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O que as mulheres na tecnologia devem buscar nas empresas?

05/03/2021DIVERSIDADE
O que as mulheres na tecnologia devem buscar nas empresas?

Numa área de tecnologia que é predominantemente masculina, as mulheres que buscam se posicionar neste mercado enfrentam diversos e grandes desafios, a começar pela falta de estímulo durante a infância e a fase escolar, a pouca representatividade feminina no setor e o machismo que acaba por afastá-las das áreas tecnológicas.

O machismo, em especial, é o mecanismo que mais dificulta a inserção feminina na área tech. As salas de aulas dos cursos de ciências da computação, por exemplo, podem ser ambientes potencialmente prejudiciais emocionalmente para elas. Não faltam relatos de mulheres que foram discriminadas por professores e colegas, que duvidaram de suas capacidades de aprendizado e de performance simplesmente por causa do gênero, contribuindo muito com a desistência de inúmeras graduandas. Sinal disso é que apenas 13% dos alunos matriculados neste curso, de acordo com uma pesquisa do IME-USP, são mulheres.

Outros dados alarmantes que indicam a desigualdade de gênero neste segmento foram levantados pela Catho. De acordo com a Pesquisa Salarial Catho 2021, apenas 19% dos profissionais de TI são mulheres e elas ganham até 11% a menos que os homens. Olhando para a área de programação, apenas 14% são mulheres.
E considerando tudo isso, concluímos que…

O futuro está sendo programado por homens.

As mulheres estão sendo excluídas do mercado de tecnologia no Brasil. Enquanto elas representam menos de ¼, os homens dominam a participação, chegando a quase 80%. E se nos atentarmos ao fato que o futuro já é e cada vez será mais digital e tecnológico, percebemos que o que devemos esperar, lá na frente, é mais machismo. Se a grande maioria dos desenvolvimentos de equipamentos, softwares, produtos, soluções e tudo mais, são os homens que realizam, porque a tecnologia seria inclusiva para todxs? Como poderíamos ter soluções tecnológicas pensadas para mulheres? Além disso tudo, a conscientização a respeito da pauta ainda é muito recente. Apesar do forte esforço criado por coletivos de mulheres da área, empresas que nasceram com o propósito de equilibrar a balança e empresas que buscaram diversificar seus times, falta muito para o debate transcender em práticas consistentes. Afinal, dentre as empresas que não estão engajadas com as causas de gênero, que infelizmente ainda são muitas, o assunto não é nem mesmo discutido. Quantos desses executivos acreditam que as mulheres deveriam mesmo ter oportunidades iguais às deles? Quantos ainda acham que elas devem tomar conta de casa e que eles precisam ser os provedores financeiros? Quantos CEOs e líderes que são homens desejam abrir mão do seu privilégio e serem liderados por mulheres?

Sabendo disso, as mulheres da área precisam estar atentas na hora de escolher uma oportunidade de trabalho, quando for possível fazer uma escolha.

O que as mulheres de tecnologia devem buscar numa empresa?

Então, mais do que uma vaga aberta em algum dos setores de TI e Devel da empresa, elas precisam buscar outras características nas companhias para poderem ter uma experiência plena, aplicar seus conhecimentos com segurança, aprender e crescer profissionalmente.

1-) Representatividade e proporcionalidade:
Chegar em uma empresa como a nova funcionária de tecnologia e não ser a única mulher da área já é um bom sinal e um alívio. É muito importante que as mulheres estejam representadas na área, mas também é fundamental olhar para a proporcionalidade. Além de você, mais uma ou duas mulheres, existem outras? Por quem são ocupados os cargos de liderança? Existem mulheres nas cadeiras que dirigem a empresa? As outras áreas também são abertas para as mulheres? Qual a proporção de mulheres em cada setor, na tecnologia e nas lideranças?
A desproporção pode apontar uma falsa prática de equidade pautada no pilar de gênero que, no fim, não inclui de fato as mulheres no mercado de trabalho nem acolhe suas ideias e identidades verdadeiramente.

2-) Diversidade por completo:
A busca por maior participação feminina na TI não se limita a conquistar cargos. É preciso conquistar voz e escuta e não se contentar com meias justiças. O mercado de trabalho é excludente com os mais variados grupos sociais, que são menosprezados durante os processos educacionais, de recrutamento pelas empresas e também nos relacionamentos dentro dos ambientes de trabalho. E se a empresa que você está cogitando ir trabalhar “só” se importa com as mulheres em tecnologia, desconfie. Diversidade, como o próprio nome já diz, é diversa. Procure empresas que queiram também incluir pessoas negras, pessoas com deficiência, mães, lésbicas, gays, bissexuais, transgêneres, idosos, refugiados e todas as pessoas em seus quadros de funcionários e em todos os níveis. Isso é um importante indicador do quanto você terá de voz e liberdade.

3-) Salários Iguais:
A diferença salarial apontada pela Catho entre homens e mulheres em tecnologia é de, em média, 11%. Isso significa que temos um peso, duas medidas. Mulheres que realizam os mesmos serviços que os homens e recebem menos por isso. Não dá, né?
Se possível, busque por empresas que tenham uma política mais transparente quanto aos salários. Boa parte das empresas complica o processo de negociação salarial, questionando quanto as mulheres ganham atualmente, qual foi o último salário ou quanto desejam ganhar, ao invés de falar logo: “pago tanto”. E isso também pode ser uma forma de tentar pescar o que tem por trás dessa negociação. O recrutador está tentando pagar o mínimo aceitável pela candidata ou o quanto ele realmente dispõe como teto para o profissional ideal para aquela vaga em questão?

