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Ajude seu EU de amanhã

16/04/2021DIVERSIDADE
Ajude seu EU de amanhã

Você já ouviu falar em idadismo, etarismo, ageísmo ou “velhofobia”?

Todos esses nomes podem ser usados para o processo de criar estereótipos ou discriminar uma pessoa ou grupos de pessoas pela idade. Esse preconceito, que afeta principalmente quem chega às idades mais avançadas, ainda é pouco debatido e pode ser notado em atitudes e pensamentos discriminatórios, mas também nas políticas institucionais que excluem ou limitam a participação dos idosos e também de quem vai se aproximando da terceira idade em ocasiões sociais e no mercado de trabalho.

A discriminação contra os mais velhos pode ser considerada uma marginalização. Junto do envelhecimento, uma série de estigmas e tabus passam a ser associados à figura dos mais velhos em nossos meios de comunicação e na população de um modo geral. Uma pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2016, ouviu 83 mil pessoas em 57 países e mostrou que 60% dos entrevistados possuíam visão negativa sobre o envelhecimento. Podemos listar, dentre esses estereótipos, características negativas como serem lentos, fracos, desatualizados e desinformados, por exemplo. E essas falsas percepções geram prejuízos aos afetados. A American Psychological Association afirma que o preconceito etário é uma questão a ser tratada da mesma forma que a discriminação baseada em gênero, etnia ou orientação sexual, aumentando a necessidade de criar consciência pública sobre os problemas que ele pode causar.

Pensando nisso, coloque-se no “seu lugar”. Não é necessário ficar apenas no exercício empático. Considere que a ordem natural da vida vai te colocar nessa posição quando envelhecer. O preconceito em relação à idade gera exclusão, baixa autoestima, problemas de saúde e abuso. O etarismo é uma construção social e por isso cabe a nós combatê-lo, senão, além de endossar as violências praticadas contra os mais velhos, no futuro seremos as vítimas desse comportamento, podendo impactar negativamente nossa saúde, desempenho cognitivo e qualidade de vida.
No campo do trabalho, por exemplo, essa discriminação por idade pode gerar disparidades salariais, assédios morais, falta de apoio, problemas para conseguir promoções, mudar de carreira e ter maior dificuldade de encontrar emprego. De acordo com a US Equal Opportunity Commission, quase ¼ das reclamações apresentadas por trabalhadores estão relacionadas à discriminação com base na idade. Já um estudo da organização AARP relata quase 65% dos trabalhadores dizem que sofreram discriminação com base na idade no trabalho e 58% dos entrevistados afirmaram que o etarismo se tornou mais aparente para eles pós os 50 anos. Mas podemos observar aqui no Brasil, que aos 30 anos, já estamos falando de velhice. A nossa população tem medo de envelhecer porque sempre tivemos a cultura da juventude, do corpo jovem que é considerado belo e saudável. Então, além da discriminação dos mais velhos, a “velhofobia” inclui também esse pânico com relação ao envelhecimento, como se fosse o vencimento, o fim da validade de uma pessoa. O valor para a sociedade é perdido. Os mais velhos são considerados descartáveis, um custo para a economia e invasores dos espaços dos mais jovens, não sendo por acaso que somos o país que mais faz cirurgias plásticas no mundo todo.

Fazendo um recorte por gênero, também percebemos que as mulheres são mais afetadas por esse mecanismo de opressão, afinal, se ser mulher já é um um desafio a mais, ser velha é um lástima diante da sociedade, podendo ser ainda mais agravado se a mulher foi negra, LGBTI+ ou parte de algum outro grupo minorizado. A pressão estética é somada como um problema enfrentado principalmente pelas mulheres. A indústria antienvelhecimento alimenta essa pressão por interesses financeiros e estigmatiza os processos naturais do envelhecimento, que é o surgimento dos cabelos branco e grisalhos e de rugas, e empurra ainda mais pensamentos de baixa autoestima, falta de autoaceitação, abalos psicológicos, sociais ou físicos. Além disso, há uma cobrança em uma série de expressões e imposições. “Você deve se comportar de acordo com sua idade”. “Você já passou da idade de usar essa roupa”. “Sua idade não permite que você faça isso ou seja assim”. E, no fim, de fato a mensagem é recebida como uma verdade. De tanto ouvi-las, elas acreditam, se culpam e sem reprimem.

Recentemente, tivemos uma amostra muito esclarecedora de como o idadismo funciona no nosso país. Diante da pandemia da COVID-19, em que as pessoas mais idosas são as mais vulneráveis com relação aos riscos da doença, pudemos observar incontáveis discursos discriminatórios e desumanos, considerando essa população como um peso para a sociedade. Políticos dos mais baixos aos mais altos escalões, empresários, comerciantes e muitos jovens opinaram sobre a iminente morte dos mais velhos como um pretexto para não tomarmos medidas preventivas contra a expansão do contágio do vírus. Que “mais cedo ou mais tarde” eles vão partir, mesmo. Esse comportamento escancara esses preconceitos e violências. As pessoas mais velhas ficam sujeitas a exposições que afetam sua moral e saúde. Não são prioridade para receber tratamentos e leitos, além de ficarem mais fragilizados durante o isolamento social.

Considerando tudo isso, fica nítida a necessidade de fazermos algo HOJE. Tanto por aqueles que já são idosos, quanto por nós mesmos, que no futuro estaremos em posição igual. Temos que encarar o idadismo como uma questão de respeito e ética, mas também de qualidade de vida e saúde pública. Por meio de atividades intergeracionais, precisamos conscientizar e combater esse preconceito. Precisamos de uma transformação na maneira como enxergamos as pessoas mais velhas e suas capacidades, mas isso vai requerer muito atitudes proativas. É preciso questionar os padrões e imposições estéticos e de beleza atrelados aos mais jovens. É preciso conversar, incluir e integrar os mais velhos nos ambientes de trabalho, criminalizar o etarismo e se posicionar contra qualquer manifestação discriminatória.

