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Sua educação te limitou ou libertou?

19/02/2021QUALIFICAÇÃO
Sua educação te limitou ou libertou?

Muito provavelmente, durante sua fase escolar, você já ouviu alguém falar, ou até mesmo você já falou, que não entendia porque tal matéria era aplicada, já que não sabia como aquilo poderia ser útil na vida adulta. “Saber calcular fórmula de bhaskara e ângulos ou decorar todas as tabuadas pra que? Quando vou precisar disso no dia a dia? Hoje em dia as máquinas calculam tudo eletronicamente”.

E, em partes, aqueles que faziam estes questionamentos estavam certos.

Pra que ‘educamos’?

Nosso sistema de educação, em especial o sistema público, por todo o mundo, está baseado em habilidades acadêmicas e hierarquiza as disciplinas. Ou seja, há uma ordem de importância dentre as matérias ensinadas que prioriza a matemática e as línguas, as ciências, depois as humanas e, por fim, as artes. E há uma razão para isso.

Talvez você logo pense: “É claro que há uma razão. As escolas precisam ensinar e preparar os alunos para, no futuro, poderem trabalhar e produzir economicamente para si próprios e para a sociedade”. E é justamente esse o ponto onde queremos chegar.

Essa noção de que a escola serve para produzir profissionais foi constituída para atender as demandas da industrialização, no séc. XIX, e assim vigora até os dias de hoje. E então foram elencadas as disciplinas por ordem de importância.
No topo da hierarquia estão as disciplinas mais úteis para o trabalho e, como consequência, teorias e práticas focadas em ciências humanas e nas artes são consideradas menos importantes, merecem menos horas de estudos e menor investimento, até porque, nessa lógica, são reforçadas as ideias que dizem que “artes não dão dinheiro”, “operários não pensam, executam” e, aos grandes gênios habilidosos com os números, dizem que “merecem os melhores empregos e salários”.

No entanto, essa lógica não proporciona idealmente um ambiente de aprendizagem. Se desde a infância as pessoas são conduzidas a um rumo que pretende formar profissionais produtivos financeiramente, quais são as perspectivas para alavancar outros conhecimentos e potencialidades? Quantos talentos voltados para outras áreas deixam de ser estimulados? Como incentivar o pensamento crítico sobre as relações educacionais e sociais? Como podemos acolher as múltiplas características da inteligência se a avaliação desconsidera as aptidões naturais de cada um? Como exigimos inovação e diversidade de pensamento se os moldes são iguais para todos? Como não limitar a mente humana durante as práticas de educação se a linha de chegada é única?

Condicionando as crianças e jovens a ideia de aprender para lucrar, desperdiçamos a riqueza da criatividade humana que, por sinal, é muito perceptível nos mais novos. Deixamos de lado a valorização da originalidade e damos lugar ao ato de memorizar. Memorizar fórmulas, tabuadas, regras, datas… E, assim, minamos o futuro, a inovação, talentos e novas possibilidades, sem dar a devida importância à criatividade.

Efeitos no mercado de trabalho

E qual o efeito disso no mercado de trabalho? Formamos profissionais que dificilmente terão ideias originais porque não foram estimulados e porque não estão capacitados para lidar com os próprios erros, afinal, sempre foram avaliados por acertos e erros pré-determinados pelo sistema educacional. As respostas são prontas e engessadas - são certas ou erradas. Basta decorar, estudar.

Com isso tudo, chegamos a uma conclusão: a educação, como a conhecemos hoje, tem o objetivo de extrair recursos específicos para fabricar outros recursos capazes de produzir riquezas de uns, mas isso ocorre em detrimento das individualidades e satisfação de outros.
Aqueles que conseguem o sucesso, que alcançam as melhores posições nas empresas, poderes públicos e na sociedade são aqueles capazes de se adequar ao currículo de ensino, mas não necessariamente são aqueles com mais inteligência, talentos ou que fizeram mais esforços. O sistema educacional público é uma estrada para o ingresso à universidade e ao mundo corporativo e a aptidão acadêmica, que controla a visão geral sobre o que é a inteligência, define quem são as mentes brilhantes, valoriza determinados acertos e estigmatiza as pessoas que não se adequam a ela, fazendo-as a acreditarem que não são boas e inteligentes.