4-) Reconhecimento: financeiros e mimos
Ser reconhecida não é ter promoção após anos e anos dando o suor sem receber outras formas de reconhecimento. Faz parte também receber agradecimentos, feedbacks e elogios públicos. E aumentos e promoções. O verdadeiro reconhecimento é ter o trabalho valorizado sempre, sem ter as habilidades postas em xeque. É ter o nome como uma das referências da equipe naquilo que se faz. É ser lembrada quando vai rolar alguma ação especial e divertida, quando vai ter presentes pros colaboradores que mais se destacaram no período. É conquistar altos cargos e salários.
Só o dinheiro não resolve. Só elogios não resolvem. Reconhecimento profissional tem que ser por completo.

Vem saber mais! #DicaExtracurricular

O episódio #20 do Trampapo, MULHERES NA TECNOLOGIA: YOU CODE, GIRL!, abordou a vivência de mulheres mães no mercado de trabalho. Vem ver quem são as convidadas da vez e conferir as dicas de conteúdos delas!

Karen Santos

Karen Santos é Product Designer no Quinto Andar, CEO da UX para Minas Pretas, uma iniciativa por e para mulheres negras com foco em UX que promove a equidade de mulheres negras no mercado de tecnologia por meio de ações de formação, empoderamento, compartilhamento de conhecimento e articulação em rede. Também coordena, desenvolve e atua em iniciativas voltadas ao Design, Tecnologia e Feminismo/Movimento Negro. Premiada pela Forbes - Under 30 a lista Forbes 30 Under 30 destaca os mais brilhantes empreendedores, criadores e game-changers abaixo dos 30 anos, que revolucionam os negócios e transformam o mundo. Premiada como Rising Star pela Globant Awards - Women that Build Edition é um prêmio que busca reconhecer as mulheres que tenham construído suas carreiras em tecnologia, gerenciando projetos de inovação e colaboração e promovendo a diversidade e a inclusão.

A #DicaExtracurricular dela é, justamente, a UX para Minas Pretas: “se você é mulher preta, parda, indígena, cis ou trans, será muito bem-vinda na nossa comunidade. Ela tem o foco em UX, na área de tecnologia, então se você deseja conhecer mais, aprender, ter um espaço para trocar com outras mulheres pretas, vai ser super bacana te receber. Basta entrar em contato com a gente através das redes sociais com o nome UX Minas Pretas.”, recomendou.

“Tem também o Pretux, que é focado em UX e é uma comunidade que é um pouco mais geral, para homens, mulheres e todos os gêneros. Tem designers negros do Brasil, que também tem uma cartilha gigantesca, tem um site que é uma vitrine com diversos profissionais na área de UX.”, completou Karen.

Cynthia Zanoni

Cynthia Zanoni é Estrategista de tecnologia de parceiros na Microsoft, Fundadora da WoMakersCode, uma comunidade sem fins lucrativos com o objetivo de apoiar mulheres na área de tecnologia. Atualmente, é uma das principais comunidades #WomenInTech no Brasil

Suas dicas extracurriculares para o Trampapo foram:

WoMakersCode: Cynthia convidou mais mulheres para fazer parte da comunidade: “acompanhe as comunidades de tecnologia, venha fazer parte da. Hoje a gente está presente em vários lugares aqui do Brasil, não somente no eixo aqui do Sul e Sudeste, mas a gente tem uma força muito grande no Nordeste também. Todas as formações são bastante direcionadas, tanto para essa parte de soft skills, mas como também programação, com tecnologias abertas e ciência de dados. Nós formamos uma turma de cientistas de dados, do qual a gente teve mais de 50% de mulheres pretas e todas elas foram empregadas em várias startups”, explicou.

Essencialismo: A disciplinada busca por menos, Livro por Greg McKeown
Cynthia comentou: “Fala sobre práticas que a gente pode adotar no nosso dia a dia para melhorar o nosso foco e tentar ser uma pessoa mais direcionada para os nossos objetivos. E isso é muito especial para quando a gente pensa em mulheres que estão vendo agora na tecnologia a carreira que vai dar oportunidade para trazer o sustento para a sua casa, para sua vida, tem tanta modernidade, tanta coisa, que muitas vezes na transição de carreira, você fica perdida e não sabe qual área ir. É um livro que transformou bastante a minha vida em 2020, tenho certeza que pode ser bem interessante aí para quem está nesse caminho de transformação ali e autoconhecimento também.”

Já nossos hosts, indicaram:

Newsletter The Brief
Ricardo Morais: “É uma newsletter que fala sobre tecnologia, mundo de startup, novidades que gira em torno desse mundo. O que é que eu acho muito legal neles? A pegada fala muito de igualdade, eles trazem um olhar muito sobre as pessoas que estão começando na carreira, e ali você tem notícias que muitas vezes estão somente em meios lá de fora, ou estão em língua inglesa, eles traduzem bonitinho”.

Ana Paula Xongani: “Eu quero indicar a Infopreta, que é uma empresa de informática e que também oferece computadores para mulheres negras ingressarem nas faculdades de tecnologia. Quero indicar também a Lisiane Lemos que sem dúvida é uma das minhas grandes referências quando eu penso em tecnologia. Ela também cria conteúdo sobre esse tema, sobre o mundo corporativo, como eu disse, é uma das minhas grandes referências, então parabéns, amiga.”

A Gente se Vê Ontem, filme de 2019
Ana: “É um filme de ficção científica que tem como protagonista uma menina preta, então ela é uma menina, gosta muito de ciência e usa a tecnologia para fazer diversas coisas. É um filme ótimo para você assistir, para você assistir com as crianças mais perto de você, para você assistir em família, para criar esse imaginário possível para mulheres negras dentro da tecnologia.

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