Vem saber mais! PODCAST 🎧
#26 50+ no mercado: talentos não envelhecem
Experientes, conectados e conhecem a solução para boa parte dos problemas. Os profissionais maduros têm praticamente todas as qualidades que o mercado deseja. Então, por que a idade seria um problema? Neste Trampapo, Ana Paula Xongani e Ricardo Morais recebem Amanda Fernandes, coordenadora de RH da CashMe, e Layla Vallias, mercadóloga e co-fundadora do Guia Longevidade & Hype50+, para uma conversa sobre o mercado de trabalho para os profissionais com mais de 50 anos. Com o aumento da população idosa, as mudanças previdenciárias e da sociedade, é emergencial pensar em soluções para acabar com os preconceitos etários e com a cultura que exclui e invalida os mais experientes das empresas. Como podemos incentivar a permanência e a entrada dos idosos no mercado? Como eles podem contribuir para a saúde e inovação dos negócios? Quer fazer parte dessa conscientização e movimento? Ouça aqui mesmo, no site do Trampapo, ou nas principais plataformas de podcast.

Layla Vallias

Layla Vallias:
Layla é uma empreendedora da indústria prateada, está na lista Forbes Under 30 de 2021, fundou o Hype50+ em 2016, uma consultoria de marketing pioneira especializada no consumidor sênior e da Janno, startup que está criando diversas soluções para os desafios da longevidade. Foi uma das idealizadoras e coordenadoras do Tsunami60+, maior estudo sobre Economia Prateada e Raio-X do público maduro no Brasil, com quase 2.500 entrevistados entre 55 e 90 anos de idade, além de diretora do Aging2.0 São Paulo, organização de apoio a empreendedores com soluções para o envelhecimento em mais de 20 países. Mercadóloga de formação, com especialização em marketing digital pela Universidade de Nova York, trabalhou também com desenvolvimento de produto na Endeavor Brasil.

Sua dica no episódio #26 foi:
Grace and Frankie | Site Oficial Netflix
“A minha dica para quem tem Netflix, é assistir Grace and Frankie, gente, que é o melhor seriado, assim, você vai quebrar todos os preconceitos, todos os tabus, quando você ver duas mulheres acima de 80 anos, vendendo vibrador, assim, você quebra tudo, tudo cai por terra. Então assim, assistam.
Quem não tem Netflix, sigam a Rita Lee no Instagram, que já é também, Vera Holtz, que é maravilhosa. Então assim, só vai, gente, sigam pessoas mais velhas e inspiradoras, que vão te dar, te dar gás para chegar lá bem.”

Amanda Fernandes

Amanda Fernandes:
A atual Coordenadora de Recursos Humanos da CashMe, a fintech do Grupo Cyrela, tem experiência na gestão e em processos de Recrutamento e Seleção de diversas marcas; atuando como Business Partner, apoiando os gestores nas tomadas de decisões e prestando um papel consultivo; desenvolvendo Planos de Treinamentos; acompanhamento do período de experiência dos novos colaboradores; conduzindo ciclos de avaliação de desempenho, de desenvolvimento organizacional, endomarketing e comunicação interna. Sua dica no episódio #26 foi:

CBN Gerações Podcast
“Por coincidência depois eu me dei conta de que ela estaria aqui entre nós, é o podcast da CBN Gerações, então acho que é muito legal não só a gente falar do tema em si, de hoje, mas de gerações de uma forma geral, por que não tem como falar só de gente mais velha, só de gente mais nova, a gente tem que falar de todas as gerações no mesmo espaço. Então acho que são histórias e trajetórias legais de aprendizados, de profissionais, enfim, de diferentes idades. Então deixo essa aí a minha dica para vocês.”

Veja as dicas de conteúdos que os hosts deixaram:

Ricardo Morais:
Avós da Razão | Canal do Youtube
“Tem um canal que tem no youtube, “Avós da Razão”, é um programa apresentado por três mulheres, a Gilda de 78, a Sandra de 83 e a Helena de 92. Elas respondem perguntas enviadas pelos internautas, assim através de vídeos mandados por WhatsApp, e elas colocam sempre no canal delas no YouTube. E aí tem toda sorte de opinião, conselho, muito engraçado e perspicaz, porque elas contam com a história delas, as três amigas se conhecem há mais de 50 anos, então elas colocam, tiram esse estereótipo da vovó e você tem aquele conselho de alguém com muita experiência. É fenomenal, é fenomenal, assim, vale à pena.”

Ana Paula Xongani:
ENVELHECER | Por Maíra Lemos
“Vou indicar também um vídeo do YouTube, da Maíra Lemos, ela traz várias reflexões sobre os idosos e sobre essa fase da vida.”
Cris Mendonça | @crismendoncacris
“E quero indicar também minha bloguerinha preferida, Cris, minha mãe, que como eu disse, está no Instagram, e também está arrasando muito mais do que eu no Tik Tok. Para a gente se aproximar dessas referências, desse cotidiano de pessoas sexagenárias, como eu disse, é o jeito que ela gosta de ser lembrada. É muito bom para a gente se aproximar mesmo, gerar afeto, empatia e levar para o mercado de trabalho.”

Beijos, da equipe Trampapo <3
Até a próxima!

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