Como mudar? A educação pode ser libertadora ?
Sim, podemos ter uma educação que seja libertadora, que deixe de buscar exclusivamente por acertos e busque também valorizar a capacidade humana em toda sua totalidade, dando espaço para erros, criações e a livre expressão. Para isso é preciso reconstituir a concepção da educação, os princípios elementares de como as crianças são ensinadas, permitidas e limitadas.

Quer se aprofundar no assunto com leveza e entender como a educação e a qualificação se relacionam com a empregabilidade? No episódio #18 do Trampapo, Ana Paula Xongani e Ricardo Morais falam com as convidadas Patricia Anunciada e Camila Almeida sobre como a qualificação pode te libertar para uma vida profissional mais feliz e para um mercado de trabalho mais diverso. No podcast abordamos a educação humanizada e seu processo de inovação, desigualdades sociais, meritocracia e escola do futuro. Como podemos romper as barreiras e ajudar com a ascensão das pessoas menos favorecidas? As empresas podem contribuir para isso? Quais são as desvantagens de se adotar um sistema EAD? Se você ainda não ouviu, corre na home do site e ouça já!

Vem saber mais! #DicaExtracurricular

Patricia Anunciada

Patricia Anunciada é formada em Letras pela PUC/SP e pós-graduada em Língua e Literatura pela UNICAMP. Trabalha como professora de Português e Inglês, desenvolve estudos na área de Literatura Afro-brasileira e Educação para as Relações Étnico-Raciais e também cria conteúdos para o Blogueiras Negras e Letras Pretas, no Youtube. Suas dicas foram:
Vídeo: TED 2009 | Chimamanda Ngozi Adichie | O perigo da história única
Nossas vidas, nossas culturas, são compostas por muitas histórias sobrepostas. Chimamanda conta a história de como descobriu a sua voz cultural — e adverte que, se ouvirmos apenas uma história sobre outra pessoa ou país, corremos o risco de cometer um erro crítico.

Camila Almeida

Camila Almeida é formada em Desenho Industrial com Habilitação em Projeto de Produto pelo Mackenzie e tem pós-graduação em Design Estratégico e Inovação pelo Instituto Europeu de Design - IED São Paulo. Atualmente é Líder da Arco Academy | Design Estratégico na Arco Hub de Inovação e mentora voluntária de negócios na TODXS Impacto. Suas dicas foram:
Vídeo: TED 2006 - Ken Robinson | Será que as escolas matam a criatividade?
Nesta apresentação, Ken Robinson defende de maneira divertida e profunda a criação de um sistema educacional que estimula (em vez de enfraquecer) a criatividade.
Livro: Confiança Criativa - Libere Sua Criatividade e Implemente Suas Ideias, por David Keller e Tom Kelley
Para Camila, esta leitura tem o potencial de resgatar a criatividade dos adultos para que eles sejam mais inventivos, inovadores e curiosos.

Ricardo Morais, nosso host e gerente sênior de marketing e comunicação da Catho, indicou plataformas de cursos online e gratuitos.
1 - Google Primer - certificações do Google para o mercado de marketing digital e empreendedorismo digital
2 - Facebook Blueprint - certificações para as operar com eficiência as ferramentas e campanhas de Facebook e Instagram

Ana Paula Xongani, apresentadora do Trampapo, indicou dois livros e um podcast:
Livro: Ensinando a Transgredir: A educação como prática de liberdade, por bell hooks
Livro: Ensinando pensamento crítico: Sabedoria prática, por bell hooks
Ambos os livros abordam as práticas de ensino e aprendizagem sob uma perspectiva crítica ao sistema educacional e incentiva o questionamento, a liberdade e a consciência crítica, social, racial e de gênero.
Podcast: Nada Sei, do Instituto Ayrton Senna e apresentado também pela Ana Paula Xongani, que faz uma viagem sobre diferentes formas de aprender: ouvindo, observando, estudando, fazendo, errando, ensinando e pela emoção. São abordados temas como educação integral, competências socioemocionais, protagonismo juvenil, educação à distância, projeto de vida, educação por projetos, alfabetização e vários outros, sempre debatidos entre especialistas em educação e personagens da sociedade que têm muito a contar sobre o tema.

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