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Chefes autoritários, que desmotivam e não valorizam: como lidar

15/02/2021LIDERAÇÃO
Chefes autoritários, que desmotivam e não valorizam: como lidar

Chefes tóxicos são aquela história: se você nunca teve, você ainda vai ter.
Ou, pior, você é um deles!

Não sei o quanto você está por dentro da missão do Trampapo, mas vale dizer: nesta 2ª temporada, queremos engajar, empoderar e estimular pessoas a conquistarem seu espaço – e sua voz – no mercado de trabalho. O grande objetivo é mostrar a realidade de diferentes grupos da sociedade no mercado de trabalho e repensar, juntos dos ouvintes e convidados, em alternativas para tornar as oportunidades de emprego mais democráticas e as empresas mais diversas.

Pensando nisso, fica claro que uma das partes mais importantes para a construção de um mercado de trabalho mais humanizado é exigir que as empresas tornem suas lideranças mais preparadas para lidar com toda a complexidade que é cuidar de seus colaboradores. E quando dizemos ‘cuidar’, nos referimos a remunerar devidamente, sim, mas não apenas isso.

Uma boa liderança precisa ir além das habilidades estratégicas que conduzem as empresas para o lucro. Os líderes precisam ter foco nas pessoas, conhecer individualmente os membros do time e agir para gerenciar essa equipe para que realizem um trabalho integrado, com resultados, mas também com bem estar, segurança, aprendizado, confiança e perspectiva de futuro. E tudo isso depende dos líderes terem ou desenvolverem habilidades e competências de comunicação, didática, empatia, respeito e compreensão. Liderar é uma questão de habilidade comportamental!

Mas, como dissemos, se você nunca teve um chefe tóxico, é muito provável que você venha a ter. Ou a ser.

Chefes tóxicos estão por todos os lugares.

Infelizmente, essa é a realidade. Grande parte das empresas, ainda têm a visão de que chefes são melhores que líderes porque a figura de chefe, dentro das organizações, compactua com a ideia de que pressão traz mais resultados do que acolhimento; que funcionários são apenas números, e não pessoas reais com particularidades e sentimentos; que o caminho para tirar mais produtividade do time é apertar, sobrecarregar, assediar, ameaçar…

Isso acontece porque, em um curto prazo, a conduta de chefe autoritário, agressivo e extremamente pragmático pode dar resultados financeiros. Esse tipo de chefe consegue fazer com que seus colaboradores entreguem resultados rapidamente. Mas, no médio e longo prazo, a tendência é que esses mesmos colaboradores deixem de apresentar bons resultados por já estarem emocionalmente e psicologicamente abalados, vulneráveis, desmotivados e esgotados. E, por consequência, muitos deles acabam deixando seus empregos para buscar um ambiente de trabalho mais saudável, com liderança humanizada.

Mas, e então, para quem não quer arriscar trocar de empresa em um momento de crise econômica, o que resta é aceitar um chefe abusivo e tóxico e calar-se diante das injustiças? Vamos ver!

Chefes autoritários, que desmotivam e não valorizam: como lidar?

No episódio #17 do Trampapo, “Chefe x Líder: a humanização da gestão”, a convidada Bianca Machado, da Catho Empresas, comentou que ela e a grande maioria dos gestores começam suas carreiras como chefes tóxicos e, muitas vezes, esse estilo de gestão é uma reprodução da atitude de outros chefes que já passaram pela carreira desses novos líderes, ou que fazem parte da mesma empresa que eles/elas. E, então, caberá ao novo líder se autoperceber como alguém que reproduz abusos, que é autoritário, ou ausente, ou vaidoso, ou indeciso… ou tudo isso junto.

No entanto, a própria falta de referências em suas carreiras e nas empresas pode agir como um ponto cego, onde os líderes não conseguem ter essas autocríticas porque não enxergam exemplos próximos a eles de como deveria ser uma boa liderança, humanizada, empática e colaborativa. Além disso, como registramos mais acima, é comum ainda encontrarmos empresas que são permissivas e compatíveis com esse estilo de gestão de pessoas, e por isso a cultura organizacional delas acaba dando margem para esse tipo de comportamento, inclusive, em alguns casos, chegando a exigir que seus supervisores, coordenadores, gerentes e diretores ajam de tal maneira para atingir determinada lucratividade.

Considerando tudo isso, vamos para as dicas do Trampapo!

1 - Seu chefe e sua empresa ‘dão match’?
Se você está passando por uma situação complicada com seu chefe e se sente emocionalmente abalado, profissionalmente estagnado e psicologicamente desmotivado por causa das atitudes que ele tem com você, o primeiro passo que deve ter é observar se a cultura da empresa é permissiva com esse tipo de comportamento. Ou seja, se os valores e missão da empresa comunicam que ela preza pelo respeito e qualidade de vida dos seus funcionários, você já tem um indício de que sua possível queixa terá um respaldo, caso você busque ajuda dentro da empresa. Por outro lado, se a companhia para a qual você trabalha não propaga uma cultura humanizada e a própria alta liderança, os dirigentes dessa empresa, praticam atos duvidosos ou abusivos, está claro que seu gestor direto também é cobrado para que aja da mesma forma e, caso você leve suas insatisfações adiante, dificilmente terá o respaldo desejado.

