga: como que a maioria das pessoas, que normalmente não têm poder de escolha de suas profissões e empregos, vão ficar felizes com um despertador às 06 horas da manhã em plena segunda-feira? É complicado. Ainda mais que é logo depois de passar dois dias em casa descansando, se divertindo com a família e esquecendo que bate cartão de segunda à sexta. Não há proletariado que ame deixar tudo isso de lado para precisar correr atrás do ônibus em dias muito quentes, ou muito frios, ou chuvosos… Muitas vezes é quase impossível manter a saúde mental, a produtividade, a motivação e qualidade de entregas quando a ida ao trabalho ou o convívio com chefes e colegas é um martírio, um sofrimento.

Realmente, essas perguntas não devem ter respostas simples. Não vai ser um exercício fácil ver com positividade as situações que de fato são negativas. Mas há o que se fazer se você não quiser pirar, chorar a cada despertar ou largar tudo de vez e viver fora da civilização, onde o trabalho e a renda não sejam tão necessários.

É aí que pode entrar Psicologia Positiva

A Psicologia Positiva é um campo da Psicologia que concentra os estudos naquilo que pode trazer felicidade às pessoas. Ela propõe práticas para buscar mais sensações de bem estar pessoal, mas também pode ser aplicada à vida profissional.

Esse segmento acabou sendo muito disseminado nos últimos tempos com o crescimento das práticas de coaching e de conteúdos sobre o tema nas redes sociais. Mas nem por isso a Psicologia Positiva trata-se de um discurso vago e sem fundamentos. Ela concentra-se em aspectos positivos da existência humana para desenvolver uma psique mais positiva, usando ferramentas como a autorresponsabilidade para dar controle e autonomia para cada um mudar aquilo que pode mudar em sua realidade.

Assim, na prática, adotar esse conceito sugere que, embora todos vivenciamos situações difíceis, o foco deve estar na construção de emoções positivas, em construir um modelo mental otimista, que veja as coisas com leveza e sempre o “copo meio cheio”, exercitando mecanismos de resiliência, gratidão e propósito.

Segundo o autor Martin Seligman, em 2020, no livro Felicidade Autêntica, quem consegue pôr em prática a felicidade autêntica defendida pela psicologia positiva, tem as mais desejadas recompensas:

1.  Sente e consegue expressar gratidão
2.  É otimista quanto ao futuro
3.  Não se compara com outras pessoas, pois reconhece que é um ser único
4.  Pratica a gentileza e cortesia, adotando uma postura altruísta
5.  Dedica boa parte do tempo à família e amigos
6.  Se torna resiliente, aprendendo a enfrentar e superar as adversidades
7.  Aprende a perdoar de modo sincero
8.  Busca o aperfeiçoamento e total dedicação à tarefa que desempenham no momento, desfrutando do aqui e agora
9.  Aprecia os prazeres da vida
10.  É comprometido com suas metas e sonhos
11.  Desenvolve a espiritualidade, concentrando-se no autoconhecimento e em um motivo superior para suas tarefas
12.  Cuida bem da saúde, tanto mental quanto física.

E no seu trabalho…

Ainda estamos longe de esgotar os motivos que podem deixar alguém infeliz no trabalho. São muitos. Mas no trabalho também é interessante aplicar o conceito da Psicologia Positiva para minimizar ou reverter o mal estar. A tríade da felicidade é uma das principais metodologias para aplicar a disciplina. Ela insiste na busca por uma vida prazerosa, vida engajada e vida significativa.

Passo 1 - A vida prazerosa no trabalho é alcançada com um clima positivo, que oferece bem estar emocional. Logo, um ambiente de alta pressão, estresse, medo, hostilidade e insegurança é incompatível com essa vida prazerosa buscada.

Passo 2 - Ter uma vida engajada significa manter-se motivado com o desempenho das tarefas, que devem levar a um estado de plenitude, concentração e sensação de bem estar com a produtividade.

Passo 3 - A vida significativa não pode ser desconectada de uma vida feliz. É preciso buscar e descobrir um propósito vinculado aos seus valores morais e tentar alinhá-lo ao trabalho. Somar o útil ao agradável, que é ganhar dinheiro e ocupar seu tempo com uma tarefa que contribua com algo importante para você, para a sociedade, clientes ou família.

Apesar de desenvolver as habilidades da vida prazerosa, engajada e significativa serem subjetividades e podem não ter o efeito pleno diante de dificuldades impostas pela vida e sociedade, aplicar o conceito da tríade da felicidade no trabalho pode se tornar uma fonte diária de prazer e realização. A psicologia positiva é uma ciência sobre o que faz a vida valer a pena.

Vem saber mais! #DicaExtracurricular
O episódio #22 do Trampapo, COMO NÃO ODIAR AS SEGUNDAS-FEIRAS? mergulhou de cabeça nesse assunto da felicidade no trabalho. Os convidados explicaram que o trabalho não pode ser a nossa única atividade e que devemos buscar satisfação e equilíbrio em todos os campos da vida. Mas como encontramos entusiasmo nas empresas? Como lidar com empregos que não gostamos? Como superar os problemas com a liderança e de relacionamentos no trabalho? Além disso, tem várias histórias contadas pelos convidados para você refletir sobre propósito, valores, felicidade e motivação. Corra na home do site e escute! Se liga nas dicas extracurriculares deixadas pelas participantes do podcast!

Cauê Oliveira

Cauê Oliveira é Diretor de Capacitação no Great Place to Work Brasil, Palestrante TEDx e Facilitador de treinamentos de Liderança.
Suas dicas extras no EP#22 foram:
Como criar a melhor empresa para trabalhar | Cauê de Oliveira | TEDxSaoPauloSalon
“Nele eu dou algumas dicas bem legais de como as pessoas podem entender o que é um ótimo ambiente de trabalho”, comentou. Comece pelo porquê, livro por Simon Sinek
“Fala sobre propósito. Tem até um vídeo muito famoso dele que é o tal do Golden Circle, o Círculo Dourado, que tem no centro desse círculo o ‘porquê’, depois o ‘como’ e depois o ‘porquê’, na parte mais da extremidade”, indicou.

Talita Tiemi

Talita Tiemi é Psicóloga, Gerente de Recursos Humanos, Fundadora e Consultora na UP! Capital Humano.
Suas dicas foram:
Parasita, filme de 2019
“É um filme coreano, parece que não tem nada a ver com o ambiente organizacional, mas é uma família que decide trabalhar na casa de uma outra família. E eles elaboram toda uma estratégia para que todos sejam contratados. Toda uma estratégia para se manter ali, e depois ao longo do filme, vão acontecendo várias coisas. E aí no final tem um final bem surpreendente, e aí eu acho que passa muito uma mensagem de não desistir de perseverança, de manter a motivação, apesar dos percalços”, recomendou Talita.

Ana Paula Xongani:
À Procura da Felicidade, filme de 2006
“É um ótimo filme para a gente falar sobre mudança de rota, mudança de trajetória, buscar novos caminhos para encontrar o sucesso”, finalizou a host.”

Beijos, da equipe Trampapo <3
Até a próxima!

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