2 - Feedbacks também são para chefes
Independente do grau de insatisfação com a relação com o seu chefe, sempre é válido colocar as cartas na mesa, abrir o coração e expor seus pensamentos. É preciso naturalizar o feedback em todos os sentidos: de líder para liderado, de liderado para líder, de colega para colega e assim por diante porque esse é o melhor caminho para alinhar expectativas e comportamentos. Entenda o feedback como uma forma de comunicação que deve ser constante para que você possa sempre falar sobre o que você achou de determinada situação, da forma como seu chefe agiu, falou, cobrou… Muitas vezes, os gestores têm a vontade de ouvir seus pontos falhos para que possam aprimorar a forma de conduzir o time e lidar com as pessoas, mas a falta de referências, treinamentos e feedbacks podem ser as peças que faltam para que eles se autoavaliem e transformem em ótimos líderes. Não tenha medo! Pense, planeje o que deseja falar e como, convide-o para um bate-papo e explique o que te incomoda, como isso te afeta e, se for o caso, qual a solução que você enxerga para esses problemas.

3 - Busque ajuda dentro da empresa
Se você avaliou que a cultura da sua empresa não corrobora com as atitudes inadequadas do seu gestor direto e se o feedback não tiver funcionado, você tem a opção de buscar a área responsável por lidar com esse tipo de situação. Normalmente, o setor de Recursos Humanos conta com um profissional ou atendimento específico para cuidar e amparar profissionais que foram assediados de alguma forma. Neste caso, você deve organizar, mesmo que mentalmente, o histórico de como tudo aconteceu para explicar o que vem sofrendo. Se você tiver provas como mensagens, emails ou testemunhas, reúna também para que esse setor responsável analise com precisão e saiba como agir para reverter o quadro, que pode ser acompanhar mais proximamente a relação da equipe e gestor em questão, oferecer treinamentos, movimentar integrantes de uma equipe para outra e, em alguns casos, até realizar o desligamento desse chefe abusivo.

4 - Saiba a hora de abandonar o barco
Em alguns casos, a melhor forma de sobreviver é largar a embarcação. Mesmo que seja para aquele bote salva-vidas que parece inseguro quando comparado à grandeza de um navio.
Dizemos isso porque acreditamos que alguns quadros emocionais e psíquicos podem ser muito graves e até irreversíveis quando o sofrimento causado pelos chefes é intenso. Doenças e distúrbios como depressão, burnout, que é o que chamamos de esgotamento profissional, estresse, insônia, ansiedade e tantos outros podem ser o resultado de permanecer em um ambiente tóxico e com mais pressão do que você pode aguentar. Então, mesmo que o mercado de trabalho não esteja tão propício, foque em conseguir outro emprego o mais rápido possível. Não espere estar completamente infeliz e abalado para agir e deixar para trás o que te faz mal e te faz se sentir menos seguro do que estaria se não estivesse naquele emprego.

O Trampapo acredita que falar sobre liderança é fundamental para que as pessoas que formam as equipes saibam reconhecer sob qual gestão estão. Os trabalhadores precisam estar atentos com relação a forma como são tratados ou destratados, incentivados ou desmotivados, respeitados ou desumanizados. E gestores e empresas precisam se conscientizar sobre a importância da humanização da gestão, afinal, é esse o caminho para que escritórios, lojas, agências, fábricas e todos os ambientes de trabalho sejam mais inclusivos, diversificados, produtivos, seguros e felizes.

Vem saber mais! #DicaExtracurricular

Bianca Machado

Bianca Machado é Gerente Sênior na Catho Empresas. Há 22 anos lidera times multidisciplinares entre áreas de vendas e recursos humanos. Gerenciou times de até 200 colaboradores, é criadora de conteúdo no instagram @bia_praticandoateoria, onde fala sobre liderança humanizada, recursos humanos e temas do mundo corporativo. É graduada em Direito, especialista em gestão estratégica de vendas e está cursando MBA em marketing na USP.

Como dica extracurrícular no podcast, indicou o vídeo:
Jack Welch Qual O Papel do Líder.
Para ela, a mensagem que Jack Welch passa nesse vídeo sobre a generosidade que os líderes devem ter é fundamental para todos.

Renata Prestes

Vitor Cruz é treinador de líderes e palestrante nas áreas de Liderança, Comunicação e Produtividade Pessoal e de Equipes, fundador do Instituto Brasileiro de Estratégias para Carreira e Vida - IBECAV, fundador do Nota11 Educação Online e autor de 12 livros. Além disso, ele também cria conteúdos sobre esses temas no instagram @vitorcruz_construindo_lideres. Sua dica de conteúdo foi:

Livro: Liderança Tóxica: Você é um líder contagiante ou contagioso? descubra o que a neuroliderança pode fazer por você - Alessandra Assad
Dicas para reformular os ambientes de trabalho e eliminar as toxicidades causadas pelos chefes.

Ricardo Morais, nosso host e gerente sênior de marketing e comunicação da Catho, indicou um filme que mostra como o respeito, carinho, empatia tem um potencial transformador.
Filme: Ao Mestre com Carinho (1967)

Ana Paula Xongani, host número 1 do Trampapo, indicou uma série dramática que mostra erros e acertos de uma liderança conturbada, com atitudes tóxicas mas também inspiradoras.
Série: How to get away with murder (2014)

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